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Quarta-feira, 6/11/2002
Em Alguma Margem, no Rio
Rennata Airoldi

+ de 1700 Acessos

O Homem vive hoje, um movimento constante e intenso em seu cotidiano. Cada vez mais, nos distanciamos de nós mesmos. E isso vale não só para moradores de uma metrópole, de uma grande cidade: o ser humano poucas vezes pára diante de um espelho e se questiona; se enfrenta; se descobre. Sem máscaras ou desculpas. O homem simples pode fugir de si, tanto quanto um homem culto. Os medos e os desafios mais íntimos são sempre os mesmos em todo mundo.

Destino. Bate à porta a todo momento e se apresenta de mil e uma formas. Na peça: "Em Alguma Margem, no Rio", de Viviane Dias, com direção de Jairo Mattos, temos um homem e seu destino. Paulo Barcellos é um homem do sertão, que sai com sua canoa, rio abaixo, e acaba por ficar preso num troco de árvore. Diante da inércia, não resta mais nada senão redescobrir a si mesmo; repensar seu caminho percorrido até ali. Diante de seus olhos, a paisagem do rio se confunde com os delírios de sua verdadeira essência.

Temores, paixão e o peso da culpa. Nada que não seja familiar a qualquer ser humano. E é assim que, aos poucos, aquele solitário jagunço, preso numa pequena canoa, vai trazendo à tona toda a sua tragetória. Tudo muda em sua vida ao encontrar aquela que imaginava ser o seu grande amor: Jussara! O destino bateu à sua porta em forma mulher. Jussara, porém, era a mulher de Jacinto, cabra valente, chefe do bando. Mas, aos poucos, as coisas mudam de lugar. Ah, quem descobre seu verdadeiro amor, não quer mais largar... quer amarrar braços, pernas, o peito, tudo tão preso para nunca mais soltar...

Um homem e uma idéia na cabeça. Coisas que acontecem sem nenhuma explicação. Como vozes que nos atordoam sem que possamos questionar. Quem nunca teve vontade de sair pelo mundo sem destino? Assim, sem ao menos saber onde começa ou onde termina o caminho? O homem, ali na canoa, andando... Para frente e para trás... Repensando sua vida... Um homem simples, como cada um de nós, quando nos tornamos apenas carne, osso e sentimento.

É uma tarefa árdua estar sozinho em cena. Um monólogo assusta, muitas vezes, tanto o ator quanto o público (embora esse supunha ser impossível não se deixar abater pela monotonia...) Porém, a presença do ator ali, num pequeno foco, sob uma pequena canoa, já nos remete à imensidão do rio e do nada que está à nossa volta. Essa sensação de abandono é muito bem trabalhada na peça. O texto não-linear também ajuda a fazer com que o espectador acompanhe mais atentamente o raciocínio do personagem. Além disso, a trilha-sonora mantém o clima e a ambientação.

Na verdade, o personagem acaba contracenando com o tronco, a canoa e todos os seres inanimados e imaginários que ganham vida através de seus delírios e questionamentos. Engraçado essa ingenuidade do homem simples, que, diante de questões tão complexas, faz com que elas pareçam banais. E nós, homens da cidade, ainda mais covardes diante de nossas próprias vidas.

A direção e a atuação são determinantes para o resultado final do espetáculo. Ações e gestos definidos, dentro de um pequeno espaço, são ricamente preenchidas de sentimento e muito bem usados pelo ator. Há momentos comoventes. É como ter diante dos olhos um sertanejo contador de histórias. O texto também é bem rico e dá suporte à ação cênica. Apesar de ser o primeiro texto da autora, tem força, peso, e traz referências do rico universo de Guimarães Rosa, que foi seu ponto de partida.

Como sempre, é preciso dizer que há muitas formas de se fazer teatro, muitas maneiras de se dizer o que pensamos. Assim, quando existe uma unidade na peça, uma proposta clara e precisa, executada de maneira conjunta entre todos os elementos que compõe a cena, é sempre muito agradável assistir. Principalmente quando somos levados a nos questionar junto com o personagem em cena. Esta é a última semana para assistir...

"Em Alguma Margem, no Rio" - A peça está em cartaz no Teatro Àgora. Sextas e sábados às 21hrs., e domingos às 20hrs. (R. Rui Barbosa, 672, tel.: 3284- 0290).


Rennata Airoldi
São Paulo, 6/11/2002


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