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Terça-feira, 8/6/2004
Cem anos de música do cinema
Fabio Silvestre Cardoso
+ de 10800 Acessos
+ 1 Comentário(s)

Para muita gente, o sucesso das trilhas sonoras é um fenômeno recente. Tal raciocínio não deixa de fazer sentido quando se percebe a quantidade crescente desse filão à venda. E, com efeito, hoje em dia é quase inconcebível uma grande produção que não tenha sua trilha nas lojas quase ao mesmo tempo em que o filme é lançado. No entanto, não é de agora que a música é importante para a indústria cinematográfica; em verdade, a história do cinema às vezes se confunde com a história da música para o cinema. É o que mostra o jornalista João Máximo com os dois volumes de A Música do Cinema - os 100 primeiros anos (Ed. Rocco), em que tece uma análise descritiva sobre os primeiros cem anos da profícua produção musical para o cinema.

À primeira vista, os dois volumes podem parecer por demais extensos ao leitor desavisado. De fato, são obras de fôlego, em que o autor busca as bases dos primeiros acompanhamentos dos filmes para depois enveredar por campos pelos filmes e trilhas mais célebres. Desse modo, logo nas primeiras páginas, João Máximo informa como contará essa história da música na sétima arte: "Serão estudados todos os tempos e lugares da música dos filmes, do anônimo piano que se ouviu na primeira projeção dos irmãos Lumière à nova geração atuante no ano em que se comemorou oficialmente o primeiro século do cinema". Ainda nesse trailer explicativo, conforme a própria denominação do livro, o autor afirma: "Não se tentará aqui demolir os três clichês habitualmente usados pelos opositores da arte [a saber:] 1. A melhor música de cinema é aquela que não é notada; 2.a música dos filmes só funciona nos filmes; 3. Uma boa música pode ocultar os defeitos de um mau filme, assim como uma música ruim pode destruir uma obra-prima". Vale a pena ressaltar, ainda, que, para abordar tantos temas, o jornalista alia a descrição cronológica à divisão dos capítulos por temas, como "A herança européia"; "Uma herança norte-americana"; "A Hollywood pós-guerra"; e assim por diante.

O leitor, então, passa a acompanhar a evolução da música do cinema à medida que é contada a própria história da sétima arte. Assim, fica-se sabendo que desde o cinema mudo já havia tentativas, não muito bem sucedidas, de musicar uma passagem, a fim de aguçar ainda mais os sentidos. É interessante notar como isso pode parecer óbvio, hoje, com mais de 100 anos de cinema. Não era assim com Charles Chaplin, reticente e resistente acerca dessa novidade, conforme escreve o autor: "É curioso que outro gênio do cinema, Charles Chaplin - amigo de Griffith e sócio dele, Mary Pickford e Douglas Fairbanks na fundação da United Artists - não tivesse o mesmo entusiasmo pelo emprego da música nos filmes. Não no início". Nos capítulos seguintes, Máximo conta como Chaplin passou de resistente à categoria de "intuitivo criador de temas", como a belíssima balada "Smile".

No primeiro volume, João Máximo estabelece, como princípio de análise, os pioneiros na arte de composição para cinema, muito embora a maioria desses criadores não visse nessa atividade algo de muito valor simbólico. Segundo o autor, isso se deve ao fato de os compositores trabalharem em Hollywood por acaso. "Eram músicos que sonhavam com o mundo da grande ópera, da sala de concertos, da regência. (...) E acabaram, por circunstâncias várias, convertendo-se nos gênios efêmeros de uma arte nova, contestada, mas extremamente popular e, em razão disso, por eles mesmos minimizada, a ponto de não se orgulharem de seu ofício." Essa relação delicada entre "criador e criatura" não impediu, contudo, que as músicas feitas para os filmes se tornassem parte integrante dos filmes, não sendo possível, muitas vezes, desassociar uma arte da outra. Exemplo disso é a canção-tema do filme Casablanca, "As time goes by". Nesse caso, aliás, há um detalhe curioso, pois o responsável pela composição da trilha do filme não se sentia à vontade com "As time goes by". Tentou, inclusive, tirar a música do filme, mas não obteve êxito. E como é sabido: "'As time goes by', hoje um Standard, entrou para a História como a música de Casablanca, e Casablanca, entre outras referências, como o filme de 'As time goes by'". Em outros casos, a trilha sonora ajudaria até mesmo a salvar o destino de um estúdio de cinema, ou mudaria o "destino" de alguns filmes, como ocorreu com King Kong. Conforme a análise de João Máximo: "King Kong foi um sucesso. A música de Steiner, mais por sua funcionalidade do que pelas melodias bonitas, mostrou que qualquer tipo de filme, mesmo aquele em que o personagem principal é um gigantesco monstro apaixonado por delicada heroína, pode inspirar música". Além desses, muitos outros casos são apresentados ao leitor de forma envolvente, sem enciclopedismo, assemelhando-se, até, àquelas obras de cinema em que é preciso ficar atento, sob pena de perder detalhes valiosíssimos.

Paralelamente, o autor explica as técnicas utilizadas por cada compositor para compor as trilhas. O já citado Max Steiner utilizava não só o recurso do leitmotiv (um tema para cada personagem, casal, clima, situação) como também o mickeymousing (quando o som procura descrever o que a imagem já mostra). Em virtude dessa versatilidade, e dos ótimos "resultados" obtidos, João Máximo classifica Steiner como o grande mestre da composição musical cinematográfica: "Prêmios significam pouco para artistas de sua estatura. Os três que Steiner levaria para casa em 36 anos de carreira são gotas d'água no mar de sua biografia".

Já no segundo volume, o jornalista realiza uma análise mais densa, dividida em quatro capítulos. No entanto, é preciso não confundir qualidade com quantidade: o autor explora ao máximo os temas escolhidos, como no segmento "Clássicos, discos, canções, TV, rock'n roll, big bands e todo aquele jazz". Nesse capítulo, inclusive, há uma mostra de como o trabalho do jornalista foi coerente, apesar de sua paixão pela música e pelo cinema ficar nítida ao longo do livro. A passagem em questão é quando o autor versa sobre as escolhas de Stanley Kubrick: "Laranja Mecânica é um bom filme, mas a idéia do produtor-diretor [Kubrick] de utilizar música rearranjada de Beethoven e Rossini, mais 'Singing in the rain', para ilustrar o sexo e a violência na moderna e decadente sociedade descrita por Anthony Burgess em seu livro, é no mínimo discutível".

Em sua análise sobre a música do cinema, João Máximo consegue fazer uma explicativa distinção entre aquilo que é trilha sonora original - composta especialmente para o filme - e o que é trilha adaptada, ou seja, músicas e canções escolhidas aqui e ali para compor o soundtrack de um filme. Afora isso, é o próprio autor quem avisa que, muitas vezes, "muito da música do cinema hoje visa ao mercado paralelo do disco". Ainda assim, a leitura dos dois volumes de A música do cinema é não apenas fundamental para os críticos de cinema, como também será muito proveitosa para os cinéfilos e leitores interessados (que podem se municiar, inclusive, do índice onomástico e da discografia). Afinal, como disse o cineasta David W. Griffith: "A música dá o clima para o que seus olhos vêem, guia suas emoções, é a moldura emocional para o que as imagens mostram".

Para ir além









Fabio Silvestre Cardoso
São Paulo, 8/6/2004

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* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

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COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
8/6/2004
13h39min
A trilha de Laranja Mecânica é antológica. A cena do ménage à trois sincronizada com a música é, no mínimo, original e inesquecível. O mesmo ocorre com "2001: uma odisséia...", com "thus spoke zaratrusta" e danúbio azul.
[Leia outros Comentários de Pablo]
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