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COLUNAS >>> Especial Terror nos EUA

Quarta-feira, 19/9/2001
A Arte de Odiar
Paulo Polzonoff Jr

+ de 2900 Acessos

Yara MItsuishi

Agora com um pouco mais de serenidade, escrevo sobre o atentado nos EUA. Pela última vez, prometo, antes que alguém resolva se jogar da cadeira agora. Sei que as pessoas estão entulhadas (sem trocadilho) de informações sobre os atentados, por isso nem vou entrar nos méritos de sempre como de quem é a culpa, qual será a retaliação, etc. Atenho-me a vasculhar o pouco que conheço do ser humano para encontrar explicações para o que poderia não ter acontecido, se resolvêssemos usar esta porcaria que carregamos na caixa craniana.

Desde terça-feira passada tenho pensado muito no ódio. Ele existe — não há como negar. Os neo-pentencostais afirmam que o mundo é só amor e na hora em que se defrontam com o ódio, vão logo dizendo que não é algo humano. É coisa do dito-cujo, do cramunhão, do esquerda, do incompreendido, do mentiro, do tacanho, do manco, do travesso, enfim. Qualquer pessoa que tenha dois neurônios, no entanto, sabe que o mal é apenas a face oposta do bem. Jung afirmava que, supondo o inconsciente infinito, poder-se-ia supor um bem infinito e, logo, um mal infinito, coabitando o infinito da mente humana. É só uma frase pomposa, na verdade, para dizer que somos complementares em nossas naturezas. Algo a ver com o yang e o yin, coisa sobre a qual pessoas versadas em assuntos esotéricos podem falar com mais propriedade.

Não é minha intenção, aqui, vasculhar este universo. Quero dizer que o ódio tem de ser aceito de uma vez por todas em nossa estúpida e maniqueísta mentalidade católica. Ainda: tem de ser assimilado, domado, transformado em algo produtivo.

Acima escrevi “estúpida e maniqueísta” mentalidade católica. Não acho que toda a mentalidade católica seja estúpida. Neste caso, porém, tenho de acrescentar os dois adjetivos. Mais de uma vez escrevi em artigos que uma das piores coisas de nossa herança católica é não conceber várias verdades. Toda a verdade, se diferente da minha, é vista como mal. Este, contudo, é um assunto extenso demais para ser tratado neste texto.

A ode ao ódio que proponho é, na verdade, uma quimera de domesticação dele. Pergunto ao leitor: você está preparado para odiar sinceramente, e silenciosamente, alguém? Você é capaz de assimilar seu ódio, retê-lo e transformá-lo num impulso criativo? Deveria.

A comunidade intelectual é um bom exemplo do que proponho, sabendo-me utópico e, por isso mesmo, desprezível. Duas idéias opostas: neo-camonianos e poetas concretos. Para quem está alheio às futricagens literárias, são apenas duas correntes opostas dentro da nossa inexpressiva poesia contemporânea. Enganam-se. Elas simplesmente se odeiam. Talvez por isso os neo-camonianos tenham conquistado cada vez mais espaço entre os jovens poetas. Afinam, deram a estes jovens um objeto de ódio e de superação. Os poetas concretos, por sua vez, tem se esmerado na arte da literatura ininteligível de tal modo que logo estarão num patamar estratosférico, jamais almejado pelos irmãos Campos. Por ódio aos que eles consideram reacionários. Este ódio mútuo, pois, permite que dois vértices da literatura evoluam em sentidos opostos, até o infinito. O que os move, crêem os “bonzinhos”, é amor pela literatura; tenho cá para mim que é o ódio entre si.

Tenho acompanhado, obviamente, o caso dos atentados nos EUA. Algo deveras horripilante. Muitas vezes acordo e, saindo para o trabalho, pergunto-me se aquilo aconteceu mesmo. Ora, eu tenho uma imaginação muito fértil... Então relembro as torres caindo, as pessoas gritando, a repórter da CNN tentando conter o choro, suspiro e vou para o trabalho. Entrevistar uma artista plástica que acha que está fazendo algo super-revolucionário. Oh, sina.

Se soubéssemos odiar, tenho certeza de que o atentado não teria ocorrido. Acontece que o ódio americano por culturas diferentes é improdutivo; o mesmo pode ser dito deste ódio islâmico contra americanos. Deu no que deu. Soubéssemos odiar, teríamos um mundo mais competitivo. É assim que nos tornamos Homo sapiens sapiens, pelo menos é o que diz Darwin, cientista que meu amigo Paulo Salles crê ser um charlatão. Um mundo islâmico forte, rico em petróleo, seria um obstáculo a ser vencido pelo ocidente, rico em... Rico em que mesmo? Rico em tudo o que o Oriente não dispõem, que seja. Nesta troca, fomentaríamos tecnologias que nos permitiriam viver um progresso algo mais bem distribuído. E, possivelmente, sairíamos deste estado de barbárie no qual nos encontramos por ora.

É claro que isso é uma quimera, um sonho, uma utopia.

Mea culpa

Quanto ao meu texto da semana passada, escrito no calor dos aviões despencando nos EUA, tenho apenas uma consideração a fazer. Fui imprudente ao expelir toda a minha raiva quanto ao acontecido na figura daquela mulher palestina de olhos grandes e sorriso farto à tragédia alheia. Sim, porque me esqueci do outro lado da moeda. Durante a Guerra do Golfo, mulheres israelenses e americanas, tão patuscas e flácidas quanto, se regozijavam com a morte de iraquianos, na fraudulenta guerra cirúrgica. Mea culpa, pois.

Anti-semitismo

Como vocês que me lêem todas as semanas devem saber, moro em Curitiba. Cidade que, apesar do tamanho considerável, é bastante pacata. Eu diria pacata até demais. Desde o início do século 20, Curitiba dispõe de uma influente colônia judaica. Antes que me perguntem, sim, árabe também. Tanto é assim que, no centro da cidade, a mesquita e a sinagoga ficam a quatro quarteirões (em Curitiba falamos “quadras”) uma da outra.

A colônia judaica de Curitiba ascendeu ao poder na década de 70, com a nomeação, pelo governo militar, de Jaime Lerner, judeu, à prefeitura da cidade. Jaime Lerner foi adorado por mais de 20 anos por suas realizações urbanísticas. A primeira delas foi a canaleta para ônibus expressos, que cortava a cidade de leste a oeste, de norte a sul. O detalhe crucial para se entender o anti-semitismo que se vê hoje por aqui é que os terrenos que margeariam as canaletas foram comprados, com antecedência, por judeus da colônia. Não tenho como atestar a veracidade das informações, mas trata-se de algo que caiu na língua ferina do populacho.

Durante a década de 80, contudo, Jaime Lerner caiu nas graças do povo. Tanto é assim que marcou época cm uma inesquecível campanha de apenas 12 dias que o levou à prefeitura novamente. Suas inovações urbanísticas se tornaram referência no mundo todo. Principalmente no que diz respeito ao transporte coletivo, Curitiba era referência. Juntamente com todo este trabalho, escorado, claro, por um marketing forte, Jaime Lerner começou a ascender politicamente, chegando a governador do estado, cargo que ocupa até hoje.

Entre os funcionários dos escalões mais altos do governo há vários judeus. Na briga política que se instalou no estado nos últimos quatro anos, no entanto, isso virou motivo de chacota. Não entre a comunidade árabe ou alemã, também grande na cidade; mas entre os brasileiros mesmo, com sobrenomes como Santos e da Silva.

O ódio político a Jaime Lerner alia-se ao poderio econômico de alguns grupos paranaenses controlados por judeus, como O Boticário. O resultado é que, nas rodas, até mesmo entre amigos mais esclarecidos, percebe-se claramente um sentimento anti-semita. (Hoje, por exemplo, conversando com um jornalista, não suportei seus comentários anti-semitas e o acusei de tal. Em voz alta. Eu costumo brincar com as pessoas que tiram sarro do meu nome russo, dizendo que sou judeu. Às vezes esqueço (propositadamente?) de desmentir. Ele se assustou, claro. Disse claramente: você é anti-semita. A palavra parece que surtiu algum efeito. Ele, que é paraibano, não teve o que dizer quanto apontei a existência de certos grupos anti-nordestinos.) Com o caso dos atentados ao World Trade Center, fala-se aqui até em conspiração sionista.

É o tipo de coisa de dar medo em qualquer pessoa que tenha lido um livro somente sobre o Holocausto.

Meu Drama, Teu Drama, Nosso Drama

Decidi que devo compartilhar isso com meus leitores. Afinal de contas, reza o ditado que uma tristeza compartilhada é meia tristeza. E eu gosto de ditados. Vivo, aqui em casa, o drama das igrejas evangélicas, neo-pentencostais, esta porcaria toda. Tenho muito o que falar.

A maioria das pessoas que ataca Edir Macedo & Cia não sabe do que está falando. Ele é o extremo de uma organização (acho que o termo é apropriado) de muitas nuances. O protestantismo, como vocês sabem, é uma “dissidência” do catolicismo, nascido da cisma de Lutero. Só que a igreja Luterana também sofreu suas cismas e as cismas sofreram cismas, que resultaram neste mar de nomes de templos que se instalam em qualquer barracão no Brasil. Uma destas igrejas é a do Evangelho Quadrangular.

Quando eu tinha uns 12 anos, fui obrigado a frequentar os cultos desta igreja. Eu era uma criança que sabia muito pouco do mundo. Minha noção de religião era absolutamente nula. Fui “arrastado” para lá porque minha mãe queria ser curada de uma insônia crônica. E eu que queria conquistar uma menininha... É aqui que meu inferno começa, na verdade.

Frequentei esta igreja, sem saber o que fazia, por um ou dois anos. Foi quando decidi que tudo era uma grande, enorme besteira. Surgiram aqui os primeiros conflitos. Nesta época, contudo, era amparado por meu pai que, aparentemente, desdenhava também para a religião-de-ocasião de minha mãe. Vivemos neste dilema familiar por um bom tempo.

Depois de minha revolta, não muito depois, descobriu-se algumas falcatruas na igreja que minha mãe frequentava. A do Evangelho Quadrangular. Tanto que ela deixou de ir a essa igreja. Eu achava que estava salvo.

Só que no meio do meu caminho entrou a Renovação Carismática, algo que deveria ser abolido pelo Papa. E depois da Renovação, a Igreja Universal do Reino de Deus, que sucumbiu à mediocridade de seu próprio discurso. A tudo enfrentei com o máximo de serenidade possível. Um amigo escreveu que a milícia Taleban sabe tanto do Corão quanto Edir Macedo da Bíblia — comparação perfeita.

Nunca vou esquecer um dia em que chamaram dois ou mais pastores para tentarem me converter à força. Foram à minha casa e começaram com aquela ladainha de sempre. E eu dando argumentos — modéstia à parte bons — sobre cada ponto daquele discurso decorado. Não seria pela via lógica que o fundamentalismo cristão entraria nas minhas veias.

Por falar em fundamentalismo cristão, enfrentei também a fase das Testemunhas de Jeová.

Agora, estou diante da desgraça da igreja neo-pentencostal novamente. E ela veio com tudo. Na verdade tenho pena de meus pais, que não sabem nem o que foram as Cruzadas, nem qual a diferença entre o Corão e a Torá. Para se ter uma idéia, outro dia ouvi de meu pai que eu tinha de parar de acreditar nos livros que leio, ou seja, literatura, ficção, para acreditar na Bíblia. Disse-lhe tão-somente que livros não foram feitos para se acreditar. De qualquer modo, meu drama é grande. A rede cresce e recrudesce o policiamento. Tudo é visto como demoníaco. O CD-player só toca música gospel, com arranjos de churrascaria, claro. De cada duas palavras, três são da Bíblia. O vocabulário é falseado, mas a crença, infelizmente, é genuína.

Enquanto isso, vou tendo cada vez mais a certeza de que este fundamentalismo islâmico que se vê insistentemente na televisão, com homens de turbante e barba negra, em nada, em absolutamente nada, fica a dever ao nosso fundamentalismo cristão. Ah, sim, mas os nossos não pegam em armas — você diz. Ao que eu respondo: é questão de tempo.

Ao que parece, só me resta, como uma tentativa de preservar minha saúde mental, a porta dos fundos.


Paulo Polzonoff Jr
Rio de Janeiro, 19/9/2001


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