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Quinta-feira, 7/4/2016
O Novo Museu da Estação da Luz: uma Proposta
Heloisa Pait

+ de 2200 Acessos

Qual o papel que a Estação da Luz deve ter na vida cultural da cidade? Nesse texto, apresentamos uma proposta.

O Novo Museu da Estação da Luz: um Lugar para a Cidade de São Paulo

A Estação da Luz é um marco da São Paulo moderna. Quando visitamos o centro antigo, o Pátio do Colégio, as ruas tortas e direitas, temos a sensação de visitarmos um museu urbano, ouvindo histórias de um outro tempo. Quando andamos na Luz é a cidade moderna de prédios amplos que vemos, conectada por avenidas largas consigo mesma e pelo trem com o mundo.

Pela região foram ficando os imigrantes que transformaram a cidade em uma outra coisa, tão distinta do que era no século anterior. Na Luz de hoje, além de tudo, um hub de transporte metropolitano com inúmeras linhas de trem e metrô, incluindo a que leva ao longínquo Butantã. Esperei preocupada lá outro dia uma sobrinha, atrasada, que me garantiu: “Segui suas instruções, só peguei essa última linha no sentido errado, por isso demorei.”

Quanta gente já não se perdeu, se encontrou, atrasou, esperou, desistiu, se angustiou, se alegrou, nesse emaranhado de gente que é São Paulo e seus pontos de encontro onde ficamos ainda atordoados como recém-imigrados, aguardando um sinal, um rosto conhecido, um caminho, um trocado, um aceno? Não nos conhecemos, nós 10 milhões de paulistanos, mas compartilhamos experiências comuns que cimentam nosso cotidiano no mais anônimo.

O Novo Museu da Luz merece resgatar essa experiência. Merece abrir-se aos arredores, fazer dessa hoje difícil região parte do ensinamento do museu, devolver o visitante com os olhos lacrimejantes, orgulhosos, assustados, entusiasmados de volta para a cidade, depois de acolhê-lo dentro de sua barriga ferroviária que é a Estação da Luz.

O Novo Museu vai cuidar com carinho, com enorme afeto, da estrutura da Estação da Luz, pois reconhece a importância do prédio em seus vários aspectos: histórico, arquitetônico, urbano, econômico, cultural e principalmente humano, pois a vida paulistana e a vida de milhões de paulistanos passa e passou por lá.

Será um museu integrado ao prédio e ao entorno dele. Com exposições que resgatem não apenas o próprio prédio, mas a Cidade de São Paulo, sua história, suas gentes e também suas línguas, fazendo assim referência ao museu destruído no final de 2015. Pois São Paulo é várias línguas, muitas mesmo. Não é síntese. É explosão.

Como me disse um taxista, a quem tive a insensatez de perguntar se deviam mesmo derrubar o Minhocão: “São Paulo é um Brasil dentro de uma cidade!” Vai ter muito o que expor. A vida dos bairros e das comunidades. A economia e a relação com o mundo. A relação com o país e as revoluções políticas. Os escritores da terra e os forasteiros que nos retrataram. Os dramas urbanos e as tentativas de domar essa cidade. A natureza forte, persistente, contra a qual lutamos.

O Museu será um espaço de vivência, de resgate da experiência urbana pensada, refletida. Com um pequeno teatro ou auditório para debates, projeções e vídeo-conferências, dialogando com outros museus análogos pelo Brasil e pelo mundo. E também para apresentações artísticas profissionais e amadoras, exibindo a diversidade cultural da cidade num lugar acessível para toda a metrópole. O Museu vai ter um café no telhado, com coisas gostosas mas que dá pra pagar, tipo empanadas e sucos.

O teatro não vai ficar só dentro do prédio. Como nos “re-enactments” comuns nos Estados Unidos, vamos também dar um passeio pela Luz ao lado de Oswald e Tarcila, bater um papo com Sergio Buarque de Holanda em uma pausa de seus escritos, assistir a votações na câmara da ainda minúscula São Paulo de Piratininga, onde aprenderemos sobre nossa intrigante relação com o poder central.

Sim, também encontraremos viúvas de 1924 e de 1932 e seremos convencidos da importância de termos uma universidade paulista pelos líderes intelectuais e políticos da época. O Museu será um lugar de história viva, com pesquisa e resgate histórico sério, feito por gente como nossa cidade, sem muita parafernália. Vamos falar do interior também? Como não? Se São Paulo é ela mesma um pedaço do interior que ficou grande...

Assim vai ser o Novo Museu da Estação da Luz, um museu que celebra a cidade, idealizado por gente que a ama e conhece, gente generosa que vai a tratar com respeito. São Paulo merece um museu que fale da cidade e a Luz merece um museu que enxergue a estação. De dentro dele, veremos pelas janelas a vida urbana pulsando. E lembraremos o quando essa vida precisa de cuidado e de afeto.

Heloisa Pait
São Paulo, 7/4/2016



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