O cinema segundo Borges | Pedro Maciel

busca | avançada
32696 visitas/dia
1,3 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Banda GELPI, vencedora do concurso EDP LIVE BANDS BRASIL, lança seu primeiro álbum com a Sony
>>> Celso Sabadin e Francisco Ucha lançam livro sobre a vida de Moracy do Val amanhã na Livraria da Vila
>>> No Dia dos Pais, boa comida, lugar bacana e MPB requintada são as opções para acertar no presente
>>> Livro destaca a utilização da robótica nas salas de aula
>>> São Paulo recebe o lançamento do livro Bluebell
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Rinoceronte, poemas em prosa de Ronald Polito
>>> A forca de cascavel — Angústia (FUVEST 2020)
>>> O reinado estético: Luís XV e Madame de Pompadour
>>> 7 de Setembro
>>> Outros cantos, de Maria Valéria Rezende
>>> Notas confessionais de um angustiado (VII)
>>> Eu não entendo nada de alta gastronomia - Parte 1
>>> Treliças bem trançadas
>>> Meu Telefunken
>>> Dor e Glória, de Pedro Almodóvar
Colunistas
Últimos Posts
>>> Revisores de Texto em pauta
>>> Diogo Salles no podcast Guide
>>> Uma História do Mercado Livre
>>> Washington Olivetto no Day1
>>> Robinson Shiba do China in Box
>>> Karnal, Cortella e Pondé
>>> Canal Livre com FHC
>>> A história de cada livro
>>> Guia Crowdfunding de Livros
>>> Crise da Democracia
Últimos Posts
>>> Uma crônica de Cinema
>>> Visitação ao desenho de Jair Glass
>>> Desiguais
>>> Quanto às perdas I
>>> A caminho, caminhemos nós
>>> MEMÓRIA
>>> Inesquecíveis cinco dias de Julho
>>> Primavera
>>> Quando a Juventude Te Ferra Economicamente
>>> Bens de consumo
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Companheiro dileto
>>> O Vendedor de Passados
>>> Eugène Delacroix, um quadro uma revolução
>>> Meus Livros
>>> Quem é (e o que faz) Julio Daio Borges
>>> Plágio
>>> O filho eterno e seus prêmios literários
>>> Entrevista com Antonio Henrique Amaral
>>> Entrevista com Antonio Henrique Amaral
>>> Entrevista com Antonio Henrique Amaral
Mais Recentes
>>> Gestão de pessoas de Idalberto Chiavenato pela Campus (1999)
>>> Administração de Marketing de Philip Kotler pela Atlas (1998)
>>> Cinquenta Tons de Liberdade de James,E. L. pela Intrínseca (2012)
>>> Cinquenta Tons Mais Escuros de James,E. L. pela Intrínseca (2012)
>>> Mecânica vetorial para engenheiros Estática (vol. I) de ferdinand P. Beer e E. Russell Johnston, Jr. pela McGraw-Hill (1980)
>>> Cinquenta Tons de Cinza de James,E. L. pela Intrínseca (2012)
>>> A quinta disciplina de Peter M. Senge pela Best Seller
>>> Marketing Internacional de Edmir Kuazaqui pela Makron Books (1999)
>>> A cozinha das crianças (espertas) de Hervé This pela Degustar (2006)
>>> O Sagrado Selvagem de Roger Bastide pela Companhia das Letras (2006)
>>> Alternativas à Crise de José Oscar Beozzo (Org.) pela Cortez (2009)
>>> Dentro da Noite Veloz (1a Edição) de Ferreira Gullar pela Civilização Brasileira (1975)
>>> Poesia Comprometida com a Minha e a tua Vida de Thiago de Mello pela Civilização Brasileira (1980)
>>> Que País É Este? e Outros Poemas de Affonso Romano de Sant'Anna pela Civilização Brasileira (1980)
>>> Uma Razão para Respirar de Rebecca Donovan pela Pandorga (2014)
>>> Par Delà le Bien et le Mal de Frédéric Nietzsche pela Mercure de France (1907)
>>> Poesia de Alphonsus de Guimaraes pela Agir (1976)
>>> Princesa à Espera / Princesa Apaixonada de Meg Cabot pela Saraiva (2010)
>>> Portugal e seus Sabores de Angélica Santa Cruz (Org.) pela Abril (2017)
>>> La Volonté de Puissance Tome I de Frédéric Nietzsche pela Mercure de France (1909)
>>> Viagem ao Centro do Computador de Edith Modesto pela Ática (2000)
>>> A Rosa de Sarajevo de Margaret Mazzantini pela Companhia das Letras (2011)
>>> Um Pedaço de TI de Patricia Bittencourt pela Ledriprint (2017)
>>> Bala XXI - Casos, Crônicas, Piadas e Contos de Augusto José Vieira Neto pela Mandamentos (2000)
>>> Filhos Especiais Para Pessoas Especiais - O Milagre do Dia-a-dia de Neusa Maria pela Paulinas (2010)
>>> Pensées Étranglées de E. M. Cioran pela Gallimard (2014)
>>> Le Voyageur et son Ombre de F. NNietzsche pela Denoel (1979)
>>> Colder than Ice de David Patneaude pela Albert Whitman & Company (2003)
>>> Misericordiae Vultus / O Rosto da Misericórdia de Papa Francisco pela Paulinas (2015)
>>> Manual do Agricultor Brasileiro de Carlos Augusto Taunay pela Companhia das Letras (2001)
>>> O Ingenuo de Voltaire pela Dcl (2013)
>>> O Evangelho Segundo O Espiritismo de Allan Kardec pela Feb (1999)
>>> A Princesa de Babilonia de Voltaire pela Dcl (2013)
>>> A Campanha Abolicionista de Jose do Patrocinio pela Dcl (2013)
>>> Zollinger - Atlas de Cirurgia de E. Christopher Ellison, Robert M. Zollinger pela Guanabara Koogan; (2017)
>>> O Hobbit: A batalha dos cinco exercítos : guia ilustrado de Jude Fisher pela WMF Martins Fontes (2014)
>>> Radiografia da Alma de Pe. Hewaldo Trevisan pela Planeta (2010)
>>> Convênios e outros instrumentos de "Administração Consensual"na Gestão Pública do século XXI - Restrições em Ano Eleitoral de Jessé Torres Pereira Junior e Marinês Restelatto Dotti pela Fórum (2010)
>>> Estalos e Rabiscos - Mãos à Obra Literária de Walter Galvani pela Novaprova (2011)
>>> Distrito Federal Paisagem, População e Poder de Marília Peluso e Washington Candido pela Harbra (2006)
>>> Parto de Mim de Vera Pinheiro pela Pallotti (2005)
>>> Deuses americanos de Neil Gaiman pela Intrínseca (2016)
>>> A Ilha dos Prazeres de André Rangel Rios pela Uapê (1996)
>>> A pequena pianista de Jane Hawking pela Única (2017)
>>> Tradição e Novidade na Ciência da Linguagem de Eugenio Coseriu pela Presença- Usp (1980)
>>> Jovens Sem-Terra - Identidade em movimento de Maria Teresa Castelo Branco pela Ufpr (2003)
>>> Os Segredos das Mulheres Inteligentes de Julia Sokol e Steven Carter pela Sextante (2010)
>>> Lettres et Maximes de Épicure pela Librio (2015)
>>> Um Mundo a Construir de Marta Harnecker pela Expressão Popular (2018)
>>> Da RegenciaÀ Queda de Rozas (Rosas)/ Encadernado de Pandiá Calógeras pela Cia. Ed. Nacional (1940)
ENSAIOS

Segunda-feira, 20/10/2003
O cinema segundo Borges
Pedro Maciel

+ de 5700 Acessos

"Quem ousaria ignorar que Charles Chaplin é um dos deuses mais seguros da mitologia de nosso tempo, um colega dos imóveis pesadelos de De Chirico, das ferventes metralhadoras de Scarface Al, do universo finito - mesmo que ilimitado - das costas zenitais de Greta Garbo, dos velhos olhos de Ghandi?", perguntava Jorge Luis Borges em 1931, na nota intitulada "Filmes".

O poeta e ficcionista Borges profetiza em 1941: "Atrevo-me a suspeitar, porém, que Cidadão Kane perdurará como 'perduram' certos filmes de Griffith ou de Pudovkin, cujo valor histórico ninguém nega, mas que ninguém se resigna a rever. Sofre de gigantismo, de pedantismo, de tédio. Não é inteligente, é genial, no sentido mais noturno e mais alemão dessa má palavra."

Estes e outros comentários sobre Cinema e sua magia estão na compilação das críticas publicadas nas revistas Sur e Discussão entre 1931 e 44. Borges em / e / sobre cinema (Ed. Iluminuras), organizado por Edgardo Cozarinski, cineasta, crítico e antes de tudo borgeano, é um livro admirável, porque Borges expõe a sua idéia de cinema ao abordar a narrativa. O livro ainda fala sobre filmes clássicos e sobre diferentes aspectos da linguagem cinematográfica. Para o poeta e ficcionista, o cinema é um repertório de referências, assim como a Encyclopaedia Britannica.

Borges reconhecia em 1935, no prólogo da primeira edição de História universal da infâmia, que as influências que o inspiraram para criar esses "ambíguos exercícios", "derivam, creio, de releituras de Stevenson e Chesterton e também dos primeiros filmes de Von Sternberg e talvez de certa biografia de Evaristo Carriego. Abusam de alguns procedimentos: as enumerações díspares, a brusca solução de continuidade, a redução da vida inteira de um homem a duas ou três cenas". A encenação verbal, o "aspecto plástico da literatura", o procedimento cinematográfico da montagem e a "continuidade de figuras que cessam", sugerem o método adotado por Borges para narrar muitas de suas histórias imaginárias. Toda a literatura fantástica de Borges pode ser lida sobre o prisma da superfície de imagens.

Borges no cinema foi espectador, crítico, vítima de adaptações absurdas e autor de roteiros. Ele é referência para vários cineastas e críticos. Pode-se ler desde uma resenha de Luigi Faccini na revista romana Cinema & Filme, em 1967, contrapondo o filme Terra em Transe, de Glauber Rocha, com "O Aleph", narrativa da qual o autor expõe a dificuldade de conseguir "a enumeração, mesmo parcial, de um conjunto infinito".

Segundo o resenhista, "não é estranho que essa frase de Borges defina completamente as razões filosófico-estruturais do filme", e prossegue afirmando que Terra em Transe é "um aleph desfocado e infinitamente finito (...) dentro do qual se movem inumeráveis alephs regressivos." Nos anos 70, a arte e o gosto literário eram motivos de debate ideológico e semiológico. Pode-se não entender muito bem o que esses novos cientistas estavam articulando mas a palavra de ordem era a semiologia, ciência que estuda os signos e sinais utilizados em comunicação.

Godard, em Alphaville, de 1965, cita Borges através da voz rouca de uma máquina que anuncia a sociedade futura: "O tempo é a substância de que sou feito. O tempo é um rio que me arrebata, mas eu sou o rio; é um tigre que me despedaça, mas eu sou o tigre; é um fogo que me consome, mas eu sou o fogo". Há muitas outras citações da obra de Borges no cinema europeu. Há também versões e "perversões", adaptações de suas narrativas e argumentos originais, que nem sempre agradaram ao autor, como Dias de Ouro, filmado com roteiro de Borges. Hombre de la esquina rosada, baseado no conto homônimo de Borges, também não o agradou, assim como Emma Zunz, filme francês de 1969.

Borges em / e / sobre cinema é um livro imprevisível e surpreendente, porque o autor mistifica os leitores ao comentar filmes que estão inseridos na história universal do cinema. O estilo e a erudição de suas breves críticas revelam a construção de sua estética. Apesar de que, no prólogo do livro Elogio da sombra, Borges anota que "não sou possuidor de nenhuma estética. (...) Descreio das estéticas. Em geral, não passam de abstrações inúteis..."

Quase tudo já se falou do escritor que conta a história da eternidade. Do ensaísta que se transforma em contista, do historiador que recupera o memorialista, do biógrafo que inventa o ficcionista, do poeta que sucede ao lingüista. Ainda não se falou do crítico de cinema que sugere argumentos, do crítico com vocação de mitógrafo, do inventor da tradição, e ainda do crítico que traça paralelos entre a narrativa cinematográfica e a narrativa literária, como na nota sobre o filme O Delator, de John Ford.

Segundo Borges, Ford merece uma censura, porque correu o belo risco de ser inteiramente satisfatório e não conseguiu sê-lo por duas ou três razões: "A primeira é a excessiva motivação dos atos de seu herói. Compreendo que o objeto perseguido seja a verossimilhança, mas os diretores cinematográficos - e os romancistas - costumam esquecer que muitas justificativas (e os muitos pormenores circunstanciais) são contraproducentes. A realidade não é vaga; é vaga nossa percepção geral da realidade. Daí o perigo de justificar demasiadamente os atos ou inventar muitos detalhes." É conhecida sua desconfiança em relação ao romance, sua aversão por narrativas extensas: "Desvario laborioso e empobrecedor o de compor vastos livros; o de espraiar em quinhentas páginas uma idéia cuja perfeita exposição oral cabe em poucos minutos. O melhor procedimento é simular que esses livros já existem e oferecer um resumo, um comentário".

Nota-se em seus comentários sintéticos, que Borges sentiu profundamente os filmes e cada uma de suas reflexões revela a inesgotável magia da arte cinematográfica. Pode-se afirmar que esta coletânea de críticas é mais um exemplar de tão singular escritor.

Nota do Editor
Ensaio gentilmente cedido pelo autor. Originalmente publicado no jornal O Globo, a 1º de setembro de 2001.

Para ir além





Pedro Maciel
Belo Horizonte, 20/10/2003

Quem leu este, também leu esse(s):
01. Confissões de um escritor de Charles Kiefer
02. Onde botar os livros? de Ronaldo Correia de Brito
03. O belo e o escalafobético de Miguel do Rosário
04. Crônica, um gênero brasileiro de José Castello
05. O frenesi do furo de Sérgio Augusto


Mais Pedro Maciel
Mais Acessados de Pedro Maciel
01. Italo Calvino: descobridor do fantástico no real - 8/9/2003
02. A arte como destino do ser - 20/5/2002
03. Antônio Cícero: música e poesia - 9/2/2004
04. Imagens do Grande Sertão de Guimarães Rosa - 14/7/2003
05. Nadja, o romance onírico surreal - 10/3/2003


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




HISTÓRIA DO BRASIL - NOVA CONSCIÊNCIA 5ª SÉRIE
CILBERTO COTRIM
SARAIVA
(2001)
R$ 15,00



OS MORTOS PERMANECEM JOVENS
ANNA SEGHERS
VITORIA
(1956)
R$ 19,90



AS EMPRESAS E DUA ADMINISTRAÇÃO
BERTRAM M. GROSS
URGS
(1979)
R$ 8,00



ROBERTO MAGALHÃES - DESENHOS
ROBERTO MAGALHÃES
INSTITUTO MOREIRA SALLES
(2001)
R$ 10,00



CÁLCULO VOLUME 1
GEORGE B. THOMAS; MAURICE D., JOEL HASS
PEARSON
(2012)
R$ 108,00



UM CONTO DO DESTINO
MARK HELPRIN
NOVO CONCEITO
(2014)
R$ 8,64



MY LIFE AS A MAN
PHILIP ROTH
VINTAGE
(1993)
R$ 29,00



O ELOGIO DA PEDAGOGIA
LUIZ GONZAGA TEIXEIRA
LOYOLA
(2001)
R$ 21,00



O QUE É CANOAGEM, REMO E ESQUI AQUÁTICO
SILVIA VIEIRA
CASA DA PALAVRA
(2007)
R$ 22,00



MANUAL PARA PLANEJAMENTO DE EMBALAGENS
MINIST. IND. E COMÉRCIO
ATELIER ARTE EDIÇÕES MG
(1976)
R$ 40,00





busca | avançada
32696 visitas/dia
1,3 milhão/mês