Dois mil e cinco: o primeiro ano pós-esperança | Marcelo Spalding | Digestivo Cultural

busca | avançada
36499 visitas/dia
1,2 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Banda GELPI, vencedora do concurso EDP LIVE BANDS BRASIL, lança seu primeiro álbum com a Sony
>>> Celso Sabadin e Francisco Ucha lançam livro sobre a vida de Moracy do Val amanhã na Livraria da Vila
>>> No Dia dos Pais, boa comida, lugar bacana e MPB requintada são as opções para acertar no presente
>>> Livro destaca a utilização da robótica nas salas de aula
>>> São Paulo recebe o lançamento do livro Bluebell
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Rinoceronte, poemas em prosa de Ronald Polito
>>> A forca de cascavel — Angústia (FUVEST 2020)
>>> O reinado estético: Luís XV e Madame de Pompadour
>>> 7 de Setembro
>>> Outros cantos, de Maria Valéria Rezende
>>> Notas confessionais de um angustiado (VII)
>>> Eu não entendo nada de alta gastronomia - Parte 1
>>> Treliças bem trançadas
>>> Meu Telefunken
>>> Dor e Glória, de Pedro Almodóvar
Colunistas
Últimos Posts
>>> Revisores de Texto em pauta
>>> Diogo Salles no podcast Guide
>>> Uma História do Mercado Livre
>>> Washington Olivetto no Day1
>>> Robinson Shiba do China in Box
>>> Karnal, Cortella e Pondé
>>> Canal Livre com FHC
>>> A história de cada livro
>>> Guia Crowdfunding de Livros
>>> Crise da Democracia
Últimos Posts
>>> Uma crônica de Cinema
>>> Visitação ao desenho de Jair Glass
>>> Desiguais
>>> Quanto às perdas I
>>> A caminho, caminhemos nós
>>> MEMÓRIA
>>> Inesquecíveis cinco dias de Julho
>>> Primavera
>>> Quando a Juventude Te Ferra Economicamente
>>> Bens de consumo
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Ser intelectual dói
>>> O Tigrão vai te ensinar
>>> O hiperconto e a literatura digital
>>> Aberta a temporada de caça
>>> Se for viajar de navio...
>>> Incompatibilidade...
>>> Alguns Jesus em 10 anos
>>> Blogues: uma (não tão) breve história (II)
>>> Picasso e As Senhoritas de Avignon (Parte I)
>>> Asia de volta ao mapa
Mais Recentes
>>> O Livro da moda de Alexandra Black pela Publifolha (2015)
>>> Rejuvelhecer a saude como prioridade de Sergio Abramoff pela Intrinseca (2017)
>>> O livro das evidencias de John Banville Tradução Fabio Bonillo pela Biblioteca Azul - globo (2018)
>>> O futebol explica o Brasil de Marcos Guterman pela Contexto (2014)
>>> O Macaco e a Essencia de Aldous Huxley pela Globo (2017)
>>> BATISTAS, Sua Trajetória em Santo Antônio de Jesus: o fim do monopólio da fé na Terra do Padre Mateus de Jorgevan Alves da Silva pela Fonte Editorial (2018)
>>> Playboy Bárbara Borges de Diversos pela Abril (2009)
>>> Sarah de Theresa Michaels pela Nova Cultural (1999)
>>> A Bela e o Barão de Deborah Hale pela Nova Cultural (2003)
>>> O estilo na História. Gibbon & Ranke & Macaulay & Burckhardt de Peter Gay pela Companhia das Letras (1990)
>>> Playboy Simony de Diversos pela Abril (1994)
>>> Invasão no Mundo da Superfície de Mark Cheverton pela Galera Junior (2015)
>>> José Lins Do Rego- Literatura Comentada de Benjamin Abdala Jr. pela Abril Educação (1982)
>>> A modernidade vienense e as crises de identidade de Jacques Le Rider pela Civilização Brasileira (1993)
>>> Machado De Assis - Literatura Comentada de Marisa Lajolo pela Abril Educação (1980)
>>> A Viena de Wittgenstein de Allan Janik & Stephen Toulmin pela Campus (1991)
>>> O Velho e o Mar de Ernest Hemingway pela Círculo do livro (1980)
>>> Veneno de Alan Scholefield pela Abril cultural (1984)
>>> O Livreiro de Cabul de Asne Seierstad pela Record (2007)
>>> Os Dragões do Éden de Carl Sagan pela Francisco Alves (1980)
>>> O Espião que sabia demais de John Le Carré pela Abril cultural (1984)
>>> Administração de Materiais de Jorge Sequeira de Araújo pela Atlas (1981)
>>> Introdução à Programação Linear de R. Stansbury Stockton pela Atlas (1975)
>>> Como lidar com Clientes Difíceis de Dave Anderson pela Sextante (2010)
>>> As 3 Leis do Desempenho de Steve Zaffron e Dave Logan pela Primavera (2009)
>>> Curso de Educação Mediúnica 1º Ano de Vários Autores pela Feesp (1996)
>>> Recursos para uma Vida Natural de Eliza M. S. Biazzi pela Casa Publicadora Brasileira (2001)
>>> Jesus enxuga minhas Lágrimas de Elza de Almeida pela Fotograma (1999)
>>> As Aventuras de Robinson Crusoé de Daniel Defoe pela LPM Pocket (1997)
>>> Bulunga o Rei Azul de Pedro Bloch pela Moderna (1991)
>>> Menino de Engenho de José Lins do Rego pela José Olympio (1982)
>>> Terra dos Homens de Antoine de Saint-Exupéry pela Nova Fronteira (1988)
>>> O Menino de Areia de Tahar Ben Jelloun pela Nova Fronteira (1985)
>>> Aspectos Endócrinos de Interesse à Estomatologia de Janete Dias Almeida pela Unesp (1999)
>>> Nociones de Historia Linguística y Estetica Literaria de Antonio Vilanova- Nestor Lujan pela Editorial Teide/ Barcelona (1950)
>>> El Estilo: El Problema y Su Solucion de Bennison Gray pela Editorial Castalia/ Madrid (1974)
>>> El Cuento y Sus Claves de Raúl A. Piérola/ Alba Omil (profs. Univ. Tucumán pela Editorial Nova, Buenos Aires (1955)
>>> Las Fuentes de La Creacion Literaria de Carmelo M. Bonet pela Libr. del Collegio/ B. Aires (1943)
>>> As Hortaliças na Medicina Doméstica/ Encadernado de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar (1976)
>>> A Flora Nacional na Medicina Doméstica de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar
>>> Arlington Park de Rachel Cusk pela Companhia das Letras (2007)
>>> Muitas Vidas, Muitos Mestres de Brian L Weiss pela Salamandra (1991)
>>> As Frutas na Medicina Doméstica de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar
>>> Coleção Agatha Christie - Box 8 de Agatha Christie; Sonia Coutinho; Archibaldo Figueira pela HarperCollins (2019)
>>> As Irmãs Aguero de Cristina García pela Record (1998)
>>> Não Faça Tempestade Em Copo Dágua no Amor de Richard Carlson pela Rocco (2001)
>>> Um Estudo Em Vermelho - Edição De Bolso de Arthur Conan Doyle pela Zahar (2013)
>>> Eu, Dommenique de Dommenique Luxor pela Leya (2011)
>>> Os Cavaleiros da Praga Divina de Marcos Rey pela Global (2015)
>>> O Futuro da Filosofia da Práxis de Leandro Konder pela ExpressãoPopular (2018)
COLUNAS >>> Especial Melhores de 2005

Sexta-feira, 9/12/2005
Dois mil e cinco: o primeiro ano pós-esperança
Marcelo Spalding

+ de 2800 Acessos

Em 2005 caiu o muro de Berlim brasileiro. Seus tijolos eram de sonhos, projetos, ideais, utopias. Muitos o viam vermelho com estrelas amarelas. Mais do que dividir povos, um muro que marcava a existência de um outro lado, uma alternativa. Mas o muro caiu. Ruiu. O de lá e o de cá. Não porque os lados tenham deixado de ser diferentes, muito menos porque um deles tenha descoberto a fórmula da igualdade. Simplesmente não há mais alternativa.

Se o socialismo utópico se transformou na temida face de Lênin, se a ilusão da igualdade virou a aparente pobreza dos cubanos, se o símbolo de prosperidade e sucesso é uma BMW na garagem e um cartão de crédito internacional, o muro tinha que cair. E até que no Brasil demorou muito.

Não que em dois mil e cinco tenha se inventado a corrupção. Mas se conseguiu dar a impressão de que ela é inerente ao governo, qualquer governo, e assim se tirou do povo, daquele sem internet e que só sabe votar e ver Jornal Nacional, trabalhar e receber alguns mínimos, quando muito, se tirou dessa gente a esperança. Não era a estrela, não era o partido, não eram as pessoas nem o metalúrgico. Era a possibilidade de ser diferente um dia.

Porque mais do que denúncias divulgadas e multiplicadas por televisões, rádios, jornais, revistas - sempre as mesmas, mas ainda muito eficientes na tarefa de divulgar e multiplicar -, vimos a esquerda de nosso país transformar-se numa Heloísa Helena caricata, gritona e de dedo em riste contra Lula, Dilma, Paim e todos os que um dia estiveram ao lado dela, um dia foram pobres, um dia foram o outro lado do muro.

Pelo menos o mesmo país que derrubou seu muro - anos depois do mundo "civilizado" o ter feito - foi brilhante na defesa de um direito fundamental para todos, dos pobres e pretos aos pobres e brancos, dos ricos e pretos aos ricos e brancos. Não, não é o direito à educação, saúde, alimentação, livros, futebol, pão e circo. É o direito a ter uma arma. O direito de defender-se à bala. O direito à justiça, ainda que com as próprias mãos.

Muito da culpa é nossa. Nós, a burguesia, nós que temos internet, acessamos sites de textos com cinco mil caracteres, sabemos ler, escrever e pensar. A burguesia que não apenas vota como discute política, a burguesia que faz a mídia, as mídias. Então menos do que lamentar o ano que termina, deveríamos pensar sobre nossa vã existência, ainda que assistindo Jardineiro Fiel no DVD de nossa casa, imunes ao calor da rua e dos povos pelo ar-condicionado.

Nesse momento talvez devêssemos pensar em como será o ano da pós-esperança. Como será um ano sem o Jefferson na Câmara para cassar o Dirceu, um ano em que até a CPI já chega cansada dos arroubos do Malvadeza Neto?

Dois mil e seis será um ano de Eleições, isso é certo. Um ano em que terá de se eleger os neocorruptos ou os mesmos corruptos de sempre, estes posando como defensores da moralidade e da ordem pública. Talvez surja uma vassoura como a de Jânio ou um caçador de marajás collorido. O que não vai haverá é o outro lado, a não ser aquele de dedo em riste e cabelo preso visitando a Hebe.

Será um ano de Copa, e por um mês seremos o melhor país do mundo, o país de craques milionários e consagrados como o Ronaldinho Gaúcho, o país de times centenários, populares e falidos como aquele que - ironia do destino - formou o Ronaldinho Gaúcho.

Será um ano de instabilidade econômica. De mortes no trânsito. De arroubos verbais do Bush. Arroubos verbais do Chávez. Lições de moral do Fernando Henrique. Progressos da China. Mortes da África.

Dois mil e seis será um ano como todos os outros. Uma certeza tão óbvia e tão dura com a qual nós, brasileiros, precisamos nos acostumar.

Literatura
Para não dizer que não falei de flores, ou de livros, num site em que escrevo para isso. Mas se não falei de literatura no topo do artigo, e o deixei para cá, quase no rodapé, é por uma humilde certeza de que literatura não dá manchete, não desperta multidões nem gera acessos. E se torna uma instituição cada vez mais respeitada e menos popular.

Não é culpa da mídia nem das pessoas nem das professoras mal pagas que não conhecem literatura e não têm como fazer seus alunos conhecerem. Em parte é a própria literatura que se acostumou a viver em academias como se fossem mosteiros, e de lá sair uma voz apenas para criticar o novo best-seller. Ou premiar a unanimidade. Mas o fato é que a literatura está muito distante da gente contemporânea, e aqui não falo mais de gente pobre ou rica ou preta ou branca. A literatura está se distanciando do executivo que senta em frente ao DVD, liga o ar condicionado para ficar imune ao calor da rua e dos povos e assiste O Jardineiro Fiel. Distante dos intelectuais que debatem num bar o futuro sombrio de uma esquerda caricata. Distante dos vestibulandos obrigados a decorar Eça de Queirós.

Mas é graças a Deus ou a Saramago (gente como ele, não apenas ele), que a produção literária continua intensa, em quantidade e qualidade, como se escrever fosse tão lucrativo quanto desfilar maquiada e pelada nas passarelas de Milão. Só em Porto Alegre mais de mil e quinhentos autores deram autógrafos na Feira do Livro. E as prateleiras das livrarias não param de abarrotar-se à exaustão.

Entretanto, diferente da política e porque literatura não dá manchete, demorará uns cinco anos para sabermos o que de melhor as letras de dois mil e cinco produziram para a posteridade. Nesse momento eu arriscaria em Saramago com As Intermitências da Morte pelo nome canônico mas também pela qualidade da obra, que põe o dedo em feridas variadas e antigas como a Igreja, as pessoas, a vida, a morte e a palavra, esta que usamos para dizer o que é bom ou ruim, para decretar o fim da esquerda e para sugerir que os povos devam se "endireitar".

Prometo tentar, dois mil e seis. Prometo tentar desde que você não nos brinde com mais um Malvadeza.


Marcelo Spalding
Porto Alegre, 9/12/2005


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Teatro sem Tamires de Elisa Andrade Buzzo
02. Nos braços de Tião e de Helena de Renato Alessandro dos Santos
03. Minimundos, exposição de Ronald Polito de Jardel Dias Cavalcanti
04. O artífice do sertão de Celso A. Uequed Pitol
05. Os Doze Trabalhos de Mónika. 12. Rumo ao Planalto de Heloisa Pait


Mais Marcelo Spalding
Mais Acessadas de Marcelo Spalding em 2005
01. 10 sugestões de leitura para as férias - 20/12/2005
02. Um Amor Anarquista - 30/9/2005
03. Bang bang: tiroteio de clichês - 18/10/2005
04. Sopro de haicai em Flauta de Vento - 25/11/2005
05. Dois mil e cinco: o primeiro ano pós-esperança - 9/12/2005


Mais Especial Melhores de 2005
* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




LIVRO DO PRÁTICO DE FARMÁCIA 5A. EDIÇÃO
HEITOR LUZ
TEIXEIRA
(1954)
R$ 19,97



MANUAL PRÁTICO DOS CONTRATOS
JONATAS MILHOMENS
FORENSE
(2001)
R$ 20,00



HORA ZERO
AGATHA CHRISTIE
NOVA FRONTEIRA
(1944)
R$ 10,00



LIMITES DA VOZ (MONTAIGNE, SCHLEGEL, KAFKA)
LUIZ COSTA LIMA
TOPBOOKS
(2005)
R$ 26,91



DROGAS: AÇÕES E REAÇÕES
GESINA L. LONGENECKER
MARKET BOOKS
(2002)
R$ 7,19



ASSOMBRAÇÕES
COLIN JACQUI HAWKINS
MARTINS FONTES
(1997)
R$ 14,00



ATÉ AS PRINCESAS SOLTAM PUM
ILAN BRENMAN
BRINQUE-BOOK
R$ 39,95



NOÇÕES DE PREVENÇÃO E CONTROLE DE PERDAS EM SEGURANÇA DO TRABALHO 7ª EDIÇÃO REVISTA E ATUALIZADA
TAVARES, JOSÉ DA CUNHA
SENAC
(2010)
R$ 5,30



O ANJO, A PÉROLA E O PEQUENO DEUS - CAPA DURA
WINSTON GRAHAM
CÍRCULO DO LIVRO
R$ 7,00



DEPOIS, O SILÊNCIO
GANYMÉDES JOSÉ
EDIOURO
(1975)
R$ 11,49





busca | avançada
36499 visitas/dia
1,2 milhão/mês