A derrota do Marketing Político | Fabio Silvestre Cardoso | Digestivo Cultural

busca | avançada
31131 visitas/dia
1,3 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Banda GELPI, vencedora do concurso EDP LIVE BANDS BRASIL, lança seu primeiro álbum com a Sony
>>> Celso Sabadin e Francisco Ucha lançam livro sobre a vida de Moracy do Val amanhã na Livraria da Vila
>>> No Dia dos Pais, boa comida, lugar bacana e MPB requintada são as opções para acertar no presente
>>> Livro destaca a utilização da robótica nas salas de aula
>>> São Paulo recebe o lançamento do livro Bluebell
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Rinoceronte, poemas em prosa de Ronald Polito
>>> A forca de cascavel — Angústia (FUVEST 2020)
>>> O reinado estético: Luís XV e Madame de Pompadour
>>> 7 de Setembro
>>> Outros cantos, de Maria Valéria Rezende
>>> Notas confessionais de um angustiado (VII)
>>> Eu não entendo nada de alta gastronomia - Parte 1
>>> Treliças bem trançadas
>>> Meu Telefunken
>>> Dor e Glória, de Pedro Almodóvar
Colunistas
Últimos Posts
>>> Revisores de Texto em pauta
>>> Diogo Salles no podcast Guide
>>> Uma História do Mercado Livre
>>> Washington Olivetto no Day1
>>> Robinson Shiba do China in Box
>>> Karnal, Cortella e Pondé
>>> Canal Livre com FHC
>>> A história de cada livro
>>> Guia Crowdfunding de Livros
>>> Crise da Democracia
Últimos Posts
>>> Uma crônica de Cinema
>>> Visitação ao desenho de Jair Glass
>>> Desiguais
>>> Quanto às perdas I
>>> A caminho, caminhemos nós
>>> MEMÓRIA
>>> Inesquecíveis cinco dias de Julho
>>> Primavera
>>> Quando a Juventude Te Ferra Economicamente
>>> Bens de consumo
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Acordei que sonhava
>>> Rinoceronte, poemas em prosa de Ronald Polito
>>> Rinoceronte, poemas em prosa de Ronald Polito
>>> Um Furto
>>> Nasi in blues no Bourbon
>>> De vinhos e oficinas literárias
>>> Michael Jackson: a lenda viva
>>> Gente que corre
>>> Numa casa na rua das Frigideiras
>>> Numa casa na rua das Frigideiras
Mais Recentes
>>> O Livro da moda de Alexandra Black pela Publifolha (2015)
>>> Rejuvelhecer a saude como prioridade de Sergio Abramoff pela Intrinseca (2017)
>>> O livro das evidencias de John Banville Tradução Fabio Bonillo pela Biblioteca Azul - globo (2018)
>>> O futebol explica o Brasil de Marcos Guterman pela Contexto (2014)
>>> O Macaco e a Essencia de Aldous Huxley pela Globo (2017)
>>> BATISTAS, Sua Trajetória em Santo Antônio de Jesus: o fim do monopólio da fé na Terra do Padre Mateus de Jorgevan Alves da Silva pela Fonte Editorial (2018)
>>> Playboy Bárbara Borges de Diversos pela Abril (2009)
>>> Sarah de Theresa Michaels pela Nova Cultural (1999)
>>> A Bela e o Barão de Deborah Hale pela Nova Cultural (2003)
>>> O estilo na História. Gibbon & Ranke & Macaulay & Burckhardt de Peter Gay pela Companhia das Letras (1990)
>>> Playboy Simony de Diversos pela Abril (1994)
>>> Invasão no Mundo da Superfície de Mark Cheverton pela Galera Junior (2015)
>>> José Lins Do Rego- Literatura Comentada de Benjamin Abdala Jr. pela Abril Educação (1982)
>>> A modernidade vienense e as crises de identidade de Jacques Le Rider pela Civilização Brasileira (1993)
>>> Machado De Assis - Literatura Comentada de Marisa Lajolo pela Abril Educação (1980)
>>> A Viena de Wittgenstein de Allan Janik & Stephen Toulmin pela Campus (1991)
>>> O Velho e o Mar de Ernest Hemingway pela Círculo do livro (1980)
>>> Veneno de Alan Scholefield pela Abril cultural (1984)
>>> O Livreiro de Cabul de Asne Seierstad pela Record (2007)
>>> Os Dragões do Éden de Carl Sagan pela Francisco Alves (1980)
>>> O Espião que sabia demais de John Le Carré pela Abril cultural (1984)
>>> Administração de Materiais de Jorge Sequeira de Araújo pela Atlas (1981)
>>> Introdução à Programação Linear de R. Stansbury Stockton pela Atlas (1975)
>>> Como lidar com Clientes Difíceis de Dave Anderson pela Sextante (2010)
>>> As 3 Leis do Desempenho de Steve Zaffron e Dave Logan pela Primavera (2009)
>>> Curso de Educação Mediúnica 1º Ano de Vários Autores pela Feesp (1996)
>>> Recursos para uma Vida Natural de Eliza M. S. Biazzi pela Casa Publicadora Brasileira (2001)
>>> Jesus enxuga minhas Lágrimas de Elza de Almeida pela Fotograma (1999)
>>> As Aventuras de Robinson Crusoé de Daniel Defoe pela LPM Pocket (1997)
>>> Bulunga o Rei Azul de Pedro Bloch pela Moderna (1991)
>>> Menino de Engenho de José Lins do Rego pela José Olympio (1982)
>>> Terra dos Homens de Antoine de Saint-Exupéry pela Nova Fronteira (1988)
>>> O Menino de Areia de Tahar Ben Jelloun pela Nova Fronteira (1985)
>>> Aspectos Endócrinos de Interesse à Estomatologia de Janete Dias Almeida pela Unesp (1999)
>>> Nociones de Historia Linguística y Estetica Literaria de Antonio Vilanova- Nestor Lujan pela Editorial Teide/ Barcelona (1950)
>>> El Estilo: El Problema y Su Solucion de Bennison Gray pela Editorial Castalia/ Madrid (1974)
>>> El Cuento y Sus Claves de Raúl A. Piérola/ Alba Omil (profs. Univ. Tucumán pela Editorial Nova, Buenos Aires (1955)
>>> Las Fuentes de La Creacion Literaria de Carmelo M. Bonet pela Libr. del Collegio/ B. Aires (1943)
>>> As Hortaliças na Medicina Doméstica/ Encadernado de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar (1976)
>>> A Flora Nacional na Medicina Doméstica de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar
>>> Arlington Park de Rachel Cusk pela Companhia das Letras (2007)
>>> Muitas Vidas, Muitos Mestres de Brian L Weiss pela Salamandra (1991)
>>> As Frutas na Medicina Doméstica de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar
>>> Coleção Agatha Christie - Box 8 de Agatha Christie; Sonia Coutinho; Archibaldo Figueira pela HarperCollins (2019)
>>> As Irmãs Aguero de Cristina García pela Record (1998)
>>> Não Faça Tempestade Em Copo Dágua no Amor de Richard Carlson pela Rocco (2001)
>>> Um Estudo Em Vermelho - Edição De Bolso de Arthur Conan Doyle pela Zahar (2013)
>>> Eu, Dommenique de Dommenique Luxor pela Leya (2011)
>>> Os Cavaleiros da Praga Divina de Marcos Rey pela Global (2015)
>>> O Futuro da Filosofia da Práxis de Leandro Konder pela ExpressãoPopular (2018)
COLUNAS >>> Especial Eleições 2010

Quarta-feira, 27/10/2010
A derrota do Marketing Político
Fabio Silvestre Cardoso

+ de 6100 Acessos
+ 3 Comentário(s)

Há algumas semanas, estupefatos com o resultado das eleições, analistas políticos, jornalistas, cronistas e até mesmo os leitores de TelePrompTer dos telejornais apontaram os derrotados das eleições 2010: os institutos de pesquisa. Afinal de contas, para ficar no caso da eleição presidencial, o equívoco não previsto pegou quase todo mundo de surpresa, a ponto de até mesmo as lideranças de um determinado partido terem admitido que a vitória era aguardada já para o primeiro turno. Eu tenho certeza de que os institutos de pesquisa têm lá de se explicar, para além das platitudes de sempre, a saber: "pesquisa é retrato; não dá para cravar certeza" etc. Todavia, não há dúvida de que existe um engodo maior a ser desmascarado. O marketing político, tal como figura no imaginário coletivo, é tão somente um arrazoado de lugares-comuns que, sozinho, não é capaz de eleger um candidato qualquer. E isso precisa ser dito com todas as letras, uma vez que, até outro dia, imaginava-se que os marqueteiros eram os senhores do universo. São, no máximo, encantadores de serpentes, incapazes de enxergar o óbvio ululante.

Em 2010, para além das peças de sempre no tocante à publicidade na TV, nas emissoras de rádio, dos programas eleitorais, imaginou-se que, finalmente, o Brasil entraria de cara nas campanhas digitais. Alguém, com pouca ternura (para dizer o mínimo), já disse que "o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil". Então, os marqueteiros adotaram como estratégia a compra de pacotes fechados no tocante às estratégias em mídias digitais. E o resultado foi observar políticos da geração de 1964 meterem os pés pelas mãos na internet. Declarações forçadas, tweets falsos, blogs insossos... tudo isso para captar a audiência virtual, como se, num passe de mágica, os eleitores passassem a se interessar pelos candidatos tão logo eles figurassem na internet. E depois dizem que eles, os marqueteiros, pensam em "estratégias". Abaixo da esputa, o que existe são planos de ação e todo um conjunto de decisões que, ao fim e ao cabo, não têm qualquer impacto, muito menos qualquer ciência que as fundamente. É uma lógica do improviso que seria louvável não fosse o fato desses marqueteiros serem incensados como gênios da raça.

A prova cabal de que os marqueteiros são ídolos de pés de barro é a eleição de Tiririca. De pronto, cabe a pergunta: se esses "gênios" são tão espertos assim, como é que eles não captaram um fenômeno de votos em potencial como o palhaço? Enquanto você, leitor, imagina uma resposta plausível, vale a pena ressaltar que o próprio Tiririca não contou com qualquer aparato profissional de campanha. Dito de outra forma, é evidente que ele tinha, sim, sua equipe de redatores, mas não havia, ali, um James Carville, assessor dos Clinton que cunhou o já clássico "É a economia, estúpidos"; ou, ainda, um Jon Favreau, o redator dos discursos de Barack Obama. Nada disso. Quem escrevia os textos de Tiririca eram os humoristas (!) do Café com Bobagem, programa de humor, que, no seu auge, desfrutava de aparições nos programas dominicais da TV aberta, como Domingão do Faustão e Programa do Gugu, quando este último ainda era transmitido pelo SBT.

A essa altura, alguém poderá dizer que este pobre escriba está atacando apenas os casos mais esdrúxulos. Pois não custa, então, dar uma olhada nas ações das campanhas majoritárias. Não é possível afirmar que o segundo turno aconteceu porque houve uma grande sacada das marketing político. Houve, sim, atividade de outra sorte, desde um corpo-a-corpo feito por internautas (é um oxímoro, eu sei, mas é a verdade: uma série de internautas aparentemente alheios do universo geek se mobilizou na troca de mensagens contra e a favor de determinadas candidaturas, e o resultado surpreendeu os autoproclamados especialistas). Ademais, é preciso mencionar o fato de que as campanhas já são todas elas telegrafadas, uma vez que são reativas aos debates da opinião pública, quando, na verdade, o que deveria ocorrer é exatamente o contrário. Em outras palavras, em tese, os marqueteiros deveriam pautar a discussão da opinião pública, e o que se lê é seguinte: com as famigeradas pesquisas qualitativas em mãos, eles saem à cata desse eleitor de pesquisa de opinião, representante de uma fatia do eleitorado que não necessariamente possui um vínculo com o seu grupo social, por mais que as estratificações e análises cruzadas digam o contrário. O resultado não poderia ser outro a não ser frustração e surpresa quando os votos são finalmente contados. O eleitor a quem se destina o programa eleitoral da TV efetivamente não existe, exatamente porque o programa é imposto (seja na exibição, seja no formato) à revelia do público.

Com isso, estabelece-se um entreato cínico, para tomar emprestado o conceito dos filósofos travestidos de especialistas. O público finge que se comove com a propaganda eleitoral, mas, no fundo, toma suas decisões de maneira cada vez mais subjetiva. Um cândido diria: "o povo não é bobo", enquanto aquele sujeito mais lido acrescentaria: "maiores são os poderes do povo". Meu comentário é mais singelo: os marqueteiros erraram desta vez. E um erro é um erro, é um erro, é um erro. Simples assim.


Fabio Silvestre Cardoso
São Paulo, 27/10/2010


Quem leu este, também leu esse(s):
01. A Copa, o Mundo, é das mulheres de Luís Fernando Amâncio
02. O risco de se tornar um sem-noção de Marta Barcellos
03. Quando um livro encontra seu leitor de Verônica Mambrini
04. A Marie Antoinette de Sofia Coppola de David Donato
05. A crise dos novos autores de Jardel Dias Cavalcanti


Mais Fabio Silvestre Cardoso
Mais Acessadas de Fabio Silvestre Cardoso
01. Orgulho e preconceito, de Jane Austen - 5/5/2006
02. Desonra, por J.M. Coetzee - 21/12/2004
03. Por que quero sair do Orkut (mas não consigo) - 2/2/2006
04. Brasil e Argentina: uma História Comparada - 3/5/2005
05. Teoria da Conspiração - 10/2/2004


Mais Especial Eleições 2010
* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
27/10/2010
14h33min
Transformar candidatos carrancudos, desconectados, desarticulados diante dos jornaistas, inseguros e indecisos em simpáticas criaturas, é obra dos marqueteiros políticos. A qualidade desses pode até ser questionada, mas, a sua existência, nunca... Exemplos fáceis estão aí, disputando o segundo turno! Quem conseguir mostrar uma carinha mais bonitinha, mais sorridente, mais convincente, menos agressiva, mais piedosa, popular, comum, bem ao gosto da maioria do eleitorado vai levar a taça. Tem sido assim. Vai continuar sendo. Não dá para negar a existência do marketing atrás de tudo. O objetivo é atender ao mercado, nesse caso, o eleitorado. O que é que eles querem? O que é que vai "vender"? Vovózinha, administrador, religiosos, piedosos, condescendentes, heroicos... Quando falta carisma e consistência, só chamando o marketeiro. Depois, maquiadores, ensaiadores, ghost-writers, fotógrafos, assessores, boateiros etc etc.
[Leia outros Comentários de Raul Almeida]
28/10/2010
11h21min
Ficou a impressão, no primeiro turno destas eleições, que meios de comunicação e institutos de pesquisa estavam articulados no projeto de aproximar, mais ainda, as eleições brasileiras daquelas que acontecem no "grande irmão do norte". A mídia queria dar voz apenas aos candidatos que considerava mais "competitivos", e elegeu as pesquisas de opinião como critério para selecioná-los. Além disso, vários telecomentaristas, ou "leitores de teleprompter", vaticinavam que, no segundo turno, com dois candidatos, o debate ficaria melhor e mais aprofundado. A americanização completa, o sonho de ouro da mí­dia séria, já no primeiro turno, fazer uma cobertura das eleições aos moldes da imprensa dos EUA - tucano X petista, emulando democrata X republicano. Mas havia Marina, e a chance de seus votos levarem a eleição para o sonhado segundo turno, que efetivamente se tornou realidade. E agora? Vemos uma campanha eleitoral ainda pior e um "debate" (?!) de nível mais baixo ainda do que foi o primeiro turno. Não foram só os institutos de pesquisa que se deram mal. Os meios de comunicação, com seu sonho de norte-americanizar de vez a eleição brasileira, também deram com os burros n'água... por enquanto. Voltarão à carga daqui a quatro anos.
[Leia outros Comentários de Marcos Rangel]
29/10/2010
12h00min
Eu ousaria dizer que na política está mais "escancarado", mas o marketing em geral está com problemas...
[Leia outros Comentários de maria thereza amaral]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




DIAS AZUIS
MOACIR SADER
FLOR&CULTURA
(2017)
R$ 12,00



A VIDA NOS MUNDOS INVISÍVEIS
ANTHONY BORGIA
PENSAMENTO
(1960)
R$ 40,00



AMOR DE PERDIÇÃO
CAMILO CASTELO BRANCO
CIRANDA CULTURAL
(2008)
R$ 9,90



INTELIGÊNCIA PRÁTICA - ARTE E CIÊNCIA DO BOM SENSO
KARL ALBRECHT
M. BOOKS
(2008)
R$ 59,90



ABSINTO - UMA HISTÓRIA CULTURAL
PHIL BAKER
NOVA ALEXANDRIA
(2010)
R$ 26,00



SUN CERTIFIED - JAVA PROGRAMMER
CAMILO LOPES
CIÊNCIA MODERNA
(2010)
R$ 37,00



UMA VEZ SÓ É POUCO
JACQUELINE SUSAN
NOVA CULTURAL
(1986)
R$ 6,90



SALTO PARA O FUTURO, EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
VÁRIOS
MEC
(1999)
R$ 7,50



ALGUÉM QUE JÁ NÃO FUI
ARTUR DA TÁVOLA
SALAMANDRA
(1978)
R$ 10,00



LA MEMORIA DE LOS SERES PERDIDOS
JORDI SIERRA I FABRA
EASY READER
(2006)
R$ 70,00





busca | avançada
31131 visitas/dia
1,3 milhão/mês