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Sexta-feira, 6/5/2011
Excessos
Marta Barcellos

+ de 2900 Acessos
+ 1 Comentário(s)

O bullying sempre existiu, palmada sempre existiu, assédio no trabalho sempre existiu, violências nas relações amorosas sempre existiram, e vamos deixar assim. Ah, dessa forma se molda o caráter, as defesas do homem. E também da mulher. Traumas moderados são bons, fortalecem; temos que cuidar apenas dos excessos. E se o moderado para um for fatal para outro?

Penso nisso depois de ler "Preciosidade", conto de Clarice Lispector. Sempre Clarice para nos lembrar de alguma coisa esquecida na alma feminina. Algo ainda não nomeado, e que perderá um pouco de sua intensidade depois que o for, e puder ser incluído na lista acima. O conto está na internet, acho que não oficialmente, e se você quiser parar agora para ler, será um prazer esperar.

Ele mostra uma menina de 15 anos, que talvez tivesse 13 nos dias de hoje. Nesta idade, é provável que não se ande só pelas ruas do Rio de Janeiro, como antigamente. Não por causa daquela, ainda não nomeada, mas de outras violências mais óbvias. Mas suponhamos que ela hoje caminha, sim, apenas pequenas distâncias, em ruas tranquilas. Minha filha, de 11 anos, tem orgulho de se parecer com a criança que ainda é, mas algumas amigas da mesma idade aparentam bem mais. Talvez 13 anos ― os 15 da época de Clarice. Outro dia, observando uma delas brincar lá em casa, pensei, distraída: nossa, já parece uma moça. Se caminhar sozinha, ou pegar um ônibus sem a escolta de um adulto, coitada, poderiam... E mudei rápido de pensamento.

Mudei, mas Clarice me lembrou: "poderiam lhe dizer alguma coisa". A adolescente de "Preciosidade" saía sozinha de casa, bem cedo, enlevada pelo despertar de algo precioso, recém descoberto dentro dela. "Ela." Até chegar à escola, teria sorte de "ninguém olhar para ela". Precisava ser séria como uma missionária por causa dos operários no ônibus. Por dentro, ela se venerava, mas o coração batia de medo. É que eles "sabiam". A adolescente de Clarice anda na rua como um soldado, enquanto faz jogos mentais da criança que também é ainda. O conto segue nebuloso, dando conta do rito de passagem e da perda da inocência. Um ritual no qual faz parte a violência praticada por marmanjos contra meninas novas o suficiente para se intimidar.

Esqueça o "fiu-fiu" das histórias em quadrinhos. Ou a cantada criativa de outro jovem para a "moça bonita" que seria "a nora que mamãe pediu a deus". Não é disso que falo. Falo da experiência de quem já teve 15 anos e sentiu vontade de chorar diante da covardia de assédios praticados por homens mais velhos. Assédio: lá fui eu me escorar na nova nomenclatura que diagnostica males antigos. Talvez precisemos, sim, nomear, ou renomear, para criar um distanciamento em relação às tradições sombrias do passado. Daí o termo bullying, que chegou aqui estrangeiro, ainda por cima ganhando as páginas dos jornais logo depois de uma tragédia com cara de importada.

Já ouvi várias pessoas dizerem que tudo isso é frescura. Crianças são más mesmo, e por isso humilham a mais fraca do grupo. Sempre foi, sempre será. Todos aprendem e sobrevivem. E passam sua "sabedoria" adiante. Sobre isso, achei genial a tirinha do cartunista Bruno Drummond, da série Gente Fina, publicada na Revista do Globo. O menino franzino e de óculos comunica ao pai, distraído e brutamontes: "Papai, fui vítima de bullying no colégio." "Vítima de quê?", se irrita ele. O garoto repete o termo estrangeiro e o pai retruca: "Fala que nem homem, quatrolho!"

Não tenho lembranças de ter sofrido bullying (vou usar, já foi nomeado) na escola, mas é provável que eu me fizesse de invisível, como a jovem do conto de Clarice, já que eu também não era "popular". Mas me surpreendo com as lembranças despertadas agora pelo conto ― provavelmente relido, porque faz parte de um livro que adorava na adolescência, Laços de família. Comento com a minha professora Giovanna, que se solidariza. "Não sei como uma mulher pode não ser feminista, se um homem passa por uma menina na rua e diz para ela: queria te chupar todinha".

Sim, as adolescentes passam por esta violência e outras ainda piores, como insinua "Preciosidade". Ninguém fala sobre isso. Talvez existam graduações de assédio aceitáveis, alguém vai argumentar. Certamente as "quatro mãos difíceis" do conto extrapolam este limite. No colégio onde minha filha estuda, um caso foi extraoficialmente chamado de bullying quando uma menina pagou a outra para cuspir numa terceira. Entre meninos, olhos roxos costumam ser parâmetros mais precisos. Acontecem sempre, em todos os colégios.

No filme Amor?, de João Jardim, somos confrontados com histórias de relacionamentos amorosos nas quais é difícil detectar quando a violência foi entendida ― e nomeada ― como violência (e não como "excesso de amor"). O filme partiu de uma série de depoimentos, mas as histórias reais foram recriadas pelo diretor e pelos nove atores com a delicadeza de um conto de Clarice. Entre uma história e outra, a tensão nos é aliviada pela água. No final, com o distanciamento de expectadores que não viveram aquelas vidas, percebemos o quanto a violência pode ser suportada por jogos de poder e sentimentos de culpa. E o quanto ela se reproduz pela familiaridade. Sempre existiu, sempre existirá. Será?


Marta Barcellos
Rio de Janeiro, 6/5/2011


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COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
21/5/2011
11h37min
Realmente a linguagem muda com o tempo. Na minha infancia eu ouvia falar, "aquele menino bolinou", "vai bolinar outro", "vive bolinando", entao o termo e o "ato" bolinar sempre existiu. Porque agora tanto "alarde" por isso. Toda vez que se fala muito de uma coisa ela soh aumenta.
[Leia outros Comentários de Maria Anna Machado]
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