Empresa e consumidor: tentativa de aproximação | Adriana Baggio | Digestivo Cultural

busca | avançada
37668 visitas/dia
1,1 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Banda GELPI, vencedora do concurso EDP LIVE BANDS BRASIL, lança seu primeiro álbum com a Sony
>>> Celso Sabadin e Francisco Ucha lançam livro sobre a vida de Moracy do Val amanhã na Livraria da Vila
>>> No Dia dos Pais, boa comida, lugar bacana e MPB requintada são as opções para acertar no presente
>>> Livro destaca a utilização da robótica nas salas de aula
>>> São Paulo recebe o lançamento do livro Bluebell
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Rinoceronte, poemas em prosa de Ronald Polito
>>> A forca de cascavel — Angústia (FUVEST 2020)
>>> O reinado estético: Luís XV e Madame de Pompadour
>>> 7 de Setembro
>>> Outros cantos, de Maria Valéria Rezende
>>> Notas confessionais de um angustiado (VII)
>>> Eu não entendo nada de alta gastronomia - Parte 1
>>> Treliças bem trançadas
>>> Meu Telefunken
>>> Dor e Glória, de Pedro Almodóvar
Colunistas
Últimos Posts
>>> Revisores de Texto em pauta
>>> Diogo Salles no podcast Guide
>>> Uma História do Mercado Livre
>>> Washington Olivetto no Day1
>>> Robinson Shiba do China in Box
>>> Karnal, Cortella e Pondé
>>> Canal Livre com FHC
>>> A história de cada livro
>>> Guia Crowdfunding de Livros
>>> Crise da Democracia
Últimos Posts
>>> Uma crônica de Cinema
>>> Visitação ao desenho de Jair Glass
>>> Desiguais
>>> Quanto às perdas I
>>> A caminho, caminhemos nós
>>> MEMÓRIA
>>> Inesquecíveis cinco dias de Julho
>>> Primavera
>>> Quando a Juventude Te Ferra Economicamente
>>> Bens de consumo
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Ser intelectual dói
>>> O Tigrão vai te ensinar
>>> O hiperconto e a literatura digital
>>> Aberta a temporada de caça
>>> Se for viajar de navio...
>>> Incompatibilidade...
>>> Alguns Jesus em 10 anos
>>> Blogues: uma (não tão) breve história (II)
>>> Picasso e As Senhoritas de Avignon (Parte I)
>>> Asia de volta ao mapa
Mais Recentes
>>> O Livro da moda de Alexandra Black pela Publifolha (2015)
>>> Rejuvelhecer a saude como prioridade de Sergio Abramoff pela Intrinseca (2017)
>>> O livro das evidencias de John Banville Tradução Fabio Bonillo pela Biblioteca Azul - globo (2018)
>>> O futebol explica o Brasil de Marcos Guterman pela Contexto (2014)
>>> O Macaco e a Essencia de Aldous Huxley pela Globo (2017)
>>> BATISTAS, Sua Trajetória em Santo Antônio de Jesus: o fim do monopólio da fé na Terra do Padre Mateus de Jorgevan Alves da Silva pela Fonte Editorial (2018)
>>> Playboy Bárbara Borges de Diversos pela Abril (2009)
>>> Sarah de Theresa Michaels pela Nova Cultural (1999)
>>> A Bela e o Barão de Deborah Hale pela Nova Cultural (2003)
>>> O estilo na História. Gibbon & Ranke & Macaulay & Burckhardt de Peter Gay pela Companhia das Letras (1990)
>>> Playboy Simony de Diversos pela Abril (1994)
>>> Invasão no Mundo da Superfície de Mark Cheverton pela Galera Junior (2015)
>>> José Lins Do Rego- Literatura Comentada de Benjamin Abdala Jr. pela Abril Educação (1982)
>>> A modernidade vienense e as crises de identidade de Jacques Le Rider pela Civilização Brasileira (1993)
>>> Machado De Assis - Literatura Comentada de Marisa Lajolo pela Abril Educação (1980)
>>> A Viena de Wittgenstein de Allan Janik & Stephen Toulmin pela Campus (1991)
>>> O Velho e o Mar de Ernest Hemingway pela Círculo do livro (1980)
>>> Veneno de Alan Scholefield pela Abril cultural (1984)
>>> O Livreiro de Cabul de Asne Seierstad pela Record (2007)
>>> Os Dragões do Éden de Carl Sagan pela Francisco Alves (1980)
>>> O Espião que sabia demais de John Le Carré pela Abril cultural (1984)
>>> Administração de Materiais de Jorge Sequeira de Araújo pela Atlas (1981)
>>> Introdução à Programação Linear de R. Stansbury Stockton pela Atlas (1975)
>>> Como lidar com Clientes Difíceis de Dave Anderson pela Sextante (2010)
>>> As 3 Leis do Desempenho de Steve Zaffron e Dave Logan pela Primavera (2009)
>>> Curso de Educação Mediúnica 1º Ano de Vários Autores pela Feesp (1996)
>>> Recursos para uma Vida Natural de Eliza M. S. Biazzi pela Casa Publicadora Brasileira (2001)
>>> Jesus enxuga minhas Lágrimas de Elza de Almeida pela Fotograma (1999)
>>> As Aventuras de Robinson Crusoé de Daniel Defoe pela LPM Pocket (1997)
>>> Bulunga o Rei Azul de Pedro Bloch pela Moderna (1991)
>>> Menino de Engenho de José Lins do Rego pela José Olympio (1982)
>>> Terra dos Homens de Antoine de Saint-Exupéry pela Nova Fronteira (1988)
>>> O Menino de Areia de Tahar Ben Jelloun pela Nova Fronteira (1985)
>>> Aspectos Endócrinos de Interesse à Estomatologia de Janete Dias Almeida pela Unesp (1999)
>>> Nociones de Historia Linguística y Estetica Literaria de Antonio Vilanova- Nestor Lujan pela Editorial Teide/ Barcelona (1950)
>>> El Estilo: El Problema y Su Solucion de Bennison Gray pela Editorial Castalia/ Madrid (1974)
>>> El Cuento y Sus Claves de Raúl A. Piérola/ Alba Omil (profs. Univ. Tucumán pela Editorial Nova, Buenos Aires (1955)
>>> Las Fuentes de La Creacion Literaria de Carmelo M. Bonet pela Libr. del Collegio/ B. Aires (1943)
>>> As Hortaliças na Medicina Doméstica/ Encadernado de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar (1976)
>>> A Flora Nacional na Medicina Doméstica de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar
>>> Arlington Park de Rachel Cusk pela Companhia das Letras (2007)
>>> Muitas Vidas, Muitos Mestres de Brian L Weiss pela Salamandra (1991)
>>> As Frutas na Medicina Doméstica de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar
>>> Coleção Agatha Christie - Box 8 de Agatha Christie; Sonia Coutinho; Archibaldo Figueira pela HarperCollins (2019)
>>> As Irmãs Aguero de Cristina García pela Record (1998)
>>> Não Faça Tempestade Em Copo Dágua no Amor de Richard Carlson pela Rocco (2001)
>>> Um Estudo Em Vermelho - Edição De Bolso de Arthur Conan Doyle pela Zahar (2013)
>>> Eu, Dommenique de Dommenique Luxor pela Leya (2011)
>>> Os Cavaleiros da Praga Divina de Marcos Rey pela Global (2015)
>>> O Futuro da Filosofia da Práxis de Leandro Konder pela ExpressãoPopular (2018)
COLUNAS

Quinta-feira, 23/1/2003
Empresa e consumidor: tentativa de aproximação
Adriana Baggio

+ de 4600 Acessos

Parece que quanto mais perto chegamos do futuro, mais nos voltamos ao passado. É só prestar atenção à volta para perceber uma tendência retrô em quase tudo, da moda à música, do design às novelas. Niemeyer está em alta com seu traço que lembra a arquitetura da cidade dos Jetsons - um futurismo visto pelos olhos das décadas de 60 e 70, presente no museu de Niterói e no NovoMuseu de Curitiba. A Maison Chanel acaba de apresentar sua coleção primavera-verão, toda baseada no estilo das melindrosas da década de 20. A Globo tem no ar duas novelas ambientadas na primeira metade do século passado, uma na década de 20 e outra na década de 30. E a propaganda, como um dos mais eficientes produtos da indústria cultural, não podia ficar de fora.

Justamente pela relação com a indústria cultural, a publicidade é um espelho do que acontece culturalmente em seu raio de atuação, seja esse raio restrito a uma cidade pequena ou ao planeta. Portanto, é natural que a publicidade aproprie-se dessas tendências para comunicar-se mais efetivamente com seu público.

Não que os filmes ou os anúncios publicitários estejam privilegiando a estética das décadas anteriores, como a moda ou a televisão, por exemplo. O retrô na publicidade é a volta a uma maneira "antiga" de fazer publicidade, que lembra os primórdios do varejo e da técnica publicitária. Antes das grandes redes de supermercados e das lojas de departamento, o contato do consumidor com o dono dos estabelecimentos comerciais era muito próximo. Era possível comprar farinha na mercearia do seu Manoel e ser atendido pelo próprio. Ou buscar três metros de fita no armarinho da dona Teresa e ela própria cortar e entregar o pacote. Essa relação dava segurança ao comprador. Se a farinha estivesse bichada ou se a fita fosse de má qualidade, era só reclamar diretamente com o dono da loja.

A quantidade de produtos despejados no mercado graças à revolução industrial cria a necessidade de estimular uma demanda maior para esses produtos. Aí entra a publicidade, nascida, ou pelo menos desenvolvida, pela exigência de comunicar ao maior número de pessoas possível as novidades disponíveis. A demanda estimulada pede que os pontos-de-venda se adaptem. Seu Manoel já não dá mais conta de atender ele mesmo todos os fregueses; d. Teresa já não consegue cortar e embrulhar fitas e botões sozinha. Surgem as lojas e os supermercados como conhecemos hoje: self-service. O cliente entra, passeia pelas prateleiras, escolhe os produtos que deseja, passa pelo caixa e paga. Seu Manoel está, na melhor das hipóteses, atrás de uma mesa no seu escritório, resolvendo os problemas inerentes a um comércio de maior porte. D. Teresa está em alguma feira de produtos para armarinhos, decidindo que tons de rendas e botões comprar para sua loja. Tanto um como outro não estão mais perto de seus clientes. Já não sabem se eles estão satisfeitos, se alguém casou, morreu ou teve filhos, se seus funcionários atendem bem. Os clientes estão abandonados à própria sorte.

O cliente que passa pela frente da mercearia do seu Manoel já não consegue ter contato com o dono da loja. Seu Manoel passa a não significar mais o que significava antes: credibilidade, simpatia, fiado, atendimento personalizado. O nome próprio deixa de designar uma pessoa e vira uma referência, como um nome de rua, ou nos melhores casos, uma marca. Essa marca pode vir a agregar todos os atributos que seu Manoel, a pessoa, passava para seus clientes. Para conseguir isso, a publicidade coloca o Manoel como garoto-propaganda de seu próprio negócio.

Depois de passar por várias fases - a dos depoimentos, como as estrelas do sabonete Lux, a fase dos clipes musicais para vender jeans, a das comparações, para as marcas de sabão em pó, a do humor, a da emoção e a do sexo - a publicidade retrocede para a fase em que os donos das lojas falavam de seus estabelecimentos. Há algum tempo que se comenta a angústia das pessoas em não poder mais contar com um atendimento personalizado. Os comércios de bairro vão sendo engolidos pelas grandes redes de hipermercados, lojas de departamentos e shoppings. O processo de compra está cada vez mais impessoal e o pós-venda é uma utopia, já que clientes insatisfeitos passam por uma verdadeira via crucis para conseguir resolver algum problema com produto ou serviço adquirido, mesmo com a proliferação de SACs. O que a publicidade - determinada pelas estratégias de marketing - procura fazer é passar uma sensação de personalização, de proximidade, que fisicamente não existe. É por isso - e aqui finalmente chego ao ponto-chave deste texto - que grandes empresas estão apelando para seus donos ou altos executivos (que substituem a imagem do dono) para reforçar a imagem de credibilidade de suas marcas.

O exemplo mais saliente desta estratégia é a campanha da Ford, estrelada pelo seu presidente, Antonio Maciel Neto, e que agora entra em sua segunda fase. Na primeira etapa o Sr. Antonio procurava convencer o público sobre as qualidades dos automóveis Ford e prometia que o cliente iria surpreender-se ao testar um carro da marca. Se isso não acontecesse, o consumidor receberia R$ 100,00. Nesta segunda fase, o Sr. Antonio fala das qualidades da Ford e dos seus carros, e aumenta o desafio para R$ 200,00.

Todo mundo sabe que é praticamente impossível entrar em contato com o presidente da Ford. Se você comprar um Ford e tiver problemas, ou ficar satisfeito e decidir ligar para falar com ele, com muita sorte vai conseguir chegar na secretária dele - e só. Mas o fato de o presidente estar na TV fazendo promessas ao consumidor passa a sensação de credibilidade - assim como fazia o seu Manoel com seus clientes da mercearia.

Na mesma linha, a campanha da Kasinski mostra seu dono pilotando uma das motos da marca. Tanto a Ford com seu presidente quanto a Kasinski com seu dono seguem a escola do comandante Rolim Amaro, o falecido proprietário e principal executivo da TAM. A diferença é que o comandante Rolim, no início das atividades da sua companhia aérea, ia cumprimentar pessoalmente os passageiros de seus aviões no aeroporto de Congonhas. Os clientes da TAM tinham acesso ao presidente através de e-mail, que não sei se era respondido por ele mesmo - talvez no começo até fosse.

Não sei se os clientes da Ford ou da Kasinski têm acesso aos seus garotos-propaganda, mas também não vem ao caso. O que é interessante observar é que, seguindo uma tendência geral de retorno a atitudes e estéticas mais antigas, talvez em busca da autenticidade e personalidade de outros tempos, a publicidade volta-se para técnicas consideradas ultrapassadas, com o objetivo de tentar conquistar maiores fatias de mercado. Ao ver o presidente da Ford, uma figura em um papel tão inacessível, fazendo promessas para você, tem-se a sensação de estar mais próximo de quem resolve as coisas por ali. Mesmo que de maneira ilusória, o consumidor tem a sensação de segurança, credibilidade, de que será atendido de forma pessoal e personalizada. Como se estivesse sentido atendido pelo seu Manoel, com respeito pelas suas necessidades e com a certeza de não ser lesado na transação comercial.


Adriana Baggio
Curitiba, 23/1/2003


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Bruta manutenção urbana de Elisa Andrade Buzzo
02. Depois do chover de Elisa Andrade Buzzo
03. A literatura em transe de Marta Barcellos
04. Memória de Elefante de Carina Destempero
05. O Muro de Palavras de Pedro Bidarra


Mais Adriana Baggio
Mais Acessadas de Adriana Baggio em 2003
01. Ser bom é ótimo, mas ser mau é muito melhor* - 24/4/2003
02. Aventuras pelo discurso de Foucault - 30/1/2003
03. Carga mais leve para Pedro e Bino - 8/5/2003
04. Apesar da Barra, o Rio continua lindo - 9/1/2003
05. Encontro com o peixe-boi - 16/1/2003


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




AMOR E FOME
B. MANSTEIN
EDIÇÕES MELHORAMENTOS
(1971)
R$ 11,00



DICIONÁRIO, PORTUGUÊS - ESPANHOL
PORTO EDITORA
PORTO
(1989)
R$ 16,75



DIÁRIO DE UM BANANA #3: A GOTA DÁGUA
JEFF KINNEY
V&R
(2010)
R$ 10,00



O CATOLICISMO É 1 PLÁGIO?
MAX SUSSOL
IBEA - PARMA
R$ 18,00



LEIS PENAIS E PROCESSUAIS PENAIS COMENTADAS / CAPA DURA
GUILHERME DE SOUZA NUCCI
REVISTA DOS TRIBUNAIS
(2010)
R$ 349,90



A ÚNICA ESPERANÇA
ALEJANDRO BULLÓN
CASA PUBLICADORA BRASILEIRA
(2013)
R$ 4,00



COMPLETE INDIAN COOKING
MRIDULA BALJEKAR E OUTROS
OM
(2005)
R$ 60,00



PRACTICAL ENDODONTICS
EDWARD BESNER, ANDREW MICHANOWICZ
MOSBY
(1993)
R$ 180,00



AMEAÇAS DO PÂNTANO
LALIRIE BRIDGES/ PAULIL ALEXANDER
NOVA FRONTEIRA
(1988)
R$ 4,00



MEMÓRIA POR CORRESPONDÊNCIA
EMMA REYES; HILDEGARD FEIST
COMPANHIA DAS LETRAS
(2016)
R$ 25,00





busca | avançada
37668 visitas/dia
1,1 milhão/mês