Sinais de Vulgaridade - Parte II | Alexandre Soares Silva | Digestivo Cultural

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COLUNAS

Sexta-feira, 1/11/2002
Sinais de Vulgaridade - Parte II
Alexandre Soares Silva

+ de 7500 Acessos
+ 36 Comentário(s)

A expressão "Um beijo no coração".

Gente que "prestigia o cinema brasileiro"; pior ainda, "prestigia o nosso cinema" ("Gente, se a gente não prestigiar o nosso cinema, quem vai prestigiar?")

A marca distintiva do pseudo: o termo "escritura".

O verbo "passar" em "tal coisa não passa nada de bom", "sua atitude me passou uma confiança..." - ou "acrescentar" em "tal texto não acrescenta nada".

O vulgarismo empresarial "otimizar". O ambiente empresarial como um todo - perto ou longe da maquininha de café.

A palavra "muita" seguida da palavra "adrenalina"; "gente" seguida de "bonita"; "muito" seguida de "louco"; "esporte" seguida de "radical"; "pessoa" seguida de "humana".

A palavra "famosos" como substantivo: "O estilo de vida dos famosos", etc.

Um vulgarismo acadêmico: a conversão de todo nome de autor em adjetivo. "A estética poundiana", "O universo rosiano", etc. (Acredite, não é preciso...)

Outro vulgarismo acadêmico (há muitos; quase tudo que é acadêmico é tão vulgar quanto um bingo): o título de teses. Seguem uma fórmula: Nome Pretensioso: Algo em Algo + Nome de Autor Adjetivado. Por exemplo: Tempo Redivivo: A Experiência do Ego Fragmentado na Obra Rilkeana.

Ainda outro vulgarismo acadêmico, de origem francesa: o uso descontrolado de verbos no infinitivo, no papel de substantivos: "o escrever", "o rir", "a teoria da recepção no ler weberiano", etc.

Strippers brasileiras, com cara de Macabéa, dançando desenxabidamente ao som de George Michael. Propagandas de disque-sexo (grafado, é claro, disk-sexo). Juro que uma vez vi uma em que uma mulher banguela, rolando numa cama, dizia: "Nóis semo perversa". Uma outra, sentada aos pés da cama, olhou para a câmera e disse: "Ai, ai".

Em filmes, a aura religiosa em torno de certos presidentes americanos. Em alguns desses filmes só se vê a nuca do Presidente. (O pequeno Jimmy, vestido de escoteiro, bate continência e diz: "Sim, Sr. Presidente! É pra já!". O Presidente ri benevolamente. Queria ter tempo de jogar beisebol com o pequeno Jimmy, você sabe - ele é um homem simples...)

Romances brasileiros históricos em que D. Pedro solta pum, a Marquesa de Santos arrota, etc. O texto na contracapa desses livros: "uma visão irreverente dos grandes episódios da história nacional, muito diferente daquela que nos foi contada nos bancos escolares", etc.

Buzinas que dizem "Sai da frente". E as pessoas que acham graça disso.

A expressão (juro que ouvi, num discurso político emocionado) "este interiorzão brasileiro de meu Deus".

Em fotografia: foto de mendigo, foto de criança africana com mosca perto da boca.

Filmes em que atores mirins, sinistramente precoces, se mostram bravos ante calamidades ("Oh, Jimmy, você não tem que ser um herói pra mim!")

O desenho jateado da silhueta de uma mulher nua num espelho de motel. Não melhora muito se a mulher for substituída por um cavalo. E os nomes dos motéis: My Flowers, Princesa, Faraó's...

As expressões: "cerva", "loiraça" (em qualquer sentido),"brazuca", "sampa".

Esta vai doer (desculpe): a expressão "Rasga coração".

O uso da palavra "após" ao invés de "depois". Sempre.

Je hais le vulgaire profane et je l'écarte. Pensée d'Horace (Odes, III, 1, 1)

Nota do Editor
Leia também Sinais de Vulgaridade [Parte I], o texto publicado há quase um ano e que deu origem à série.


Alexandre Soares Silva
São Paulo, 1/11/2002


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* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

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COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
1/11/2002
02h04min
Tem outra, também do meio acadêmico,só que é mais fácil de encontrar entre os alunos: trocar o ter por possuir - " Ah,porque a obra Machadiana possui uma atmosfera peculiar e característica das funções sublimares assinaladas pelo ser enquanto indivíduo dentro de um contexto".
[Leia outros Comentários de Daniel Nunes]
1/11/2002
10h17min
Acho que poderia ser acrescentado a novidade dessa eleição em dizer tudo no masculino e no feminino, isto é: Candidatos e candidatas, para deputado e deputada, para governador e governadora. No meu tempo, aprendi que é convenção quando tem masculino e feminino, adotar-se o masculino como indicação do gênero humano. Outro modismo vultar, muito adotado em Brasília é a palavra atores. Os atores envolvidos no processo ... E pior ainda, é o fulano de tal, enquanto cidadão ... UGHHHHH!!
[Leia outros Comentários de Eleutério Langowksi]
1/11/2002
3. ops!
10h35min
Cuidado, Alexandre, a vulgaridade anda à solta. Encontrei um "burguês flaubertiano" num texto seu, recentemente.
[Leia outros Comentários de Dieter]
1/11/2002
14h56min
Mais de três e menos de duas cores no passeio completo; chinelo de dedo; mulher discutindo desempenho sexual em mesa de bar; mulher arrotando; palavrões em geral, salvo quando dirigidos ao computador; qualquer adesivo em vidro de carro; qualquer desivo na lataria do carro; cirurgia plástica (se a pessoa faz para melhorar a aparência, por que não melhora?); mastigar com a boca aberta; beber fazendo barulho; contar o que foi fazer no banheiro; falar o preço do que tem.
[Leia outros Comentários de Ricardo de Mattos]
1/11/2002
15h23min
Aquela quadrilha que estupra e mata a música - qualquer música: Família Lima.
[Leia outros Comentários de Ricardo]
1/11/2002
20h09min
A expressão-Tem a cara do Brasil ou é a cara do Brasil.
[Leia outros Comentários de Daniel ]
1/11/2002
21h22min
Não sei qual sua opinião sobre a a expressão "correr atrás do prejuízo". Dizem que não é correto"correr atrás de um prejuízo" mas, se for para ele nao aumentar qual o problema? Outra coisa, que se não for vulgar é en tediante ouvir, na televisão, o repórter ou apresentador de telejornal dizer: O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva. Votei no Lula. Só acho que não precisa dizer esse vocativo longo várias vezes. Além do que,ainda temos um presidente eleito governando.Bom...
[Leia outros Comentários de Carmen Gomes Simioni]
1/11/2002
22h18min
Alexandre, acho que seria ótimo dividir os casos em duas categorias: (1) situações, como, por exemplo, filmes em que atores mirins... (2) expressões utilizadas, seja em textos, seja no linguajar do dia a dia. Digo isso porque penso que para os casos de situações o máximo que se pode fazer é não nos permitirmos estar em qualquer delas, e para os casos de expressões, seria possível a você, além de citá-las, sugerir alternativas razoáveis. Penso até que, assim, seria possível você retomar todo o assunto e reapresentá-lo de forma mais apetitosa ainda. E sei que poucos poderiam fazer isso tão bem quanto você. Então, fica aqui a minha sugestão. Um grande abraço. Haroldo Amaral
[Leia outros Comentários de Haroldo Amaral]
2/11/2002
9. ?
01h15min
Quem mexeu no meu comentário?
[Leia outros Comentários de Ricardo]
2/11/2002
10h13min
Detesto cruzadas moralistas ou moralizadoras. São imbecilizantes ainda que engraçadinhas.
[Leia outros Comentários de Adalto Alves]
2/11/2002
13h39min
Ih, esta lista não termina mais... Por que "na seqüência" (do qual a a Globo gosta tanto e agora a Folha usa e abusa) e não "em seguida"? Porque problemas "pontuais" (uma adjetivo dúbio) e não problemas "isolados"?
[Leia outros Comentários de Augusto Reis]
2/11/2002
14h31min
Gerundismos irritantes: "Vamos estar encaminhando a proposta"; "Vou estar enviando o parecer". Dá a impressão de algo que vai demorar, e muito. Juro que num evento de informática, ouvi o palestrante demonstrando um programa, disse, entre inacabáveis gerundismos: agora vou 'tar clicando aqui e o programa vai 'tar renderizando a imagem. Onde 'tar é corruptela de "estar". E ainda acham bonito falar assim!!!
[Leia outros Comentários de Carlos Muniz]
2/11/2002
15h42min
É, essa lista TÁ TIPO ASSIM!
[Leia outros Comentários de Eleutério Langowski]
2/11/2002
20h22min
Alexandre seus escritos são ótimos. Fui a uma palestra na FGV em SP e notei o quanto vulgar são as pessoas que se dizem "da elite empresarial e acadêmica". Poderia escrever milhares de linha sobre o que eu - infelizmente - presenciei. Mas... não tenho o seu talento. Gostaria que as pessoas paracem em falar coisas como: "Responsabilidade social"; "vazio ideológico que prevalece em nossa sociedade"; "...esta sociedade de consumo desvairada"; "economia solidária"; "capitalismo selvagem baseado neste modelo neo-liberal - este é o mais idiota de todos na minha humildde opinião - "um novo mundo é possível". Palavras de ordem tão repetidas sem a miníma reflexão. Será que em algum dia voltaremos a ensinar para os jovens como os antigos aristocratas ensinavam para os seus pares? Grego, Latim, História - sem ideologias - os clássicos: Aristóteles, Platão, Sto Agostinho e etc? Fica a pergunta no ar.
[Leia outros Comentários de Sidney Vida]
2/11/2002
20h35min
Retificação: Parassem e não paracem. Desculpem-me, na pressa escrevi errado.
[Leia outros Comentários de Sidney Vida]
3/11/2002
15h22min
Caro Alexandrino, quantos minutos seriam necessários para detectar sua vulgaridade? Ou a minha? Pego o caso da Elis. Em um mundo em que Fafá de Belém, Joana, Ivete Sangalo são consideradas cantoras, por que a senhora do Uísque não deveria gostar de Elis, apesar do repertório em grande parte detestável? Ella também não gravou ruindades inomináveis? O problema da língua: normalmente apresentamos a esposa pelo nome, mas há situações em que "minha esposa" é mal menor, preferível a minha senhora, patroa e o pior: "minha mulher". Atores é jargão de sociologia, assim como agentes é jargão de economia. Em certas situações é preciso usar o termo. Global players tem um poder de síntese que jogador não tem. Curiso, faltou em sua lista: O sujeito é neoliberal, talvez a maior marca de vulgaridade dos últimos 10 anos.
[Leia outros Comentários de José Maria da Silvei]
3/11/2002
22h41min
Hummm... esta lista pode nao acabar nunca, do jeito como as coisas vao... Mas sinto um arrepio especial pelas expressoes "(fulana/o) nao se encontra" e pelo uso e abuso do anglicismo "estar .. fazendo" ('estarei fazendo sua reserva num instante", etc). e suas multiplas e igualmente deleterias variacoes ("eu estarei chamando.." "voce vai estar usando o mini-bar?" e, horror total "estar acessando". Ui!
[Leia outros Comentários de Ana Maria Bahiana]
3/11/2002
23h22min
Pior que isso é o tal A NIVEL DE ... ! Aiiiiiiiiiiiiiii!!!!!
[Leia outros Comentários de Eleutério Langowski]
4/11/2002
00h14min
"Válido" no sentido de razoável ou correta, como em "acho válido esse seu comentário". "Pegar" no sentido de considerar ou pensar. "Vamos pegar o exemplo do livro". "Encaminhamento" em vez de programa. "O encaminhamento do seminário de hoje vai ser o seguinte..." O uso de termos que enfraquecem a veemência com que se defende uma idéia, por medo de parecer arrogante, ou de não soar relativista como todo mundo. Por exemplo: sempre dizer que "acha" alguma coisa, mesmo quando se tem certeza. "Li tudo o que encontrei sobre o assunto, e eu acho que Fulano estava mesmo certo." Ou chamar uma idéia de "proposta". "A discussão estava num impasse, quando vieram Fulano e sua proposta." O uso do adjetivo "revolucionário" como um elogio. Ou para qualificar coisas que, afinal, não são tão "revolucionárias" assim. "Filme revolucionário". "Descoberta revolucionária". E, claro, "proposta revolucionária", que é especialmente aplicado a artistas. "Potencial" no sentido de capacidade. Geralmente precedido do imperativo "acredite". "Acredite no seu potencial". "Vocês precisam acreditar no potencial do nosso Brasil". "Estratosférico" para designar qualquer coisa grande ou alta. "Juros estratosféricos". "Poderes estratosféricos". Ao leitor José Maria da Silveira: "mulher" no sentido de "cônjuge do sexo feminino" é perfeitamente recomendável. O termo é abundantemente usado no Código Civil brasileiro de 1916, redigido por Clóvis Beviláqua e Rui Barbosa, numa época em que as leis ainda eram modelos de expressão portuguesa. "Esposa", rigorosamente, é a noiva e não a mulher.
[Leia outros Comentários de Felipe Ortiz]
4/11/2002
12h07min
Para mim, pior que tudo isso é a língua inglesa usada de maneira exagerada, principalmente por "micreiros" e economistas.
[Leia outros Comentários de Nara]
5/11/2002
09h41min
Caro Alexandre: Interminável a lista: o comportamento politicamente correto, em qualquer nível. A frase, mais do que repetida nessa "ressaca pós-eleitoral" (essa é mais uma frase para a lista!), "a festa da democracia". Sujeitos barbudos e de calcanhar sujo carregando bandeiras vermelhas na Paulista gritando "fora fmi" e cantando Vandré (aliás todo o Vandré). Madames que levam poodles passear no shopping center. O shopping center.
[Leia outros Comentários de Fabio Ulanin]
6/11/2002
01h26min
Viram? Não é divertido? Essa lista nunca acaba - e concordo com a maior parte dos horríveis exemplos listados por vocês. Aos curiosos, eis uma lista feita por Vladimir Nabokov numa entrevista para a Vogue: "...nightclubs, iates, circos, shows pornográficos, os olhos cheios de sentimento de homens nus com montes de pêlos de Chê Guevara em vários lugares...". Obrigado a todos pelos elogios, pelo aumento da lista, ou pela simples leitura e presença. Quanto à sugestão do Haroldo, ele tem provavelmente razão, mas me deu preguiça. Muito ocupado lendo o volume dois do "Mar de Histórias", da Nova Fronteira. Quanto ao Dieter - a única resposta é "eu posso, você não". Quanto ao José Maria, 1)"neoliberal" é uma palavra vulgar - basta dizer "liberal". 2)Releia o que escrevi sobre Elis Regina. A pressuposição de que é obrigatório gostar dela é que é vulgar - não ela (se bem que cada vez que a escuto cantar sobre a volta do irmão do Henfil, sinto um arrepio que não é bem de prazer estético).3)"Minha mulher" é a única forma aceitável. Quem diz "minha esposa" diz "toalete" no lugar de "banheiro". Abraços...Ah, a pergunta do Sidney: é por essas e outras que sou a favor de educar os filhos em casa - e só em casa. Agora sim, abraços - Alexandre Soares.
[Leia outros Comentários de Alexandre Soares]
6/11/2002
10h39min
Esposa é pavoroso, concordo, mas "minha mulher" é o fim da picada. Martinha disse: Favre é meu marido, marido, marido!!! Que falaríamos caso fossemos o Favre: Martinha é minha mulher, mulher, mulher!!! Admitamos que não temos alternativa. O fato é que esta lista é interminavelmente inútil e vulgar.
[Leia outros Comentários de José Maria]
6/11/2002
11h23min
Alexandre, Alexandre, apontar suas contradições faz de mim um incapacitado? Por favor. Notei em outros textos que você não lida bem com as críticas, por menor que sejam. No comentário #3 eu notei a ironia de você incluir na lista de vulgaridades um recurso que você mesmo tinha usado num texto anterior, a saber, a adjetivação de nome de autor. Citei como exemplo o seu "burguês flaubertiano", que apareceu num texto bem recente até. Se você não vê a ironia nisso, está se levando a sério demais. Se você está imune aos vulgarismos do seu texto, não seria melhor mencionar isso no próprio texto? Mas uma afronta ao bom senso desse gabarito? É melhor deixar escondidinha nos comentários... Como já foi mencionado por outros leitores, o grande problema do Digestivo Cultural é não lidar com as críticas, e tratar todos os leitores divergentes como idiotas. Talvez um dia vocês consigam somente elogios para seus textos... é esse o objetivo?
[Leia outros Comentários de Dieter]
6/11/2002
12h42min
Dieter, Dieter. Você acha mesmo que "eu posso, e você não"? Estava brincando. Podemos ambos, é claro. Pode qualquer um, com certo jeitinho. Com certo charme, digamos - charme desculpa tudo. Acho engraçado quando as pessoas pensam (não você, Dieter) que fiz uma lista da qual sou completamente livre, ou da qual me acho completamente livre. A lista de vulgaridades da qual eu mesmo sou culpado talvez seja pequena, mas existe. Vejamos (estou quebrando a cabeça para me lembrar de algo): há um vídeo de Mariah Carey, e outro de Britney Spears, que nunca perco. Já gritei com um caminhoneiro na rua, que é a coisa mais vulgar que poderia ter feito. Que mais? Há momentos em que eu gosto de Charles Aznavour (Santos Deuses!), e outros em que eu canto "Cucurucucu Paloma", para a exasperação do meu irmão. Pronto! Disse! Satisfeito? Volte sempre, Dieter.
[Leia outros Comentários de Alexandre Soares]
6/11/2002
13h01min
Ah! Sim! Embora eu não seja culpado de gostar de nenhum filme de Sylvester Stallone, gosto de vários de Bruce Willis. Satisfeito? Satisfeito em ver um grande homem humilhado? Oh, céus!
[Leia outros Comentários de Alexandre Soares]
7/11/2002
14h39min
Será que o Alexandre também tem vergonha de ser brasileiro?
[Leia outros Comentários de Denise]
7/11/2002
19h34min
Um pouquinho, um pouquinho, Denise.
[Leia outros Comentários de Alexandre ]
8/11/2002
18h13min
A frase "De bem com a vida",seja lá qual for a circunstância em que a dita cuja seja empregada.Mas nem só de frases prontas vive o vasto mundo da vulgaridade.Quem nunca viu,ou mesmo se deparou com pessoas que tem o péssimo hábito de cuspir no chão quando alguém passa ou quando passam por alguém??Será que elas não sabem que houve um dia em que isso era considerado uma grave afronta,comparável a um xingamento?Sei lá,é nessas horas que eu confirmo a minha teoria de que costumes são transmitidos geneticamente por gerações,pois no exato instante em que eu presencio ou sou "vítima"desse hábito animalesco,meus antepassados gritam dentro de mim num coro furioso e me ordenam que eu quebre todos os ossos da cara de uma pessoa que faz isso.Mas talvez isso nem entre na lista de vulgaridades.Ficaria muito bem na lista dos atos primitivos e animalescos-Anota a sugestão Alexandre!!!
[Leia outros Comentários de Daniel Nunes]
10/11/2002
17h05min
Caro Alexandre, parabéns. Passei algumas proveitosas horas ontem lendo seus textos, que recomendei entusiasticamente no meu bloguinho de notícias (hsjonline.blogspot.com). Você ganhou um leitor entusiasmado, e espero que todos os quatro leitores do meu blogue estejam estando entrando em contto com o senhor, senhor. :)
[Leia outros Comentários de Carlos Ramalhete]
12/11/2002
17h34min
Daniel, concordo completamente. E as pessoas que viram sem dar seta? As que não respondem a um bom-dia? Que entram num restaurante gritando ao celular? Que falam palavrão perto da sua mãe? Enfim - e as pessoas da espécie Homo Eurico Midandensis? Também meus antepassados gritam para mim que o duelo é uma coisa boa e devia voltar.../ E Carlos: muitíssimo obrigado. A julgar pelo número de acessos que vieram para cá via o hsjnoticias, você tem bem mais leitores do que simplesmente quatro. Parabéns pelo blog, e me avise o que aconteceu com o padre comunista...Um abraço - Alexandre.
[Leia outros Comentários de Alexandre ]
12/11/2002
23h46min
Voltando ao assunto "vergonha de ser brasileiro", senti essa vergonha no metrô, quando quatro norte-americanas entraram no vagão. A maneira como os brasileiros a tratavam - cedendo os seu lugares nos assentos, segurando suas bolsas com gentileza - me deixou enjoada. Nunca vi brasileiro ser gentil e educado com brasileiro. Por que endeusar tanto outra cultura e nao valorizar um pouco a nossa? Será que não merecemos um assento oferecido só por gentileza? Não merecemos um pouco mais de cuidado por parte de nossos vizinhos? (mesmo sendo vizinhos temporários, os do metrô) É por estas e outras coisas que observo (como o pessoal que ainda joga lixo pela janela do carro) que sinto vergonha de ser brasileira sim. Infelizmente. Porque essa vergonha me dá uma grande sensação de impotência e falta de liberdade.
[Leia outros Comentários de Denise]
18/11/2002
22h29min
Caro Alexandre, não contive minha alegria ao ver a seqüência da primeira lista, que já havia sido um "estabelecimento" em termos de vulgaridade. Excelente. Só gostaria de acrescentar algo que me dá calafrios que é o fato de tratarem a cabeça como uma entidade à parte para elogiar alguém, como "fulano tem a cabeça boa", "fulano tem a cabeça excelente", ou melhor ainda... "ele tem uma puta cabeça"... o que é isso? Vida longa à sua lista!
[Leia outros Comentários de Marcia Espinosa]
18/11/2002
23h12min
Exato! E sabe o que é ainda pior? Quando colocam "cabeça" no diminutivo: "ela tem uma cabecinha tão boa...", etc. Não é? Obrigado pela visita, Marcia. Pensava que essas coisas só doíam em mim. E você também, Denise! Voltem sempre.
[Leia outros Comentários de Alexandre]
18/11/2002
23h18min
Epa, epa. Nenhuma conotação gay na cabecinha que dói em mim. Achei melhor explicar. Abraços - Alexandre.
[Leia outros Comentários de Alexandre]
21/11/2002
22h59min
Pessoas que dizem não ter tempo para ler, mas passam horas em academias de ginástica "malhando". O verbo malhar, que, apesar do Aurélio citá-lo como gíria para mim continua significando espancar. Há outra definição para malhar que é o fato de juntar o gado para pastar num canto do cercado. Talvez seja por isso... Pessoas que levam a babá para cuidar das crianças no restaurante aos domingos. Ora, domingo é dia de folga! E se a coitada foi "convidada" a almoçar com a família, por que tem de estar devidamente uniformizada? Com certeza ela preferiria estar correndo atrás dos filhos dela na casa dela. Será que é tão insuportável assim cuidar dos próprios filhos pelo menos aos domingos? É difícil falar em vulgaridade sem abranger a falta de educação e o mau gosto. Ou talvez tudo isso seja besteira. E para terminar no "bom tom" da coluna, vou ser bem vulgar e fazer uma citação: "Nós deveríamos guardar as cores da vida, mas nunca nos lembrarmos dos detalhes. Os detalhes são sempre vulgares"* Oscar Wilde Abraços *Não sei se a tradução é exatamente essa.
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