Somos diferentes. E daí? | Daniela Sandler | Digestivo Cultural

busca | avançada
34554 visitas/dia
1,1 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Banda GELPI, vencedora do concurso EDP LIVE BANDS BRASIL, lança seu primeiro álbum com a Sony
>>> Celso Sabadin e Francisco Ucha lançam livro sobre a vida de Moracy do Val amanhã na Livraria da Vila
>>> No Dia dos Pais, boa comida, lugar bacana e MPB requintada são as opções para acertar no presente
>>> Livro destaca a utilização da robótica nas salas de aula
>>> São Paulo recebe o lançamento do livro Bluebell
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> O reinado estético: Luís XV e Madame de Pompadour
>>> 7 de Setembro
>>> Outros cantos, de Maria Valéria Rezende
>>> Notas confessionais de um angustiado (VII)
>>> Eu não entendo nada de alta gastronomia - Parte 1
>>> Treliças bem trançadas
>>> Meu Telefunken
>>> Dor e Glória, de Pedro Almodóvar
>>> Leminski, estações da poesia, por R. G. Lopes
>>> Crônica em sustenido
Colunistas
Últimos Posts
>>> Banco Inter É uma BOLHA???
>>> Não Aguento Mais a Empiricus
>>> Nubank na Hotmart
>>> O recente choque do petróleo
>>> Armínio comenta Paulo Guedes
>>> Jesus não era cristão
>>> Analisando o Amazon Prime
>>> Amazon Prime no Brasil
>>> Censura na Bienal do Rio 2019
>>> Tocalivros
Últimos Posts
>>> O céu sem o azul
>>> Ofendículos
>>> Grito primal V
>>> Grito primal IV
>>> Inequações de um travesseiro
>>> Caroço
>>> Serial Killer
>>> O jardim e as flores
>>> Agradecer antes, para pedir depois
>>> Esse é o meu vovô
Blogueiros
Mais Recentes
>>> A crítica musical
>>> 26 de Julho #digestivo10anos
>>> Por que escrevo
>>> História dos Estados Unidos
>>> Meu Telefunken
>>> Uma Receita de Bolo de Mel
>>> O apanhador no campo de centeio
>>> Curriculum vitae
>>> O Salão e a Selva
>>> Ed Catmull por Jason Calacanis
Mais Recentes
>>> At Risk de Patricia Cornwell pela Little Brown And Company (2006)
>>> Gone For Good de Harlan Coben pela Na Orion Paperback (2007)
>>> When The Wind Blows de James Patterson pela Little Brown And Company (1998)
>>> Windmills Of The Gods de Sidney Sheldon pela William Morrow And Companhy (1987)
>>> If Tomorrow Comes de Sidney Sheldon pela William Morrow And Companhy (1985)
>>> Pearl Dakotah Treasures 2 de Lauraine Snelling pela Bethany House (2004)
>>> Pearl Dakotah Treasures 2 de Lauraine Snelling pela Bethany House (2004)
>>> Children Of The Lamp Book One de P. B. Kerr pela Orchard Books (2004)
>>> The Tale Of Despereaux de Kate Di Camillo pela Candlewick Press (2003)
>>> What She Left For Me de Tracie Peterson pela Bethany House (2005)
>>> Mulher (Trilingue) de Orestes Campos Barbosa pela Sografe, Belo Horizonte (2009)
>>> Mulher (Trilingue) de Orestes Campos Barbosa pela Sografe, Belo Horizonte (2009)
>>> A Christmas Carol de Charles Dickens pela Bendon (2014)
>>> A Christmas Carol de Charles Dickens pela Bendon (2014)
>>> Ruby Dakotah Treasures 1 de Lauraine Snelling pela Bethany House (2003)
>>> Opal Dakotah Treasures 3 de Lauraine Snelling pela Bethany House (2005)
>>> Amethyst Dakotah Treasures 4 de Lauraine Snelling pela Bethany House (2005)
>>> Amethyst Dakotah Treasures 4 de Lauraine Snelling pela Bethany House (2005)
>>> Amethyst Dakotah Treasures 4 de Lauraine Snelling pela Bethany House (2005)
>>> Amethyst Dakotah Treasures 4 de Lauraine Snelling pela Bethany House (2005)
>>> Amethyst Dakotah Treasures 4 de Lauraine Snelling pela Bethany House (2005)
>>> Amethyst Dakotah Treasures 4 de Lauraine Snelling pela Bethany House (2005)
>>> Amethyst Dakotah Treasures 4 de Lauraine Snelling pela Bethany House (2005)
>>> The 1999 - John Dinkeloo Memorial Lecture de Will Bruder pela The Univ. Michigan/ USA (1999)
>>> Não estamos abandonados de Eliana Machado Coelho pela Lúmen (2016)
>>> This Charming Man de Marian Keyes pela Penguin Books (2009)
>>> Anybody Out There de Marian Keyes pela Penguin Books (2007)
>>> The Undomestic Goddess de Sophie Kinsella pela A Dell Book (2005)
>>> A voz do fogo de Alan Moore pela Conrad (2002)
>>> The Innocent Man de John Grisham pela A Dell Book (2006)
>>> The Innocent Man de John Grisham pela A Dell Book (2006)
>>> Bluebonnet Belle de Lori Copeland pela Steeple Hill (1997)
>>> Bluebonnet Belle de Lori Copeland pela Steeple Hill (1997)
>>> Tratado de comunicação organizacional e política de Gaudêncio Torquato pela Cengage Learning (2011)
>>> Catálogo de Periódicos Brasileiros Microfilmados de Coord. Ana Fanda/ A. Romano de Sat' Anna:Presid. pela Biblioteca Nacional/ RJ. (1994)
>>> Vá em frente não deixe para depois de Zibia Gasparetto pela Vida e Consciencia (2016)
>>> Regimes de historicidade - presentismo e experiencias do tempo de François Hartog pela Autentica (2013)
>>> Amazônia: 20 Lendas e Mitos/ Legends And Myths from Amazônia (5 lín de Gea: Coordenadoria Editorial pela Graf. Ed. da Amazônia
>>> La Amada Inmóvil de Amado Nervo pela Soc. Edit. Latino- Americana (1950)
>>> Um (One) de Richard Bach pela Record/ RJ.
>>> Um (One) de Richard Bach pela Record/ RJ.
>>> Amando Uns aos Outros: o Desafio das Relações Humanas de Leo Buscaglia pela Record/ RJ.
>>> A força do entusiasmo de Prof.Gretz pela Viabilização de Talentos Humanos (2005)
>>> Legislação Penal Especial : Crimes Contra a Economia Popular.- Crimes Falimentares.- Crimes Contra a Liberdade de Imprensa de Manoel Pedro Pimentel (Min. Trib. Alçada Criminal / Sp) pela Revista dos Tribunais (1972)
>>> Os tomadores de decisão de Robert Heller pela Makron (1991)
>>> Farmácia de pensamentos de Sonia de Aguiar pela Relume Dumará (2000)
>>> Hipnotizando Maria de Richard Bach pela Integrare (2019)
>>> Tudo Sobre Finanças - Guia Prático de A a Z ( Exame) de Tim Hindle pela Nobel (2002)
>>> Estranho À Terra de Richard Bach pela Hemus
>>> Estranho À Terra de Richard Bach pela Hemus
COLUNAS >>> Especial Guerra dos Sexos

Quarta-feira, 30/1/2002
Somos diferentes. E daí?
Daniela Sandler

+ de 7300 Acessos
+ 4 Comentário(s)

Alguém terá de me convencer de que eu devo levar a sério essa história de guerra dos sexos. O tema rende ótimas piadas, não há dúvida – da memorável novela da Globo, com Fernanda Montenegro e Paulo Autran, à mais recente coluna de meu colega Rafael Lima, sem contar os inúmeros exemplos hilários de que vocês, leitores, irão se lembrar ao pensar no antagonismo entre homens e mulheres.

Não que humor não seja sério – aliás, pode ser uma das formas mais eficazes de comentar criticamente assuntos importantes. Nem sempre, porém – às vezes, assim como charutos, uma piada é só uma piada. Em relação ao antagonismo dos gêneros, se decantarmos a gozação, não sei se sobrará muito mais do que esquetes engraçados – além de um fundinho amargo, talvez...

Historinha sem fim

Juro que tentei levar a questão a sério. Pensei nas principais contribuições ao entendimento do tema - por exemplo, o feminismo. Recapitulando sua versão dos fatos: quase todas as sociedades são patriarcais, e a influência masculina se estende da dominação física à hegemonia cultural – a História e a Bíblia foram escritas por homens, e somos impregnados pela visão de mundo machista desde o berço, tanto na formação intelectual quanto religiosa. Nessa linha, as relações sociais, as características pessoais e os laços familiares seriam moldados pela opressão masculina – sem contar os mecanismos concretos de dominação, da força física à chantagem econômica. Não estou dizendo que isso não faz sentido – ajuda a entender muita coisa, e tem importância histórica (e prática) para a emancipação de muita mulher oprimida ou discriminada pelo chefe, marido, pai etc.

Mas essa historinha não dá conta de tudo, porque ignora nuances, contradições e particularidades, e encaixa todo mundo – homem e mulher – em estereótipos tão simplistas e preconceituosos quanto aqueles cunhados pelo machismo. Se tomada ao pé-da-letra, a crítica feminista é tão útil para entender a tal guerra dos sexos quanto aqueles livros que dizem que homens e mulheres são de planetas diferentes ou que nos dividem em “Ele”, “Ela” e “Nós”.

Boneca versus carrinho

Quando escapamos dos estereótipos – tanto os feministas quanto os machistas –, o que nos resta a dizer sobre diferenças entre homens e mulheres? Sim, claro, somos diferentes – mas diferença não significa apenas diferenciação sexual. Somos diferentes em inúmeros aspectos, somos similares em tantos outros, e não (apenas) porque somos homens ou mulheres.

Para a “guerra dos sexos”, no entanto, diferença é uma divisão binária – restringe a variação a uma oposição dual e maniqueísta. Rosa X azul, boneca X carrinho, delicada X tosco, irracional X racional...

Ora, a variação humana é muitíssimo mais rica que isso – muito mais rica, aliás, que outros reducionismos binários como adulto X criança, hetero X homossexual, teoria X prática, cerebral X emocional, físico X imaterial. O problema dos dualismos é que, além de reducionistas, enxergam a “diferença” como “oposição” – como antagonismo, exclusão, embate... como guerra.

Uma digressão triste: não só no caso dos sexos, muita gente ainda parece dar às diferenças essa conotação belicosa – é só pensar nos conflitos entre raças, religiões, nações e ideologias (não vou entrar, nesta coluna, na discussão das grandes e das pequenas diferenças – fica para outra vez). Mas, voltando a homens e mulheres, suspeito que boa parte das hostilidades mútuas tenha a ver com rivalidade – com a raiva que muita gente talvez sinta, sem perceber, de precisar do “outro”, de não ser auto-suficiente.

Quando um não quer, dois não brigam

Especulações à parte, a coisa mais fácil é transformar diferença em problema. E eu poderia dar mil razões humanitárias para mostrar que diferença não é problema, que deve ser respeitada, incorporada, talvez até celebrada. Mas começarei por uma razão simples: não devemos fazer da diferença um problema porque a diferença é inevitável e ubíqua. Quero dizer, se formos criar caso por isso, passaremos a vida brigando. Convivência, entendimento, união de esforços – nada disso é fácil, mas fica mais difícil quando há antagonismo e resistência.

Dualismos como a guerra dos sexos revelam, pelo elogio de um dos termos, o ódio à diferença – e abrigam o impulso de apagar a variação, de transformar tudo em “igual”. "Igual", claro, ao termo classificado como “bom”. O rolo compressor da homogeneização está onde a gente menos suspeita! E a possibilidade de libertação também. Uma das linhas esquecidas de Karl Marx dizia que, numa sociedade comunista, o direito, em vez de ser “igual”, teria de ser “desigual” – porque os homens são diferentes. Não é à toa que a França, onde se proclamou a igualdade dos homens, inventou outro mote famoso, o “Vive la difference”.

Não, ninguém ainda me convenceu a levar a guerra dos sexos a sério. Aliás, pensando bem, acho que nem mesmo as piadas têm me feito rir muito...



Daniela Sandler
Rochester, 30/1/2002


Mais Daniela Sandler
Mais Acessadas de Daniela Sandler em 2002
01. Virtudes e pecados (lavoura arcaica) - 9/1/2002
02. Nas garras do Iluminismo fácil - 10/4/2002
03. Iris, ou por que precisamos da tristeza - 24/4/2002
04. Crimes de guerra - 13/3/2002
05. Somos diferentes. E daí? - 30/1/2002


Mais Especial Guerra dos Sexos
* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
30/1/2002
19h18min
Saca só esse trecho da entrevista da Betty Friedan ao Pasquim (22/04/1971) --- Flávio Rangel: "Você disse que está se informando sobre a posição da mulher brasileira. Que espécies de posições você já encontrou?" --- Betty Friedan: "Oh! Eu sei exatamente a piada que você está querendo insinuar. (...) Mas na questão das mulheres, nada de piadas. Não é necessário usar 'mace' ou gás lacrimogênio para reprimir as mulheres mesmo no meu país, basta tratar-nos como uma piada (...) Agora, eu levo a minha revolução muito à sério e eu tenho que brigar contra a falta de seriedade e por isso eu não vou responder à sua pergunta." --- Millôr Fernandes: "Essa não é uma maneira democrática de pensar. Isso quer dizer que se as mulheres estivessem em pé de igualdade com os homens, não haveria humor."
[Leia outros Comentários de Rafael Lima]
30/1/2002
19h40min
rafael, antes de mais nada, o que significa "pegar pilha"?
[Leia outros Comentários de daniela sandler]
31/1/2002
09h26min
Pigar pilha é tão somente ter o seu equilíbrio emocional alterado para um estado de maior excitação emocional às custas de algum agente externo (em geral, uma provocação proposital), causando reações exaltadas, apaixonadas ou destemperadas. Ou seja, passando recibo, vestindo a carapuça da provocação. Também se usa 'entrar na pilha', o verbo derivado 'pilhar' ou o adjetivo 'pilhada'.
[Leia outros Comentários de Rafael Lima]
31/1/2002
20h10min
Olá colega, fico surpreso em saber que a FAU continua produzindo celebridades intelectuais, nem vou citar Chico Buarque para não encher a tua bola. Mas voltando ao texto, justamente ontém comentava com um grande amigo que a Natureza deve ter criado dois humanóides distintos. Um racional e insensível, capaz de simplesmente fazer coisas.Outro, o oposto, mas não antagônico, capaz de sentir, exprimir o sentimento e meditar sobre as ações plausíveis antes que elas se materializem. Isso porque ele, meu amigo, queixava-se de sua esposa lastimar de coisas sem querer simplesmente resolve-lás. E ele, logicamente, queria terminar a discussão oferecendo uma solução. Pois bem, dado o panorama do mundo, ocasionado pela ação exclusiva dos governos masculinos, não seria o caso de obedecer a Natureza e compactuar os modos operantes deste dois serezinhos, diferentes mais comuns, a mulher e o homem? Melhor que isso fica! (ah! parabéns por esta coluna!)
[Leia outros Comentários de Eduardo Vianna]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




CÉLULAS A COMBUSTÍVEIS
KELLEN CRISTINA MESQUITA BORGES, ROSANA F. GONÇALVES UND MARIO J. GODINHO
NOVAS EDIÇÕES ACADÊMICAS
R$ 349,00



AYRTON SENNA E A MÍDIA ESPORTIVA
RODRIGO FRANÇA (AUTOGRAFADO)
AUTOMOTOR
(2010)
R$ 24,00



USABILIDADE E ARQUITETURA DA INFORMAÇÃO PARA ESTRUTURAÇÃO DE PORTAIS
THIAGO MARINHO
NOVAS EDIÇÕES ACADÊMICAS
R$ 349,00



AMOR A ROMA
AFONSO ARINOS DE MELO FRANCO
NOVA FRONTEIRA
R$ 41,00



SOLUÇÃO GRADUAL
CARL HONORÉ
RECORD - GRUPO RECORD
(2016)
R$ 46,20



MEMÓRIAS DA SAUNA FINLANDESA
MEMÓRIAS DA SAUNA FINLANDESA
34
(2010)
R$ 20,00
+ frete grátis



TAPETES E TAPEÇARIAS ARRAIOLOS NR 10 ANO 2 PUBLICAÇÃO TRIMESTRAL
CASA MIDÕES

R$ 24,88



ÊSSE CONTINENTE CHAMADO BRASIL
EDUARDO TOURINHO
JOSÉ OLYMPIO
(1964)
R$ 7,38



CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL - 05 DE OUTUBRO DE 1988
EQUIPE DA EDITORA ATLAS
ATLAS
(1988)
R$ 7,00



INSTITUIÇÃO E RELAÇÕES AFETIVAS
MARLENE GUIRADO
SUMMUS EDITORIAL
(1986)
R$ 70,00





busca | avançada
34554 visitas/dia
1,1 milhão/mês