Eu quero é rosetar | Bruno Garschagen | Digestivo Cultural

busca | avançada
48334 visitas/dia
1,6 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Residência Artística FAAP São Paulo realiza Open Studio neste sábado
>>> CONHEÇA OS VENCEDORES DO PRÊMIO IMPACTOS POSITIVOS 2022
>>> Espetáculo 'Figural', direçãod e Antonio Nóbrega | Sesc Bom Retiro
>>> Escritas de SI(DA) - o HIV/Aids na literatura brasileira
>>> Com Rincon Sapiência, Samanta Luz prepara quiche vegana no Sabor & Luz
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Home sweet... O retorno, de Dulce Maria Cardoso
>>> Menos que um, novo romance de Patrícia Melo
>>> Gal Costa (1945-2022)
>>> O segredo para não brigar por política
>>> Endereços antigos, enganos atuais
>>> Rodolfo Felipe Neder (1935-2022)
>>> A pior crônica do mundo
>>> O que lembro, tenho (Grande sertão: veredas)
>>> Neste Momento, poesia de André Dick
>>> Jô Soares (1938-2022)
Colunistas
Últimos Posts
>>> Lula de óculos ou Lula sem óculos?
>>> Uma história do Elo7
>>> Um convite a Xavier Zubiri
>>> Agnaldo Farias sobre Millôr Fernandes
>>> Marcelo Tripoli no TalksbyLeo
>>> Ivan Sant'Anna, o irmão de Sérgio Sant'Anna
>>> A Pathétique de Beethoven por Daniel Barenboim
>>> A história de Roberto Lee e da Avenue
>>> Canções Cruas, por Jacque Falcheti
>>> Running Up That Hill de Kate Bush por SingitLive
Últimos Posts
>>> Nosotros
>>> Berço de lembranças
>>> Não sou eterno, meus atos são
>>> Meu orgulho, brava gente
>>> Sem chance
>>> Imcomparável
>>> Saudade indomável
>>> Às avessas
>>> Amigo do tempo
>>> Desapega, só um pouquinho.
Blogueiros
Mais Recentes
>>> As mulheres e o futebol
>>> São Luiz do Paraitinga
>>> Discurso de William Faulkner
>>> Road Warrior
>>> O crime da torta de morango
>>> PT saudações
>>> Oscar Wilde, dândi imortal
>>> 30 de Novembro #digestivo10anos
>>> Uma história do Jazz
>>> Quando morre uma paixão
Mais Recentes
>>> Assassins creed renegado de Oliver Bowden pela Record (2012)
>>> Assassins creed unity de Oliver Bowden pela Record (2015)
>>> Confesso Que Vivi - memórias de Pablo Neruda pela Difel (1974)
>>> A rosa da meia-noite de Lucinda Riley pela Novo Conceito (2014)
>>> O Poder da Visualização Criativa: Conheça a técnica que mudou a vida de milhares de pessoas em todo o mundo de Elizabeth Mednicoff pela Universo dos Livros (2007)
>>> Simplesmente morto de Peter James pela Novo Seculo (2012)
>>> Crepusculo de Stephenie Meyer pela Intrinseca (2009)
>>> Kenobi Star Wars de John Jackson Miller pela Aleph (2015)
>>> Guia pratico do poquer de Trevor Sippets pela Livros Escala (2010)
>>> O Hobbit uma jornada inesperada guia ilustrado de Jude Fisher pela Martins Fontes (2012)
>>> Lobo Solitário 5 de Kazuo Koike e Goseki Kojima pela Panini
>>> Os adoraveis de Sarra Manning pela Novo Conceito (2013)
>>> O menino do pijama listrado de John Boyne pela Companhia Das Letras (2010)
>>> Assassinatos na rua Morgue e outras historias de Edgar Allan Poe pela Saraiva (2008)
>>> Vidas secas de Graciliano Ramos pela Record (2011)
>>> Os contos de Beedle o Bardo de J K Rowling pela Rocco (2008)
>>> Cavaleiros do Zodíaco volume 43 de Masami Kurumada pela Conrad
>>> Cavaleiros do Zodíaco volume 44 de Masami Kurumada pela Conrad
>>> Cavaleiros do Zodíaco volume 47 de Masami Kurumada pela Conrad
>>> Cavaleiros do Zodíaco volume 48 de Masami Kurumada pela Conrad
>>> Cavaleiros do Zodíaco volume 45 de Masami Kurumada pela Conrad
>>> Cavaleiros do Zodíaco volume 4 de Masami Kurumada pela Conrad
>>> Cavaleiros do Zodíaco volume 46 de Masami Kurumada pela Conrad
>>> Cavaleiros do Zodíaco volume 22 de Masami Kurumada pela Conrad
>>> Notas sobre a pandemia de Yuval Noah Harari pela Companhia Das Letras (2020)
COLUNAS >>> Especial Carnaval

Terça-feira, 12/2/2002
Eu quero é rosetar
Bruno Garschagen

+ de 7800 Acessos
+ 2 Comentário(s)

Todo carnaval é a mesma chatice. Se não fosse o feriadão a nos livrar do flagelo bíblico que é o trabalho, esta época do ano não passaria da modorrenta e tradicional comemoração dos bárbaros. Haja álcool e charuto para agüentar desfile de escola de samba na tevê, a turma do funk explodindo os alto-falantes dos carros, musica de axé (seja lá o que isso signifique) e falsos sorrisos de satisfação.

Aliás, não há nada que represente tão bem a felicidade do que o canibal, digo, carnaval brasileiro. É aquela festança toda, neguinho gastando os tubos, soltando cheque pré-datado aos quatro cantos — que nunca serão cobertos ou, se cobertos, babau o bife da semana —, gargalhando no maior nível possível de decibéis para disputar com o trio elétrico, enfim, aquele rompante de alegria com prazo de validade: a quarta-feira de cinzas, que não poderia ter recebido um nome melhor.

Por isso considero Aristóteles um grande sujeito. Dizia que ao ser humano é muito melhor o bem-estar, pela constância do sentimento de prazer, do que a felicidade, composta de fagulhas breves e pequenas cócegas.

Desde criança ouço a tal previsão, exata como matemática, de que o ano só começa depois do carnaval. Nunca falha. Isso nos leva a uma outra previsão altamente temerosa e praticamente infalível, como a de que terminando fevereiro, inexoravelmente, entraremos sem pudor no mês de março: quem precisar de alguma coisa em 2002 vai ter que se mudar para o Japão. Porque, depois da festa, o país envereda pelo estresse da Copa do Mundo (com esses “craques” e o tal de Chimarrão, haja Lexotan) e, em seguida, na curiosa torcida nas eleições: que venha o menos pior (essa frase em espanhol deve soar bem pacas).

Para não ser tão rabugento — e, nesse caso, seria absolutamente indispensável — o bacanal, digo carnaval, além dos dias de ócio contemplativo, suscita belas imagens. A simbiose de calor, música frenética (e inaudível), dança e álcool, libera as mulheres de todos os pruridos. Pecado capital? Só em marchinha de carnaval. A turma feminina sai às ruas com algumas tiras de tecido e tornam qualquer ambiente mais agradável... e quente!

Deixemos esses comentários de lado, para não cair no machismo barato — vala em que todos os homens, não raro, caem ao tentar descrever a libido. Já que escrevi sobre marchinha de carnaval e, aproveitando o aniversário de morte do Francis (gostaria de saber quem foi o mágico que inventou essa comemoração funesta), sinto saudades do tempo em que aquelas musiquinhas eram cantadas nas ruas. Bem, sentir falta é uma figura de linguagem barata, porque dos anos 30 aos 60 eu nem pretendia entrar neste mundo de desejos ilimitados para realizações limitadas (com a devida licença de meu caro Schopenhauer). É uma saudade desencarnada, creio. Sabe, aquele papo de ter vivido em outras épocas e encarnado nesta atual. Se for verdade, acho que vivi, pelo menos, na Europa Iluminista e nos anos 30 nos EUA. Sinto como se tivesse passeado na companhia de Voltaire e de ter bebido horrores com a tropa do Hotel Algonquin. A brasileirada se esbaldando no carnaval e este pretensioso signatário feliz até o último gole de uísque na prosa com Edna Saint Vincent Milay, Dorothy Parker, Edmund Wilson, John dos Passos. Ah!, se Paris era uma festa os EUA daquela década eram um desbunde!

Muito embora a mente viaje sem visto, não devo esquecer da condição de estar preso ao presente "in real time". O que significa dizer que quando este texto for lido meu presente já será passado por culpa da ampulheta e o leitor estará num futuro próximo — o que, quase equivale a uma nova dimensão espaço-temporal, sacaram? Espero, pois não tenho condições de elaborar certas explicações.

Se vocês nada entenderam de minha análise sobre o carnaval, não esquentem, porque eu me perdi no segundo parágrafo. E, para encerrar de forma triunfal meu arrazoado, me vem à cabeça uma música que nem é da festa popular, mas o refrão é um primor de originalidade: "não me importa que a mula manque/ o que eu quero é rosetar".

Para não dizer que...

Uma situação interessante do carnaval de rua é a mudança que vem ocorrendo no perfil da festa nas últimas décadas. Se antes a folia tinha um caráter eminentemente popular, a onda agora é ficar com a patota isolado do populacho pelas cordas dos blocos ou nos camarotes.

...não falei das flores

Em Salvador (BA) os blocos ganham horrores encarcerando a classe média e os novos ricos (os velhos também) nos abadás — aquela roupinha ridícula que identifica quem pagou. O único trio famoso que continua tocando para o baixo clero é o de Armandinho, Dodô e Osmar. Com patrocínio da prefeitura (sempre na última hora), o trio dos irmãos filhos do falecido Osmar tenta manter a festa popular. O resto vai na base do "farinha muita meu pirão vem com acarajé".

De qualquer forma, não suporto os trios nem a turma que vai atrás deles. É preferível ser um morto (não Caetano Veloso?) a um moribundo que vai atrás do caminhão amplificado. E tenho dito.


Bruno Garschagen
Cachoeiro de Itapemirim, 12/2/2002


Quem leu este, tambÚm leu esse(s):
01. Sinédoque São Paulo de Duanne Ribeiro
02. O inverno de Fante de Fabio Silvestre Cardoso


Mais Bruno Garschagen
Mais Acessadas de Bruno Garschagen em 2002
01. O romance da desilusão - 6/8/2002
02. Eu quero é rosetar - 12/2/2002
03. Niilismo e iconoclastia em Thomas Bernhard - 26/2/2002
04. Anauê - 21/5/2002
05. Diário impertinente - 19/3/2002


Mais Especial Carnaval
* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
15/2/2002
13h09min
São incríveis e verdadeiras todas estas palavras. Parabéns pela "coragem" de escrever este texto!
[Leia outros Comentários de Clóvis Hostin]
6/3/2002
10h22min
Carnaval, festa da carne-seca, da carne-de-sol, da canícula, da canelada e do pincel, na acepção oriental da palavra. Claridade: No carnaval os machos que se vestem de mulher.Gostei muito escutar Cristina Buarque cantando Wilson Batista, de escutar Nelson Sargento, Nei Lopes e Olívia cantando Araci de Almeida, através dos seus discos - foram antídotos para o festival de sons pasteurizados, ruins mesmo, que a televisão expelia. Carnaval de camarote, festa do rosbife. Gosto mesmo é de uma cachacinha... Parabéns pelo texto, Bruno... (Galdino)
[Leia outros Comentários de Galdino Moreira Neto]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




O Trotskismo na América Latina - Tudo É História
Osvaldo Coggiola
Brasiliense
(1984)



Psicologia e Percepção
R. H. Day
Jose Olympio
(1974)



Dispneia
Med Writers
Med Writers
(2012)



Andy Warhol - o Gênio do Pop
Tony Scherman e David Dalton
Globo



O Jogo da Estratégia
Craig R. Hickman
Makron Books
(1996)



Organizações Inovadoras do Setor Financeiro: Teoria e Casos de Sucesso
José Carlos Barbieri/josé Carlos Barbieri
José Carlos Barbieri
(2009)



Juju no Hospital
Priscila Castello Branco
Viva e Deixe Viver
(2017)



Madre Teresa Col. Personagens Que Mudaram o Mundo (1993)
Charlotte Gray
Globo
(1993)



Existir!
Nathalie Hense
Sm
(2014)



Soja Nutrição e Saude
Conceição Trucom
Alaúde
(2009)





busca | avançada
48334 visitas/dia
1,6 milhão/mês