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Terça-feira, 15/5/2018
Cães, a fúria da pintura de Egas Francisco
Jardel Dias Cavalcanti

+ de 4400 Acessos



Na sua obra denominada Cães (2105), Egas decidiu dar forma à fúria animal. Para isso, colocou no centro da tela dois grupos de cães que parecem prontos para se enfrentarem numa luta enraivecida.

Com pinceladas indomesticáveis, o artista cria o grupo dos animais com suas bocas arregaladas, exibindo dentes poderosos, olhos insanos e línguas expostas como se babassem a sua ira. São cães que de forma alguma lembram dóceis animais domesticados. Ao contrário, movimentam-se dentro de uma tensão que está pronta para explodir na ira de uns contra os outros ou de quem se aproximar.

Diante de tanta energia concentrada nas pinceladas livres e nas cores quentes, o quadro acaba servindo como uma metáfora da própria pintura de Egas: um gestual poderoso que se arremessa sobre o espectador como as luvas de Mohamed Ali quando acertam seu oponente levando-o a nocaute.

Em Cães, uma tela sem descanso para o movimento, nossa consciência vacila diante da pulsão livre das formas amplas criadas por pinceladas que não sofrem o constrangimento das linhas. As massas pictóricas se ampliam por todos os animais do quadro, ressaltando, sob o efeito subjetivo das cores e da tensão da força muscular dos animais, seu poder de destruição – sentimo-nos como se estivéssemos numa sala de concerto, tomados pela impositiva música de um grande compositor.

A deformação dos cães, sempre levada ao extremo, amplia ainda mais o efeito de sua ira. Mais do que isso, leva a grandeza dos elementos como a cor e as pinceladas à sua máxima amplitude. Alquebrados por sua ira, os cães precisam também ser alquebrados na forma de sua representação. E Egas é um mestre nesse sentido, pois sabe levar o estado interior dos seres para a própria carnalidade dos corpos que representa. E corpos para o artista não são nada mais do que a vibração de massas pictóricas descontroladas, cores poderosamente subjetivas e composições arrojadas onde a realidade se submete sempre aos ditames da imaginação do pintor.

Para que o estado de apreensão diante da cena nos comova, Egas não precisou colocar os cães se devorando. Bastou agitar as formas que criam seus gestos e o grotesco de suas afeições para que pudéssemos intuir o tom do rugido que a cena pressupõe. O medo que o confronto eminente dos cães sugere paira no quadro justamente dentro das deformações onde as pinceladas parecem se bater umas contra as outras como se cães raivosos fossem.

Violetas, amarelos, vermelhos, brancos e alaranjados que formam os cães através de um uso bastante pastoso das tintas se destacam sobre o chão verde e vermelho e o fundo escuro do alto da tela, onde as pinceladas são mais contidas.

Egas sempre trabalhou com essa contraposição de massas pictóricas, buscando acentuar o drama que se desenrola nos personagens que habitam o centro de suas telas. Essa guerra que se anuncia em bocas arregaladas, dentes afiados e musculaturas tensionadas de cães raivosos tem, assim, seu cenário perfeito.

Tintas espessas geradas por pinceladas bruscas, espátulas agitadas, cabos de pincéis descontrolados e, por vezes, até a própria mão do artista, definem a sua poética: a cor é dominante, mas precisa ser eletrocutada pela energia que surge a partir da movimentação das massas de tinta que só o olho e as mãos de um grande artista conseguem produzir.

NOTA SOBRE O ARTISTA:

Egas Francisco é pintor, desenhista, aquarelista e cenógrafo. Nasceu em São Paulo em 1939 e reside atualmente em Campinas, onde mantém seu atelier.

Na juventude frequentou os cursos do MASP, MAM e Pinacoteca, em São Paulo. Participou, dentre outras mostras: Grupo Hoje, MAC/Campinas; Coletiva Bosch/MASP, Bienal de Udine, Itália. Sobre sua obra escreveram os seguintes críticos: Alberto Beuttenmüller, Mário Schenberg, J. Toledo, Paulina Kaz, José Geraldo Vieira, Régis de Moraes, dentre outros.

Fez exposições individuais em Salvador, Campinas, Rio de Janeiro, Gênova, Bergamo, Milão, Stuttgart, Buenos Aires, Amsterdam, Frankfurt, Brasília, etc.

Tem obras em acervos da Europa e América: Museu de Arte de Murcia (Espanha), Laboratório degli Artisti (Udine), Pinacoteca Garcia Lorca (Granada, Espanha), Amigos del Arco (Madri), Museu de Unicamp (Campinas), MACC (Campinas), Monastério dos dominicanos (RJ), dentre outras pinacotecas e museus.


Jardel Dias Cavalcanti
Londrina, 15/5/2018


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