Nouvelle Vague: os jovens turcos | Marília Almeida | Digestivo Cultural

busca | avançada
26563 visitas/dia
586 mil/mês
Mais Recentes
>>> Cursinho da Poli oferece curso gratuito de matemática
>>> Núcleo de Dança e Performance Marcos Sobrinho estreia "Prelúdio", um outro Rito de Carnaval
>>> Teatro do Incêndio promove Rodas de Conversa com mestres e comunidades tradicionais
>>> RELEASE ESPETÁCULO INFANTIL 'VOAR - UM MUSICLOWN'
>>> Êxodos: mostra sobre a luta dos refugiados, de Sebastião Salgado, retorna à Ampliart
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Longa vida à fotografia
>>> Oswald de Andrade e o
>>> Nuvem Negra*
>>> Em defesa da arte urbana nos muros
>>> Vocês, que não os verei mais
>>> Em nome dos filhos
>>> O Que Podemos Desejar; ou: 'Hope'
>>> Píramo e Tisbe
>>> Meshugá, a loucura judaica, de Jacques Fux
>>> O Natal de Charles Dickens
Colunistas
Últimos Posts
>>> Fórum de revisores de textos
>>> Temporada 3 Leve um Livro
>>> Suplemento Literário 50 anos
>>> Ajudando um amigo
>>> Ebook gratuito
>>> Poesia para jovens
>>> Nirvana pra todos os gostos
>>> Diego Reeberg, do Catarse
>>> Ed Catmull por Jason Calacanis
>>> Lançamento e workshop em BH
Últimos Posts
>>> Hércules e seu doutorado sanduíche com Aristóteles
>>> Caminhos
>>> Eroti(cidade)
>>> O sapo e a princesa
>>> Ato reflexo
>>> Do remoto (série: sonetos)
>>> @nuvens.
>>> "Trocatrilhos" existenciais
>>> Do nó ao laço
>>> Não terá a grandeza de Getúlio.
Blogueiros
Mais Recentes
>>> A pirataria, a numeração e o mercado da música
>>> Curitiba Literária
>>> Textos movediços
>>> E se Amélia fosse feminista?
>>> Esse Caro Objeto do Desejo
>>> Underground Grammarian
>>> Além do Mais
>>> Deus não é Grande, de Christopher Hitchens
>>> Cartas a um jovem escritor
>>> Trabalhar e cantar
Mais Recentes
>>> Crianças da Noite
>>> Poderes Paranormais
>>> À Primeira Vista
>>> Uma Carta de Amor
>>> A Última Música - 20ª Impressão
>>> Querido John - 26ª Impressão
>>> O Casamento
>>> O Guardião
>>> O Resgate
>>> Um Homem de Sorte - 16ª Impressão
>>> Coleção Nicholas Sparks - 4 Volumes - a Escolha; Diário de uma Paixão
>>> Jogos Vorazes: Box da Trilogia
>>> Projeto Prosa História (Ensino Fundamental ) - 5 ano
>>> Projeto Prosa História (Ensino Fundamental ) - 5 ano
>>> Meninas do Brasil
>>> A Cidade do Homem Nú
>>> Numerologia Prática
>>> Meninas Inseparáveis
>>> O Testamento
>>> A Auto-estimulação Precoce do Bebê
>>> Lorde do Deserto
>>> Sob o Sol da Toscana
>>> Formação Continuada de Docentes da Educação Básica
>>> Formação Continuada de Docentes da Educação Básica
>>> História Econômica e Administrativa do Brasil
>>> Memórias do Patrimônio
>>> Albert Einstein e Seu Universo Inflável
>>> Ciúme Zelo Doentio
>>> Ciúme Zelo Doentio
>>> Ratos
>>> O Casamento de Mentirinha de Katie Simpson
>>> Querido Diário Otário - Pois é, Acho Que Eu Tenho Superpoderes
>>> The Snoopy Ant - Story Telling Collection
>>> O Cortiço
>>> Era uma Vez no Brasil Holandês
>>> Sr. Gum e os Cristais de Poder
>>> O Chamado do Cuco
>>> Histórias Que o Rádio Não Contou
>>> Literatura de Cordel - Antologia
>>> Lunivers des Connaissances - Sociologie de Linformation
>>> Introdução ao Mundo do Romance
>>> Tarsila do Amaral - Mestres das Artes do Brasil
>>> Madame Bovary - Grandes Clássicos da Literatura Em Quadrinhos
>>> Procura-se! Galeria de Animais Ameaçados de Extinção
>>> A Menina Que Descobriu o Brasil
>>> Cartilha do Dólar
>>> O Jargão Comunista
>>> Comunicaçção, Igreja e Estado na América Latina
>>> Meu Tataravô era Africano
>>> 321 Fast Comics Vol. II
COLUNAS

Terça-feira, 30/1/2007
Nouvelle Vague: os jovens turcos
Marília Almeida

+ de 9700 Acessos

O termo Nouvelle Vague, "a nova onda", foi criado na década de 50 pela jornalista francesa Françoise Girot para caracterizar o comportamento dos jovens franceses da época. Apenas em 1958 a expressão é utilizada por uma revista de cinema para designar o movimento cinematográfico que enobreceu o cinema tanto como a literatura, recheando-o de referências intelectuais cerca de cinqüenta anos depois da criação do termo "sétima arte". Para se ter idéia da sua influência, sua linguagem de ruptura influenciou cineastas como o norte-americano Martin Scorsese, o franco-polonês Roman Polanski, o alemão Rainer Fassbinder, o italiano Pier Paolo Pasolini e até o cinema novo brasileiro.

Com o objetivo de apresentar um dos mais influentes cinemas da história, a Casa do Saber Jardins, localizada em São Paulo, realizou entre os dias 05 e 19 de dezembro de 2006 o curso A Nouvelle Vague, ministrado pelo jornalista Alcino Leite Neto, editor de moda da Folha de S. Paulo e da revista eletrônica de cultura Trópico. Nas cinco aulas, Alcino introduziu a Nouvelle Vague tanto em termos históricos como cinematográficos, enfatizando sua base teórica, expondo suas principais influências e influenciados e desvendando de modo apaixonado seus principais autores ajudado por trechos de seus filmes.

Jovens da nova onda
Em 1957, os jovens da Nouvelle Vague, também chamados de "jovens turcos" em referência ao movimento na Turquia que quis derrubar a monarquia, associam-se à revista francesa Cahiers du Cinema, considerada por Alcino a ponta de lança do movimento, aparecendo primeiro como críticos polêmicos prenunciando a Nouvelle antes mesmo de iniciarem suas produções. Finalmente, em 1959, acontecem suas primeiras estréias: Hiroshima, meu amor, de Alain Resnais; Os Incompreendidos, de François Truffaut; e Acossado, de Jean-Luc Godard, três filmes considerados por Alcino as pilastras do movimento.

No resumo feito pelo jornalista, a Nouvelle Vague concilia o neo-realismo italiano, a teoria baziniana e o cinema norte-americano; cria um sistema de estrelas modestas, valoriza o acaso filmando nas ruas por razões tanto estéticas e econômicas, produz o arquétipo da personagem errante sempre em movimento, dá muito valor ao diálogo e narração fazendo referência a literatura constantemente, valoriza o ponto de vista do autor, preocupa-se em retratar a nova sociedade francesa e a imagem do corpo com naturalidade. A base deste cinema, por fim, pode ser resumida na idéia da liberdade.

Contexto histórico
Após a Segunda Guerra Mundial, o enfraquecimento do nazismo e o crescimento do embate entre capitalismo e comunismo, Alcino nos explica que ocorre um processo de liberação da cultura francesa. A figura norteadora deste momento é o filósofo francês Jean-Paul Sartre, cujo existencialismo permeará todas as áreas da produção francesa, influenciando a adolescência dos cineastas da Nouvelle Vague. A partir daí, a juventude começa a se firmar no mundo como uma categoria social com vozes e representações que embasa o espírito dos filmes da Nouvelle. Estes jovens compram sete vezes mais LPs, são parte da revoltada geração rock'n'roll liderada por Elvis e querem romper com os mitos envelhecidos da vida francesa.

Além disso, durante a Guerra Fria, um acordo entre EUA e França com o objetivo de perdoar a dívida externa garante a abertura do cinema francês ao americano, uma grande arma de americanização e indústria altamente rentável. Mas o feitiço vira-se contra o feiticeiro e o acordo acaba por aumentar a popularidade do cinema francês e, como conseqüência, impulsiona as produções do país. Ajudado pela formação de cineclubes e cinematecas de esquerda e revistas de cinema, entre elas a Cahiers, o cinema torna-se a principal forma de comunicação e entretenimento da época.

Grandes influências
Há dois movimentos cinematográficos e um tipo de cinema que influenciaram a Nouvelle Vague: o cinema neo-realista italiano e os filmes B norte-americanos e o cinema noir.

No final da Segunda Guerra Mundial é inaugurado o movimento neo-realista do cinema italiano, considerado a fundação do cinema moderno, com a produção Roma, cidade aberta de Roberto Rosselini (1945). A novidade desta estética está na busca de um sentido de urgência histórica onde os cineastas preferiam a filmagem nas ruas ou locações à filmagem em estúdios que garantiam falsa perfeição técnica. Outro princípio era a preferência pela suspensão da ação para fazer a imagem levar à reflexão, criando um cinema com atividade cerebral mais intensa e não apenas perceptiva.

Por outro lado, no final dos anos 40, ao mesmo tempo em que a arte cinematográfica está no apogeu, a indústria hollywoodiana entra em crise, pois os produtores independentes quebram os oligopólios em 1948 e a TV começa a se difundir. Em resposta a essa crise, começa a exibição dos filmes B, de menor orçamento e duração, durante a mesma sessão dos filmes A. Estes filmes mostram que é possível fazer bom cinema com uma técnica precária, com liberdade. É com esta criatividade que deve agir o cinema da modernidade para os cineastas da Nouvelle Vague.

Além da importância para a Nouvelle de Orson Welles, o cineasta marginalizado norte-americano criador de Cidadão Kane (1941), há ainda Alfred Hitchcock, considerado por Alcino o "Deus" da Nouvelle Vague junto com Fritz Lang, demonstrando o gosto do movimento pelos filmes noir.

Teoria baziniana
André Bazin, crítico de cinema, co-fundador da Cahiers e militante dos cineclubes, será o guia dos jovens da Nouvelle Vague. Em seu artigo nomeado "O que é cinema?", o crítico analisa as mudanças da modernidade no cinema e questiona a possibilidade desta forma de expressão se constituir uma arte. De acordo com ele, até meados dos anos 50 o cinema era visto como uma matéria técnica e os cineastas como operadores. Portanto, ele se incumbe da tarefa de o legitimar intelectualmente chamando a atenção para sua linguagem própria e modo de escrita novo. Na sua tese, os cineastas passam a serem artistas, merecendo uma leitura séria como outros artistas. A Nouvelle Vague combina o paradoxo do realismo de Bazin e a montagem clássica hollywoodiana.

Bazin defende um cinema realista como a dinamização da essência fotográfica, mas que, além de captar a imagem, capta também a duração dos eventos. Para isso, enfatiza que, quanto menos montagem em uma obra cinematográfica, melhor, pois a manipulação de imagem diminui o impacto da obra. Assim, o cinema deve explorar a imagem em si e permitir ao espectador liberdade em relação ao que está vendo, produzindo a riqueza da ambigüidade. O crítico defende o plano seqüência e poucos enquadramentos, almejando a menor intervenção artística possível. A mise-en-scène, conceito militante do movimento, é a capacidade de dispor todos os recursos e elementos que o cinema oferece para transmitir a mensagem sem focar em seu discurso, mas na riqueza da apreensão natural da realidade.

Truffaut e Godard: os revolucionários
François Truffaut, na visão de Alcino, divide águas na história do cinema ao publicar um artigo na edição de janeiro de 1954 da Cahiers, intitulado "Uma certa tendência do cinema francês". Neste artigo, o cineasta faz uma distinção entre os filmes de qualidade e a política de autores definida pela Nouvelle Vague. Os primeiros são parte de um grupo restrito de roteiristas que, diferentemente do realismo, não davam liberdade à imagem e não deixavam o espectador julgá-la por meio de um diálogo exibicionista.

Jean-Luc Godard, por sua vez, produz uma revolução dentro do próprio movimento. Há até, de acordo com Alcino, uma "Nouvelle godardiana", caracterizada pela desconstrução de todos os tipos de cinema, seja ele musical, intelectual, de ensaio, comédia, político ou de amor, todos ao mesmo tempo em apenas um filme. Nesta ruptura a música, forma e linguagem são essenciais e buscam, por meio de um discurso cinéfilo e colagens, exibir o antiilusionismo do cinema.

O filho da Nouvelle
Em 1961, uma segunda leva de filmes da Nouvelle são produzidos, mas a maioria é um fracasso. Apesar da decadência do movimento, Alcino explica que há um sopro de liberdade no mundo todo decorrente do impacto de seus primeiros filmes que traça novas possibilidades para jovens que almejavam a arte do cinema.

Um exemplo concreto desta tese é o cinema novo brasileiro, liderado por Glauber Rocha, que influenciou enormemente os críticos do Cahiers du Cinema. Glauber, com seu cinema social e político, fez com que jovens críticos tivessem uma nova percepção da autoria e da mise-en-scène de tal modo que a revista foi se tornando cada vez mais política até se converter ao maoísmo. Mas Glauber tem, como a Nouvelle Vague, elementos do cinema neo-realista italiano e o cinema clássico americano, mas não é rosseliniano como os jovens franceses e, sim, eisensteiniano, uma vez que realiza filmes de mise-en-scène com grande ênfase no conteúdo.


Marília Almeida
São Paulo, 30/1/2007


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Lola de Elisa Andrade Buzzo
02. Fazendo a coisa certa de Fabio Gomes
03. Sobre os três primeiros romances de Lúcio Cardoso de Cassionei Niches Petry
04. Eleições nos Estados Unidos de Marilia Mota Silva
05. A literatura de Marcelo Mirisola não tem cura de Jardel Dias Cavalcanti


Mais Marília Almeida
Mais Acessadas de Marília Almeida em 2007
01. Dez obras da literatura latino-americana - 10/7/2007
02. A trilogia da vingança de Park Chan-Wook - 22/5/2007
03. Nouvelle Vague: os jovens turcos - 30/1/2007
04. 10º Búzios Jazz e Blues - 14/8/2007
05. Cinema é filosofia - 28/8/2007


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




VEN2 LIBRO DEL ALUMNO
F. CASTRO E F. MARIN E R. MORALES E S. ROSA
EDELSA GRUPO DIDASCALIA
(2000)
R$ 25,00



VOCÊ É INSUBSTITUÍVEL
AUGUSTO CURY
SEXTANTE
(2002)
R$ 6,00



ÚLTIMO ROUND (TOMO II)
JULIO CORTÁZAR
CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA
(2008)
R$ 25,00



SOLIDÃO - JOSÉ MARIA MAYRINK (PSICOLOGIA/SOCIOLOGIA)
JOSÉ MARIA MAYRINK
EMW EDITORES
(1983)
R$ 10,00



O ZAHIR - PAULO COELHO
PAULO COELHO
ROCCO
(2005)
R$ 10,00



A CIENTISTA QUE CUROU SEU PRÓPRIO CÉREBRO
TAYLO. JILL BOLTE
EDIOURO
(2008)
R$ 20,00



CINCO MINUTOS E A VIUVINHA
JOSÉ DE ALENCAR
CIRANDA CULTURAL
(2016)
R$ 7,00



RITOS MÁGICOS E OCULTOS
IDRIES SHAH
PLANETA/TRÊS
(1973)
R$ 33,00
+ frete grátis



FRANCISCO E OS PÁSSAROS
ANA VIEIRA PEREIRA
BOOKS AND WRITERS
(2016)
R$ 7,00



IMPÉRIO
GORE VIDAL
ROCCO
(1989)
R$ 26,60





busca | avançada
26563 visitas/dia
586 mil/mês