O Auto da Paixão | Rennata Airoldi | Digestivo Cultural

busca | avançada
51839 visitas/dia
1,8 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Cia Triptal celebra a obra de Jorge Andrade no centenário do autor
>>> Sesc Santana apresenta SCinestesia com a Companhia de Danças de Diadema
>>> “É Hora de Arte” realiza oficinas gratuitas de circo, grafite, teatro e dança
>>> MOSTRA DO MAB FAAP GANHA NOVAS OBRAS A PARTIR DE JUNHO
>>> Ibevar e Fia-Labfin.Provar realizam uma live sobre Oportunidades de Carreira no Mercado de Capitais
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> As maravilhas do modo avião
>>> A suíte melancólica de Joan Brossa
>>> Lá onde brotam grandes autores da literatura
>>> Ser e fenecer: poesia de Maurício Arruda Mendonça
>>> A compra do Twitter por Elon Musk
>>> Epitáfio do que não partiu
>>> Efeitos periféricos da tempestade de areia do Sara
>>> Mamãe falhei
>>> Sobre a literatura de Evando Nascimento
>>> Velha amiga, ainda tão menina em minha cabeça...
Colunistas
Últimos Posts
>>> Fabio Massari sobre Um Álbum Italiano
>>> The Number of the Beast by Sophie Burrell
>>> Terra... Luna... E o Bitcoin?
>>> 500 Maiores Álbuns Brasileiros
>>> Albert King e Stevie Ray Vaughan (1983)
>>> Rush (1984)
>>> Luiz Maurício da Silva, autor de Mercado de Opções
>>> Trader, investidor ou buy and hold?
>>> Slayer no Monsters of Rock (1998)
>>> Por que investir no Twitter (TWTR34)
Últimos Posts
>>> Parei de fumar
>>> Asas de Ícaro
>>> Auto estima
>>> Jazz: 10 músicas para começar
>>> THE END
>>> Somos todos venturosos
>>> Por que eu?
>>> Dizer, não é ser
>>> A Caixa de Brinquedos
>>> Nosferatu 100 anos e o infamiliar em nós*
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Blogues: uma (não tão) breve história (I)
>>> A primeira ofensa recebida sobre algo que escrevi
>>> 20 contos sobre a pandemia de 2020
>>> Procissão
>>> Mais espetáculo que arte
>>> teu filho, teu brilho
>>> O Medium e o retorno do conteúdo
>>> A Poli... - 10 anos (e algumas reflexões) depois
>>> Web-based Finance Application
>>> Pensando sozinho
Mais Recentes
>>> A Imitação de Cristo - e a Centralização da Cruz na Luta ... de Thomas à Kempis pela Vida Nova (2001)
>>> Viciado no Perigo de Jim Wickwire pela Manole (2000)
>>> Na Margem do Rio Piedra Eu Sentei e Chorei de Paulo Coelho pela Rocco (1994)
>>> Direito Societario - Desafio Atuais de Leandro Santos de Aragao pela Quartier Latin (2008)
>>> Administração Financeira de Antonio Zoratto Sanvicente pela Atlas (2007)
>>> Sem Filtro de Marcela Tavares pela Novas Paginas (2016)
>>> Manual de Obstetrícia Diagnóstico e Tratamento de Kenneth R. Niswander pela Medsi (1985)
>>> De Asas, Espelhos e Princesas de Maria Glória Barbosa pela Do Autor
>>> Centros de Mesa de Josep M. Minguet pela Decorando Con Flores (2003)
>>> Mobilização para Qualidade de Roberto Flávio de Carvalho e Silva pela Qualymark (1992)
>>> Um Coração Que Seja Puro de José Fernandes de Oliveira pela Paulus (1982)
>>> O Menino Narigudo - Sebo Tradição de Walcyr Carrasco pela Moderna (2007)
>>> Inculta & Bela de Pasquale Cipro pela Publifolha
>>> Teoria da Comunicaçao Muito Ou Poucas de Luiz C. Martino pela Atelie Editorial (2007)
>>> Os Miseráveis de Victor Hugo Adap Walcyr Carrasco pela Moderna (2012)
>>> Atherton a Casa do Poder de Patrick Carman pela Galera (2009)
>>> Telaris Biologia Caderno de Atividades 9° Ano de Sergio Linhares Fernando Gewandsznajder pela Atica
>>> Remarkably Uncommon de The Leading Hotels pela The Leading Hotels
>>> Declarnado - Se Culpado de Scott Turow pela Record (1993)
>>> Sookie Stackhouse, V. 7 - All Together Dead de Charlaine Harris pela Berkley Publishing (2008)
>>> Grammar Games de Mario Rinvolucri pela Cambridge do Brasil (1985)
>>> Alienação: Lidando Com o Problema Básico do Homem de Carrol Thompson pela Graça (1998)
>>> Papos de Anjo - 6ª de Sylvia Orthof pela Galera Junior (2014)
>>> Vento Sobre Terra Vermelha de Caio Ritter pela 8 Inverso (2012)
>>> Outros Quinhentos de Bizerril Marcelo pela Saraiva (2009)
COLUNAS

Quarta-feira, 9/4/2003
O Auto da Paixão
Rennata Airoldi

+ de 2000 Acessos

É sem dúvida um grande desafio falar de fé em tempos de guerra. Mas devo dizer que, ao mesmo tempo, é tocante poder assistir, hoje, um espetáculo que, sem ser religioso, fala de nossas raízes, de nossa busca por nós mesmos, pela nossa essência. A fé é inerente à existência do ser humano. Não importa com qual religião, seita ou crença o indivíduo se identifique: importa, sim, a necessidade de encontrar paz. Assim, sem querer, há poucas semanas atrás, me deparei com o Auto da Paixão, direção e concepção de Romero de Andrade Lima, montado pela Companhia Branca de Circo.

Tudo começou em 1993, quando o Romero, também artista plástico, realizou uma exposição de 12 retábulos (esculturas) na Galeria de Arte de Renato Magalhães Gouvêa. Para essa exposição, foram agendadas três apresentações, onde as 12 pastorinhas, através de cânticos e encenações, percorriam as esculturas recontando a Paixão de Cristo. O sucesso dessa iniciativa, unir a exposição a um auto teatral, fez com que as apresentações se multiplicassem e percorressem não só cidades brasileiras, mas também festivais internacionais. A peça já esteve na França, Itália, Portugal. E por incrível que pareça, a procissão continua descobrindo novas ruas até hoje!

Depois desta breve introdução, tão necessária como aquilo que é visto nessa uma hora e quinze de mergulho nas tradições populares, devo dizer que, aqui, o máximo é o mínimo. O que garante a sobrevivência desse espetáculo ao longo de 10 anos? A honestidade, a verdade e a simplicidade. Difícil explicar essas três palavras com outras mais: elas resumem muito o que é a peça. As doze esculturas, que estão dispostas em um circuito determinado, são visitadas pelo público juntamente com as atrizes que cantam, dançam e tocam instrumentos ao longo da encenação. O texto é simples e uma parte dele interpretado por um ator, o único homem do elenco, trazendo assim um contra-ponto às doze vozes femininas. De maneira singela, ouvimos e vemos a história sendo feita a cada nova imagem que se desvenda através de um novo retábulo que é aberto. As portas se abrem e, como nos conhecidos oratórios, revelam esculturas, que se tornam verdadeiras personagens, que, por sua vez, passam a fazer parte da história. Com total interatividade, elas somam e ajudam a compor a cena.

A procissão vai seguindo e, pouco a pouco, os espectadores tornam-se parte daquilo que está sendo contado. A medida que todos se deslocam unidos, a impressão é de se estar fazendo parte do conjunto. É dessa forma que as reações da platéia e as interferências na cena são mais ousadas do que aquelas que normalmente as pessoas têm, sentadas num teatro. Com isso, os comentários são igualmente inevitáveis. Quebra-se totalmente o "gelo" presente na relação palco-platéia. Risos, choro, medo, reflexão. Algo que é tão presente em nossa cultura popular, em nossas festas religiosas e folclóricas. A procissão é, por si só, um espaço democrático, que propõe, de imediato, a comunhão. Sem cooperação e participação de todos, a procissão não segue!

Não me admira, assim, o sucesso dessa peça. É tudo muito nosso, muito brasileiro, mas, ao mesmo tempo, muito humano. Unindo o sagrado e o profano. Há o momento de se divertir e de se recolher. O canto é sempre um complemento às imagens, ao texto e aos instrumentos (que são tocados ao vivo). Todos os pequenos elementos ajudam a compor as cenas. O espaço livre faz com que o espectador não se sinta intimidado e isso resulta num espetáculo acessível à todos.

Além de tudo disso, independente da religião, todos conhecem um pouco da história da vida de Jesus. Como me encanta esse teatro simples: na era da tecnologia, a magia está justamente no elemento humano; e naquilo que a comunicação homem a homem pode despertar. Sensações, emoções, pensamentos. A peça sobrevive até hoje como um milagre dentro de nossa cultura, que estimula, infelizmente, cada vez mais, o descartável e o instantâneo. A realidade é que: por mais tecnologia, por maior que seja a novidade, ainda hoje, percorrendo os diferentes pontos de nosso país, encontraremos as procissões, as festas populares e religiosas, que se repetem ano após ano, na mesma data revelando a tradição imortal de nossas raízes populares.

Para ir além
O Auto da Paixão será apresentado dia 12 de Abril, na R. das Barcas, nº 827. Também no dia 13, na Biblioteca Pública Presidente Kennedy (Av. São João Dias, nº 822). Sempre às 19 hrs. Depois, a procissão segue nos dias 18 e 19, no Itaú Cultural (Av. Paulista, nº 149) às 19h30.


Rennata Airoldi
São Paulo, 9/4/2003


Quem leu este, também leu esse(s):
01. O Leão e o Unicórnio de Guga Schultze
02. Os melhores do cinema brasileiro em 2003 de Lucas Rodrigues Pires
03. Nostalgia de Juliano Maesano


Mais Rennata Airoldi
Mais Acessadas de Rennata Airoldi em 2003
01. Zastrozzi - 2/7/2003
02. Temporada de Gripe - 17/11/2003
03. O Belo Indiferente - 24/9/2003
04. As Nuvens e/ou um deus chamado dinheiro - 4/6/2003
05. José Tonezzi: Arte e Pesquisa Sem Fronteiras - 12/2/2003


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Friuli Venezia Giulia - Città, Borghi, Paesi
Gianni Daffara e Licio Damiani
Magnus
(1998)



Defensores Indefensáveis 23
Keith Giffen e Outros
Panini Comics
(2015)



Essential Idioms in English
Robert James Dixson
Disal
(2007)



Teoria e Realidade - 1ª Edição - 2ª Reimpressão
Mario Bunge
Perspectiva
(2013)



Manual de Direito Processual Civil
Renato Montans de As
Saraiva
(2016)



David Coperfield
Charles Dickens
Longmans
(1961)



Machado de Assis: crônicas
Eugênio Gomes
Agir
(1963)



Humor em Pílulas
Aziz Lasmar e José Seligman
Revinter
(2001)



Dom Quixote - Livro Primeiro - Edição de Bolso
Miguel de Cervantes
L&pm Pocket
(2005)



O Último dos Moicanos
James F. Cooper
Gênios
(2005)





busca | avançada
51839 visitas/dia
1,8 milhão/mês