Em busca de cristãos e especiarias | Carla Ceres | Digestivo Cultural

busca | avançada
37594 visitas/dia
1,8 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Nova edição da Bailinho terá karaokê, flash mobs, correio do amor e cartomante
>>> Hotel Andronis, na Grécia, promove festival de música e gastronomia
>>> Prêmio Sesc de Literatura anuncia os vencedores da edição de 2023
>>> Omodé: Festival Sesc de Arte e Cultura Negra para a Molecada no Sesc Bom Retiro
>>> Arranha-céus do centro de São Paulo trocam olhares com o público
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Pulp Fiction e seus traços em Cocaine Bear
>>> Rabhia: 1 romance policial moçambicano
>>> Nélio Silzantov e a pátria que (n)os pariu
>>> Palavras/Imagens: A Arte de Walter Sebastião
>>> Rita Lee Jones (1947-2023)
>>> Kafka: esse estranho
>>> Seis vezes Caetano Veloso, por Tom Cardoso
>>> O batom na cueca do Jair
>>> O engenho de Eleazar Carrias: entrevista
>>> As fitas cassete do falecido tio Nelson
Colunistas
Últimos Posts
>>> A história de Roberto Vinháes (2023)
>>> Something About You (Cary Brothers & Laura Jansen)
>>> Uma história do Airbnb (2023)
>>> Vias da dialética em Platão
>>> Uma aula sobre MercadoLivre (2023)
>>> Lula de óculos ou Lula sem óculos?
>>> Uma história do Elo7
>>> Um convite a Xavier Zubiri
>>> Agnaldo Farias sobre Millôr Fernandes
>>> Marcelo Tripoli no TalksbyLeo
Últimos Posts
>>> Não esqueci de nada
>>> Júlia
>>> Belém, entre a cidade política, a loja e a calçada
>>> Minha Mãe
>>> Pelé, eterno e sublime
>>> Atire a poeira
>>> A Ti
>>> Nem o ontem, nem o amanhã, viva o hoje
>>> Igualdade
>>> A baleia, entre o fim e a redenção
Blogueiros
Mais Recentes
>>> A fragilidade dos laços humanos
>>> Enquanto agonizo, de William Faulkner
>>> Do Colunista
>>> A Teoria de Tudo
>>> O criado e o mordomo: homens do patrão
>>> Michael Jackson e a Geração Thriller
>>> A história de Roberto Lee e da Avenue
>>> Acho que entendi o Roberto Setubal
>>> A esquerda nunca foi popular no Brasil
>>> Apresentação
Mais Recentes
>>> O Código de Deus de Gregg Braden pela Cultrix (2006)
>>> O Poder de dar a volta por cima de Edgar Ueda pela Citadel Editorial (2018)
>>> 100 Graus o ponto de ebulição do sucesso de Rafa Prado pela Gente (2016)
>>> O Milagre da Manhã de Hal Elrod pela Best Seller (2018)
>>> Pense Simples de Gustavo Caetano pela Gente
>>> Tudo começa com a comida de Dallas Hartwig pela Sextante
>>> Códigos para uma vida extraordinária de Diego Araújo pela Luz da Serra
>>> Decifre seu Talento de Paulo Vieira pela Gente
>>> Produtividade para quem quer tempo de Geronimo Theml pela Gente (2016)
>>> Reinice de Jon Acuff pela Figurati
>>> Bilionários de Ricardo Geromel pela Leya
>>> Las Manos 456 de Luz Daregt Rojas Castañeda pela Sem
>>> As aventuras do marujo verde 456 de Gláucia Lemos pela Atual (2003)
>>> Eleanor e Park 456 de Rainbow Rowell pela Novo Século (2014)
>>> Como chegar ao sim com você mesmo 456 de William Ury pela Sextante (2015)
>>> Aventuras e perigos de um copo d água 456 de Julieta de Godoy Ladeira pela Atual (2009)
>>> Sempre há Tempo 456 de Eliane Macarini pela Lúmen (2018)
>>> O que você quiser 456 de Sara Fawkes pela Planeta (2013)
>>> Leonardo da Vinci 456 de Walter Isaacson pela Intrínseca (2017)
>>> Liderança Saudável 456 de Alkíndar de Oliveira pela Planeta (2007)
>>> Os grandes experimentos científicos 456 de Michel Rival pela Jorge Zahar (1997)
>>> Calabar de Chico Buarque e Ruy Guerra 456 de Chico Buarque pela Civilização Brasileira (1993)
>>> A Capital Federal 456 de Arthur Azevedo pela Martin Claret
>>> Médico de homens e de almas 456 de Taylor Caldwell pela Record
>>> A Baleia 456 de Roberto Marinho de Azevedo pela Companhia das Letras (2002)
COLUNAS

Quinta-feira, 7/11/2013
Em busca de cristãos e especiarias
Carla Ceres
+ de 5500 Acessos

Nada como um autor de livros de suspense para nos contar, em detalhes, todos os lances emocionantes de uma aventura que, em suas palavras, "figura ainda hoje entre os dois ou três maiores feitos navais da história da humanidade", a primeira viagem de Vasco da Gama às Índias. Membro da Society for the History of Discoveries, o escritor norte-americano Ronald J. Watkins estava morando em Portugal quando resolveu contribuir para que o mundo moderno reconhecesse o quanto sua formação se deveu ao impressionante feito português. Assim nasceu Por mares nunca dantes navegados: como Vasco da Gama abriu caminho para o Oriente.

A narrativa se inicia com Cristóvão Colombo voltando do descobrimento da América, a bordo de sua semidestroçada caravela, a Niña, e enfrentando uma tremenda tempestade para aportar em Portugal, país onde temia ser assassinado. Se não estivesse a ponto de naufragar, o futuro almirante jamais pensaria em confiar nos inimigos históricos de Castela e contar, primeiramente a eles, sobre sua suposta descoberta: o caminho para as Índias através do Ocidente.

Os temores de Colombo e sua crença sobre haver descoberto a Índia se mostraram infundados. Os Portugueses, que vinham se dedicando, há gerações, à descoberta de um caminho para o Oriente contornando a África, logo desconfiaram que o navegador encontrara terras novas, pois as mercadorias que de lá trouxera não se pareciam em nada com as preciosas especiarias.

Em 2005, Por mares nunca dantes navegados foi eleito o Livro do Ano pela Tribuna Portuguesa (Estados Unidos). Watkins se derrama em merecidos elogios à bravura do povo português e à obstinação de seus reis. Impressiona-se com o fato de um país pobre, cuja população raramente passava de um milhão de habitantes, ter construído o maior e mais duradouro dos impérios.

"Mesmo antes de Vasco da Gama ter chegado a Portugal, Manuel havia modificado seus títulos e acrescentado um globo a seu cetro. O rei, a partir de agora, deveria ser conhecido como 'Dom Manuel, pela graça de Deus rei de Portugal e do Algarve, deste lado do mar, e do outro lado, em África, Senhor da Guiné e da Conquista, da Navegação e do Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia.'"

Watkins ressalta que as naus portuguesas não foram de forma alguma as melhores embarcações da época. Os juncos chineses, por exemplo, eram de cinco e dez vezes maiores. Levavam rebanhos de animais para abate durante as viagens. Sobrava-lhes espaço, também, para o cultivo de ervas e legumes a bordo. Assim reduziam o risco do escorbuto.

Mesmo sabendo que os sintomas da doença se atenuavam com a ingestão de frutas frescas, os portugueses não tinham como conservá-las durante os meses seguidos que precisavam navegar longe do litoral. Em maior ou menor grau, todos os tripulantes adoeceram. Alguns simplesmente caíram mortos após um esforço qualquer. Tão apavorante quanto o escorbuto era o "tratamento" disponível.

"As gengivas dos atingidos pela doença inchavam e cresciam sobre os dentes, e eles ficavam com um hálito fétido. Os marinheiros usavam suas facas para cortar essa carne e então esfregavam urina nas gengivas que sangravam, um tratamento repetido várias vezes, conforme os efeitos da doença aumentavam."

Estima-se que apenas um terço dos tripulantes tenha sobrevivido à viagem. Além das vítimas do escorbuto, muitos morreram em lutas contra os muçulmanos e nativos africanos de outras religiões. Os conflitos com os "mouros", nome que os portugueses davam aos muçulmanos em geral, renderam até uma batalha naval e vários sequestros. Os navios árabes usados no Índico também mereciam respeito. Vasco da Gama e seus homens examinaram um deles. Em termos de mapas e instrumentos de navegação, os mouros nada ficavam a dever aos cristãos e, talvez, até fossem superiores. Uma vantagem inegável era que "transportavam seu suprimento de água em tanques de madeira, um sistema que os portugueses logo viriam a adaptar".

Além de buscar as fontes das especiarias e todas as riquezas advindas de seu comércio, os portugueses procuravam reinos cristãos que os ajudassem em sua luta contra os mouros. Dom Manuel, em carta enviada aos reis da Espanha, Fernão e Isabel, para contar-lhes da descoberta do caminho para as Índias, afirmou: "Haverá uma oportunidade de destruir os mouros daquelas partes".

Cristóvão Colombo acreditou, até o fim da vida, ter descoberto o caminho para a Índia. Já os portugueses, que lá estiveram e se deslumbraram com suas riquezas, acreditaram ter encontrado cristãos simpatizantes no Oriente. Só em viagens posteriores, perceberam que "Krishna" não era uma forma diferente de dizer "Cristo" e que aqueles "cristãos" amistosos eram, na verdade, hindus.

Nota do Editor
Carla Ceres mantém o blog Algo além dos Livros. http://carlaceres.blogspot.com/


Carla Ceres
Piracicaba, 7/11/2013

Mais Carla Ceres
Mais Acessadas de Carla Ceres em 2013
01. Histórias de gatos - 4/4/2013
02. Um livro canibal - 9/5/2013
03. Em busca de cristãos e especiarias - 7/11/2013
04. Autodidatas e os copistas da vez - 7/2/2013
05. Brasileiros aprendendo em inglês - 17/1/2013


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Varanda: o cotidiano do Carioca
Nísia Nóbrega
Rio Fundo
(1995)



Desafios do Sistema Financeiro Nacional
Alessandra Von Borowski Dodl
Campus
(2011)



Casas de Vidro - Glass Houses
Renato Anelli / Sol Camacho
Romano Guerra



Os Pensadores - Xxiii - Tratado Sobre os Pricipios do Conhecimento Hum
George Berkeley / David Hume
Abril Cultural
(1973)



A Arte de Liderar - Vivenciando Mudanças Num Mundo Globalizado
Sonia Jordão
Do Autor



A Década de 60 - Rebeldia, Constentação e Repressão Política
Maria Helena Simões Paes
Atica



A Cabala - Tradição Secreta do Ocidente - N║1
Papus
Sociedade das Ciências Antigas
(1983)



Diagnósticos de Enfermagem da Nanda. 2003-2004
Vários Autores
Artmed
(2005)



Como Se Escreve? Linguagem
Mega Letronix
Abril



/Empreenda (Quase) Sem Dinheiro
José Dornelas
Saraiva
(2009)





busca | avançada
37594 visitas/dia
1,8 milhão/mês