Brincando de aventura | Eduardo Carvalho | Digestivo Cultural

busca | avançada
114 mil/dia
2,4 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Festival Halleluya em São Paulo realizará ação solidária para auxiliar as famílias no RS
>>> Povo Fulni-ô Encontra Ponto BR
>>> QUEÑUAL
>>> Amilton Godoy Show 70 anos. Participação especial de Proveta
>>> Bacco’s promove evento ao ar livre na Lagoa dos Ingleses, em Alphaville
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> A pulsão Oblómov
>>> O Big Brother e a legião de Trumans
>>> Garganta profunda_Dusty Springfield
>>> Susan Sontag em carne e osso
>>> Todas as artes: Jardel Dias Cavalcanti
>>> Soco no saco
>>> Xingando semáforos inocentes
>>> Os autômatos de Agnaldo Pinho
>>> Esporte de risco
>>> Tito Leite atravessa o deserto com poesia
Colunistas
Últimos Posts
>>> Rodrigão Campos e a dura realidade do mercado
>>> Comfortably Numb por Jéssica di Falchi
>>> Scott Galloway e as Previsões para 2024
>>> O novo GPT-4o
>>> Scott Galloway sobre o futuro dos jovens (2024)
>>> Fernando Ulrich e O Economista Sincero (2024)
>>> The Piper's Call de David Gilmour (2024)
>>> Glenn Greenwald sobre a censura no Brasil de hoje
>>> Fernando Schüler sobre o crime de opinião
>>> Folha:'Censura promovida por Moraes tem de acabar'
Últimos Posts
>>> A ESTAGIÁRIA
>>> A insanidade tem regras
>>> Uma coisa não é a outra
>>> AUSÊNCIA
>>> Mestres do ar, a esperança nos céus da II Guerra
>>> O Mal necessário
>>> Guerra. Estupidez e desvario.
>>> Calourada
>>> Apagão
>>> Napoleão, de Ridley de Scott: nem todo poder basta
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Caminho para a Saúde
>>> Romance breve
>>> Prefeito dará a carros bela vista da universidade
>>> O assassinato de Herzog na arte
>>> A revista Bizz
>>> Cheech & Chong reloaded
>>> A Istambul de Orhan Pamuk
>>> Carles Camps Mundó e a poética da desolação
>>> Considerações sobre a leitura
>>> cheiro de sossego
Mais Recentes
>>> Livro Infanto Juvenis Biografia Caçadas de Pedrinho O Saci de Monteiro Lobato pela Brasiliense
>>> Livro Auto Ajuda Gente Que Faz de Luiz Fernando Garcia pela Gente (2006)
>>> Luís de Camões Redondilhas Canções Sonetos de Luís de Camões pela Real Gabinete Portugues de Leitura (1980)
>>> Pioneiros da Cultura do Café na Era da Independência de Gilberto Ferrez pela Imprensa Nacional (1978)
>>> Coleção Completa Folha Grandes Mestres da Pintura 20 Livros Vincent Van Gogh + Paul Cézanne + Monet + Goya + Picasso de Van Gogh; Picasso; Monet pela Folha de São Paulo (2007)
>>> Livro Literatura Estrangeira Os Sofrimentos do Jovem Werther Clássicos Volume 7 de J. W. Goethe pela Abril Coleções (2010)
>>> O legado de Humboldt de Saul Bellow pela Nova Fronteira (1977)
>>> Direito Civil dos Contratos e das Declarações Unilaterais da Vontade - vol. 3 de Silvio Rodrigues pela Saraiva (2003)
>>> Livro Administração Aprenda a Operar no Mercado de Ações de Dr. Alexandre Elder pela Campus (2006)
>>> L'Anomalie de Herve Le Tellier pela Gallimard (2020)
>>> Operação Cavalo De Tróia: Jerusalém - Vol. 1 de J.J. Benítez pela Mercuryo (1995)
>>> Livro Infanto Juvenis O Picapau Amarelo Aventuras de Hans Staden de Monteiro Lobato pela Brasiliense
>>> Livro Literatura Crime e Castigo Clássicos Volume 1 de Fiódor Dostoiévski pela Abril Coleções (2010)
>>> All You Can Do Is All You Can Do But All You Can Do Is Enough! de A.L. Williams pela Ivy Books (1989)
>>> Obras escolhidas 4 Período da terceira guerra civil revolucionária de Mao Tsetung pela Alfa Omega (1979)
>>> Introdução à Leitura d'Os Maias de Carlos Reis pela Coimbra (1997)
>>> Modèles et Innovations - Études de Littérature Portugaise et Brésilienne de Anne-Marie Quint pela Sorbonne Psn (1995)
>>> Livro Infanto Juvenis Histórias Diversas Viagem Ao Céu de Monteiro Lobato pela Brasiliense
>>> Disney Horror de Vários pela Abril (2012)
>>> Livro Administração A Execução Premium The Execution Premium A Obtenção de Vantagem Competitiva Através do Vínculo da Estratégia Com as Operações do Negócio de Robert S. Kaplan pela Elsevier (2008)
>>> A Aurora Nascente de Jacob Boehme pela Paulus (1998)
>>> Luchino Visconti - O Fogo da Paixão de Laurence Schifano pela Nova Fronteira (1990)
>>> Livro Literatura Estrangeira Crime e Castigo Clássicos Volume 2 de Fiódor Dostoiévski pela Abril Coleções (2010)
>>> Les Antimodernes - De Joseph de Maistre à Roland Barthes de Antoine Compagnon pela Gallimard (2005)
>>> Livro Infanto Juvenis O Poço do Visconde de Monteiro Lobato pela Brasiliense
COLUNAS

Sexta-feira, 27/8/2004
Brincando de aventura
Eduardo Carvalho
+ de 3900 Acessos

Da esquerda para a direita, a formação da Equipe Pi: Luiz Eduardo Pereira, Eduardo Carvalho e Rogério Carneiro

Esportes de aventura sempre me pareceram artificiais. Aventura que é aventura precisa ser solitária ou, pelo menos, independente de uma organização oficial, com suporte técnico ou resgate em caso de emergência. Essa assistência profissional descaracteriza uma atividade que se pretende mais arriscada. É por isso que não me sinto atraído por rappel ou bungee-jumping, mas me sinto à vontade para entrar numa floresta canadense para conhecer o lugar onde dormem ursos carnívoros.

Mas a corrida de aventura não é praticada em um ambiente tão forçado como, digamos, o do rappel - apesar de essa modalidade, às vezes, estar incluída na corrida. E a diversão acaba não sendo assim tão falsificada. Ao contrário: os desafios durante a corrida são reais e inesperados, e a organização não propõe um único roteiro para você completar a prova. Você corre, nada e pedala num total de, no mínimo, 40 quilômetros - no caso das corridas de um dia (pode chegar a sete, para os mais profissionais). Isso exige um preparo físico considerável e, mais do que isso, articulação entre os quatro membros da equipe, habilidade para navegar com uma bússola, velocidade e racionalidade para tomar decisões estratégicas (quando comer, correr, falar, virar, etc.).

É mais ou menos o que eu fazia, em menor escala, dos 9 aos 14 anos, em Colina, na fazenda dos meus primos, durante as férias: entre lama, bois e pés-de-laranja, a gente apostava corridas enormes, de bicicleta, correndo ou à cavalo. E é por isso que não acho que corrida de aventura seja um esporte artificial: porque é, na verdade, uma brincadeira também, só que de gente um pouco mais velha. A escolha dos equipamentos é uma diversão complementar, que inclui bicicleta, calça, tênis, mochila, etc., tudo especial - até a alimentação e hidratação, que precisa ser leve e completa, ou você se desintegra no meio da prova.

O meio da prova, aliás, oscila entre extremos: pode ser uma caverna escura e gelada ou uma praia vazia e limpa. As corridas podem atravessar desertos ou florestas tropicais, passando por vilas remotas e caminhos históricos, há anos inutilizados. Você atravessa rios transparentes e pontes frágeis, saindo de cidades do interior ou de praias movimentadas. Todos os lugares são cenários para uma corrida: principalmente os mais distantes e perdidos, onde ninguém, num parque nebuloso ou num pasto aberto, vai ajudar você a se encontrar.

A exigência física de uma prova dessas, para alguém razoavelmente preparado, é enorme. Você corre, pedala, nada - e recebe pancadas de todos os lados, quando tropeça numa pedra ou se raspa numa árvore com espinhos. Acontece: você vai em frente, e percebe que ainda não está esgotado. Que sobra um pouco de força para concluir a prova. Parece bobagem, mas é verdade que esse tipo de esforço, que beira o limite físico, empurra esse limite um pouco mais para frente. Para depois, na segunda-feira, as escadas da faculdade, que sempre foram evitadas, parecerem fáceis de subir - mesmo com o corpo dolorido, depois de um fim-de-semana ligeiramente cansativo.

Outras aventuras

Havia em Oxford, no anos 70 e 80, The Dangerous Sports Club, de uma molecada erudita que fugia dos touros de Pamplona andando de skate, saltavam mesas com garrafas em cima, se arremessavam de catapultas - até que um dia erraram a pontaria, e um participante se esborrachou no chão. E a diversão acabou, porque seus membros foram acusados de terem forçado o principiante a topar a brincadeira. Uma reportagem sobre as atividades do clube saiu na Vanity Fair de fevereiro, para quem quiser conferir. Com o comentário: "vinte anos antes de Jackass", que mais expõem o mau gosto do que assumem riscos. Os membros do Dangerous, por exemplo, desciam uma montanha coberta de neve em Saint-Moritz, com um conjunto de mesa e cadeiras Luis XIV, carregando taças e garrafas de champagne, trajados em black tie - com cartola na cabeça. Cada lugar com as suas brincadeiras.

Entre aventuras

O Itaim sempre foi, para mim, um bairro de passagem: entre a Vila Nova Conceição, Morumbi, Jardim Europa e Alto de Pinheiros, onde passei minha juventude (já acabou?) - entre a escola, o clube e a casa em que morava. É basicamente esse o triângulo que orientava minha rotina. Eu nunca precisei muito parar no Itaim, a não ser para visitar alguns amigos ou, à noite, alguns bares. Dificilmente, portanto, caminhei pelo bairro, procurando restaurantes ou entrando em lojas mais escondidas. Mas meu estágio me puxou para cá: e agora faz aproximadamente um ano que, antes ou depois da faculdade, passo meio período trabalhando no Itaim. Aprendi, por acaso, então, a me divertir por aqui.

Para começar: parece que metade da faculdade de administração onde estudo faz estágio ou trabalha em um perímetro de mais ou menos dez quarteirões. Você encontra todo mundo na rua. O que é agradável e, em certo sentido, importante. O Itaim, principalmente perto da Avenida Nova Faria Lima, é hoje o centro comercial de São Paulo - mais do que a Paulista, decadente, e a Berrini, distante. Bairrismo? São Paulo é assim: cada um dorme em um lado da cidade, à noite, mas de dia todo mundo se concentra no mesmo quarteirão. Os bancos de investimento - BBA, Merrill Lynch, Credit Suisse - já se transferiram ou já estavam por aqui, na Avenida Nova Faria Lima, seguindo ou sinalizando essa tendência.

O Shopping Iguatemi está ao lado, e muita gente ainda almoça lá, mas eu prefiro as opções da rua: que vão desde um vegetariano simples, na Cachoeira Paulista, a opções como o Parigi, na Amauri. O cardápio do bairro se acomoda em todos os bolsos e gostos. A Rua Amauri, aqui ao lado, tem também boas alternativas, como o Gula Gula e o Forneria São Paulo. O Deli Diet, na Jesuíno Arruda, não é de todo fresco, apesar do nome, e serve pratos balanceados sem comprometer o sabor. Os restaurantes japoneses do Itaim - Koi, Ayoama, Massao - não são lá grande coisa, mas são honestos, no geral. O Rubayat, do outro lado da Nova Faria Lima, é hoje um clássico, e continua servindo uma carne espetacular. Tem agora, mais para cima, o Kinoplex, com vários restaurantes mais baratos e decentes - como o Prime Burger, do Sérgio Arno, do outro lado da rua. Muita gente se encontra, depois do almoço, no Cafeeira, na Pedroso Alvarenga, que começou em silêncio e agora é visita quase indispensável para quem almoça na região.

Já a Casa do Saber funciona, há pouco tempo, na Rua Mário Ferraz. É das melhores livrarias da cidade, com uma seleção modesta mas de qualidade, sem deixar escapar o que interessa: os clássicos bem editados e os lançamentos relevantes, que às vezes fazem falta em grandes livrarias. E serve, de quebra, um café bem tirado, para depois das compras. Outra livraria que está no Itaim - esta há bastante tempo - é a Correa do Lago. Seu forte são edições preciosas, mas os lançamentos à venda são escolhidos também com cuidado: suas prateleiras são ocupadas apenas pelo que de fato merece ser publicado em português. No segundo andar da casa funciona uma loja de documentos históricos - como um autógrafo do Aldous Huxley e uma carta do Ruy Barbosa - e de gravuras importantes, que preenchem, com os livros, as paredes do ambiente. É o clima de uma biblioteca clássica, que muita gente nem conheceu.

Não me pergunte de outras lojas ou camisarias. Não conheço. A não ser, claro, a Origem, que vende jogos exóticos de tabuleiro. É um lugar bacana para se distrair, depois de um dia pensando em números. Mas minhas atividades no Itaim, além do trabalho, se resumem basicamente a almoçar - ou jantar - fora e, para descansar de vez em quando, visitar livrarias. Para isso, o bairro tem sido comigo, há um ano, bem generoso.


Eduardo Carvalho
São Paulo, 27/8/2004

Quem leu este, também leu esse(s):
01. Os narradores de Eliane Caffé de Lucas Rodrigues Pires


Mais Eduardo Carvalho
Mais Acessadas de Eduardo Carvalho em 2004
01. De uma volta ao Brasil - 23/7/2004
02. A melhor revista do mundo - 8/10/2004
03. Por que não estudo Literatura - 24/9/2004
04. Como mudar a sua vida - 21/5/2004
05. O chinês do yakissoba - 5/3/2004


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Revista Vida Simples: para quem quer viver mais e melhor. Setembro, Edição 96
Vários Colaboradores
Abril
(2010)



Dawn - Tsumetai Te vol 01
Shinshu Ueda
Sampa
(2004)



Calunga Verdades do Espírito
Luiz Gasparetto
Vida & Consciência



Minhas Primeiras Notas ao Violão
Othon Gomes da Rocha Filho
Irmãos Vitale
(1966)



Onze Minutos - Portuguese
Paulo Coelho
Rocco
(2003)



Respire! Você Está Vivo!
Thich Nhat Hanh
Vozes
(2008)



Bíblia Sagrada Novo Testamento Edição Pastoral
Paulus
Paulus
(2005)



Monet
David Spence
Ciranda Cultural
(2010)



Hellen: Minha Amada Imortal
Varios Autores
Dpl
(2005)



O Lazer no Brasil
Renato Requixa
Brasiliense
(1977)





busca | avançada
114 mil/dia
2,4 milhões/mês