A escrita boxeur de Marcelo Mirisola | Jardel Dias Cavalcanti | Digestivo Cultural

busca | avançada
28946 visitas/dia
1,0 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Sesc Belenzinho recebe show de Zé Guilherme que lança quarto disco e comemora 20 anos de carreira
>>> Compositor Murray Schafer cria exercícios para melhorar audição e produção musical
>>> Cientistas políticos debatem reforma e crise política no Brasil
>>> Universidade do Livro abre duas turmas para Oficina de revisão de provas
>>> Primeiros escritos filosóficos de Adorno ganham tradução inédita em português
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Cidadão Samba: Sílvio Pereira da Silva
>>> No palco da vida, o feitiço do escritor
>>> Um olhar sobre Múcio Teixeira
>>> Algo de sublime numa cabeça pendida entre letras
>>> estar onde eu não estou
>>> Nos escuros dos caminhos noturnos
>>> As Lavadeiras, duas pinturas de Elias Layon
>>> T.É.D.I.O. (com um T bem grande pra você)
>>> As palmeiras da Politécnica
>>> Como eu escrevo
Colunistas
Últimos Posts
>>> Por que ler poesia?
>>> O Livro e o Mercado Editorial
>>> Mon coeur s'ouvre à ta voix
>>> Palestra e lançamento em BH
>>> Eleições 2018 - Afif na JP
>>> Lançamentos em BH
>>> Lançamento paulistano do Álbum
>>> Pensar Edição, Fazer Livro 2
>>> Ana Elisa Ribeiro lança Álbum
>>> Arte da Palavra em Pernambuco
Últimos Posts
>>> Flauta Sincera
>>> Ciência & Realidade
>>> Amor
>>> Cágado
>>> Sonhos & Raízes
>>> É premente reinventar-se
>>> Contraponto
>>> Aparições
>>> Palavra final
>>> Direções da véspera I
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Mondrian: a aventura espiritual da pintura
>>> 50 anos de poesia concreta
>>> movimento respiratório
>>> Sobre a leitura dos clássicos
>>> UM VENTO ERRANTE
>>> O enigma de Michael Jackson
>>> Drummond: o mundo como provocação
>>> Cânticos à Rainha do Céu, por Walter Weiszflog
>>> O Capital no Século XXI, de Thomas Piketty, o livro do ano
>>> Entrevista com Jaime Pinsky
Mais Recentes
>>> Efeito Facebook de David Kirkpatrick pela Intrínseca (2011)
>>> Teatro: Lampiao A Beata Maria do Egito de Raquel de Queiroz pela Siciliano (2001)
>>> O Pacifista de John Boyne pela Companhia das Letras (2012)
>>> A descoberta da América pelos turcos de Jorge Amado pela Record (1994)
>>> Inverno do Mundo de Ken Follett pela Arqueiro (2012)
>>> Tracos & trocos de Odayr Miguel de Lima pela Reluz Grafica (2007)
>>> Queda de Gigantes de Ken Follett pela Arqueiro (2010)
>>> Eternidade Por um Fio de Ken Follett pela Arqueiro (2014)
>>> A Linguagem do Corpo de David Cohen pela Vozes (2014)
>>> As margens da tradução de Gustavo Bernardo (org.) pela Faperj - Caetés (2002)
>>> A Voz e o Olhar do Outro (Vol. IV) de Leila Assumpção Harris (org.) pela Letra Capital (2012)
>>> A Gravidade e a Graça de Simone Weil pela Ece (1986)
>>> Trabalhismo e Socialismo no Brasil de Moniz Bandeira pela Global (1985)
>>> Ensaios Imprudentes de Roberto Campos pela Record (1986)
>>> Pedagogia da Autonomia de Paulo Freire pela Paz e Terra (2007)
>>> A ditadura Escancarada de Elio Gaspari pela Companhia das letras (2004)
>>> Revista Matraga 29 - Estudos Linguísticos e Literários de Ana Lucia de Souza Henriques (edição) pela Instituto de Filosofia e Letras - UERJ (1986)
>>> Planeta--177--curas-o avanço da radiestesia. de Editora tres pela Tres (1987)
>>> Planeta--405--atletas da mente. de Editora tres pela Tres (2006)
>>> A Civilização do Espetáculo de Mario Vargas Llosa pela Objetiva (2013)
>>> Planeta--261--o budismo conquista o ocidente. de Editora tres pela Tres (1994)
>>> Planeta--320--explorando a quarta dimensao. de Editora tres pela Tres (1999)
>>> Até Eu Te Encontrar de Graciela Mayrink Rold pela Aa (2011)
>>> O Temor do Sábio de Patrick Rothfuss pela Arqueiro (2011)
>>> O Jogador Nº 1 de Ernest Cline pela Leya (2015)
>>> Planeta--122--presidios naturalistas. de Editora tres pela Tres (1982)
>>> Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley pela Biblioteca Azul (2014)
>>> Os Pilares da Terra de Ken Follett pela Rocco (2012)
>>> Me Chame Pelo Seu Nome de André Aciman pela Intrínseca (2018)
>>> A Cabana de William P. Young pela Arqueiro (2008)
>>> Morte e Vida de Charlie St. Cloud de Ben Sherwood pela Novo Conceito (2011)
>>> O Guardião de Memórias de Kim Edwards pela Arqueiro (2007)
>>> O camarote vazio de Josué Montello pela Nova Fronteira (1990)
>>> Planeta--321--sabedoria eterna-a mensagem universal de jesus. de Editora tres pela Tres (1999)
>>> Os Crimes da Luz de Giulio Leoni pela Planeta (2007)
>>> Premiers Dialogues de Platon pela Flammarion
>>> Significação, Revista de Cultura Audiovisual No. 27 outono-inverno 2007 de A. J. Greimas, Ana Amado et alli pela Usp (2007)
>>> No Caminho de Swann de Marcel Proust pela Abril (1979)
>>> Cleopatra de Christian-georges e schwentzel pela L&pm
>>> Rêde de Dormir, Uma Pesquisa Etnográfica de Luís da Câmara Cascudo pela Ministério da Educação e Cultura (1959)
>>> Acabou-se o que era doce. de Gepp e maia pela Jornal da tarde
>>> O assassinato de idi amin de Leslie watkins pela Edibolso s.a
>>> Os grandes atentados--3. de Editora tres pela Tres
>>> Uma História de Rabos Presos de Ruth Rocha pela Salamandra (1989)
>>> Histórias do Amor Maldito de Vários Autores pela Record (1967)
>>> A História de Vivant Lanon de Marc Cholodenko pela Brasiliense (1986)
>>> Oposição Operária -1920/1921 de Alexandra Kollontai pela Global (1980)
>>> Amar, Verbo Intransitivo de Mário de Andrade pela Villa Rica
>>> O Tiro Perfeito de Alfred Hitchcock pela Nova Época
>>> Tocaia Grande de Jorge Amado pela Record
COLUNAS

Terça-feira, 1/12/2015
A escrita boxeur de Marcelo Mirisola
Jardel Dias Cavalcanti

+ de 2100 Acessos


A metáfora de um país que nunca acaba de ser construído, onde "cada construção já é ruína", está não só na capa mas por todo o novo livro de Marcelo Mirisola: "Paisagem sem reboco", publicado pela editora carioca Oito e Meio.

Não adianta entrar no ringue achando que vai ganhar. Logo no primeiro round, o maior boxeador da literatura brasileira contemporânea, Marcelo Mirisola, vai esfacelar suas crenças, suas certezas, suas pieguices, seu bom mocismo mental (ou padrão politicamente correto e burro), seu retardamento cultural, seu modus vivendi de anta... tudo vai cair na lona, e logo na primeira porrada. Como disse Aldir Blanc, "Mirisola não é odara" e se você enfrentá-lo "perderá os dentes".

"Não existe vacina para a babaquice", escreveu Mirisola no seu livro de crônicas "O Cristo Empalado". O seu estilo, ele confessa no livro citado, "existe para infernizar a vida daqueles que não têm talento". Não é diferente em "Paisagem sem reboco", onde o empalamento continua... inclusive contra aqueles que frequentem o brechó da literatura brasileira.

Em "Paisagem sem reboco", o autor publica crônicas, ensaios e contos que já foram anteriormente publicados em outros veículos como jornais, revistas, sites. Segundo o autor, como "não deu para enfiar tudo no Cristo", o livro que agora publica é uma espécie de continuação daquele.

Mirisola não se recusa a falar de sua escrita ao comentar o que é o seu novo livro: "o que falta de reboco a essa paisagem, sobra de personalidade. Uma personalidade esquizofrênica (...) mas original, pulsante, cheia de novos empalamentos e desaforos para satisfazer e/ou contrariar (tanto faz) os mais diversos gostos e preencher os mais insuspeitos orifícios."

Talvez não exista escritor no Brasil que goze de tamanha liberdade de falar sem freios, ou que saiba o lugar reservado à liberdade que só a literatura pode proporcionar, como Marcelo Mirisola. Ele sabe disso: "Ora, sou um écrivain! (...) O que mais eu poderia querer? Aqui, tenho a liberdade para tripudiar de mim mesmo, virar o mundo do avesso, mentir e dissimular e até ir em busca da verdade (...) aqui não preciso acreditar em mim, e - às vezes - amparado pela verossimilhança, dispenso redes de proteção, posso desdenhar dos céus e sobrevoar abismos infernais, somente aqui, como escritor, sim, porque adquiri essa condição - não é para qualquer pangaré, vou logo avisando (...)".

Com essa liberdade ele calça suas luvas/escritura de boxeur e faz valer o preço da liberdade (que pode ser dura para ele em consequências no grande monde literário), desfazendo os mitos que nos rodeiam, como, para ficar apenas em um exemplo, o da alegria brasileira: "O ódio sempre esteve presente -e, embora nunca tenha sido prerrogativa de preto, branco, nem de monge, nem de executivo, ele, o ódio brasileiro, sempre foi muito bem preservado em escaninhos, divisões, muros e camadas de hipocrisia. Negá-lo é fomentar mais ódio. As pessoas o guardam como se fossem joias de família. Quem quiser pode chamar de alegria brasileira."

Esse ódio, que camufla-se como um camaleão, desnuda-se na prosa de Mirisola: "O importante é não esquecer que o ódio nos espreita e carrega milhões de disfarces e boas intenções, o ódio brasileiro afaga, convida pra ir jantar e é o melhor anfitrião do mundo, o ódio é doce como uma compota caseira e sempre concorda contigo, ele é o rei dos elogios e às vezes aponta pequenos defeitos para valorizar as virtudes que nem você sabia que tinha, o ódio é surpreendente e encantador, ele tem muita paciência, o ódio é desprendido e jamais vai perder o timing, ele é a Vovó da Casa do Pão de Queijo, ele é o bom vizinho que planeja seu fim toda vez que o beija na face e, uma hora - pode escrever - ele vai dar o bote e estragar tudo, de leste a oeste e de norte a sul. Ininterruptamente."

Rancorosas algumas vezes (oh! - e como é necessário), com humor outras vezes (humor negro também), as crônicas e contos do livro vão golpeando aqui e ali nosso fígado, fazendo ver sob o ponto de vista que, na maioria das vezes, tememos ver. Mas com o olho inchado (tantas porradas) avançamos na leitura, aprendendo a ver torto aquilo que o mundo insiste em ver (falsamente) como certo.


Mesclando palavras-bílis com divertidas tiradas irônicas, o livro não nos cansa jamais em sua crítica radical. Três pequenos exemplos onde o pensamento se dobra nessa via de mão dupla: "Mas, pensando bem, em qualquer época e circunstância, eu não resistiria à subversão. Fazer o quê? Eu olho pra bunda das gostosas." Ou: "confete e arte para todo mundo, consta que, agora, vender a alma é sinônimo de qualidade de vida, postura mesmo, que emana credibilidade e crédito." E no texto "Qual é a droga?", onde fala da inutilidade da polícia e da falsa moral em relação às drogas ilegais:

"Você percebe que aqueles caras que vestem fardas e cultivam a ordem, a disciplina e a hierarquia não servem para nada; na realidade eles não passam de crianças sádicas e fetichistas que fazem tanto sentido quanto o traficante e os heróis da Marvel que tomam conta dos seus sonhos de Cinderela. Pare pra pensar: um meganha que enquadra suspeitos e se dirige a outro meganha como tenente, cabo, capitão, um cara que prende e faz uso de algemas e técnicas de imobilização, um sujeito que acorda de madrugada para se perfilar diante de um pedaço de pano colorido, o mesmo tipo que obedece a ordens unidas, que desfila de boina na avenida, pense comigo: para que um xarope desses, que depende de uma voz de comando até para se manter sobre as duas pernas, presta na vida? Para cuidar de mim é que não é./ Um apelo. (...) Abram franquias do Parque da Mônica, chamem a SuperNanny, deem massinhas e pincéis atômicos para entreter essas crianças mal-humoradas que adoram uma fardinha./ E, do outro lado e ao mesmo tempo, transformem os traficantes em comerciantes, livrem os viciados da marginalidade e deixem o capitalismo cuidar do resto. Se funciona com o Carrefour, o Wallmart, as Casas Bahia e as Lojas Americanas que vendem DVDs da Ivete Sangalo e do Gustavo Lima, porque não ia dar certo com as outras drogas?"

Outro capítulo interessante do livro de Mirisola é sobre o linchamento equivocado de Gerald Thomas no episódio no programa Pânico e as consequências dessa atitude fascistóide nas tramas rocambolescas da coletividade brasileira. "A volúpia de dedurar, buscar refúgio no coletivo e apontar o dedo virou marca registrada nos anos zero-zero e - parece - tem tudo para se consolidar ferozmente nos próximos anos."

Mesmo não fazendo parte do "cordão dos puxa-saco ilustrados, todos em uníssimo cacarejando Géééérald, Géééérald. Como se o Géééérald fosse o esperma sagrado do Santo Graal via nossa goela abaixo, puta porre dos infernos", Mirisola vai em defesa do diretor de teatro e questiona a posição "linchamento do bem" de Laerte, "o travesti da revista Piauí, mimo de dez entre dez intelectuais", que "aproximou Gerald Thomas da figura infame do Paulo Maluf".


Então, diz Mirisola sobre Laerte: "O cara que salva - a palavra é essa mesmo, salva - o mundo com seu humor, de uma hora para outra, se transforma num inquisidor medieval e condena a outra parte baseado em superstições. Laerte caiu feito um pato na armadilha do suposto inimigo porque - tese minha - existe uma fixação justiceira que o cega e diz de antemão e preconceituosamente que toda e qualquer piada que trata de minorias é desqualificadora pela própria natureza (superstição). (...) Justo Laerte acabou se transformando numa espécie de Torquemada da piada alheia".

E Mirisola, dando um banho em qualquer sociólogo de academia, aponta, contracorrente, através dessa crônica, os perigos que incorremos nesses "linchamentos do bem": "a patrulha que não dá trégua e acusa e condena sem fazer distinção apenas porque se sente ameaçada em sua pureza quando, na verdade, ela mesma - na prática - se torna instrumento efetivo do mal que atribui ao adversário."

O espaço de uma resenha é pequeno para desvendar o espírito crítico e mordaz de Mirisola que aparece em "paisagem sem reboco". Deveríamos falar das entradas renovadoras em leituras de Tolstói, Orwell e Kafka, e dos contos e crônicas que descascam as paredes artificiais de um Brasil de celofane, mas que esconde nas suas incongruências uma realidade sem reboco, mas o espaço impede. O que sugiro é que se compre o livro para aprender a pensar sem os entraves dos superegos que abundam por aí, sejam eles móveis (camburão), intelectuais (o grande monde da cultura), ideológicos (o politicamente correto) etc, etc etc.


Jardel Dias Cavalcanti
Londrina, 1/12/2015


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Os encontros dos estranhos de Elisa Andrade Buzzo
02. Estudo de uma tensão de Celso A. Uequed Pitol
03. Os olhos brancos de Deus de Elisa Andrade Buzzo
04. A grande luta das pessoas comuns de Guilherme Carvalhal
05. As sombras e os muros de José J. Veiga de Cassionei Niches Petry


Mais Jardel Dias Cavalcanti
Mais Acessadas de Jardel Dias Cavalcanti em 2015
01. Daumier, um caricaturista contra o poder - 24/2/2015
02. Livro das Semelhanças, de Ana Martins Marques - 24/11/2015
03. Eu matei Marina Abramovic (Conto) - 17/3/2015
04. Fake-Fuck-Fotos do Face - 18/8/2015
05. Gerald Thomas: cidadão do mundo (parte I) - 2/6/2015


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




QUATRO RODAS--NOVO HONDA CR-V--JAC J3 E QUENTE OU UMA GELADA?.
ABRIL
ABRIL
(2012)
R$ 16,00



ATRACAO DECODIFIQUE A LINGUAGEM DO AMOR
TRACEY COX
FUNDAMENTO
(2004)
R$ 14,00



A ALIMENTAÇÃO DOS PEIXES DE AQUÁRIO
GASTÃO BOTELHO E OUTROS
NOBEL
(1984)
R$ 10,00



AVALIAÇÃO DE ESCOLAS E UNIVERSIDADES
LUIZ CARLOS DE FREITAS
KOMEDI
(2018)
R$ 60,00



TRANSITIONS 1 - STUDENT BOOK + WORK BOOK (INTEGRATED ENGLISH)
LINDA LEE
OXFORD UNIVERSITY PRESS
(1998)
R$ 90,00



MANUAL GERAL DA REDAÇAO
FOLHA DE SAO PAULO
FOLHA DE SAO PAULO
R$ 8,00



MANGÁ - O LIVRO MONSTRO DO MANGÁ
DANIEL DE ROSA
LIVROS ESCALA
(2009)
R$ 15,00



REVISTA NINTENDO WORLD--41--QUEBRA-PAU.
CONRAD
CONRAD
R$ 22,00



DIREITO CONSTITUCIONAL DESCOMPLICADO
VICENTE PAULO E MARCELO ALEXANDRINO
MÉTODO
(2016)
R$ 100,00



O AVESSO DAS COISAS
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
RECORD
(1997)
R$ 12,90





busca | avançada
28946 visitas/dia
1,0 milhão/mês