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Terça-feira, 7/5/2019
Nenhum Mistério, poemas de Paulo Henriques Britto
Jardel Dias Cavalcanti

+ de 2400 Acessos



Nenhum mistério. A poesia em sua crueza. A vida, também, crua e nua. O destino (ou o acaso), é impuro, duro e, no entanto, como não aceitá-lo? Tudo visto de trás para frente parece destino. A poesia, no presente, repensa a existência, em seu duplo valor, de ter sido e de poder ser pensada.

Editado pela Companhia das Letras, em 2018, Nenhum Mistério, de Paulo Henriques Britto, traz uma nota pessimista para seu livro logo na epígrafe da primeira página, da autoria de Emily Dickson: “Não tivesse eu visto o sol/ Sofrível a sombra seria/ Mas a luz de meu deserto/ Terra ainda mais baldia”.

Poemas carregados de reflexões sobre a existência e sua ilusão como campos de possibilidades, com um traço marcado por um rigor perceptível, o do poeta que não se deixa levar na correnteza dos sentimentos, mantendo, a cada verso, a contensão necessária para a sedimentação desses sentimentos e ideias que deles brotam em poemas fortemente concentrados, marcados pelo cinzelamento da linguagem.

O último poema do livro, “Ao sair da sala”, revela a ilusão de um murmúrio discreto, possibilidade da presença, que imediatamente é desvelado em “silêncio quebradiço” numa sala “onde não há o que se ouça” e “não há nada”. Se a ilusão da presença existe é para “desdizer a certeza” do murmúrio que soa ilusoriamente ao ouvido. Esse conjunto de versos vai se ramificando num jogo espelhado de presença e ausência, também existente em outros poemas do livro.

É o que ocorre no primeiro poema, “Nenhuma arte”, onde os deuses dão alguma espécie de presente, que será retirado em seguida, e o jogo de ter, não ter, esperar, não esperar, o que foi, o que não foi, vai criando uma quebradiça linha de esperança- desesperança, mesmo quando já se sabe que “uma solidão/ completa era o capítulo final”. A aceitação de uma espécie de destino se fecha entre os dois primeiros versos do poema e o final do último verso: “Os deuses do acaso dão, a quem nada/ lhes pediu, o que um dia levam embora;/ (...) Os deuses são assim.”

Um dos lastros da consciência da incomunicabilidade (ou impossibilidade de salvação?) como essência da modernidade artística, e do consequente registro apenas dessa impossibilidade (como em Beckett), aparece no poema XIII, onde o “jeito de dizer”, “antes que se esboce”, “já resvalou para o nada”. Vale reproduzir o poema inteiro:

XIII

Como se fosse fácil

achar o jeito de dizer

a frase justa que encerrasse

o que urge tanto esquecer



que antes mesmo que se esboce

a sílaba tão esperada

a palavra – fosse qual fosse –

já resvalou para o nada.



Em vários poemas, o aspecto filosófico e meditativo, concentrado em versos de agudo pessimismo, partem de uma ideia positiva (mesmo que se anunciando como crise) para depois desvelar no descontentamento ou numa ideia de que o mínimo pode ser o máximo. O poema “Da metafísica” é o mais marcante nesse sentido. Os versos “Ser parte de alguém ou algo/ tão grande que não se entenda”, chamam nossa atenção para a fusão de seres, que imediatamente é tachada de “crença’ e/ou “lenda”. Mas essa crença é que “eleva ao sumo quilate/ o caco mais reles da vida.”

Da metafísica



Ser parte de alguém ou algo

tão grande que não se entenda:

toda crença, ao fim e ao cabo,

se resume a essa lenda –



o mais rematado dislate,

coisa jamais entendida,

que eleva ao sumo quilate

o caco mais reles da vida.

O acúmulo de experiências, memórias e seu imediato naufragar existencial marca boa parte dos poemas, mesmo quando se fala diretamente de um caso que nos faz pensar em algum aspecto pessoal ou quando se trata de um objeto do mundo ao qual o poeta se relaciona. A memória, como no poema “Spleen 21/2”, permanecerá não como elemento de preenchimento da alma do homem, mas como algo de que “acumula indiferente”, guardada numa “gaveta emperrada,/ ao qual só será aberta/ na hora errada.”

Entre a esperança e o ridículo, como um hiato constante, há a espera, ou a pressuposição de sua existência. Mas quem vive entre a esperança e o ridículo, sabe que “já não espera mais nada”. É o que o poeta formula em seu poema “Pa(r)químetro”.

As falhas entre o vivido e o lembrado, o não sentido de alguns acontecimentos e a vontade (frustrada) de tornar os afetos algo palpável, a memória cambiante que não firma a experiência – são dessas pequenas erupções de contradições que a poesia de Paulo Henriques Britto se constrói, num exercício entre o dilacerado do existencial e a construção de uma linguagem capaz de suportar as contradições dentro do poema.

Vale encerrar com um poema marcado pelos sinais desse desajuste irrefreável e, ao mesmo tempo, consciente, que sua poesia acumula de verso a (re)verso.

IV



Pode não dar em nada, no final,

mas ao menos não dói. O que é melhor

que nada – fazer nada faz mais mal

do que fazer o mal. (Nada é pior

que o nada.) E se a coisa cansa, não

reclama, que o descanso cansa mais

ainda. Faz das tripas coração

ou coração das tripas – tanto faz,

desde que saia alguma coisa dessa

desgraça, mesmo sem pé nem cabeça,

sem graça, só uma frase de efeito,

um negócio que não queira dizer

nada – nada além do que não puder

não ser dito, por ninguém. (Dito e feito.)



Para ir além:

BRITTO, Paulo Henriques. Nenhum mistério (poemas). São Paulo: Companhia das Letras, 2018.


Jardel Dias Cavalcanti
Londrina, 7/5/2019


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