Como medir a pretensão de um livro | Ana Elisa Ribeiro | Digestivo Cultural

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Sexta-feira, 10/5/2019
Como medir a pretensão de um livro
Ana Elisa Ribeiro

+ de 700 Acessos

Mal escrevi este título e já me arrependi. Não sei se o livro tem culpa no cartório. A pretensão pode ser do autor ou da autora, do editor ou da editora, do departamento de marketing ou de quem mais houver envolvido no empreendimento, seja ele de grande ou de pequeno porte. Culpei o objeto livro por algo que ele apenas materializa. Humanizei, antropomorfizei, mas o intuito era comentar (e apenas isso) minha percepção sobre alguns livros que leio, desleio, releio, transleio e mesmo dos que desprezo na estante, até que me venha uma gana qualquer de lê-lo.

O que chamei de "pretensão" pode ser sinônimo de "presunção" e mesmo de "arrogância". Mas também pode significar "desespero", "despreparo", "exagero" e um tantinho de falta de noção. De maneira mais simples e direta, pode ser só uma pergunta: o que este livro/autor(a) pretende? Vai saber. Só mesmo nos bastidores de uma produção editorial de livro é que se pode compreender o que de fato ocorreu. E daí? Apenas terá ocorrido.

Livros são objetos tão antigos quanto complexos. Não vou aqui me aprofundar nessas questões tecnológicas, sociais, sociológicas. O que quero deixar posto é que se trata de um objeto compósito. Não é apenas uma coisa qualquer, não é apenas um emaranhado de textos. Um livro (e sua existência material) é tão político quanto sinal de resistência, persistência, insistência. A despeito de qualquer força contrária, os livros existem. Com eles, seus escritores e seus leitores, menos duradouros do que o objeto, como sabemos.

Para existir bem, é comum que um livro seja integrado por vários textos, além do "principal". Prefácio, introdução, apresentação, orelhas, quarta capa, posfácio e o que mais existir que possa compor, emoldurar, contextualizar, avalizar e mais... um texto que às vezes é de um iniciante, outras vezes, não. Em caso de escritor conhecido, pode ser que esses paratextos (para usar o termo de Genette) sirvam para analisar, historiar, elevar ainda mais a obra. É quando tomamos para ler um poemário do Manuel Bandeira e ele vem com um prefácio inteligente de um estudioso universitário, como que a nos ajudar a compreender aquela obra. Um pouco de aula, um pouco de contextualização, um tanto de explicação.

No caso de escritores iniciantes, ocorre algo parecido, mas a troca simbólica é mais assimétrica. Um nomão da universidade ou um crítico badalado emprestam suas assinaturas a prefácios ou orelhas que avalizam o texto principal, os poemas, contos ou o romance, a fim de "dar um pezinho" ao autor que ali se joga no palheiro da literatura nacional, seja ela qual for.

Funciona. Muitas vezes, o nomão ou a nomona ajudam a alçar o iniciante a "promessa da nova geração". Muitas vezes, tudo fica apenas na promessa, porque são muitos os elementos que levam alguém ao cânone. No entanto, esses mecanismos (que chamam por aí de legitimadores ou tais) estão aí e mantêm a marcha, desde que o mundo é mundo e tem livros com que se preocupar. Um iniciante geralmente vai em busca de um(a) fiador(a) relevante, que o/a ajude a se destacar ou ao menos a convencer os resenhistas e os colegas de labuta. É uma espécie de QI (quem indica) literário e que não tem demérito por existir. Qual é o problema de dizer que alguém é promissor ou que vale a pena prestar atenção?

Meu incômodo é quando sobra. Sobra prefácio, posfácio, orelha e falta miolo. Quando há tanto o que ler antes e depois que nossas expectativas ficam altas demais para pouco material. Livros feitos com tantos paratextos que nos fazem desconfiar de suas possibilidades: precisam falar tanto assim? Livros que vêm com trechos da fortuna crítica em jornais e revistas, livros excessivamente cercados, livros em que o autor e/ou o editor juntam tudo o que há que possa testemunhar a genialidade do postulante a novo(a) escritor(a) canônico. Quando me parece demais, a santa desconfia.

Mas não quero pisar no calo dos(as) colegas. Já fiz isso. Já encomendei prefácio chique, já pedi ajuda de celebridade, já recortei matérias de jornais em que diziam como eu era interessante e como minha poesia era sagaz. Nunca adiantou muito. É claro que um ou outro reparou nos links, na network, mas nada disso me fez passar de uma promessa. E ainda estou com sorte: alguns não passam de mentiras.

Há certas editoras que têm tanta bala na agulha que podem inventar autores. Elegem um ou uma para ser o próximo "melhor romancista do século" e executam uma campanha de convencimento bastante efetiva. Já vi matéria em revista sobre livro de autor iniciante que ainda nem tinha sido lançado... mas já era o gênio do milênio. Mesmo com toda essa força de marketing e de mercadão, não há controle sobre o que realmente ocorrerá a um(a) autor(a) ou a um livro. Todo esforço pode ser vão.

Li alguns livros de poesia nos últimos meses, um ou dois romances, um livro de contos e outro de crônicas. A maioria de editoras pequenas, muitas fora do eixão-mais-do-mesmo. A ideia é ser afetada pela diversidade que há e pelo que acontece, fervilha, em todos os cantos do país. A ideia é também falar do que precisa ser visto e falado; deixar o que e quem não precisa por conta dos que só enxergam o metro adiante. Em vários casos, paratextos levantam autores e obras, a ver se alguém corta e faz ponto. Nem sempre acontecerá. Na maioria dos casos, não. Em alguns deles, o excesso de fiadores torna o livro pretensioso, o que pode não cair bem.

A pretensão ou a presunção podem estar na linguagem de uma obra, mas também na sua apresentação, na forma como ela vem ao mundo, rodeada de padrinhos e madrinhas de maior ou menor capital simbólico. Em alguns casos, nomes regionais; em outros, figuras amplamente conhecidas. E essas escolhas vão afetar um livro para sempre. Conheço quem opte sempre por publicar livros "secos", despidos de quaisquer paratextos que os distorçam ou emoldurem; conheço quem prefira ser apresentado(a), convidando professores, críticos e outros escritores(as) a entregar o texto ao(à) leitor(a); e conheço quem tenha tomado decisões erradas, erradíssimas, e tenha sido marcado de tal forma que o que era para ser um texto fiador ou de apresentação se transformou em um estigma.

Mas quando é que um livro diz por si mesmo? O que é a mínima existência de um livro e de seu(sua) autor(a)? Ter uma editora X ou Y já envolvem aval, fiança, confiança. E não ter nada? Ou ter em excesso? Enfim, esse "mercado" já foi tema de muitos poemas, de maneira irônica ou não, e continuará sendo. Sorte de quem se apoia nos elementos certos, na justa medida de um bom livro.


LeP



Ana Elisa Ribeiro
Belo Horizonte, 10/5/2019


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