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Quarta-feira, 10/8/2016
Eleições nos Estados Unidos
Marilia Mota Silva

+ de 2600 Acessos

Ninguém levou a sério quando Trump anunciou que disputaria a Presidência dos Estados Unidos; nem seu partido, nem os democratas. Com aquele rosto alaranjado (bronzeamento artificial?), o topete de fios dourados armado laboriosamente sobre a testa, careteiro, desaforado, dizendo bobagem a cada vez que abria a boca, ele parecia inofensivo. E mesmo útil. Um personagem assim, disposto a quebrar o verniz do politicamente correto, daria voz ao medo, à raiva, aos preconceitos fortemente censurados pela cultura vigente, mas ainda assim vivos e enraizados na sociedade. Com seu jeito histriônico, de programa de tevê, acrescentaria humor à aridez dos debates.

A midia acolheu com gosto a novidade divertida, só dava Trump nos programas de entrevista, nos jornais, nas redes sociais. Se era publicidade o que queria, publicidade internacional gratuita, ponto pra ele: tinha conseguido.

Aí vieram as convenções do Partido em cada Estado, e Trump se comportou como esperado, ofendendo gratuitamente uns e outros, alienando milhões de eleitores sem pesar as palavras e, mesmo assim, começou a conquistar vitórias. Analistas surpresos se debruçaram sobre o fenômeno. Produziram análises, críticas, conselhos. Trump continuou olímpico, sem mudar estilo ou repertório e liquidou os demais candidatos.

Hoje desorientados líderes republicanos se perguntam o que aconteceu: Como foi que um empresário de imóveis que se gaba de ter declarado falência várias vezes, que exagera, mente e instiga ódio, medo e preconceito, que ameaça o mundo com suas bravatas e ignorância geopolítica, venceu políticos profissionais, senadores, ex-governadores, inclusive um Jeb da dinastia Bush! Falam em quebra do Partido, relutam em endossar um candidato que não representa os valores republicanos.

Que valores seriam esses? Não os mesmos dos tempos de Abraham Lincoln. Um rápido perfil dos outros candidatos dá uma ideia do que ser republicano representa hoje. Recorro aqui, pra resumir o assunto, a um artigo do jornalista Elliot Weinberger que analisou a questão com humor irretocável: Por que escolheram Trump, quando havia tantos candidatos? Como resposta ele apenas cita alguns dados sobre cada candidato.

Rick Santorum, por exemplo, um veterano: concorreu com Mitt Romney nas primárias de 2012. Senador por Pensilvania. Ele se opõe a qualquer método de controle da natalidade, mesmo entre casados. Tem sete filhos e nenhum vai pra escola (são ensinados em casa pela mãe). Diz que educação não é pra ser dada por empregados do governo e sim pela família. Diz que criança gerada num estupro é presente de Deus. Assinou uma declaração escrita por um grupo religioso Family Leader, onde se afirma que a vida dos afro-americanos era melhor sob o regime de escravidão. Diz que a separação entre Igreja e Estado é coisa de comunista. Quando Obama propôs um plano para tornar a universidade mais acessível a todos, ele disse que Obama era um esnobe.

Outro candidato, Rick Perry, ex-governador do Texas. Seu próprio "território de caça de verão" se chama Nigerhead. Nem precisa tradução. Ele diz frases como: "Eu felizmente me agarro com minhas armas e meu Deus, muito embora Presidente Obama, com seu coração elitista, pense que isso é coisa de gente simplória". Ele ia bem nas pesquisas, quando, num debate, disse que eliminaria três agências do governo, mas não conseguiu se lembrar qual seria a terceira.

Outro concorrente era Obby Jindal, ex-governador de Luisiana, que quebrou as finanças do Estado quando cortou drasticamente os impostos sobre os ricos. Para compensar a perda de impostos, ele cortou em 80% o orçamento para a educação. Embora Luisiana seja um dos estados mais pobres do país, ele recusou fundos federais de centenas de milhões de dólares para saúde e educação. Disse que há partes da Europa onde não se deve ir, lugares que estão sob a lei da "Sharia", mas numa entrevista na televisão não soube dar um exemplo de que lugares seriam esses.

Outra forte candidata era Carly Fiorina. Ela foi CEO da Hewlett- Packard, demitiu 30 mil empregados, aumentou o débito da companhia, as ações despencaram na bolsa, e ela foi demitida. Ela ia bem nas pesquisas, mas perdeu pontos quando começou a insistir que tinha visto um video em que membros da Planned Parenthood ( Controle da Natalidade) discutiam a venda de órgãos de fetos: Eu desafio Hillary e Obama a ver um desses videos, ela dizia. Vejam um feto completamente formado sobre a mesa, seu coração batendo, suas pernas chutando, enquanto alguém diz que devem mantê-lo vivo para aproveitar seu cérebro. Nenhum grupo anti-aborto, nem o mais virulento deles, conseguiu encontrar uma cópia do tal video.

Outro: Rand Paul, senador por Kentucky. Rand se opõe a qualquer interferência do governo seja no controle da venda de armas, na saúde, na ajuda aos pobres, na manutenção dos direitos civis, na proteção do meio ambiente. É o libertarianismo total. Exceto....claro, o aborto. Nesse caso, sobre o corpo das mulheres, o governo teria o direito de mandar.

Todos os outros seguem nessa linha, Marco Rubio, Ted Cruz, filhos de cubanos, era de se esperar que fossem mais sensíveis aos imigrantes, aos problemas sociais, mas não, todos a mesma coisa, difícil separar joio do joio.

Nesse contexto, a vitória de Trump faz sentido. Ele apenas interpreta o momento. Como disse George Orwell, não são os líderes que criam os movimentos (sociais), são os movimentos que criam os líderes.

Até há poucos dias, Trump estava forte na corrida, com grandes chances de se tornar Presidente. O que o fez despencar nas pesquisas foi esse namoro com Putin.

Ele ter pedido à Russia para 'hackear" e publicar os emails de Hillary, encorajando outro país a espionar a correspondência da Secretaria de Estado, desanimou, pelo visto, boa parte dos seus admiradores. Por enquanto, o único que conseguiu derrubar Trump foi ele mesmo. Mas as eleições estão longe ainda, e até novembro tudo pode acontecer. Rezemos.


Marilia Mota Silva
Washington, 10/8/2016


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