Nenhum Mistério, poemas de Paulo Henriques Britto | Jardel Dias Cavalcanti | Digestivo Cultural

busca | avançada
51198 visitas/dia
1,4 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Banda GELPI, vencedora do concurso EDP LIVE BANDS BRASIL, lança seu primeiro álbum com a Sony
>>> Celso Sabadin e Francisco Ucha lançam livro sobre a vida de Moracy do Val amanhã na Livraria da Vila
>>> No Dia dos Pais, boa comida, lugar bacana e MPB requintada são as opções para acertar no presente
>>> Livro destaca a utilização da robótica nas salas de aula
>>> São Paulo recebe o lançamento do livro Bluebell
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Rinoceronte, poemas em prosa de Ronald Polito
>>> A forca de cascavel — Angústia (FUVEST 2020)
>>> O reinado estético: Luís XV e Madame de Pompadour
>>> 7 de Setembro
>>> Outros cantos, de Maria Valéria Rezende
>>> Notas confessionais de um angustiado (VII)
>>> Eu não entendo nada de alta gastronomia - Parte 1
>>> Treliças bem trançadas
>>> Meu Telefunken
>>> Dor e Glória, de Pedro Almodóvar
Colunistas
Últimos Posts
>>> Revisores de Texto em pauta
>>> Diogo Salles no podcast Guide
>>> Uma História do Mercado Livre
>>> Washington Olivetto no Day1
>>> Robinson Shiba do China in Box
>>> Karnal, Cortella e Pondé
>>> Canal Livre com FHC
>>> A história de cada livro
>>> Guia Crowdfunding de Livros
>>> Crise da Democracia
Últimos Posts
>>> Uma crônica de Cinema
>>> Visitação ao desenho de Jair Glass
>>> Desiguais
>>> Quanto às perdas I
>>> A caminho, caminhemos nós
>>> MEMÓRIA
>>> Inesquecíveis cinco dias de Julho
>>> Primavera
>>> Quando a Juventude Te Ferra Economicamente
>>> Bens de consumo
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Ser intelectual dói
>>> O Tigrão vai te ensinar
>>> O hiperconto e a literatura digital
>>> Aberta a temporada de caça
>>> Se for viajar de navio...
>>> Incompatibilidade...
>>> Alguns Jesus em 10 anos
>>> Blogues: uma (não tão) breve história (II)
>>> Picasso e As Senhoritas de Avignon (Parte I)
>>> Asia de volta ao mapa
Mais Recentes
>>> O Livro da moda de Alexandra Black pela Publifolha (2015)
>>> Rejuvelhecer a saude como prioridade de Sergio Abramoff pela Intrinseca (2017)
>>> O livro das evidencias de John Banville Tradução Fabio Bonillo pela Biblioteca Azul - globo (2018)
>>> O futebol explica o Brasil de Marcos Guterman pela Contexto (2014)
>>> O Macaco e a Essencia de Aldous Huxley pela Globo (2017)
>>> BATISTAS, Sua Trajetória em Santo Antônio de Jesus: o fim do monopólio da fé na Terra do Padre Mateus de Jorgevan Alves da Silva pela Fonte Editorial (2018)
>>> Playboy Bárbara Borges de Diversos pela Abril (2009)
>>> Sarah de Theresa Michaels pela Nova Cultural (1999)
>>> A Bela e o Barão de Deborah Hale pela Nova Cultural (2003)
>>> O estilo na História. Gibbon & Ranke & Macaulay & Burckhardt de Peter Gay pela Companhia das Letras (1990)
>>> Playboy Simony de Diversos pela Abril (1994)
>>> Invasão no Mundo da Superfície de Mark Cheverton pela Galera Junior (2015)
>>> José Lins Do Rego- Literatura Comentada de Benjamin Abdala Jr. pela Abril Educação (1982)
>>> A modernidade vienense e as crises de identidade de Jacques Le Rider pela Civilização Brasileira (1993)
>>> Machado De Assis - Literatura Comentada de Marisa Lajolo pela Abril Educação (1980)
>>> A Viena de Wittgenstein de Allan Janik & Stephen Toulmin pela Campus (1991)
>>> O Velho e o Mar de Ernest Hemingway pela Círculo do livro (1980)
>>> Veneno de Alan Scholefield pela Abril cultural (1984)
>>> O Livreiro de Cabul de Asne Seierstad pela Record (2007)
>>> Os Dragões do Éden de Carl Sagan pela Francisco Alves (1980)
>>> O Espião que sabia demais de John Le Carré pela Abril cultural (1984)
>>> Administração de Materiais de Jorge Sequeira de Araújo pela Atlas (1981)
>>> Introdução à Programação Linear de R. Stansbury Stockton pela Atlas (1975)
>>> Como lidar com Clientes Difíceis de Dave Anderson pela Sextante (2010)
>>> As 3 Leis do Desempenho de Steve Zaffron e Dave Logan pela Primavera (2009)
>>> Curso de Educação Mediúnica 1º Ano de Vários Autores pela Feesp (1996)
>>> Recursos para uma Vida Natural de Eliza M. S. Biazzi pela Casa Publicadora Brasileira (2001)
>>> Jesus enxuga minhas Lágrimas de Elza de Almeida pela Fotograma (1999)
>>> As Aventuras de Robinson Crusoé de Daniel Defoe pela LPM Pocket (1997)
>>> Bulunga o Rei Azul de Pedro Bloch pela Moderna (1991)
>>> Menino de Engenho de José Lins do Rego pela José Olympio (1982)
>>> Terra dos Homens de Antoine de Saint-Exupéry pela Nova Fronteira (1988)
>>> O Menino de Areia de Tahar Ben Jelloun pela Nova Fronteira (1985)
>>> Aspectos Endócrinos de Interesse à Estomatologia de Janete Dias Almeida pela Unesp (1999)
>>> Nociones de Historia Linguística y Estetica Literaria de Antonio Vilanova- Nestor Lujan pela Editorial Teide/ Barcelona (1950)
>>> El Estilo: El Problema y Su Solucion de Bennison Gray pela Editorial Castalia/ Madrid (1974)
>>> El Cuento y Sus Claves de Raúl A. Piérola/ Alba Omil (profs. Univ. Tucumán pela Editorial Nova, Buenos Aires (1955)
>>> Las Fuentes de La Creacion Literaria de Carmelo M. Bonet pela Libr. del Collegio/ B. Aires (1943)
>>> As Hortaliças na Medicina Doméstica/ Encadernado de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar (1976)
>>> A Flora Nacional na Medicina Doméstica de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar
>>> Arlington Park de Rachel Cusk pela Companhia das Letras (2007)
>>> Muitas Vidas, Muitos Mestres de Brian L Weiss pela Salamandra (1991)
>>> As Frutas na Medicina Doméstica de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar
>>> Coleção Agatha Christie - Box 8 de Agatha Christie; Sonia Coutinho; Archibaldo Figueira pela HarperCollins (2019)
>>> As Irmãs Aguero de Cristina García pela Record (1998)
>>> Não Faça Tempestade Em Copo Dágua no Amor de Richard Carlson pela Rocco (2001)
>>> Um Estudo Em Vermelho - Edição De Bolso de Arthur Conan Doyle pela Zahar (2013)
>>> Eu, Dommenique de Dommenique Luxor pela Leya (2011)
>>> Os Cavaleiros da Praga Divina de Marcos Rey pela Global (2015)
>>> O Futuro da Filosofia da Práxis de Leandro Konder pela ExpressãoPopular (2018)
COLUNAS

Terça-feira, 7/5/2019
Nenhum Mistério, poemas de Paulo Henriques Britto
Jardel Dias Cavalcanti

+ de 2800 Acessos



Nenhum mistério. A poesia em sua crueza. A vida, também, crua e nua. O destino (ou o acaso), é impuro, duro e, no entanto, como não aceitá-lo? Tudo visto de trás para frente parece destino. A poesia, no presente, repensa a existência, em seu duplo valor, de ter sido e de poder ser pensada.

Editado pela Companhia das Letras, em 2018, Nenhum Mistério, de Paulo Henriques Britto, traz uma nota pessimista para seu livro logo na epígrafe da primeira página, da autoria de Emily Dickson: “Não tivesse eu visto o sol/ Sofrível a sombra seria/ Mas a luz de meu deserto/ Terra ainda mais baldia”.

Poemas carregados de reflexões sobre a existência e sua ilusão como campos de possibilidades, com um traço marcado por um rigor perceptível, o do poeta que não se deixa levar na correnteza dos sentimentos, mantendo, a cada verso, a contensão necessária para a sedimentação desses sentimentos e ideias que deles brotam em poemas fortemente concentrados, marcados pelo cinzelamento da linguagem.

O último poema do livro, “Ao sair da sala”, revela a ilusão de um murmúrio discreto, possibilidade da presença, que imediatamente é desvelado em “silêncio quebradiço” numa sala “onde não há o que se ouça” e “não há nada”. Se a ilusão da presença existe é para “desdizer a certeza” do murmúrio que soa ilusoriamente ao ouvido. Esse conjunto de versos vai se ramificando num jogo espelhado de presença e ausência, também existente em outros poemas do livro.

É o que ocorre no primeiro poema, “Nenhuma arte”, onde os deuses dão alguma espécie de presente, que será retirado em seguida, e o jogo de ter, não ter, esperar, não esperar, o que foi, o que não foi, vai criando uma quebradiça linha de esperança- desesperança, mesmo quando já se sabe que “uma solidão/ completa era o capítulo final”. A aceitação de uma espécie de destino se fecha entre os dois primeiros versos do poema e o final do último verso: “Os deuses do acaso dão, a quem nada/ lhes pediu, o que um dia levam embora;/ (...) Os deuses são assim.”

Um dos lastros da consciência da incomunicabilidade (ou impossibilidade de salvação?) como essência da modernidade artística, e do consequente registro apenas dessa impossibilidade (como em Beckett), aparece no poema XIII, onde o “jeito de dizer”, “antes que se esboce”, “já resvalou para o nada”. Vale reproduzir o poema inteiro:

XIII

Como se fosse fácil

achar o jeito de dizer

a frase justa que encerrasse

o que urge tanto esquecer



que antes mesmo que se esboce

a sílaba tão esperada

a palavra – fosse qual fosse –

já resvalou para o nada.



Em vários poemas, o aspecto filosófico e meditativo, concentrado em versos de agudo pessimismo, partem de uma ideia positiva (mesmo que se anunciando como crise) para depois desvelar no descontentamento ou numa ideia de que o mínimo pode ser o máximo. O poema “Da metafísica” é o mais marcante nesse sentido. Os versos “Ser parte de alguém ou algo/ tão grande que não se entenda”, chamam nossa atenção para a fusão de seres, que imediatamente é tachada de “crença’ e/ou “lenda”. Mas essa crença é que “eleva ao sumo quilate/ o caco mais reles da vida.”

Da metafísica



Ser parte de alguém ou algo

tão grande que não se entenda:

toda crença, ao fim e ao cabo,

se resume a essa lenda –



o mais rematado dislate,

coisa jamais entendida,

que eleva ao sumo quilate

o caco mais reles da vida.

O acúmulo de experiências, memórias e seu imediato naufragar existencial marca boa parte dos poemas, mesmo quando se fala diretamente de um caso que nos faz pensar em algum aspecto pessoal ou quando se trata de um objeto do mundo ao qual o poeta se relaciona. A memória, como no poema “Spleen 21/2”, permanecerá não como elemento de preenchimento da alma do homem, mas como algo de que “acumula indiferente”, guardada numa “gaveta emperrada,/ ao qual só será aberta/ na hora errada.”

Entre a esperança e o ridículo, como um hiato constante, há a espera, ou a pressuposição de sua existência. Mas quem vive entre a esperança e o ridículo, sabe que “já não espera mais nada”. É o que o poeta formula em seu poema “Pa(r)químetro”.

As falhas entre o vivido e o lembrado, o não sentido de alguns acontecimentos e a vontade (frustrada) de tornar os afetos algo palpável, a memória cambiante que não firma a experiência – são dessas pequenas erupções de contradições que a poesia de Paulo Henriques Britto se constrói, num exercício entre o dilacerado do existencial e a construção de uma linguagem capaz de suportar as contradições dentro do poema.

Vale encerrar com um poema marcado pelos sinais desse desajuste irrefreável e, ao mesmo tempo, consciente, que sua poesia acumula de verso a (re)verso.

IV



Pode não dar em nada, no final,

mas ao menos não dói. O que é melhor

que nada – fazer nada faz mais mal

do que fazer o mal. (Nada é pior

que o nada.) E se a coisa cansa, não

reclama, que o descanso cansa mais

ainda. Faz das tripas coração

ou coração das tripas – tanto faz,

desde que saia alguma coisa dessa

desgraça, mesmo sem pé nem cabeça,

sem graça, só uma frase de efeito,

um negócio que não queira dizer

nada – nada além do que não puder

não ser dito, por ninguém. (Dito e feito.)



Para ir além:

BRITTO, Paulo Henriques. Nenhum mistério (poemas). São Paulo: Companhia das Letras, 2018.


Jardel Dias Cavalcanti
Londrina, 7/5/2019


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Meu Sagarana de Renato Alessandro dos Santos
02. Domingão, domingueira de Ana Elisa Ribeiro
03. A forca de cascavel — Angústia (FUVEST 2020) de Renato Alessandro dos Santos
04. Manual para revisores novatos de Ana Elisa Ribeiro
05. O espelho quebrado da aurora, poemas de Tito Leite de Jardel Dias Cavalcanti


Mais Jardel Dias Cavalcanti
Mais Acessadas de Jardel Dias Cavalcanti em 2019
01. O reinado estético: Luís XV e Madame de Pompadour - 17/9/2019
02. Dor e Glória, de Pedro Almodóvar - 16/7/2019
03. Rinoceronte, poemas em prosa de Ronald Polito - 8/10/2019
04. Minimundos, exposição de Ronald Polito - 19/3/2019
05. Leminski, estações da poesia, por R. G. Lopes - 9/7/2019


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




SELEÇÕES DE LIVROS
READERS DIGEST
READERS DIGEST
(2019)
R$ 28,00



TATARUGAS NINJAS Nº 1 AO 9
BRIAN LYNCH/ TOM WALTZ
PANINI COMICS
(2012)
R$ 80,00
+ frete grátis



ABANDONO
JOSEPHINE HART
RECORD
(1996)
R$ 6,00



PORTUGUÊS 7º ANO PARA VIVER JUNTOS
CIBELE LOPRESTI COSTA / ELIANE GOUVÊA LOUSADA E OUTROS
SM
(2012)
R$ 17,00



ADIVINHADORES DE ÁGUA
EDUARDO ESCOREL
COSAC & NAIFY
(2005)
R$ 166,13



FROMMERS PORTUGUES - BUENOS AIRES COM PUERTO MADEIRA E TREN DE LA
JÚLIO LOUZADA
JÚLIO LOUZADA(RJ)
(1997)
R$ 26,28



TÓPICOS GERENCIAIS CONTEMPORÂNEOS
VALÉRIA RUEDA ELIAS SPERS
IESDE
(2009)
R$ 12,00



O PODER DOS DONOS - PLANEJAMENTO E CLIENTELISMO NO NORDESTE
MARCEL BURSZTYN
VOZES
(1985)
R$ 13,41



RINDO COM CLAUDIO CUNHA - O ANALISTA DE BAGÉ NO TEATRO
CLAUDIO CUNHA
CFC
(1997)
R$ 7,90



PANTALEÓN E AS VISITADORAS
MARIO VARGAS LLOSA
CÍRCULO DO LIVRO
(1973)
R$ 9,00





busca | avançada
51198 visitas/dia
1,4 milhão/mês