Imprimam - e repensem - suas fotografias | Ana Elisa Ribeiro | Digestivo Cultural

busca | avançada
30036 visitas/dia
773 mil/mês
Mais Recentes
>>> Segundas de julho têm sessões extras do espetáculo À Espera
>>> Circo dos Sonhos, do ator Marcos Frota, desembarca no Shopping Metrô Itaquera
>>> Startup brasileira levará pessoas de baixa renda para intercâmbio gratuito fora do país
>>> Filho de suicida, padre lança livro sobre o tema
>>> LANÇAMENTO DO LIVRO "DIALÓGOS DE UM RABINO REFLEXÕES PARA UM MUNDO DE MONÓLOGOS" DE MICHEL SCHLESI
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> O dia em que não conheci Chico Buarque
>>> Um Furto
>>> Mais outro cais
>>> A falta que Tom Wolfe fará
>>> O massacre da primavera
>>> Reflexões sobre a Liga Hanseática e a integração
>>> A Fera na Selva, filme de Paulo Betti
>>> Raio-X do imperialismo
>>> Cães, a fúria da pintura de Egas Francisco
>>> O Vendedor de Passados
Colunistas
Últimos Posts
>>> Eleições 2018 - Afif na JP
>>> Lançamentos em BH
>>> Lançamento paulistano do Álbum
>>> Pensar Edição, Fazer Livro 2
>>> Ana Elisa Ribeiro lança Álbum
>>> Arte da Palavra em Pernambuco
>>> Conceição Evaristo em BH
>>> Regina Dalcastagné em BH
>>> Leitores e cibercultura
>>> Sarau Libertário em BH
Últimos Posts
>>> Sob o mesmo teto
>>> O alívio das vias aéreas
>>> PRESSÁGIOS. E CHAVES II
>>> Honra ao mérito
>>> Em edição 'familiar', João Rock chega à 17ª edição
>>> PATÉTICA
>>> Presságios. E chaves III
>>> Minha história com Philip Roth
>>> Lars Von Trier não foi feito para Cannes
>>> O brasileiro e a controvérsia
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Sartre e a idade da razão
>>> Passarinho do Twitter
>>> Letra de música é poesia?
>>> A arapuca da poesia de Ana Marques
>>> A Erva do Diabo, de Carlos Castaneda
>>> Recordações da casa dos mortos
>>> Viral Loop, de Adam Penenberg
>>> Lauro Machado Coelho
>>> Voltar com ex e café requentado
>>> O Agressor, de Rosário Fusco
Mais Recentes
>>> Excel Avançado - 1ª Edição 6ª Reimpressão
>>> Vencendo a Crise - Como o Bom Senso Empresarial Pode Superá-la - 4ª Ed.
>>> Poetas de Dores do Aterrado - 1ª Edição
>>> O Ladrão que Estudava Espinosa - 1ª Edição
>>> Assassinos Sem Rosto - 1ª Edição
>>> Jardim Noturno - Poemas Inéditos - 2ª Edição
>>> Presente do Mar - 13ª Edição
>>> Romãs Maduras - Contos - 1ª Edição
>>> Os 20 Melhores Livros de Seleções - 1ª Edição
>>> O Perfume - Best Bolso - 5ª Edição
>>> O Fim da Modernidade
>>> Apontamentos para a História da Revolução Rio-grandense de 1893
>>> Einstein Apaixonado + Um romance científico
>>> Leonardo, o primeiro cientista
>>> Envie Meu Dicionário + Cartas e Alguma Crítica
>>> O Segredo de Guilherme Storitz
>>> A selva do dinheiro + Histórias clássicas do inferno econômico
>>> Oscarito Nosso Oscar de Ouro
>>> A Nudez da Verdade
>>> Emoções em Prosa e Verso
>>> A Telessaúde no Brasil e a Inovação Tcnológica na Atenção ...
>>> O Pagador de Promessas
>>> O Caçador das Bolachas Perdidas
>>> Juizado Especial: Criação Instalação, Funcionamento e a ...
>>> Meu Querido Canibal
>>> Anjo de Quatro Patas
>>> Vencendo Aflições, Alcançando Milagres
>>> Eles Pedem em Casamento, Elas Pedem o Divórcio
>>> Procurando Firme
>>> Ensino Holístico da Medicina
>>> Depressão e Autoconhecimento: Como Extrair Preciosas Lições ...
>>> Utopia?
>>> Resistência: a História de uma Mulher Que Desafiou Hitler
>>> Uma Herença Preciosa
>>> Prazer uma Abordagem Criativa da Vida
>>> O Retorno Financeiro de Programas de Promoção da Segurança, ...
>>> Confissão de uma Harpista
>>> Os Mestres de Gurdjieff
>>> Proposta para uma Graduação Médica Contemporânea
>>> O Tao da Física
>>> O Santeiro do Mangue e Outros Poemas
>>> Português para Concursos
>>> Bola na Rede: a Batalha do Bi
>>> Paulo Francis Polemista Profissional
>>> Fisiologia e Fisiopatologia do Hormônio de Crescimento
>>> Ser Médico no Brasil - o Presente no Passado
>>> Padre Severino da Pessoa ao Instituto
>>> Micropoderes Macroviolencias
>>> Educação e Tecnologias no Brasil
>>> Cultura e Tecnologias no Brasil
COLUNAS

Sexta-feira, 24/2/2017
Imprimam - e repensem - suas fotografias
Ana Elisa Ribeiro

+ de 1900 Acessos

Outro dia, mandaram um link para que eu lesse com carinho. Era um texto dizendo que o "pai da internet", Vint Cerf, recomendava que imprimíssemos nossas fotografias. O problema seria a tal da "obsolescência programada", essa invenção malévola e espertinha que nos transforma em consumidores compulsórios de equipamentos novos em substituição a outros sempre, e rapidamente, desatualizados.

Aconteceu outro dia, e outro e outro: usei um celular por muitos anos, insistentemente, até que não consegui baixar mais nenhum aplicativo nele. Pronto, passava da hora de trocar de aparelho. Vai durar. Doce ilusão.

Comprei outro e outro, e cada um, num belo dia diferente, mas não a espaços muito largos, deixava de funcionar por algum motivo. Mas a coisa era predeterminada. Em alguns casos, a máquina não funcionava nem com aplicativos fabricados pela própria empresa. Mas vá lá, tenhamos paciência ou bobiça suficientes.

Analógicas

Num mundo assim, imaginem o que seja manter certo hábito de tirar fotografias analógicas. Exótico, não? E sempre perguntam: mas existem ainda filmes? Alguém vende isso? Onde? É caro? E depois? Onde são revelados?

Fato é que, dia desses, revelei um filme. Escaneei as fotos e enviei algumas a pessoas a quem não darei uma foto de papel. Não foi exatamente caro revelá-las, mas fazer as cópias me daria bem mais trabalho. Geralmente, exceto pela minha mãe, as pessoas ficam satisfeitas ao receberem digitalizações. Mas que precariedade.

Eis que enviei uma foto digitalizada de uma matriz impressa de foto ao grupo de irmãos. Logo, minha irmã perguntou sobre o assunto: Quando foi isso? E me dei conta de que os lapsos das fotos analógicas pertencem mesmo ao fotógrafo. Logo informei, imprecisamente: acho que dia dos pais. Era uma lembrança difusa, de um dia comemorativo, um lugar, uns ladrilhos, a presença de certas pessoas, um almoço. Dia dos pais, talvez. Ela não disse mais nada. Aceitou.

O lapso de tempo que aquela câmera e aquele filme provocavam. Já pensou? Um filme de 36 poses ou menos, porque ele durou até as 30. E ficou dentro da máquina por meses e meses. Quando revelado, mostrou mais de três ou quatro eventos diferentes, lugares muito diversos, pessoas muito seletas. Estavam lá, justapostos, mas sem se comunicar, o dia dos pais, um passeio no Instituto Inhotim, umas fotos à beira do muro da fábrica de tecidos que será extinta (e dará lugar a um microshopping com nome em inglês). Também havia fotos de um evento no campus universitário, uma delas desfocada, quase perdida. O que se há de fazer? Jogar fora? Não é deletável.E ainda fotografias de um dia, no ensaio para um espetáculo poético-musical.

Sim, era um filme, muitos meses, cinco ocasiões muito diferentes, tempos diversos, sempre à luz do dia, porque, como sabem todos, fotografar é desenhar com luz.

O grão da foto é lindíssimo. As pessoas estão paradas diante de um clique que virá. Não pudemos testar, jogar poses ou chapas fora. Gostamos das fotos? Não? Já era.

O grão do tempo

Pensei por horas sobre a característica do filme analógico de guardar-se para ocasiões muito especiais e ser econômico na seleção das fotografias. Muitos eventos quase esquecidos ressurgiram para as pessoas, diante daquelas fotos. Até nem lembrávamos mais daquelas ocasiões. Por isso é importante escrever atrás das fotografias. Escrever, por datas, relembrar: 14 de agosto de 2016, dia dos pais. Caso contrário, não saberemos mais nos distinguir naquele passado em registro.

Um filme aguarda, pacientemente, para ser gasto. Disso decorre que o timing das fotos analógicas é paciente, é moroso, é seletivo, é cuidadoso. É preciso pensar sobre a foto, sobre a revelação e sobre como mostrar as fotos às pessoas.

Certa vez, fotografei o bebê de uma amiga, em dada ocasião, em uma livraria. Muitos meses depois, enviei-lhe a digitalização da foto. O grão do momento. Ela reconheceu o chão, o deck de madeira, a ocasião. Mas o bebê não era mais o mesmo. Uma lembrança de quando ele tinha alguns meses. Já não era mais o mesmo.

Dupla exposição

Vint Cerf alerta sobre as fotografias que se perderão entre bits, arquivos incompatíveis, máquinas inoperantes, obsolescências programadas, pessoas pouco cuidadosas com a memória. Mas não é só isso. Além de imprimirmos as fotos, como que a resguardá-las de um perigo evidente - mais que iminente -, é importante que alguns de nós resistam ao operar máquinas que deixam matrizes, negativos, filmes.

Não à toa nossa emoção, quando um pequeno grupo de amigos resolvemos conversar sobre o que fazer com duas caixas grandes de câmeras analógicas simples que seriam jogadas fora. Uma centena delas. E enquanto triávamos os equipamentos, observando se alguma já não funcionava, encontramos três com filmes dentro.

Filmes usados? Fotografados? Presos ali? Esquecidos? O que fazer? Vamos revelá-los? Festas de família ou nudes? Vamos removê-los e jogar no lixo, preservando a privacidade de alguém? Vamos mostrar ao mundo as fotografias que estão ali? Vamos procurar seus donos? Não.

Decidimos reusá-los: Cada um de nós escolheu um, por qualquer motivo. Retirados das câmeras originais, vão para dentro de nossos equipamentos e faremos dupla exposição. Dessa forma, quando revelados, talvez saibamos, apenas parcialmente, o que ali estava, quase revelado, mas não por inteiro.



Ana Elisa Ribeiro
Belo Horizonte, 24/2/2017


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Corot em exposição de Jardel Dias Cavalcanti
02. Paul Ricoeur e a leitura de Celso A. Uequed Pitol
03. Os Doze Trabalhos de Mónika. 9. Um Cacho de Banana de Heloisa Pait
04. Bruta manutenção urbana de Elisa Andrade Buzzo
05. Estevão Azevedo e os homens em seus limites de Guilherme Carvalhal


Mais Ana Elisa Ribeiro
Mais Acessadas de Ana Elisa Ribeiro
01. O menino mais bonito do mundo - 29/1/2010
02. Digite seu nome no Google - 8/3/2006
03. Ler muito e as posições do Kama Sutra - 2/6/2004
04. Dar títulos aos textos, dar nome aos bois - 27/7/2007
05. Autor não é narrador, poeta não é eu lírico - 24/3/2004


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




DOCUMENTÁRIO ARQUITETÔNICO
JOSÉ WASTH RODRIGUES
ITATIAIA
(2018)
R$ 30,00



GLOBALIZAÇAO - O QUE E ISSO AFINAL?
CRISTINA STRAZZACAPPA VALDIR MONTANARI
MODERNA
(2007)
R$ 12,00



POESIA SIMPLES
ALVARO BARRETO PEIXOTO
BITAURUS
(1990)
R$ 8,99



O HOMEM DE BEIJING - 1ª EDIÇÃO
HENNING MANKELL
COMPANHIA DAS LETRAS
(2011)
R$ 15,00



A PROVÍNCIA DAS TREVAS
DANIEL ARSAND
RECORD
(2003)
R$ 25,00



UM GATO ENTRE OS POMBOS
AGATHA CHRISTIE
NOVA FRONTEIRA
(2005)
R$ 3,00



MANGÁ VARIANTE REQUIEM FOR THE WORLD Nº 1
IQURA SUGIMOTO
SAMPA ARTE / LAZER
(2004)
R$ 11,90



ROBIN HOOD - SÉRIE REENCONTRO INFANTIL
TELMA GUIMARÃES CASTRO ANDRADE (RECONTADO POR)
SCIPIONE
(2004)
R$ 14,10



ARREBATADOS! - SABRINA ROMANCES PRECIOSOS - N°1517
BARBARA FREETHY
NOVA CULTURAL
(2008)
R$ 8,82



SHAKESPEARE - ANTÔNIO E CLEÓPATRA/JULIO CÉSAR (TEATRO INGLÊS)
WILLIAM SHAKESPEARE
EDIOURO
(2016)
R$ 12,00





busca | avançada
30036 visitas/dia
773 mil/mês