Profissão sem fé | Daniela Sandler | Digestivo Cultural

busca | avançada
41731 visitas/dia
1,1 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Banda GELPI, vencedora do concurso EDP LIVE BANDS BRASIL, lança seu primeiro álbum com a Sony
>>> Celso Sabadin e Francisco Ucha lançam livro sobre a vida de Moracy do Val amanhã na Livraria da Vila
>>> No Dia dos Pais, boa comida, lugar bacana e MPB requintada são as opções para acertar no presente
>>> Livro destaca a utilização da robótica nas salas de aula
>>> São Paulo recebe o lançamento do livro Bluebell
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> O reinado estético: Luís XV e Madame de Pompadour
>>> 7 de Setembro
>>> Outros cantos, de Maria Valéria Rezende
>>> Notas confessionais de um angustiado (VII)
>>> Eu não entendo nada de alta gastronomia - Parte 1
>>> Treliças bem trançadas
>>> Meu Telefunken
>>> Dor e Glória, de Pedro Almodóvar
>>> Leminski, estações da poesia, por R. G. Lopes
>>> Crônica em sustenido
Colunistas
Últimos Posts
>>> Jesus não era cristão
>>> Analisando o Amazon Prime
>>> Amazon Prime no Brasil
>>> Censura na Bienal do Rio 2019
>>> Tocalivros
>>> Livro Alma Brasileira
>>> Steve Jobs em 1997
>>> Jeff Bezos em 2003
>>> Jack Ma e Elon Musk
>>> Marco Lisboa na Globonews
Últimos Posts
>>> O céu sem o azul
>>> Ofendículos
>>> Grito primal V
>>> Grito primal IV
>>> Inequações de um travesseiro
>>> Caroço
>>> Serial Killer
>>> O jardim e as flores
>>> Agradecer antes, para pedir depois
>>> Esse é o meu vovô
Blogueiros
Mais Recentes
>>> O Vendedor de Passados
>>> Entre a crise e o espectro do humor a favor
>>> Dicas para a criação de personagens na ficção
>>> Tiros, Pedras e Ocupação na USP
>>> Oficina de conto na AIC
>>> Crônica em sustenido
>>> Notas confessionais de um angustiado (VII)
>>> O julgamento do mensalão à sombra do caso Dreyfus
>>> Retomada do crescimento
>>> Drummond: o mundo como provocação
Mais Recentes
>>> O Espiritismo Aplicado de Eliseu Rigonatti pela Pensamento (2006)
>>> Luz no lar de Francisco Cândido Xavier pela Federação Espírita Brasileira (1968)
>>> O Evangelho segundo o espiritismo de Allan Kardec pela Federação Espírita Brasileira (1997)
>>> Sobrevivência E comunicabilidade dos Espíritos de Hermínio C. Miranda pela Federação Espírita Brasileira (1975)
>>> O Livro dos Espíritos de Allan Kardec pela Federação Espírita Brasileira (1944)
>>> História das Religiões de Ivan Ap. Manoel e Nainora M.B. de Freitas pela Paulinas (2006)
>>> O Brilho dos pássaros de Carlos Luz pela Nova Era (1996)
>>> Prosperidade fazendo amizade com o dinheiro de Lair Ribeiro pela Objetiva (1992)
>>> Sessões Prática e Doutrinárias do Espiritismo de Aurélio A. Valente pela Federação Espírita Brasileira (1990)
>>> 100 Impulsos positivos para viver melhor de Eduardo Criado pela Folio (1996)
>>> O Avesso de um Balzac Contemporâneo de Osmar Ramos Filho pela Lachârtre (1995)
>>> O Ser Integral o despertar de uma nova era de Orlando Santos Junior pela Royal Court (1996)
>>> A fé crista Normal de Watchman nee pela Living Stream Ministry
>>> Sementes de vida Eterna de Djalma Santos pela Novo Ser (2011)
>>> Vencendo os Limites de Elaine de Melo pela Qualitymark (2000)
>>> Ala Sombra de los Monasterios Tibetanos de Jean M. Riviére pela Kier (1986)
>>> A vida Normal da Igreja Crista de Watchman nee pela Living Stream Ministry
>>> Esclarecendo os Jovens de Umberto Ferreira pela Goiânia (1993)
>>> O Vôo mais Alto de Luiz Sérgio pela Edição do Autor (1983)
>>> Evolução Espiritual de Narcí Castro de Souza pela Madras
>>> Copos que Andam de Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho pela Petit (1994)
>>> O Mistério do Sobrado de Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho pela Petit (2001)
>>> Imagem do eterno de Carmen Cinira Macedo pela Moderna (1989)
>>> A Gêneses de Allan Kardec pela Federação Espírita Brasileira (2000)
>>> Manual de Boas Práticas em Ensaios Clínicos de Conceição Accetturi, David Salomão Lewi e Greyce Balthazar Lousana pela Usp (1997)
>>> Filho do Sol de Savitri Devi pela Renes (1981)
>>> Encontros com o Insólito de Raymond Bernard, F. R. C. pela Renes (1970)
>>> Introdução à Filosofia da Rosacruz Áurea de J. van Rijckenborgh pela Escola Espiritual da Rosacruz Áurea (1982)
>>> Biografias de Personalidades Célebres de Prof. Carolina Rennó Ribeiro de Oliveira pela do Mestre (1970)
>>> As Últimas Horas de Gibran de Kahlil Gibran pela Nova época (1980)
>>> El Misterio De Los Templarios de Louis Charpentier pela Bruguera (1970)
>>> Valongo Arte e Devoção de Ana Maria C. Silva De Biasi, Elias Jorge Tambur e Maria Rabello da Motta pela A Tribuna (1995)
>>> Eu, Detetive O Caso do Sumiço de Stella Carr e Laís Carr Ribeiro pela Moderna (2003)
>>> Dinheiro Público e Cidadania de Silvia Cintra Franco pela Moderna (1998)
>>> Quando o espiritual domina de Simone de Beauvoir pela Nova Fronteira (1980)
>>> Coração de Vidro de José Mauro de Vasconcelos pela Melhoramentos (1972)
>>> Transformadores de Alfonso Martignoni pela Globo (1981)
>>> Guia Técnico do Alumínio - Extrusão de Associação Brasileira do Alumínio pela Tecnica (1990)
>>> História da Literatura em Santo André de Tarso M. de Melo pela Fundo de cultura de santo andré (2000)
>>> Cinco Minutos - A Viuvinha de José de Alencar pela Ática (2001)
>>> O Mochileiro das Galáxias - Volume 4 de Douglas Adams pela Arqueiro (2010)
>>> Amo Poesia de J. Dellova pela Do escritor (1989)
>>> Folhas aos Ventos Maçônicos de Breno Trautwein pela A Trolha (2000)
>>> Os Segredos dos Construtores de Maurice Vieux pela Difel (1977)
>>> Antigos Manifestos Rosacruzes de Joel Disher pela Amorc (1982)
>>> Breve História da Maçonaria de Rubens Barbosa de Mattos pela A Trolha (1997)
>>> Por Mares há Muito Navegados de Álvaro Cardoso Gomes pela Ática (2002)
>>> Isso Ninguém me Tira de Ana Maria Machado pela Ática (1996)
>>> Um Dono para Buscapé de Giselda Laporta Nicolelis pela Moderna (1996)
>>> Encontro com os Deuses de Jaime Guedes pela Mandála (1978)
COLUNAS

Quarta-feira, 28/11/2001
Profissão sem fé
Daniela Sandler

+ de 3500 Acessos
+ 1 Comentário(s)

Você tem às vezes o desejo de falar com o autor de um livro ou filme favorito (ou odiado)? Eu, quando mais nova, em vez de me apaixonar por galãs de cinema, me apaixonava pelos diretores. Queria encontrar todos eles. Quantas vezes não me remoí de raiva por ter nascido oitenta anos depois do necessário para ter tido ao menos a chance remota - mas possível - de cruzar o caminho deste ou daquele escritor?

O curioso é que descobri um insuspeitado pudor quando tive a chance de dialogar tête-a-tête (ou quase) com o diretor de um filme que me impressionou. Curioso... ou nem tanto. Essa coisa de pôr autor e obra juntos à disposição do público não é tão simples assim, ainda mais nesses tempos de maratonas promocionais e tudo-é-mercadoria em que vivemos.

No dia 17 último, Peter Bogdanovich (diretor de A Última Sessão de Cinema) veio a Rochester apresentar seu filme mais recente, The Cat's Meow. Fez a introdução; o filme foi exibido; e depois o diretor respondeu a perguntas da platéia.

Bruno Weiszflog

O filme, incidentalmente, tem a ver com muitos temas que me perseguem atualmente, em minhas pesquisas. Daí que me fez pensar sem parar, ainda que imersa naquele estado semi-hipnótico que os filmes provocam; durante e depois do filme minha cabeça pipocava com perguntas e idéias. Mas, quando o diretor subiu ao palco, fiquei muda. A platéia e o curador da cinemateca dispararam as questões de costume: o porquê deste ou daquele recurso estético; curiosidades de bastidores; esclarecimentos técnicos; motivações pessoais; perguntas sobre outras obras (ainda mais agora que Bogdanovich tem fama adicional como ator - interpreta um psiquiatra na série The Sopranos, hit da HBO).

Armada com minhas questões, ao ver o diretor sobre a cadeira iluminada, de repente achei que teria o poder de expor, desvelar, despir com meus comentários. Esse momento "peep-show" foi rápido, perdeu-se nas perguntas mundanas que se seguiram, mas foi o suficiente para me calar.

Na minha breve experiência como repórter, lembro-me de entrevistas coletivas, nós os jornalistas subindo uns em cima dos outros para fazer nossa pergunta chegar ao centro da atenção: ganha quem grita mais alto, não há tempo para questões inteligentes, ninguém tem pruridos. Nem eu tinha, com a usual adrenalina de foca, repetindo a mim mesma que repórter tem licença para ser chato. Uma vez fiz uma pergunta que tirou do sério um político conhecido por sua fleuma impenetrável. À época, orgulhei-me do feito heróico. Hoje, a lembrança exemplifica meu pudor presente.

Claro, há perguntas e perguntas. Há as tais meras curiosidades, há os fatos inconseqüentes; há as perguntas-plataforma, para fazer o entrevistado brilhar; as mal-intencionadas, para fazê-lo afundar (o que no fim dá no mesmo, em espírito); as vaidosas, para fazer brilhar o inquisidor. Não é dessas que falo; ou melhor, não são essas as minhas perguntas.

Diálogo

Por mais que gostasse de saber por que o diretor escolheu determinada atriz ou locação, ou de esclarecer passagens obscuras, ou de descobrir a "moral" da história, não é esse tipo de inquérito que me parece valioso quando se tem a chance de um contato com o artista. Mesmo porque as decisões são muitas vezes circunstanciais, aleatórias ou compulsórias; e quanto à "moral" da história, nada garante ser o autor a autoridade interpretativa. O que me encanta nesse contato é a chance de conhecer a pessoa que criou, nem que seja para me decepcionar; de conversar sobre a obra, sim, talvez até mesmo discutir significados, mas para avançar o entendimento, criar um novo diálogo, e não simplesmente verificar ou testar interpretações.

Criar um novo diálogo, no entanto, é arriscar o novo, falas inesperadas; é rasgar o roteiro de respostas-prontas, respostas-fáceis - pensar junto, talvez. Nada menos parecido com o espetáculo usual do diretor que acompanha seu filme (não haveria de ser o contrário?). Pois, como mencionei acima, nossos tempos são de maratonas promocionais, por mais sofisticadas ou desinteressadas que pareçam. Ainda que eu tenha visto o filme numa cinemateca, instituição não-lucrativa; ainda que o lançamento comercial esteja previsto para daqui a quatro meses, tempo longínquo em termos publicitários; ainda que nós naquela platéia compartilhássemos a pose de "amantes da arte" (resistindo bravamente aos cineplex), não consigo me livrar da impressão de que o diretor estava lá para "promover o filme", talvez menos por interesse e mais por piloto-automático.

Ingenuidade

Afinal, o que me impressionou, de cara, quando Bogdanovich fez sua aparição, foi a cancha, o jogo-de-cintura, a desenvoltura com que se colocou e falou em público. Das piadas à empostação de voz, da empatia imediata à naturalidade, tudo me fez pensar na forja do contato contínuo com mídia e público e do trabalho um tanto "fantasioso" de diretor e ator. Ele nos entreteve de modo natural, eficiente: de um lado, comportamento adquirido por hábito, costume; de outro, passos ensaiados, aperfeiçoados pela repetição - como as imitações de Orson Welles e John Huston.

Meu desconforto vem em parte do fato de que uma "conversa" com o público contém a promessa do contato espontâneo, não-planejado - o diretor de cara-limpa, por assim dizer. Vindo dos bastidores, como se a artificialidade fosse parte apenas da produção da obra, e como se a representação fosse privilégio dos atores.

Lembrei-me de outros diretores que vi apresentando filmes, e de como eu havia tido a mesma impressão: com variações individuais, a mesma sensação de facilidade excessiva no contato com o público - esse bando de gente estranha, afinal, essa pequena multidão desconhecida.

Ainda que essa facilidade seja talvez inevitável com o passar do tempo - desejável, claro, pois quem agüentaria passar a vida sofrendo de ansiedade, rubor e sudorese como se toda vez fosse a primeira -, de uma certa forma me fez sentir roubada da presença do autor. Que ilusão, achar que o artista iria se expor inteiro, diretamente, ingenuamente! Que a performance seria mais que uma missa de corpo presente...

A proximidade aparente que parece emanar dessa naturalidade é para mim o maior sinal da distância, ainda que eu tente me convencer de que minhas perguntas, de algum modo, poderiam cortar a fachada, desvelar, como eu queria. Ingênua sou eu, com meus pudores, em face de tanto profissionalismo...



Daniela Sandler
Rochester, 28/11/2001


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Manchester à beira-mar, um filme para se guardar de Renato Alessandro dos Santos
02. Poesia e Guerra: mundo sitiado (parte I) de Jardel Dias Cavalcanti
03. A Coreia do Norte contra o sarcasmo de Celso A. Uequed Pitol
04. O titânico Anselm Kiefer no Centre Pompidou de Jardel Dias Cavalcanti
05. 4 livros de 4 mulheres para conhecer de Ana Elisa Ribeiro


Mais Daniela Sandler
Mais Acessadas de Daniela Sandler em 2001
01. O primeiro Show do Milhão a gente nunca esquece - 8/8/2001
02. Quiche e Thanksgiving - 21/11/2001
03. A língua da comida - 29/5/2001
04. Mas isso é arte??? - 29/8/2001
05. Notícias do fim-do-mundo - 24/10/2001


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
30/11/2001
08h01min
Consegui fazer meus e.mails chegarem até vocês, finalmente. Acho que, para perder esse "branco" que dá nessas situações, é necessário saber tudo antes. Por isso, a impressão de falta de expontaneidade. Aí a gente chega à conclusão de que não é impressão, é fato. E isso acaba nos constrangendo mais ainda, pois nos faz perder a crença em algo que não conseguimos definir direito. Inocência? Ilusão sobre alguém, algum assunto? Vai saber! Da minha parte, adoro "discutir" com textos, meus livros e revistas ficam todos "conversados" pelos cantos das páginas, com grifos e exclamações. Mas, sabe porque nunca enviei minhas considerações para autor nenhum? Medo. Medo puro. Bobagem? Não. A desilusão é muito cruel. Prefiro não ouvir respostas bobas, que não têm nada a ver com as perguntas, quando aí a decepção é com o autor. Também prefiro não ouvir uma resposta que deixe evidente minha incapacidade diante do tema, e aí a decepção é comigo mesma. De qualquer modo, é cruel, muito cruel. E não é sempre que "baixa" o Dom Quixote no ombro, não é mesmo? Abraços, sempre. Sonia Pereira
[Leia outros Comentários de Sonia Pereira]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




DUELO FINAL
ELMORE LEONARD
CIRCULO DO LIVRO
(1980)
R$ 7,00



DESTINOS CRUZADOS
WARREN ADLER
RECORD
(2000)
R$ 4,00



PARE DE ACREDITAR NO GOVERNO - POR QUE OS BRASILEIROS NÃO CONFIAM NOS
BRUNO GARSCHAGEN
RECORD
(2015)
R$ 40,90



UM DIA NA VIDA DO SÉCULO XXI - 1654
ARTHUR C. CLARKE
NOVA FRONTEIRA
(1989)
R$ 10,00



A ECONOMIA DE DEUS
JOÃO CÉSAR DAS NEVES
PRINCIPIA
(2001)
R$ 37,00



COMO OBTER RESPOSTA DA SUA ORAÇÃO
ROZANE CUNHA
BELLO PUBLICACOES
(2010)
R$ 16,99



A MORENINHA - 11ª EDIÇÃO
JOAQUIM MANUEL DE MACEDO
MELHORAMENTOS
(1965)
R$ 7,00



CINEASTAS, DO NOSSO TEMPO
PATRÍCIA MOURÃO E PEDRO M GUIMARÃES (ORGS)
AROEIRA (SP)
(2012)
R$ 17,28



REI MOCHO, O - VOL.1 - COLEÇÃO CONTOS DE MOÇAMBIQUE
UNGULANI BA KA KHOSA
KAPULANA
(2016)
R$ 23,86



OS DIREITOS DAS MULHERES
VICTORIA PARKER ILUSTRADO POR ANDREW MCINTYRE
GRADIVA
(1996)
R$ 34,70





busca | avançada
41731 visitas/dia
1,1 milhão/mês