Cidade de Deus: o maior barato | André Pires | Digestivo Cultural

busca | avançada
114 mil/dia
2,3 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Valéria Chociai é uma das coautoras do novo livro Metamorfoses da Maturidade
>>> Edital seleciona 30 participantes do país para produção de vídeos sobre a infância
>>> Joca Andreazza dirige leitura de Auto da Barca de Camiri na série 8X HILDA
>>> Concerto Sinos da Primavera
>>> Aulas on-line percorrem os caminhos da produção editorial
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Um antigo romance de inverno
>>> O acerto de contas de Karl Ove Knausgård
>>> Assim como o desejo se acende com uma qualquer mão
>>> Faça você mesmo: a história de um livro
>>> Da fatalidade do desejo
>>> Cuba e O Direito de Amar (3)
>>> Isto é para quando você vier
>>> 2021, o ano da inveja
>>> Pobre rua do Vale Formoso
>>> O que fazer com este corpo?
Colunistas
Últimos Posts
>>> Queen na pandemia
>>> Introducing Baden Powell and His Guitar
>>> Elon Musk no Clubhouse
>>> Mehmari, Salmaso e Milton Nascimento
>>> Gente feliz não escreve humor?
>>> A profissão de fé de um Livreiro
>>> O ar de uma teimosia
>>> Zuza Homem de Mello no Supertônica
>>> Para Ouvir Sylvia Telles
>>> Van Halen ao vivo em 1991
Últimos Posts
>>> Janelário
>>> A vida é
>>> (...!)
>>> Notívagos
>>> Sou rosa do deserto
>>> Os Doidivanas: temporada começa com “O Protesto”
>>> Zé ninguém
>>> Também no Rio - Ao Pe. Júlio Lancellotti
>>> Sementinas
>>> Lima nova da velha fome
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Carnaval só ano que vem, da Orquestra Imperial
>>> Os tataravôs da filosofia
>>> Sexo, drogas e rock’n’roll
>>> Dostoiévski era um observador da alma humana
>>> Matisse e Picasso, lado a lado
>>> Nélson e Otto #Clássico
>>> 2021, o ano da inveja
>>> Escritor: uma ambição
>>> O Rei Roberto Carlos e a Ditadura
>>> Uma leitura jornalística
Mais Recentes
>>> O Trílio Negro de Marion Zimmer Bradley; Julian May; Andre Norton pela Rocco (1992)
>>> Opus Dei - Análise e Depoimentos de David Fernandes pela Alley (2006)
>>> Atlas de Astronomia de S. J. I. Puig pela Lial (1985)
>>> Pau Brasil - Fac-similie (1ª Edição) de Oswald de Andrade pela Universidade de São Paulo (2003)
>>> Ansiedade 2 - Autocontrole de Augusto Cury pela Benvirá (2016)
>>> Ansiedade 2 - Autocontrole de Augusto Cury pela Benvirá (2016)
>>> Sin City - a Dama Fatal, V. 2 de Frank Miller pela Devir (2005)
>>> Carnaval Carioca 100 Anos - Acompanha Cd de Caras pela Caras (2000)
>>> Os Senhores do Norte - Crônicas Saxônicas - Livro 3 de Bernard Cornwell pela Record (2007)
>>> Elite da Tropa 2 - o Inimigo Agora é Outro de Luiz Eduardo Soares / Cláudio Ferraz / André Ba... pela Nova Fronteira (2010)
>>> Processo Penal de Alexandre Reis pela Saraiva (2004)
>>> Para tão Longo Amor de Álvaro Cardoso Gomes pela Moderna (2003)
>>> A Batalha dos Mortos de Rodrigo de Oliveira pela Faro Editorial (2013)
>>> Tudo Que Você Precisa Saber Sobre Arqueologia de Paul Bahn pela Ediouro (1993)
>>> Uma voz diferente de Carol Gilligan pela Rosa dos Tempos (1990)
>>> Teoria Geral Processo de Carlos Barroso pela Saraiva (2003)
>>> Uma voz diferente de Carol Gilligan pela Rosa dos Tempos (1990)
>>> A Semente da Vitória 32º Edição de Nuno Cobra pela Senac Sp (2002)
>>> Canto General de Pablo Neruda pela Ediciones Oceano (1952)
>>> História de Mariquinha e José de Souza Leão de João Ferreira de Lima pela Não informado
>>> O Tempo das Catedrais a Arte e a Sociedade 980-1420 de Georges Duby pela Editorial Estampa (1979)
>>> Ingenuo? Nem Tanto... de Bariani Ortencio pela Saraiva (2007)
>>> Nietzsche - Volume III - o Filósofo e a Educação de Coleção Guias de Filosofia pela Escala (2013)
>>> Mitos Hindus e Budistas de Irmã Nivedita; Ananda Kentish Coomaraswamy pela Landy (2002)
>>> Grip de Kennedy Ryan pela Kennedy Ryan
COLUNAS

Segunda-feira, 7/10/2002
Cidade de Deus: o maior barato
André Pires

+ de 4100 Acessos
+ 3 Comentário(s)

Eu já tinha pensado em fazer uma crítica ao filme Cidade de Deus há algum tempo, mas de repente todo mundo começou a fazer, virou modinha, então desisti.

Acabei voltando atrás em minha decisão, porém, com uma ressalva. Diferente de todos os jornais, revistas, blogs, trogs e mogs que têm por aí, farei uma crítica da crítica. Sei que li muita coisa interessante sobre o filme. Uns falando mal, outros tantas falando bem. Eu, particularmente, achei o filme muito bom. Meio que macacado de Guy Ritchie, Quentin Tarantino, mas sem perder um "quê" carioca. E, além do mais, os caras são mesmo o expoente da renovação de estilo cinematográfico do circuitão. Pelo menos no que diz respeito à estética, que fique bem claro, pois em matéria de conteúdo o cinema não-americano sempre deu de mil.

As críticas contra o filme, pelo que pude perceber, dividem-se basicamente em duas categorias: as que afirmam que o visual do filme não é cru, sujo e porco, de modo a retratar a realidade do mundo (e não submundo) da miséria brasileira. Uma espécie de sacrilégio aos deuses do Cinema Novo e a sua aclamada estética da fome. Rebato: pra mim isso é choro de velho retrógrado e saudosista. Dane-se que os diretores usaram outra fotografia que não "a crueza do Cinema Novo". Por mais que eu ache Glauber Rocha um gênio, nessa hora tenho que dizer: dane-se o Cinema Novo -inserido no contexto, pelo amor de Deus-, hoje em dia um filme com uma estética diferente da mesmice habitual (como em CDD), bonita (como em CDD), contextualizada por uma narrativa ágil e moderna (como em CDD), atrai muito mais do que se Fernando Meirelles quisesse ressuscitar a "câmera na mão e uma idéia na cabeça". Existem outras maneiras de se fazer cinema hoje em dia que são merecedoras de aplauso e admiração, e que podem atrair mais facilmente um grande número de espectadores, contribuindo não só para o sucesso financeiro da empreitada, como para uma maior exposição da discussão, pelo menos. Os tempos são outros. Parece a mãe que reclama do filho escutar tecno e não se lembra de quando seus próprios pais reclamavam do som dos Beatles.

O segundo tipo de crítica é em relação a ausência no filme de um debate, se é que se pode chamar assim, ou de cenas que mostrassem as causas daquele flagelo social que é o corpo do filme. Alguns acharam que o filme é apenas um "passeio no zoológico humano de CDD", como aqueles jipes pra gringo passear na Rocinha. Não denuncia, não critica, não propõe nada, não discute... não leva a lugar nenhum. Divertimento para classe média americanóide e boçalóide. Digo eu: primeiro que esses críticos caíram no mesmo erro de que acusam os diretores do filme. Não aproveitaram seu espaço para incutir uma crítica construtiva ou, ao menos, denunciativa das medidas econômicas e interesses transnacionais de nos manter na mais absoluta miséria e ignorância (sendo a Cidade de Deus mais um de seus inúmeros sintomas). Falaram, falaram e não disseram nada. E mais: goste ou não do filme, ache ou não que ele denuncia um flagelo sócio-econômico de nosso país, o simples fato de citá-lo e analisá-lo em sua coluna ou matéria, já é uma oportunidade de fazer com que o leitor um pouco mais interessado pense na formação e manutenção histórica de nossas condições sociais.

Se bem que o próprio escritor Paulo Lins, em entrevista a este que vos escreve, disse que a única coisa que não gostou no filme foi o fato de não ser narrada a trajetória de Dadinho até se tornar Zé Pequeno. Ele achou que dava a impressão de que os sanguinários traficantes da Cidade de Deus e outras favelas cariocas são psicopatas naturais, quando na verdade são produtos diretos de uma realidade violenta e excludente. Pude assistir a uma palestra com Katia Lund (co-diretora) e ela disse que o interessante desse filme é que ele vai além. Ele se estende para as mesas de bar, salas de universidade, etc., discutindo a questão da pobreza, da marginalidade, da exclusão social.

O livro, como sempre, é melhor. Mas eu gostei do filme. É uma boa oportunidade para se pensar e, quem sabe, agir! Quem recebe tudo mastigadinho é filho de índia peruana.


André Pires
Rio de Janeiro, 7/10/2002


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Precisamos falar sobre Kevin de Renato Alessandro dos Santos
02. Os Doze Trabalhos de Mónika. 5. Um Certo Batitsky de Heloisa Pait
03. Meu querido aeroporto #sqn de Ana Elisa Ribeiro
04. Terna e assustadora realidade de Elisa Andrade Buzzo
05. Uma entrevista literária de Marta Barcellos


Mais André Pires
Mais Acessadas de André Pires
01. Matrix, Reloaded e Revolutions - 29/5/2003
02. Em Defesa do Funk - ou nem tanto - 11/5/2001
03. Só sei que nada sei - 9/12/2009
04. Cidade de Deus: o maior barato - 7/10/2002
05. Rodrigo e a guerra - 14/4/2003


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
28/11/2010
01h55min
Se o que se vê em "Cidade de Deus" não é um ambiente sujo que retrate a realidade, e se o filme não propõe um debate, isso na visão dos referidos críticos, a minha pergunta é: onde vivem esses críticos? No Afeganistão? Terão visto o filme? Imundície e denúncia: está tudo ali. E o que o filme mostra não são produtos de uma realidade violenta: isso é discurso de antropólogos ou sociólogos pedantes: são, sim, psicopatas sanguinários que só merecem o fuzilamento sumário, pois todos ali vivem a mesma realidade, a mesma miséria, mas há muitos pais de famí­lia honestos que trabalham para sustentar sua casa sem recorrer ao crime. "Cidade de Deus" é um excelente filme.
[Leia outros Comentários de Gil Cleber]
28/11/2010
12h46min
Passados oito anos o filme "Cidade de Deus", continua inteiro. A Katia Lund (co-diretora) estava certa, o filme provocou debates na sociedade. Hoje, na Cidade de Deus, a situação é outra, com a segunda UPP do Rio de Janeiro. Os crí­ticos detratores do "Cidade de Deus" devem ter odiado os "Tropa de Elite" 1 e 2, os três recordistas de público. A câmera está na mão, mas o visual é outro, a nossa terrível realidade pode ser mostrada com outras cores, passando sua mensagem, instigando o debate. Glauber aplaudiria.
[Leia outros Comentários de José Frid]
29/11/2010
12h11min
Um filme traçado no chão da realidade.
[Leia outros Comentários de Manoel Messias Perei]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Papai!
Philippe Corentin; Cassia Silveira
Cosac & Naify
(2014)
R$ 5,00



Violão: acompanhamento com ou sem mestre
Victor Hugo Thozeski
Rígel
(2000)
R$ 5,00



O Gato Que Conhecia Shakespeare
Lilian Jackson Braun
Marco Zero
(1995)
R$ 12,00



Jogos e Enganos
Sebastião Uchoa Leite
34
(1995)
R$ 9,30



Revista Náutica Nº 279 - um a Um, 75 Barcos Que Foram Destaques
Editora Revista Náutica
Revista Náutica
(2011)
R$ 9,96



Jesus A Dor E A Origem De Sua Autoridade - Vol. 1
Paiva Neto
Elevação
R$ 16,00



Cozinha Prática - Sobremesas
Cristian Muniz
Pae
(2015)
R$ 39,00
+ frete grátis



Seguindo Juntos
Francisco Cândido Xavier
GEEM
(1983)
R$ 10,00



Os Desenraizados da Baixa do Caroá
Rubem Ivo
Edite
(2019)
R$ 100,00



Narrativa de serviços no libertar-se o Brasil da dominação portuguesa
Lorde Thomas Cochrane
Senado
(2003)
R$ 150,00





busca | avançada
114 mil/dia
2,3 milhões/mês