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Domingo, 3/12/2017
Bitcoin, smart contracts, blockchain, cryptoassets
Julio Daio Borges

+ de 700 Acessos

Não me lembro de quando ouvi falar, pela primeira vez, em Bitcoin. Mas o fato é que sua valorização, neste ano, começou a chamar a atenção.

Tanto que comecei a pesquisar não só o Bitcoin, mas as demais “criptomoedas”, como o Ether(eum), e acabei me envolvendo com o assunto.

Até porque descobri que é um novo mundo - talvez uma nova internet -, e não basta “dar uma lida” nos verbetes da Wikipedia.

Mesmo assim, decidi escrever um primeiro texto - “geral” -, com o que já aprendi, para - depois - me aprofundar em cada tópico...

Hoje vou falar - além de Bitcoin - dos chamados “smart contracts”, do blockchain - a infraestrutura do Bitcoin - e dos “cryptoassets” ou ativos “crypto”.

Bitcoin

Reza a lenda que o Bitcoin remonta à crise financeira de Setembro de 2008. Já no início de 2009, um especialista em criptografia, desiludido com o sistema financeiro, publicou um “paper” - onde sugeria a criação de um tipo de “dinheiro eletrônico”, peer-to-peer (ou “ponto a ponto”), sem intermediação.

O problema de ativos digitais é que podem ser replicados indefinidamente. Pense num arquivo que você pode copiar quantas vezes quiser. (Foi o que acabou com a indústria fonográfica.)

Para resolver esse problema, Satoshi Nakamoto, o criador do Bitcoin, imaginou um “ledger”, ou um “livro razão” eletrônico - onde as transações em Bitcoin ficariam registradas, desde a primeira, em “blocos”, armazenados em todos os “nós” da rede.

Assim, cada Bitcoin reproduz, em si, toda a cadeia de transações desde a primeira - impedindo que Bitcoins sejam duplicados e garantindo que o sistema funcione de maneira descentralizada (prevenindo fraudes).

A esse sistema de blocos “em cadeia”, chamaram, justamente, “blockchain”. Um hacker que quisesse atacar o “ledger”, ou o “livro razão”, teria de atacar a rede inteira, ou a maior parte dela - algo praticamente inviável.

Um hacker, na verdade, teria mais incentivo para *colaborar* com a rede do que para atacá-la. São os “miners” ou “mineradores” - que cuidam da infraestrutura do Bitcoin e, para tanto, são pagos... em Bitcoin.

Além do blockchain não permitir duplicação, e inibir fraudes, Satoshi Nakamoto previu uma espécie de “escassez” eletrônica - de modo que não serão criados mais que 21 milhões de Bitcoins, nesse processo de “mineração”.

Na realidade, a cada ano que passa, a quantidade de Bitcoins produzida na “mineração” diminui - até um ano em que nenhum Bitcoin novo será gerado e, no máximo, serão 21 milhões de Bitcoins em circulação. (Daí em diante, os mineradores receberão apenas “comissão” - por cada transação bem-sucedida.)

Resumindo: um ativo digital que não pode ser duplicado - e que é escasso. Dois princípios que explicam, em parte, a valorização do Bitcoin.

Altcoins

Mas essa história de “blocos” tem lá as suas limitações... Aí entram as “altcoins”, ou moedas alternativas, que buscam “aperfeiçoar” o que não funciona tão bem no Bitcoin - ou que os “miners” de Bitcoin relutam em mudar (“para melhor” ou “para pior” - depende do ponto de vista).

Um problema, por exemplo, é o tempo para transferir Bitcoins: de 15 minutos - considerado rápido em relação à rede bancária internacional (imagine uma transferência em dinheiro para o exterior); mas considerado “lento” em relação a cartões de crédito e de débito.

Uma discussão que deriva disso é se o Bitcoin deve ser um “substituto” para o ouro - se deve apenas “estocar” valor -; ou se ele deve ser, efetivamente, um “electronic cash”, ou o dinheiro eletrônico que Satoshi Nakamoto imaginou.

Porque, para comprar um café no Starbucks - um exemplo clássico -, uma transação não pode demorar 15 minutos para acontecer. Por outro lado, para substituir ouro, por “ouro eletrônico”, os 15 minutos não incomodam tanto.

Outro problema, além da “demora” da transação, é o tamanho dos blocos. Existe uma corrente, entre os entusiastas do Bitcoin, que alerta para o crescimento acelerado dos blocos de transações - advogando que o tamanho dos blocos deve ser “aumentado” antes que seja tarde (antes que o sistema sofra uma pane).

As altcoins, ou moedas alternativas ao Bitcoin, surgem para preencher esses requisitos (de maior velocidade nas transações, de blocos maiores, entre outras demandas).

O Bitcoin Cash, por exemplo, alega que tem um “tempo de transferência” menor (que o Bitcoin original). A moeda Monero, outro exemplo, se preocupa mais com privacidade. A moeda Dash diz ter uma solução para a queda no número de “nós” ativos na rede do Bitcoin. E assim por diante...

Cada altcoin tem uma proposta diferente - e vem, supostamente, preencher um “gap” do Bitcoin.

Logo, cada moeda que se coloca como “alternativa”, acaba se valorizando também (se é bem-sucedida no que se propõe a fazer...).

Uma pergunta que o “mercado” já faz é: qual será a “próxima” Bitcoin? No seguinte sentido: qual moeda, saindo de uma valorização baixa, vai alcançar os milhares de dólares de valorização do Bitcoin?

Tolkens

E as criptomoedas têm uma outra função (além das que eu citei... que, de certa forma, querem “competir” com o Bitcoin):

São as chamadas “tolkens” ou “utility coins”. São moedas que, além de ter um valor, servem para alguma coisa - têm alguma “utilidade”.

Por exemplo, a Filecoin. O grupo que criou a Filecoin pretende substituir a infra-estrutura da internet por “blockchain” (porque uma rede descentralizada, e criptografada, seria mais segura...).

Assim, se você quiser contratar os serviços dessa empresa no futuro - em vez de usar o Dropbox ou o Google Drive (redes *centralizadas*) - você poderia pagar com Filecoins, a moeda desse projeto.

ICOs

O que tem ocorrido, agora, é que uma empresa nova, ou startup, antes de começar, publica um “white paper” (uma espécie de plano de negócios) e lança uma “moeda” própria.

Em vez de procurar investidores, como acontecia tradicionalmente, essa empresa, ou esse projeto de empresa, vende a sua moeda para qualquer pessoa que tenha interesse em investir nela...

Algo como uma IPO, ou oferta inicial de ações, em bolsa - mas com moedas, e sem vender necessariamente participação, algo que ganhou o nome de “ICO” (Initial *Coin* Offering).

Hoje, além das criptomoedas em circulação, mais de mil no momento em que escrevo, inúmeras outras estão sendo lançadas, ou têm o seu lançamento programado, com seus respectivos projetos...

Como as ICOs, em 2017, já levantaram milhões de dólares, e como o Bitcoin teve uma valorização de mais de 1000%, neste ano também, começou uma verdadeira corrida do ouro.

Conclusão

É uma bolha? Vai explodir? Vai desvalorizar?

Ninguém sabe.

O que eu acho, particularmente, é que a infraestrutura do blockchain, e dos “smart contracts” (os contratos eletrônicos), no “ledger”, ou livro razão, vieram para ficar.

O que eu acredito que vai acontecer é que essa “troca de infraestrutura”, da internet, e do sistema financeiro talvez, vai gerar muitas oportunidades, muita riqueza e lançar novos “players” no mercado.

Do mesmo jeito que temos Apple, Amazon, Google e Facebook... podem surgir outras empresas - com infraestrutura descentralizada, baseadas em blockchain.

Eu poderia ficar aqui “fazendo brainstorm”, imaginando as mil e uma aplicações do blockchain, das criptomoedas, dos “cryptoassets” (ou ativos “crypto”)... mas prefiro deixar você “digerindo” os conceitos que eu apresentei.

Como disse no começo: para mim é um mundo novo, que estou gostando de acompanhar, quem sabe participar ativamente (no futuro)... - mas, por enquanto, como você, quero me inteirar e saber qual será o nosso lugar nisso tudo.

Para ir além
"Blockchain Revolution, o livro - ou: blockchain(s)"


Julio Daio Borges
São Paulo, 3/12/2017


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