O reinado estético: Luís XV e Madame de Pompadour | Jardel Dias Cavalcanti | Digestivo Cultural

busca | avançada
81347 visitas/dia
2,7 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Exposição virtual 'Linha de voo', de Antônio Augusto Bueno e Bebeto Alves
>>> MAB FAAP seleciona artista para exposição de 2022
>>> MIRADAS AGROECOLÓGICAS - COMIDA MANIFESTO
>>> Editora PAULUS apresenta 2ª ed. de 'Psicologia Profunda e Nova Ética', de Erich Neumann
>>> 1ª Mostra e Seminário A Arte da Coreografia de 17 a 20 de junho
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> 20 contos sobre a pandemia de 2020
>>> Das construções todas do sentir
>>> Entrevista com o impostor Enrique Vila-Matas
>>> As alucinações do milênio: 30 e poucos anos e...
>>> Cosmogonia de uma pintura: Claudio Garcia
>>> Silêncio e grito
>>> Você é rico?
>>> Lisboa obscura
>>> Cem encontros ilustrados de Dirce Waltrick
>>> Poética e política no Pântano de Dolhnikoff
Colunistas
Últimos Posts
>>> Cidade Matarazzo por Raul Juste Lores
>>> Luiz Bonfa no Legião Estrangeira
>>> Sergio Abranches sobre Bolsonaro e a CPI
>>> Fernando Cirne sobre o e-commerce no pós-pandemia
>>> André Barcinski por Gastão Moreira
>>> Massari no Music Thunder Vision
>>> 1984 por Fabio Massari
>>> André Jakurski sobre o pós-pandemia
>>> Carteiros do Condado
>>> Max, Iggor e Gastão
Últimos Posts
>>> A lei natural da vida
>>> Sem voz, sem vez
>>> Entre viver e morrer
>>> Desnudo
>>> Perfume
>>> Maio Cultural recebe “Uma História para Elise”
>>> Ninguém merece estar num Grupo de WhatsApp
>>> Izilda e Zoroastro enfrentam o postinho de saúde
>>> Acentuado
>>> Mãe, na luz dos olhos teus
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Gullar no Ofício
>>> Qualidade de vida
>>> A excelência do espírito
>>> O paulistano cordial
>>> É possível conquistar alguém pela escrita?
>>> Ensaio.Hamlet e a arte de se desconstruir quimeras
>>> John Fante: literatura como heroína e jazz
>>> Imprensa em 2002
>>> Oswald de Andrade e o homem cordial
>>> Computadores, iPads e colheres de pau
Mais Recentes
>>> Arte brasileira de Circulo do Livro pela Circulo do Livro (1988)
>>> Galeria Nacional - Londres de Enciclopédia dos Museus pela Melhoramentos (1969)
>>> The Bolshoi Ballet de Yuri Slonimsky pela Foreign (1990)
>>> Gênios da Pintura: Veronese 21 de Luís Carta e Outros pela Abril Cultural (1967)
>>> Frank Lloyd Wright - Volume 1 de Gianluca Gelmini pela Folha de São Paulo (2011)
>>> Censo Cultural - São Paulo 1990 : Interior e Litoral de Secretaria de Estado da Cultura pela sec de Estado da Cultura (1990)
>>> 1000 Desenhos para quem não sabe desenhar - um verdadeiro dicionário de desenhos de Jean Arestein pela Ediouro grupo coquetel (1989)
>>> Madeira : Raiz do Brasil de Renato Brunello pela Caixa Cultural (2003)
>>> O Chamado da Floresta de Jack London pela Atica (1995)
>>> Que Azar, Godofredo! de Alexandre Azevedo pela Atual (1989)
>>> Dingono, o Pigmeu de Rogério Andrade Barbosa pela Melhoramentos (1997)
>>> É Difícil de Entender, Vô! de Nelson Albissú pela Atual (1993)
>>> The World God Made de Alyce Bergey pela Arch (1965)
>>> The True Story of Romeo and Juliet Stage 4 de Eduardo Amos pela Moderna (1997)
>>> Alfabetto - Autobiografia Escolar de Betto pela Atica (2002)
>>> O Portão Vermelho Romance Duma Terra Distante de Lin Yutang pela Pongetti (1958)
>>> Hidroterapia e Outros Tratamentos Naturais de Antônio Natanael de Paiva pela Casa (2003)
>>> Aventura na Serra do Mar de Fernando José de Souza pela Casa Publicadora Brasileira (1905)
>>> 24 Estudos de Execução Fácil para Piano de Pozzoli pela Ricordi (2000)
>>> Hanon o Pianista Virtuoso de A Schott pela Ricordi (1984)
>>> Sete Povos das Missoes de Walter Vetillo; Eduardo Vetillo pela Cortez (2012)
>>> Iniciação ao Violão Volume II de Henrique Pinto pela Ricordi (2000)
>>> Grandes Compositores e Suas Histórias de Hannelore Bucher pela Bucher (2004)
>>> Exercícios de Teoria Elementar da Música de Osvaldo Lacerda pela Ricordi (2000)
>>> A Técnica Diária do Pianista de E. Pozzoli pela Ricordi (2000)
COLUNAS

Terça-feira, 17/9/2019
O reinado estético: Luís XV e Madame de Pompadour
Jardel Dias Cavalcanti

+ de 22100 Acessos



1715 é o ano da morte de Luís XIV. A partir dessa data a França mudaria radicalmente seu espírito. O comportamento do reinado de Luís XIV, austero, solene, com sua etiqueta praticamente litúrgica chegava ao fim.

O herdeiro foi Luís XV, que estava com cinco anos quando Luís XIV morreu. Até atingir a maioridade, quem ficou na regência foi Philip de Orléans, que governava de seu Palais Royal. O Palácio de Versalhes, pronto mas abandonado, só se tornou residência real em 1723, com a vinda de Luis XV, já em sua maioridade.

A diversão começou. Luís XV era inteligente, culto, admirador das artes... e do amor. Tão logo instalou-se em Versalhes, entregou-se a uma vida extravagante, com excessos devassos, em busca da joie de vivre. Depois de um tempo casado com Maria Leszczynska, que lhe deu filhos, mas era considerada tola e irritante e lhe desagradava na cama, partiu para os braços de outras mulheres, como Madame de Mailley e suas irmãs, pulando de cama em cama.

Em 1742 acontece a grande reviravolta na vida de Luís XV, ao conhecer a mulher que ficaria ao seu lado por pelo menos vinte anos: Madame de Pompadour. Ela exerceu forte influência sobre a arte francesa e contribuiu para a criação do famoso estilo Luís XV. Mesmo vindo da petite bourgeoisie, absorveu os costumes da corte e sob sua forte personalidade transformou a própria corte. Talentosa, dançava, cantava, representava, sabia pintar, fazia gravuras (aluna de Boucher) e acompanhava a manufatura da porcelana de Sèvres. Era leitora dos autores enciclopedistas, tendo interesse por O Espírito das Leis, de Montesquieu. Seu retrato, feito por Latour, a mostra rodeada por estes livros. Deu proteção aos artistas e marceneiros destacados da época. Tornou-se para a França uma espécie de arbiter elegantiarum, sendo ela a chave para se compreender o gosto francês da primeira metade do século XVIII, ao qual conferiu graciosidade e feminilidade. Grande colecionadora de arte, grande leitora e importante influência na corte de Luís XV, foi a mulher mais ativa do período.



Talvez sob a influência de Pompadour, o rei acabou se preocupando mais com seu guarda-roupa, seus móveis e a decoração dos seus châteux do que com assuntos de estado. Tudo o que dizia respeito à moda e arte passou a interessá-lo.

A moda tornou-se a tirania da época (até as cadeiras tinham que se submeter à roupa das mulheres — os enormes vestidos usados criaram a necessidade de cadeiras com braços curtos para que as amplas dobras de seda multicolorida pudessem cair graciosamente pela tapeçaria petit-point de forrava os assentos. A frivolidade picante, picaresca convidada à busca dos prazeres, em todos os sentidos e lugares.

O ambiente das casas mudou, buscando-se a cálida intimidade de apartamentos pequenos, com salas compactas, decoradas com padrões vistosos, alegres. Tudo era vistoso, brilhante e confortável, mesmo sendo rebuscado.

A influência sobre os ricos se deu imediatamente, tornando-os colecionadores de desenhos, pinturas, porcelana, conchas — tudo o que atiçasse a fantasia e fosse elegante, despertando o prazer estético. Era hábito de Luís XV presentear monarcas com caixas de rapé cravejadas de diamantes e adornadas com seu retrato.

A exótica China também se apresentou ao seu reinado, uma China sui generis, empoada, coquete que fornecia laca para os móveis dos marceneiros parisienses e magníficos vasos de porcelana, que ourives europeus adornavam para aumentar sua graciosidade e beleza.

A época do Bien-Aimé Luís XV foi o reinado da frivolidade e do luxo excessivo, mas também foi a época do pensamento. Voltaire dizia que na sua época “as mentes se esclarecem bem mais do que em todos os séculos anteriores”. Rousseau (com suas ideias de igualdade e volta à natureza), Montesquieu (despertando o pensamento político), os enciclopedistas (D`Alembert e Diderot), deram início ao pensamento moderno que desaguou na Revolução de 1789.

Luís XV sempre protegeu os interesses da arte, escolhendo o que havia de mais contemporâneo em termos de talento, como os pintores La Tour e Boucher, por exemplo, dentre outros. Foi a partir de 1737 que se passaram a realizar os Salons (primeiras exposições de pintura do mundo), que foram motivo das crônicas críticas de Diderot.

Esplendor e magnificência são palavras que definem a corte de Luís XV. A imagem que melhor define o período é a de Madame Pompadour, num inverno rigoroso, enchendo os canteiros de seu jardim com flores de porcelana e borrifando sobre ela perfumes para completar a ilusão.

A arquitetura também definiu o gosto da época. Arquitetos produziam projetos que inspiravam a criatividade dos artesão, dos marceneiros, dos ourives que multiplicavam a delicadeza sobre todos os objetos do cotidiano. O planejamento urbano também foi se aperfeiçoando com a criação de praças, pátios com seus arcos e portais encimados por motivos rococós dourados.

O rocaille tornou-se o termo definidor para o estilo decorativo do século XVIII. Os motivos decorativos eram encontrados em todo lugar, no punho de uma espada real, na alça de um jarro, nas peças de bronze de uma cômoda, na indumentária de uma deusa pintada por Boucher, no bordado de um vestido, na alça de um sapato etc. Essencialmente, rocaille é um padrão ornamental derivado de motivos encontrados na natureza, mas totalmente abstrato do ponto de vista decorativo. Agora comumente se chama de estilo rococó toda arte derivada dessa prática decorativa.

Mesmo com seu reinado finalizado, continuou-se a produzir móveis e peças rococó, de maneira que o rótulo Luís XV não implica necessariamente que o objeto seja feito durante seu reinado, entre 1722 e 1744.



A pintura francesa, no século XVIII, foi dominada por artistas excepcionais como Watteau, Boucher, Fragonard, Chardin, La Tour, dentre outros.

Só no século XVIII o mobiliário adquiriu o requinte do conforto e da beleza ao mesmo tempo, adornando de forma despreocupada, rica e elegante as salas da sociedade da França de Luís XV.

Foi com Luís XV e Madame de Pompadour que a França tornou-se o centro do bom gosto e da moda, que se propagou por toda a Europa, a Meca cultural almejada por todos. Na Rússia, Alemanha e Suécia, o francês tornou-se a língua das pessoas cultas. Os principais monarcas competiam pelos serviços dos artistas franceses, sendo, por exemplo, Frederico, O Grande, a maior colecionador de Watteaus. Voltaire e Diderot tornaram-se conselheiro de muitos monarcas europeus em termos de coleções de arte, literatura e filosofia política.

É claro que tudo isso não tem nada a ver com o governo tosco, medíocre e acéfalo de Bolsonaro e sua pequena dama.

Para ir além:




Jardel Dias Cavalcanti
Londrina, 17/9/2019


Quem leu este, também leu esse(s):
01. A barata na cozinha de Luís Fernando Amâncio
02. O nome da águia de Gian Danton
03. Ditadura e um urso gostoso de Marcelo Miranda


Mais Jardel Dias Cavalcanti
Mais Acessadas de Jardel Dias Cavalcanti em 2019
01. O reinado estético: Luís XV e Madame de Pompadour - 17/9/2019
02. Dor e Glória, de Pedro Almodóvar - 16/7/2019
03. Rinoceronte, poemas em prosa de Ronald Polito - 8/10/2019
04. Minimundos, exposição de Ronald Polito - 19/3/2019
05. As Lavadeiras, duas pinturas de Elias Layon - 22/1/2019


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Grande Enciclopédia da Cozinha - Aperitivos Rápidos e Embutidos
Vários Autores
Século Futuro
(1989)



Tentando Entender Monterroso
Luiz Arraes
7 Letras
(2005)



Liebermann Slevogt Corinth
Instituts Für Auslandsbeziehungen
Druckgrafik
(1986)



Novas Tendências nos Estudos do Direito Civil
Revista Arché Interdisciplinar Nº 24 Vol Viii
Ucam (rj)
(1999)



Milenarismo Vasco: Edad de Oro, Etnia y Nativismo
Juan Aranzadi
La Otra Historia de Espana;
(1981)



Entre Elos Perdidos
David Léo Levisky
Imago
(2011)



Eldorado Garimpo Coragem
Paula Saldanha
Ftd
(1994)



Varejo e Cliente
Henrique Aronovich
Dvs
(2006)



Homenaje y Memoria: Centenario Salvador Allende : Obras del Museo
Centro Cultural Palacio La Moneda (chile)
Fundacion Salvador Allende
(2008)



The Xeno Chronicles: Two Years on the Frontier of Medicine Inside
Philip Hoare
Record
(2009)





busca | avançada
81347 visitas/dia
2,7 milhões/mês