A Crise da música ― Parte 2/3 | Rafael Fernandes | Digestivo Cultural

busca | avançada
62663 visitas/dia
2,6 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Banda GELPI, vencedora do concurso EDP LIVE BANDS BRASIL, lança seu primeiro álbum com a Sony
>>> Celso Sabadin e Francisco Ucha lançam livro sobre a vida de Moracy do Val amanhã na Livraria da Vila
>>> No Dia dos Pais, boa comida, lugar bacana e MPB requintada são as opções para acertar no presente
>>> Livro destaca a utilização da robótica nas salas de aula
>>> São Paulo recebe o lançamento do livro Bluebell
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Rinoceronte, poemas em prosa de Ronald Polito
>>> A forca de cascavel — Angústia (FUVEST 2020)
>>> O reinado estético: Luís XV e Madame de Pompadour
>>> 7 de Setembro
>>> Outros cantos, de Maria Valéria Rezende
>>> Notas confessionais de um angustiado (VII)
>>> Eu não entendo nada de alta gastronomia - Parte 1
>>> Treliças bem trançadas
>>> Meu Telefunken
>>> Dor e Glória, de Pedro Almodóvar
Colunistas
Últimos Posts
>>> Revisores de Texto em pauta
>>> Diogo Salles no podcast Guide
>>> Uma História do Mercado Livre
>>> Washington Olivetto no Day1
>>> Robinson Shiba do China in Box
>>> Karnal, Cortella e Pondé
>>> Canal Livre com FHC
>>> A história de cada livro
>>> Guia Crowdfunding de Livros
>>> Crise da Democracia
Últimos Posts
>>> Uma crônica de Cinema
>>> Visitação ao desenho de Jair Glass
>>> Desiguais
>>> Quanto às perdas I
>>> A caminho, caminhemos nós
>>> MEMÓRIA
>>> Inesquecíveis cinco dias de Julho
>>> Primavera
>>> Quando a Juventude Te Ferra Economicamente
>>> Bens de consumo
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Ser intelectual dói
>>> O Tigrão vai te ensinar
>>> O hiperconto e a literatura digital
>>> Aberta a temporada de caça
>>> Se for viajar de navio...
>>> Incompatibilidade...
>>> Alguns Jesus em 10 anos
>>> Blogues: uma (não tão) breve história (II)
>>> Picasso e As Senhoritas de Avignon (Parte I)
>>> Asia de volta ao mapa
Mais Recentes
>>> O Livro da moda de Alexandra Black pela Publifolha (2015)
>>> Rejuvelhecer a saude como prioridade de Sergio Abramoff pela Intrinseca (2017)
>>> O livro das evidencias de John Banville Tradução Fabio Bonillo pela Biblioteca Azul - globo (2018)
>>> O futebol explica o Brasil de Marcos Guterman pela Contexto (2014)
>>> O Macaco e a Essencia de Aldous Huxley pela Globo (2017)
>>> BATISTAS, Sua Trajetória em Santo Antônio de Jesus: o fim do monopólio da fé na Terra do Padre Mateus de Jorgevan Alves da Silva pela Fonte Editorial (2018)
>>> Playboy Bárbara Borges de Diversos pela Abril (2009)
>>> Sarah de Theresa Michaels pela Nova Cultural (1999)
>>> A Bela e o Barão de Deborah Hale pela Nova Cultural (2003)
>>> O estilo na História. Gibbon & Ranke & Macaulay & Burckhardt de Peter Gay pela Companhia das Letras (1990)
>>> Playboy Simony de Diversos pela Abril (1994)
>>> Invasão no Mundo da Superfície de Mark Cheverton pela Galera Junior (2015)
>>> José Lins Do Rego- Literatura Comentada de Benjamin Abdala Jr. pela Abril Educação (1982)
>>> A modernidade vienense e as crises de identidade de Jacques Le Rider pela Civilização Brasileira (1993)
>>> Machado De Assis - Literatura Comentada de Marisa Lajolo pela Abril Educação (1980)
>>> A Viena de Wittgenstein de Allan Janik & Stephen Toulmin pela Campus (1991)
>>> O Velho e o Mar de Ernest Hemingway pela Círculo do livro (1980)
>>> Veneno de Alan Scholefield pela Abril cultural (1984)
>>> O Livreiro de Cabul de Asne Seierstad pela Record (2007)
>>> Os Dragões do Éden de Carl Sagan pela Francisco Alves (1980)
>>> O Espião que sabia demais de John Le Carré pela Abril cultural (1984)
>>> Administração de Materiais de Jorge Sequeira de Araújo pela Atlas (1981)
>>> Introdução à Programação Linear de R. Stansbury Stockton pela Atlas (1975)
>>> Como lidar com Clientes Difíceis de Dave Anderson pela Sextante (2010)
>>> As 3 Leis do Desempenho de Steve Zaffron e Dave Logan pela Primavera (2009)
>>> Curso de Educação Mediúnica 1º Ano de Vários Autores pela Feesp (1996)
>>> Recursos para uma Vida Natural de Eliza M. S. Biazzi pela Casa Publicadora Brasileira (2001)
>>> Jesus enxuga minhas Lágrimas de Elza de Almeida pela Fotograma (1999)
>>> As Aventuras de Robinson Crusoé de Daniel Defoe pela LPM Pocket (1997)
>>> Bulunga o Rei Azul de Pedro Bloch pela Moderna (1991)
>>> Menino de Engenho de José Lins do Rego pela José Olympio (1982)
>>> Terra dos Homens de Antoine de Saint-Exupéry pela Nova Fronteira (1988)
>>> O Menino de Areia de Tahar Ben Jelloun pela Nova Fronteira (1985)
>>> Aspectos Endócrinos de Interesse à Estomatologia de Janete Dias Almeida pela Unesp (1999)
>>> Nociones de Historia Linguística y Estetica Literaria de Antonio Vilanova- Nestor Lujan pela Editorial Teide/ Barcelona (1950)
>>> El Estilo: El Problema y Su Solucion de Bennison Gray pela Editorial Castalia/ Madrid (1974)
>>> El Cuento y Sus Claves de Raúl A. Piérola/ Alba Omil (profs. Univ. Tucumán pela Editorial Nova, Buenos Aires (1955)
>>> Las Fuentes de La Creacion Literaria de Carmelo M. Bonet pela Libr. del Collegio/ B. Aires (1943)
>>> As Hortaliças na Medicina Doméstica/ Encadernado de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar (1976)
>>> A Flora Nacional na Medicina Doméstica de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar
>>> Arlington Park de Rachel Cusk pela Companhia das Letras (2007)
>>> Muitas Vidas, Muitos Mestres de Brian L Weiss pela Salamandra (1991)
>>> As Frutas na Medicina Doméstica de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar
>>> Coleção Agatha Christie - Box 8 de Agatha Christie; Sonia Coutinho; Archibaldo Figueira pela HarperCollins (2019)
>>> As Irmãs Aguero de Cristina García pela Record (1998)
>>> Não Faça Tempestade Em Copo Dágua no Amor de Richard Carlson pela Rocco (2001)
>>> Um Estudo Em Vermelho - Edição De Bolso de Arthur Conan Doyle pela Zahar (2013)
>>> Eu, Dommenique de Dommenique Luxor pela Leya (2011)
>>> Os Cavaleiros da Praga Divina de Marcos Rey pela Global (2015)
>>> O Futuro da Filosofia da Práxis de Leandro Konder pela ExpressãoPopular (2018)
COLUNAS

Quarta-feira, 29/4/2009
A Crise da música ― Parte 2/3
Rafael Fernandes

+ de 7800 Acessos
+ 1 Comentário(s)

A seguir a segunda parte do texto sobre a crise da música. (Leia a parte 1).

Troca de padrões
Nos anos 90 tivemos que trocar nossos vinis por CDs, sem apelação. Dez anos depois surge o MP3 como padrão. O streaming apareceu mais recentemente. O que temos que fazer, agora? Comprar de novo as músicas em MP3 porque a indústria diz que é crime copiar CD? Eu ainda tenho discos de vinil. Gostaria de me desfazer de alguns deles pela falta de praticidade. Devo jogar fora e também re-comprar em MP3, que pode se tornar obsoleto? E o que mais vem em seguida? Jogar fora os plásticos antigos e comprar outros?

Cortando as amarras do mercado
Marcia Tosta Dias, em seu fundamental Os donos da voz (que em breve deve ganhar texto meu), faz uma observação bastante interessante: "Não podemos esquecer que o negócio do disco começa com o desenvolvimento e a propriedade das máquinas de gravação e reprodução e é em torno desta propriedade que tem sempre se mantido". Podemos também incluir aí a distribuição. É algo parecido com os jornais. Sendo assim, com o avanço de estúdios caseiros, a disseminação do MP3 e as facilidades da internet, essa indústria perde seu status de controladora dos meios de produção e disseminação. A consequência óbvia é entrar em colapso. Há quem diga que as gravadoras sabem o que está acontecendo e vão resistir até 2011 antes de uma mudança radical.

Spotify
Para um amante da música, como eu, é inviável comprar tudo o que se quer para estudar e conhecer a obra de muitos artistas. É impossível em termos financeiros e de espaço. Mas como uma TV infinita, uma audioteca "infinita" é viável na internet. Por isso estou testando com entusiasmo o Spotify, que é um misto de browser e Last.fm. Por assinaturas diversas (de graça com anúncios e pago para ouvir sem propaganda) é possível acessar um enorme acervo ― apenas em streaming ― por um valor básico, como TV a cabo. Não sei se vai dar certo como produto financeitamente, mas, apesar de alguns problemas como preço (ainda é muito caro para o Brasil), interface (é boa, mas a organização e acesso às playlists poderia ser melhor) e artistas (muitos ainda não estão lá, como Beatles) é o que eu, como consumidor de música, gostaria de ter. Por uma taxa mensal eu tenho acesso a um acervo fabuloso quando eu quero, e montado da forma como desejo: por discos, artistas, tema, "mix tape" etc. E está tudo organizado num só lugar. Perco as músicas apenas se o site falir ou sair do ar. Internet envolve rapidez, comodidade, praticidade, customização e facilidade de busca ― até agora, o Spotify é meu serviço favorito para ouvir música.

Quem paga quem?
Entendo que o consumidor de música não tenha mais tanta propensão a pagar para ouvir música, como não paga para ver TV aberta ou ouvir rádio. Ou quem sabe um dia pague como outros serviços, tais quais pagamentos mensais de TV a cabo, internet, celular, como citei no caso do Spotify. Mas os prestadores de serviço devem, sim, pagar por usar a música. Afinal, sites como YouTube, Last.Fm, MySpace e outros capitalizam (ou ao menos tentam capitalizar) em cima de trabalhos alheios. Mas contra isso há o argumento de que só usa esses tais serviços o músico que quer, e que eles trazem benefícios ao usuário. Ou seja, os sites não precisariam pagar os músicos, já que eles também usariam seus serviços de graça. Mas não creio que seja um argumento válido ― se fosse assim, nem TV nem rádio deveriam recolher direitos pela veiculação das músicas na programação.

Música de graça?
Se você é um artista iniciante e atua num nicho muito específico, ou está lançando algo novo, dar música de graça pode ser interessante. Seja para divulgar o trabalho em si ou um produto correlato. Porque, como disse no texto anterior, a internet é um substituto de rádio e TV (principalmente MTV) para descobrir novos artistas. Mas tenha muito cuidado. Não só porque você pode "mimar" demais seus fãs, que não vão querer nunca mais pagar por suas músicas, como você corre sério risco de desvalorizar sua obra. Não ter sua música conhecida é péssimo, mas ela não ter valor é perigoso. Então, por mais que o futuro possa indicar a música com livre circulação, os artistas devem tomar muito cuidado ao dar de graça as músicas. Ou então devem encontrar uma outra forma de valorizar seu trabalho e esforço.

A importância do hit
Uma coisa não muda: se você é um artista, precisa de um hit para aparecer ― aquela música que pega de jeito o ouvinte. Eram os hits que tocavam nas jukeboxes. Que tocavam nas rádios ― antes do jabá. Que estavam no lado A dos LPs e que eram capazes de fazer um consumidor comprar o disco só para tê-la. E que fazem o consumidor baixar a música (ou o disco), colocá-la como toque de celular, pôr um trecho da letra no MSN etc. E, claro, são basicamente os hits que levam as pessoas ao seu show. Radiohead, São Paulo, 2009. Trinta mil pessoas. Momentos de delírio do público? "Creep" e "Fake Plastic Trees". Músicas do início da carreira, hits. Os hits não precisam ter três minutos e serem "comerciais". Devem apenas ser bons o suficiente para chamar a atenção do ouvinte. Mesmo que seja apenas num nicho, mas que a maioria dessas pessoas saiba de cor e espere por eles nos shows. E, mais do que apelar ou procurar clichês, os grandes artistas deveriam criar grandes canções, as melhores possíveis ― não apenas mais uma. Voltar ao básico, ao inicial: não se trata de negócio, mas sim de ser memorável.

Ter ou não um "álbum"
A questão aqui é se é válido ter um punhado de canções lançadas simultaneamente dentro de um contexto ― não importa em qual formato. Para pessoas acima de 25/30 anos existe uma quase dependência em esperar que seus artistas favoritos lancem álbuns ― é uma questão de padrão e hábito. Mas, realisticamente, são poucos os que realmente se sustentam do começo ao fim com a mesma qualidade. Bob Lefsetz escreveu um texto já famoso defendendo o fim desse formato. Seus argumentos fazem sentindo: o conceito de álbum apareceu por causa da tecnologia ― simplesmente a capacidade de armazenamento dos discos aumentou e ficou lucrativo lançar álbuns de um só artista em vez de junções de singles. Uma outra tecnologia, a internet, permite romper com isso. Mais: com a acirrada competição por atenção na rede, os músicos deveriam se preocupar em desenvolver duas ou três músicas marcantes (os hits) em vez de tentar juntar dez ou doze só para preencher um disco e promover um lançamento. Dave Allen também escreveu algo nesse sentido. Já Scott Perry fez o contraponto, defendendo o formato álbum: os fãs querem um pacote de músicas de uma vez e, afinal de contas, é importante que o artista apresente suas ideias dentro de um contexto e que esteja cercado de certa "mitologia" ― algo que o conjunto de canções pode trazer.

Nota do Autor
Em breve a parte 3 ― e final ― desta série de textos.


Rafael Fernandes
Sorocaba, 29/4/2009


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Seis meses em 1945 de Celso A. Uequed Pitol
02. O 'casamento' de Martin Scorsese e DiCaprio de Eduardo Maretti
03. Mazelas do coronelismo de Diogo Salles
04. Nine Inch Nails e The Slip de Rafael Fernandes
05. A jovem guarda desvirtuou a família brasileira de Eduardo Mineo


Mais Rafael Fernandes

colunista_mais_acessadas_query=SELECT colunistas.iniciais, colunas.ano, colunas.acessos, colunas.codigo, colunas.titulo, colunas.dia, colunas.mes FROM chamadas, colunas, colunistas WHERE colunas.codigo = chamadas.coluna AND colunas.colunista = colunistas.codigo AND colunistas.iniciais = 'RF' AND colunas.ano = 2009 ORDER BY colunas.acessos DESC LIMIT 10 Mais Acessadas de Rafael Fernandes em 2009
01. 10 músicas: Michael Jackson - 22/7/2009
02. A Crise da música ― Parte 1/3 - 25/3/2009
03. A Crise da música ― Parte 2/3 - 29/4/2009
04. Chinese Democracy: grande disco - 25/2/2009
05. A Crise da música ― Parte 3/3 - 8/7/2009


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
10/5/2009
09h12min
Penso que isso tudo foi planejado pela própria indústria que precisa cada vez mais de lançar coisas novas. Com o CD virgem e um gravador para reproduzir as músicas, começa a era da pirataria. Depois, com a facilidade da internet, tornou-se ainda mais fácil de se conseguir músicas sem pagar um tostão. O CD, para o músico, hoje, é apenas um cartão de visitas para os seus shows. Quem sabe voltaremos aos vinis...
[Leia outros Comentários de Marcos Arrébola]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




OURO PRETO TAMBÉM PARA CRIANÇAS
MARIA ZÉLIA DAMÁSIO TRINDADE
FUNDAÇÃO DE ARTE DE OURO PRETO
(1972)
R$ 5,88



O QUE É SOCIOLOGIA
CARLOS B. MARTINS
BRASILIENSE
(1982)
R$ 15,00



EMPREENDEDOR OU EXECUTIVO?
FRANCISCO BRITTO
DA BOA PROSA
(2010)
R$ 5,00



QUESTÃO DE SAÚDE
RENATO LAMOUIER BARBIERI
RIDEEL
(2005)
R$ 6,90



AS AVENTURAS DE TIBICUERA
ERICO VERISSIMO
GLOBO
(1973)
R$ 6,90



O ARCO DE SANTANA
ALMEIDA GARRETT
NOSSO LIVRO
R$ 7,80



ENTRE DUAS VIDAS
FRANCISCO CANDIDO XAXIER E ELIAS BARBOSA
CEC
R$ 5,00



ALMAS GÊMEAS
MÔNICA BUONFIGLIO
DO AUTOR
R$ 6,90



CONSTITUIÇÃO DO ESTADO DE MINAS GERAIS
DILSON MACHADO DE LIMA
LIDER
(2007)
R$ 9,90



DIGA AÍ, LAMBE-LAMBE !
SÉRGIO BRUNI
LÉO CHRISTIANO
(2012)
R$ 9,80





busca | avançada
62663 visitas/dia
2,6 milhões/mês