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Quarta-feira, 28/3/2007
TV Infinita
Rafael Fernandes
+ de 5300 Acessos

Criei uma conta no YouTube há alguns meses e coloquei lá vários clipes para garantir que um texto meu não corresse o risco de ficar "boiando", caso alguém tirasse o vídeo do ar. Como era de se esperar, a alegria durou pouco. Minha conta foi deletada por violação de copyright. Ok, sem problemas, é a vida. E meu texto? Sem problemas, também: procurei pelos vídeos lá no site e achei todos. Ou seja: a cada conta excluída, aparecem novas substituindo os vídeos anteriores. Foi basicamente o problema envolvendo o famigerado caso Cicarelli-Malzoni (aquele casal do "sexo na praia, sim, na Internet, não"). E é o que permeia a Internet por todos os lados, desde o boom da troca de arquivos, iniciado basicamente com o MP3: a rede é um poço sem fundo - se os "donos do poder" caçam os "piratas", dezenas de novas opções são apresentadas. O Napster não é mais de graça? Surge o Kazaa. Kazaa não tem mais graça? Dezenas de novos p2p surgem na calada da noite, de computadores de nerds ambiciosos à procura do próximo queridinho da rede.

Sem saber direito o que fazer com a tal da pirataria, as empresas de entretenimento e telecomunicações (que hoje são, basicamente, a mesma coisa) novamente perdem uma grande chance: de apresentar uma alternativa, uma opção ao consumidor internauta. Aconteceu com o MP3: o iTunes "explodiu" apenas 10 anos depois do Napster; naquele momento a indústria pensou apenas em processos, não quis ou não foi capaz de entender que ali estava uma mensagem do consumidor: "eu mudei o modo como me relaciono com música". Talvez pelo fato de as empresas serem mega corporações, faz com que as mudanças sejam feitas de maneira lenta, graças à sua estrutura pesada. O fato é que a história se repete: se por um lado a reação da sociedade faz com que os processos não tenham a gana de outrora, por outro as empresas parecem perdidas com o sucesso do YouTube: não sabem se entram no jogo, se inventam um próprio, se a grana deve entrar por anúncios ou por pagamentos mensais, ou seja lá o que é o futuro. Mas a mensagem desta vez novamente é clara pelos consumidores: queremos vídeos na Internet, e preferencialmente de graça! A MTV já percebeu: lançou o MTV Overdrive, site só de vídeos, que são acompanhados de anúncios entre exibições e na página em volta do tocador; a filial brasileira foi ainda mais radical: diminuiu drasticamente a exibição de clipes na TV e por ela apenas anuncia a exibição de novos vídeos exclusivamente on-line. E já pipocam pela rede diversos locais para se assistir vídeos, como o joost, wiiTV e TV Tuga.

Parece-me que, no momento, são duas as grandes questões - que encabeçam uma série de outras - em relação à exibição de vídeos na Internet, desencadeadas pelo sucesso do YouTube: como ganhar dinheiro com isso (não apenas para pagamento de direitos, mas obviamente para o lucro) e qual será o comportamento de massa para a TV na Internet: seguirá a tendência de vídeos curtos do YouTube? Ou os vídeos longos também farão parte, como os downloads de vídeos de seriados antes que cheguem ao Brasil? E, a partir disso, qual será o papel da TV nisso tudo? Vai perder espaço? Haverá uma convergência? Haverá adaptações, como o rádio teve que se adaptar em relação à TV? No momento, não há uma resposta única.

Por um lado, a maioria esmagadora de vídeos do YouTube é de curta duração, e parece ser isso que as pessoas gostam no momento. Mas uma série de vídeos de média duração ou até longa (divididos em partes) despontam no YouTube. "Sinhá Boça", sensacional novela trash da MTV está lá em todos seus capítulos. É possível ver um vídeo de quase vinte minutos no qual o diretor Kevin Smith (de Dogma, Clerks, e outros) conta de forma hilária como quase dirigiu um filme do Superman. Ou assistir uma longa entrevista de Woody Allen, dividida em partes. E, fora o YouTube, há uma série de programas americanos sendo vistos em outros países horas depois de sua exibição, no Brasil, temos o caso de Lost e 24 horas, para ficar em dois exemplos. Nos diversos p2p, fóruns e páginas por aí há uma enorme oferta - graças, evidentemente, à constante demanda - de seriados atuais ou antigos, filmes, shows e afins à espera apenas de um clique - e paciência para aguardar o download - para sua apreciação.

Mas nem tudo é tragédia e a indústria tem aprendido alguma coisa: os processos contra "piratas" ficam cada vez mais ridículos, Steve Jobs e Bill Gates se declaram contra o DRM, a Warner faz acordo com o YouTube, o iTunes já apresenta opções de compra de vídeo e por aí vai. É de se supor que em breve, assistir a filmes, clipes, shows, séries e afins na Internet (ou na sua provável, mas indefinida união com a TV) será muito fácil e, o melhor, o acervo tende a ser - num futuro talvez nem tão distante - quase que infinito, com cada vez menos chances de algo se perder em arquivos físicos queimados, apagados, esquecidos ou simplesmente inacessíveis ao público, seja qual for o motivo: uma espécie de "TV Infinita", com tudo ao nosso alcance, seja oficialmente ou de modo "alternativo" (um nome mais discreto para a pirataria). Isso fica mais claro ainda com a iminente popularização de placas de vídeo para computador que permitem ligar vídeos-cassete (sim, ainda existem), DVDs e a própria TV ao PC; assim, os aficcionados serão responsáveis pela digitalização de um grande acervo que fatalmente cairá na Internet e diversos produtos vão parar nas mãos de fãs de qualquer parte do mundo, mesmo que a indústria não os lancem no mercado - seja por problemas de acordos de direitos autorais ou por não verem retorno financeiro que compense sua comercialização. Assim, diversos filmes, séries, talk-shows e afins - sejam eles grandes clássicos ou obscuros - correriam menos riscos de se perderem e, ainda que suas detentoras não lançassem as obras oficialmente, poderiam aparecer graças aos seus admiradores. E aí entra a pergunta: como avaliar a pirataria nesses casos? Se os fãs não têm acesso no mercado a seus programas favoritos, acabam recorrendo à pirataria. São "bandidos" (como adoram dizer certos executivos e artistas) também?

E isso tudo acarreta uma série de mudanças comportamentais e de consumo: o quanto disso vai ser pago o quanto disso vai ser gratuito? O quanto disso vai ser oficial, o quanto será pirata? Os produtos, individualmente, vão ser nossos, dos consumidores, como CDs, DVDs e etc. ou pagaremos pelo consumo de um conteúdo em geral, como é hoje a TV a cabo ou conexão à Internet? Eu, claro, não consigo saber qual vai ser o pulo do gato. Mas fico à espera de que essa "TV Infinita" se torne realidade. Já está sendo, afinal.


Rafael Fernandes
São Paulo, 28/3/2007

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