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Sexta-feira, 9/1/2004
A Morte da Ficção?
Daniel Aurelio

+ de 3500 Acessos

Há na literatura uma tendência atual, tão arriscada quanto salutar, de incorporar ao estudo de cunho sociológico certo ritmo ficcional. É um sincretismo fundamental nada predatório: o público passa a saborear conhecimento científico temperado com o talento do escriba de boa cepa; os editores de livros, com o sucesso do estilo, contam com caixa suficiente para novas investidas, às vezes bem experimentais; e a pomposa academia pouco a pouco se vê obrigada a despir-se da auto-indulgência, tão burra quanto o mais volúvel dos paladinos da mediocracia.

Em um mundo saturado de textos e superpovoado de informações banais, no qual a subjetivação artística perde espaço e força para a tal vida como ela é (seja lá como ela for), principalmente na literatura adulta e no cinema, este é um "novo gênero" a ser saudado. Sua produção tem como vértices principais a habilidade da palavra e o instinto investigativo, e atira às prateleiras uma certa descentralização que não preocupa. Ou não deveria preocupar, já que é apenas uma projeção natural da espécie. Não há mais a figura clássica do escritor. Entre o nauseante cenário penitenciário descrito por Drauzio Varela e as fanfarronices de Marcelo Mirisola, fico, sem piscar, com o primeiro.

Vamos lá, então: qual seria o grande contista ou romancista nacional?

Ainda são os mesmos, é verdade. Deuses repetindo fórmulas, desbotados: Sérgio Sant´Anna, Dalton Trevisan e Rubem Fonseca. Com exceção de Torero, Bonassi, Aquino, Bressane e meia dúzia de abnegados, a classe está aos pedaços. Desfragmentada - e na pior significação possível. Os últimos lançamentos de Bernardo Carvalho e Milton Hatoum, nossos melhores escritores contemporâneos, já namoram a vertente. E Simone Campos, a salvação precoce, aquela que poderia apontar um novo caminho para a ficção, evaporou-se junto com seu saudado e maravilhoso debute.

Como se sabe, literatura e sociedade caminham juntas desde o princípio. Na liturgia cristã, foi o Verbo quem desencadeou-nos. A Odisséia de Homero, como a Divina Comédia de Dante, é atemporal. Os românticos do séc. XIX (possivelmente o último dos grandes movimentos literários), Goethe, Zola e Balzac não escreviam paraísos infernais em prosa por outra razão. O modernismo veio para confundir e o pós qualquer coisa idem e ibidem. No começo dos anos 90, já não se sabia mais distinguir um romance de um livro histórico. A Internet os fuzilou.

Evolucionismo literário? Não, em absoluto. Mas eu é que não vou perder meu tempo com o efeito placebo de Mirisola. Uma obra-prima contemporânea é mais próxima do universo lírico-chocante de um Paulo Lins. É duro admitir: imaginar, no momento, é artigo de perfumaria. Recriar, reconstituir ou reportar o caos são as palavras de ordem. E não me peça um juízo a respeito. É muito cedo. Por ora, é uma constatação.

Claro, é preciso estabelecer um critério mínimo de qualidade, sob o risco de qualquer blog ser elevado a condição de arte. Afinal, quer maior realismo que as crises rasas, brigas conjugais, namoricos e (falta de) personalidade camuflada em patéticos pseudônimos? (Inacreditável séc. XXI: diários íntimos no ar, para todo o planeta, em época de extremado individualismo.) As reminiscências e impressões do José Luis Datena não podem, sob nenhum ângulo, serem comparadas à fineza de Estação Carandiru (1998), surpreendente comunhão entre público e crítica. Um alento: no final, continua a prevalecer o prodígio do texto. A temática não carcomerá jamais o seu núcleo.

É aqui que nasce, abençoada pelas águas do Rio São Francisco, a cearense Peregrina Cavalcante. Cientista Social, a catedrática é uma prosadora rica e nos premiou duas vezes: com uma pesquisa irrefutável e um livro brilhante, publicado pela editora "A Girafa", do festejado editor Pedro Paulo de Sena Madureira. Ironicamente, Madureira é um dos últimos publishers tradicionais, de veio erudito maior que o tino comercial. O ex-Siciliano, entretanto, acertou em cheio ao apostar em Como se fabrica um pistoleiro, tese de doutorado de Peregrina sobre a folclórica figura dos justiceiros nordestinos e narrada como um legítimo romance neo-regionalista, com dados estatísticos a servir de estofo para sua jornada delirante.

Veja que pouco importa a profissão do autor: do médico cancerologista-pop ao jornalista, do antropólogo ao músico, a poeira da realidade não pára de subir. Se o sensacionalismo, esse câncer televisivo, expõe o real como um tapa na cara irrefletido, torto e sem profundidade, ao transpor-se determinada "vida vivida" em papel, o resultado é nada menos que belo, como um velho romance: o tempo haverá de fazer-lhes justiça.

O fruto indireto desse gênero é de tal modo intenso, que alguns dos últimos lançamentos que mereceram destaque (pela originalidade) na imprensa não passam de seções de exorcismo e culpa meta-lingüística: O Prazer de Decepcionar, de Eduardo Fernandes, e O Cabotino, de Paulo Polzonoff Jr. são desencantados livros de não-romancistas, detectores de impostores e cretinos. Eduf e Polzonoff, dois dos autores mais promissores e antenados da geração cibernética, apresentam-se assim, como destruidores de mitos fajutos. É ou não é o tempo de se discutir papéis sociais, escalas hierárquicas, o celestial e o profano?

Como não pensar o que será da arte no final deste século, quando formos apenas pó e algum espólio? Ou seja: num futuro próximo, os maiores escritores serão os prosadores de si e seu meio, sem floreios?

(Tudo bem, o fato é irreversível e incontornável, a minha discussão é inócua por ineficaz, mas o livro de Peregrina é tão bom e agradável que me suscitou o desabafo proto-ensaístico).

Para ir além






Daniel Aurelio
São Paulo, 9/1/2004


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