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Segunda-feira, 27/2/2006
A educação atual de nossas crianças
Marcelo Maroldi

+ de 26100 Acessos
+ 8 Comentário(s)

Na Coréia do Sul, algumas escolas oferecem a seus alunos 16 horas de aulas todos os dias. É isso mesmo, dezesseis horas, não é mentira! As crianças e os adolescentes acordam bem cedo e partem para esse grande desafio. Pela manhã, assistem às aulas tradicionais, como matemática e biologia. À tarde, depois do almoço na própria escola e de fazerem suas tarefas, geralmente em grandes quantidades, recebem ensinamentos nas disciplinas específicas escolhidas por eles mesmos, como matemática avançada, cálculo numérico ou programação de computadores, além de aulas como violino, piano, alemão, japonês, mandarim, escultura, pintura, oratória, política, culinária e muitas outras. Os educadores dizem que estão formando cidadãos capacitados para o projeto de crescimento do seu país e de consolidação de uma nação altamente tecnológica e competitiva.

Nos EUA, crianças superdotadas escolhem freqüentar aulas em escolas especiais, onde pode se fazer 5 ou 6 anos em apenas 2, em um ritmo fortíssimo e desgastante. Desse modo, sonham em chegar à universidade aos 14 anos, 15 na pior das hipóteses, e já vimos casos de universitários com menos que isso, com 10. Entrar nessas escolas especiais não é tarefa simples. Os alunos precisam ser extremamente inteligentes e cultos, e, para isto, cumprem uma jornada diária impressionante, que chega a dar pena nas pessoas "normais".

Ora, eles são crianças, mas não agem como se espera destas. Em uma vida de 70, 80 anos, eles já começam aos 10 uma rotina que resistirá por mais 5 ou 6 décadas. Aprendem, bem cedo, que não é preciso respeitar as etapas da vida - infância, adolescência, terceira idade, etc. O que importa é entrar rápido na universidade, ser bem sucedido em um emprego invejado por todos, ganhar bastante dinheiro, e, então, morrer; não, porém, antes de ensinar ao seu filho o valor de tudo isso na vida dele.

É possível que você pense "eles realmente estão exagerando". Mas, por aqui, não é muito diferente. É claro que não chega nesse nível, afinal, nossas escolas não têm estrutura para esse tipo de ensino "ideal", elas sequer oferecem uma boa merenda no intervalo entre as aulas e, também, atividades culturais e extracurriculares inexistem nas nossas escolas, geralmente. Mas, não fosse a falta de condições típicas de um país pobre, implementaríamos tal sistema, creio. Aqui, escuto diariamente: estude, filho! Estude para ser alguém na vida! Entendo, por isso, "estude, filho, para ter dinheiro quando crescer". É o nosso jeito de pressionar as nossas crianças. A infância não existe mais, é só uma pré-escola para a vida competitiva que o mundo impõe. E de meninas, já ouvi: "quando crescer, vou casar com um homem bem rico!" Sim, o homem não precisa ser honesto, educado, carinhoso. Precisa ser rico, apenas, e propiciar um bom casamento. Para muitos pais, é a versão feminina do ser alguém na vida. É o que ensinamos.

O que temos feito, afinal, com a educação dos nossos filhos? Antes, a diversão era jogar bola, soltar pipa. Agora, a diversão é ir às aulas de inglês logo aos 6 anos de idade, se possível antes. Tentam camuflar esse "treinamento" com salas coloridas, filmes e animações feitos em computadores, cadernos bonitinhos, personagens cativantes, professores ensaiados. Mas, ser criança está sendo muito chato. A vida da criança parece estar seguindo uma receita da qual ela não poderá se esquivar se desejar ser bem sucedida mais à frente. Já não é possível ser apenas criança, brincar sem compromisso, aprender naturalmente, aos poucos, devagar. É necessário ser um "adulto infantil", com inúmeras responsabilidades e desafios por enfrentar. É a Era das metas, para crianças, inclusive.

Eu, que passei pela infância como realmente uma infância deveria ser, não desejo que meu filho sinta essa pressão antes mesmo de entender aspectos básicos da vida. Há tantos conceitos e valores tão mais importantes a aprender nessa fase que ele realmente não poderia se preocupar naquele momento em como entrar na universidade X, ou na Y. Seja criança, meu filho, é somente o que você precisa fazer nesse momento. Eu entendo a ânsia dos pais pelo sucesso de suas crianças, o desejo para que eles tenham mais bem materiais do que eles próprios o têm, que andem mais bem vestidos, passeiem mais, que comprem o que quiserem, que não passem a privações que estes passaram, etc. Mas a vida não pode ser só isso, jamais. É mais importante ser adulto somente quando tiver idade para ser um adulto, e entender que a vida simples que deveriam ter as crianças de nosso tempo jamais será recuperada se agimos assim.

Marcelo Maroldi
São Paulo, 27/2/2006



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COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
27/2/2006
01h31min
Estamos sistematizando a vida das crianças e tirando seu maior bem: a liberdade!
[Leia outros Comentários de Jorge]
27/2/2006
11h58min
Concordo, pois ao se deparar com a criatividade, a maioria dos bons criadores tiveram uma infância alegre. Este e' apenas um dos pontos a se discutir. Você tem toda razão, devemos obedecer o ciclo biológico, quem nasce pra se gênio, beleza!!! Quem não é, não adianta forçar, pois com natureza humana não se brinca. Pode se desencadear processos fora de controle na mente de crianças submetidas a tais informações.
[Leia outros Comentários de Vinicius Brown]
27/2/2006
13h39min
Sou grande fã de seus textos, porém penso que o problema no brasil não é excesso de obrigações, mas sim o culto ao hedonismo. Uma busca constante de prazer. Os modelos de sucesso são jogadores de futebol, modelos e afins. Nossa cultura é de diversão, vivemos em eternas micaretas. Nossa juventude se perde, mas não pelo excesso de responsabilidades e sim pelo inverso. Criamos um exército de seres infantis, abobalhados e irresponsáveis.
[Leia outros Comentários de Marcelo Souza]
27/2/2006
20h34min
Por outro lado, as escolas aqui nos EUA permitem que cada um escolha o que quer estudar. Se quiser teatro, pintura, musica, ou computacao, voce pode escolher. Nao e' forcado a memorizar aulas de biologia... E digo mais, ha' um enorme incentivo para os bons alunos. Se voce se interessa por matematica ou ciencia desde cedo, ou por tocar violao, voce vai ser bastante incentivado. Na sociedade brasileira somos contra este tipo de incentivo... Achamos que ha' uma regra para "boa vida". Eu discordo... Tenho amigos que hoje se beneficiam do que aprenderam por opcao quando eram criancas/adolescentes. Amigos que treinavam 5 horas de violao por dia ou 2 horas de matematica todo dia, por mero prazer. Hoje se divertem 'a beca com isso. Nao me parecem desequilibrados... Acho que existe lugar, sim, para que aqueles que demonstram aptidao e gana desde jovens para se dedicarem ao que querem. Pela regra do pular etapas, o mundo nao e' um lugar para Gauss (prodigio aos 4 anos), para Mozart, ate' para Ronaldinhos!
[Leia outros Comentários de Ram]
20/3/2006
10h20min
eu penso uma coisa: porque todos têm que aprender matemática na escola? claro, matemática básica é essencial, mas de que vão me servir aqueles problemas feitos por malucos e para malucos? e a física? e a química? odeio tudo isso. prefiro artes e línguas. e sem falar que a educaçao, tanto privada quanto pública, virou uma quitanda. a educaçao particular é pagou, levou; a pública, somos nós que pagamos também. a educação no brasil é um desastre total. ainda bem que eu só fiz o segundo grau e pronto. chega! faculdade pra quê? pra ficar desempregado, na mão; claro, se você for sabujo de algum idiota bem empregado, você consegue alguma coisa. nao estou fazendo apologia a vadiagem; aprendi mais com os livros do que com os professores, papagaios pagos para repetirem um sistema falido. leia, construa uma biblioteca em casa; será a melhor faculdade, a melhor escola.
[Leia outros Comentários de rogério silvério]
21/3/2006
09h25min
Ao ler seu artigo, me identifiquei com suas idéias, as quais já defendo há muito tempo, principalmente dentro da minha família e com alguns amigos mais chegados. Na minha opinião, quando não se respeita a fase natural de crescimento de um ser humano, esse ser humano deixa um pouco o seu lado humano e se torna um alienado, chato, e materialista, com uma fome voraz, apenas de poder e ter. A criança que existe dentro do seu ser fica adormecida (graças a Deus, não morre nunca), e sem essa criança acordada, fica triste, feio, com um aspecto animalesco. Se quando adulto perguntarmos a essa criatura quem ela é, o máximo que iremos obter de resposta é: sou fulano... (citará o nome e os números de seus documentos) e, depois disso, só conseguirá falar sobre o que conquistou materialmente na vida. Engraçado... como se a vida fosse somente isso. Um ser humano sem alma para mim é um andróide, um alienado perdido no espaço, robotizado pela sociedade, pela política e pela religião. Jamais essa cria!
[Leia outros Comentários de Rejane Guimaraes]
25/3/2006
21h22min
Nem sei se sou tão competente para fazer um comentário no mesmo nível dos demais, mas concordo plenamente em gênero, número e grau com o tema, pois nossas crianças hoje já não vivem vida de crianças. Tenho 35 anos, tenho uma filha de 5 e, cada dia que passa, me pergunto que tipo de criação devo lhe oferecer? Que futuro a espera amanhã? De uma coisa tenho certeza absoluta: "O que ensinamos aos nossos filhos até os seis anos de idade, é exatamente o que será absolvido por eles, mas que jamais ultrapassemos as fases da vida, criança tem que ser criança, tem que viver como criança!". Procuro passar esses ensinamentos para a minha filha, mas não deixo de ter medo do mundo, apesar de que mundo significa "limpo", mas nós, seres humanos, o sujamos, como vamos passar algo de tão extraordinário para os nosssos pequenos? Ser criança é: ter o direito de brincar, correr, pular, passear com os pais, tomar sorvete, ir ao circo, ver teatro...
[Leia outros Comentários de Marlene Leao]
11/11/2006
21h27min
Concordo com Marcelo; acho que as crianças têm o direito de serem crianças; brincar, ser criativas, fazer-de-conta, sem esquecer, é claro, a educação básica (que as escolas já oferecem, algumas melhor que outras); quem teve essa liberdade vai, no momento certo, escolher o que quer fazer e aí, se dedicar. Criei duas filhas deste modo; sem pressionar, sem cursinhos extra-curriculares disto ou daquilo; dando a elas liberdade de brincar e oferecendo estímulos para a imaginação: livros, brinquedos, e muita conversa. O resultado? sempre foram boas alunas e agora estão se dedicando ao que gostam, já na universidade. Concordo que nem todas as famílias têm tempo e recursos à disposição, mas na medida do possível, vamos deixar que nossas crianças sejam crianças. PS: Essa idéia vai ao encontro do pensamento de A.S. Neill, fundador de Summerhill. Suas idéias eram (ainda hoje são) radicais, mas a essência do que ele viveu pode ser aplicada na educação de nossas crianças.
[Leia outros Comentários de Cristine ]
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