Com pouco peso | Eduardo Carvalho | Digestivo Cultural

busca | avançada
89721 visitas/dia
2,7 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Castelo realiza piqueniques com contemplação do pôr do sol ao ar livre
>>> A bailarina Ana Paula Oliveira dança com pássaro em videoinstalação de Eder Santos
>>> Festival junino online celebra 143 da cidade de Joanópolis
>>> Nova Exposição no Sesc Santos tem abertura online nessa quinta, 17/06
>>> Arte dentro de casa: museus e eventos culturais com exposições virtuais
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Ao pai do meu amigo
>>> Paulo Mendes da Rocha (1929-2021)
>>> 20 contos sobre a pandemia de 2020
>>> Das construções todas do sentir
>>> Entrevista com o impostor Enrique Vila-Matas
>>> As alucinações do milênio: 30 e poucos anos e...
>>> Cosmogonia de uma pintura: Claudio Garcia
>>> Silêncio e grito
>>> Você é rico?
>>> Lisboa obscura
Colunistas
Últimos Posts
>>> Cidade Matarazzo por Raul Juste Lores
>>> Luiz Bonfa no Legião Estrangeira
>>> Sergio Abranches sobre Bolsonaro e a CPI
>>> Fernando Cirne sobre o e-commerce no pós-pandemia
>>> André Barcinski por Gastão Moreira
>>> Massari no Music Thunder Vision
>>> 1984 por Fabio Massari
>>> André Jakurski sobre o pós-pandemia
>>> Carteiros do Condado
>>> Max, Iggor e Gastão
Últimos Posts
>>> Virtual: Conselheiro do Sertão estreia quinta, 24
>>> A lei natural da vida
>>> Sem voz, sem vez
>>> Entre viver e morrer
>>> Desnudo
>>> Perfume
>>> Maio Cultural recebe “Uma História para Elise”
>>> Ninguém merece estar num Grupo de WhatsApp
>>> Izilda e Zoroastro enfrentam o postinho de saúde
>>> Acentuado
Blogueiros
Mais Recentes
>>> A literatura contra o sistema
>>> Asia de volta ao mapa
>>> Uma vida para James Joyce
>>> As Classes e as Redes Sociais
>>> Crônica de um jantar em São Paulo
>>> Defesa eloqüente do Twitter
>>> Robinson Shiba do China in Box
>>> Margarita Paksa: Percepção e Política
>>> A primeira ofensa recebida sobre algo que escrevi
>>> Perguntas sagradas
Mais Recentes
>>> Noli me tangere e poemas selecionados de José Rizal pela Ex libris (1886)
>>> América Pré-colombiana de Joathan Norton Leonard pela José Olympo (1967)
>>> Lixo e limpeza urbana: entender para educar. de Emílio Maciel Eigenheer e João Alberto Ferreira pela UERJ: Depext (2011)
>>> Enciclopédia dos Museus. Museu de Belas-artes Boston de Diversos Autores pela Mirador (1969)
>>> Fumar ou não fumar. A decisão é sua. de Lair Ribeiro pela Prestígio (2001)
>>> 70 Anos - Gerações a Serviço da Advocacia de Aasp. - Associação dos Advogados de São Pauço pela Dba (2013)
>>> A Droga da Obediência de Pedro Bandeira pela Moderna (1997)
>>> The heart of the city towards the humanisation of urban life de Varios Autores pela Lund humphries (1952)
>>> Bagagem de Adélia Prado pela Record (2012)
>>> Dicionário de Símbolos de Jean Chevalier Alain Cheerbrant pela José Olympio (1991)
>>> Figuras de Linguagem, Col. Tópicos de Linguagem, Gramática de Hélio de Seixas Guimarães e Ana Cecília Lessa pela Atual (1988)
>>> O Ritmo da Vida de Matthew Kelly pela Sextante (2006)
>>> Kama Sutra para lésbicas. Para viver livremente a sexualidade. de Alicia Gallotti pela Planeta (2005)
>>> Operação Cavalo de Tróia 5 - os Outros Mundos de J. J. Benitez pela Mercuryo (1996)
>>> Folclore do Brasil de Luís da Câmara Cascudo pela Fundo de Cultura (1967)
>>> O Ladrão de Raios - Percy Jackson e os Olimpianos Livro Um de Rick Riordan pela Intrínseca (2009)
>>> O Ponto Cego de Lya Luft pela Record (2004)
>>> Um Jogo Chamado Futuro de Douglas Rushkoff pela Revan (1999)
>>> América Pré-colombiana de Joathan Norton Leonard pela José Olympo (1967)
>>> Vampiros Emocionais - Como Lidar Com Pessoas Que Sugam Você de Albert J. Bernstein pela Campus (2001)
>>> Mesopotâmia: o Berço da Civilização de Samuel Noah Kramer pela José Olympio (1969)
>>> Alimentos Prejudiciais como Substituí-los de Rômulo França pela Do Autor (2008)
>>> Deus quer que Você seja Feliz de Fábio Teruel pela Do Autor
>>> Antologia Mediúnica do Natal de Francisco Cândido Xavier pela Feb (1943)
>>> Como Evitar Preocupações e Começar a Viver de Dale Carnigie pela Companhia Nacional (1987)
COLUNAS

Sexta-feira, 14/1/2005
Com pouco peso
Eduardo Carvalho

+ de 8000 Acessos
+ 5 Comentário(s)

I

Brugges, na Belgica: uma das minhas cidades preferidas

Há dois meses não publico minha coluna. Os leitores reclamam. Devo uma explicação. Tenho várias. E várias boas notícias também.

O semestre passado foi exigente e estimulante. Precisei acabar as últimas matérias da faculdade. Apareceram, ao mesmo tempo, várias novidades no estágio. Planejei, além disso, uma temporada na Universidade de Oxford, onde estou agora. Esses três fatores, acumulados, nem sempre me deixaram dormir bem. E ainda temos as obrigações normais de, como dizem, um bom filho, que me esforcei para manter: vários esportes, pequenas viagens, muitos jantares.

Mesmo com pouco sono, porém, acordei bem. Minha formatura está marcada para março. Deixo, assim, meu período universitário, que durou mais do que devia. Mas valeu a pena: principalmente pelos momentos que vivi longe da faculdade. Foram muitos: em Cuiabá, em Havana, em Vancouver, em Moscou, no Tocantins, no Alasca, em Roma, em Nova York, em Varsóvia, etc. E em São Paulo, claro, também. Afinal, acabei descobrindo, nos lugares mais distantes - nas piores estradas e nos mais agradáveis restaurantes -, que sempre carrego eu comigo mesmo. Melhor que a bagagem seja leve, portanto.

Carregando pouco peso, então, cheguei na Bélgica, há quinze dias. Em Knokke, para ser preciso: uma cidade que está fora do roteiro de qualquer turista brasileiro. A cidade, quase uma vila, à beira do mar do Norte, é uma espécie de Beverly Hills belga. O que, portanto, significa que não é cafona como Bervely Hills, apesar de van Dame estar lá todo verão. As casas tem nomes inesperados: como Dom Quixote e Peer Gynt, personagens favoritos de quem se interessa por literatura. Quase todos os restaurantes da cidade são excelentes, mas, ainda assim, é bom você ter alguma recomendação confiável, se quiser experimentar a culinária local: uma mariscada gigantesca.

Os melhores lugares de Knokke - ou os mais engraçados, pelo menos - estão escondidos. Como um restaurante perto da floresta, onde, depois da meia noite, a música começa a tocar: e o público local - de, na média, quarenta anos - começa a dançar. O Ministro de Interiores da Belgica, quando eu estava la, só observava o movimento. Não é exatamente o tipo de lugar em que pretendo estar, daqui a vinte anos, numa terça-feira à noite, mas o ambiente, pelo menos, é curioso.

É curioso também que a Bélgica, além de Bruxelas, seja desconhecida por brasileiros. Não deveria. Brugges e Genth, por exemplo, estão entre as cidades mais bonitas da Europa. Tem, aliás, todas as qualidades de Amsterdam - arquitetura medieval, canais abertos e limpos, museus excelentes -, sem os defeitos de Amsterdam: turismo trash, principalmente. E são menores, mais simpáticas, mais charmosas. Brugges - que está entre as minhas cidades favoritas - tem bares e restaurantes maravilhosos. Não me perguntem os nomes: estão até na praça principal, ou escondidos em becos, em ruas estreitas - como o menor bar da cidade, uma preciosidade apertada e engraçada, onde fui num aniversário. E Genth, neste Natal, estava especialmente decorada e iluminada. A impressão, numa noite de inverno - quando pais passeiam com carrinhos de criança e meninos correm pelas ruas - é a de que o mundo não tem problemas. E tem?

II

Oxford

Estou em Oxford há quatro dias. Passei o ano-novo em Antuérpia, na Bélgica, ancorado no porto - com os fogos estourando em nossa volta - e passei quase uma semana, depois, em Paris. Mas todo mundo sabe como é Paris: ou já foi ou já leu sobre, e é aquilo mesmo. Assisti, no boulevard St. Germain, a Dias no Campo, de Raul Ruiz: um filme bonito, de um diretor que, depois de O Tempo Redescoberto, não precisa fazer mais nada. É divertido ver que ainda existe, em Paris, esses intelectuais típicos, com jaqueta de couro e cabeludos, que se escondem na cadeira de um cinema escuro - como se isso lhes turbinasse o pensamento. Mas as meninas interessadas por filmes delicados, sensíveis, também estavam lá. Foi mais uma escala, essa passagem por Paris, para rever a cidade e me preparar, espiritualmente, para os estudos em Oxford - onde passarei, a partir de agora, mais ou menos um mês.

O St. Cross College, onde estou hospedado O St. Cross College, onde estou hospedado, fica no centro de Oxford. No meu quarteirão estão, em uma esquina, o Ashmoleam Museum, uma atração imperdível para estudantes de civilizações clássicas - com várias peças, por exemplo, coletadas e doadas por Lawrence da Arábia, que também estudou aqui; ao lado esquerdo do meu prédio, a três casas, está o pub The Eagle and the Child, onde o grupo de C.S. Lewis e J.R.R. Tolkien se reunia para conversar sobre a Idade Média - conversas que estimularam a imaginação de Tolkien, enquanto escrevia O Senhor dos Anéis.

A vista do apartamento em que estou hospedado é a fachada do St. Johns College, o mais rico da Universidade. As janelas do meu apartamento, em formato de vitral de igreja barroca, são parcialmente encobertas, no meu quarto, pelos retângulos que decoram a fachada do St. Cross, como em um castelo medieval. Duas capelas, de aproximadamente quatrocentos anos, estão dentro de St. Cross, e tenho quase que atravessá-las quando chego no college.

O St. John's College, em frente ao meu flat A Universidade de Oxford tem quase 900 anos. Os 35 colleges que a compõe foram fundados em diferentes períodos - mas existe, entre a maioria dos prédios, uma harmonia, uma certa unidade entre suas diferentes fachadas. O St. Cross é um college pequeno, e está instalado num prédio relativamente novo - de quase trezentos anos, no estilo convencional da Universidade: com seus tijolos cor de mel e uma porta pesada e enorme, de madeira, sempre fechada. Para quem já assistiu ao Inspetor Morse, filmado em Oxford, o ambiente pode ser assustador. Eu nunca assisti. Quando chego no college, à noite, abro, com um chip, essa porta de uma tonelada, e subo uma escada de pedra. Atravesso corredores labirínticos, com gravuras da Universidade nas paredes, e fotos de estudantes antigos, e as luzes, enquanto ando, se acendem automaticamente.

Os jardins de Oxford - especialmente dentro dos colleges - são impecáveis. O de St. Cross, por exemplo, é dividido por arcos, em duas partes, no centro do college, para onde a sala de estar e os escritórios têm vista. Os jardins mais bonitos de Oxford, aliás, devem ser os do Magdalen College, onde estudaram Oscar Wilde e Vinicius de Moraes, à beira do Rio Cherwell e em frente ao Jardim Botânico da Universidade. Num passeio pela beira do rio, atrás da residência dos estudantes, lembramos de Vinicius, aos 24 anos, pulando a janela do seu quarto, à noite, para se encontrar com a Tati, que veio lhe visitar.

Oxford, para um estudante, é talvez o melhor ambiente do mundo. Você anda pelas ruas, e parece que todos os habitantes têm entre 20 e 30 anos - exceto os professores, que, aliás, têm normalmente a cara e o estilo de um professor de Oxford, incluindo a bengala. Você olha, pelas janelas, o interior das salas dos colleges, e estão todas cheias de livros, do chão ao teto. Oxford oferece, ao mesmo tempo, um ambiente vibrante e aconchegante. No bistrô em que janto às vezes, por exemplo, como pelo menos tão bem quanto nos melhores de Paris - e ainda ouço, por acaso, trechos de conversas extremamente interessantes, como o futuro dos semicondutores ou a nova tendência na arquitetura japonesa.

Bill Clinton, que estudou no University College, disse que, deslumbrado com a cidade, andou 14 horas por dia em suas primeiras duas semanas aqui. É compreensível. Eu cheguei em Oxford há quatro dias. Ainda não andei tudo isso. Andarei, talvez. Mas, ainda assim, a gente desenvolve, depois de várias viagens, uma postura menos assustada, menos deslumbrada com novos lugares - como se todos fossem, afinal, uma extensão da nossa casa.

Essa postura nos ajuda inclusive a aproveitar melhor outros lugares. Voce não visita outro planeta nem se transforma em outra pessoa. Viajar não é uma experiencia intergaláctica nem transcedental. Aprendemos que - em Oxford ou em Osasco - o importante é, sempre, carregar pouco peso: e levar apenas o que é especial, essencial. E um bom espírito não pesa nada.


Eduardo Carvalho
São Paulo, 14/1/2005


Quem leu este, também leu esse(s):
01. K 466 de Renato Alessandro dos Santos
02. Mais outro cais de Elisa Andrade Buzzo
03. A Delicadeza dos Hipopótamos, de Daniel Lopes de Jardel Dias Cavalcanti
04. Vai lavar uma pia de louça que passa de Adriana Baggio
05. De volta da Flip 2013 de Eugenia Zerbini


Mais Eduardo Carvalho
Mais Acessadas de Eduardo Carvalho em 2005
01. Por que eu moro em São Paulo - 8/7/2005
02. Minha formatura - 5/8/2005
03. Uma conversa íntima - 11/2/2005
04. A prática e a fotografia - 25/2/2005
05. Com pouco peso - 14/1/2005


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
13/1/2005
17h43min
Aproveita essa viagem! Depois de todo esse passeio, trabalhar em Oxford por um tempo foi uma ótima escolha e oportunidade. Você está em uma das melhores cidades do mundo! Seu texto está muito bem escrito; continue expondo suas idéias e experiências no Digestivo, pois você, como todo colunista, também tem aqueles leitores que o acompanham e, quando deixa de escrever, sentem sua falta. Boa viagem, divirta-se! Beijos.
[Leia outros Comentários de Maria Alice Andrade]
14/1/2005
09h01min
Estava com saudades, acredite, apesar de eu não ter reclamado, sempre procurava por sua coluna. Fiquei feliz em saber como vc está e quanto vai aproveitar este momento! Vc sabe como, disso eu não tenho dúvidas! Vera Lúcia
[Leia outros Comentários de Vera Lúcia]
18/1/2005
10h41min
Essa coluna foi bem inspiradora! Você sabe aproveitar muito bem suas viagens, e enxergar coisas interessantíssimas em pontos que muitos de nós nem percebem. Seu último parágrafo foi particularmente sugestivo. Abraços!
[Leia outros Comentários de Luiz Pereda]
18/1/2005
18h22min
Como voce escreve bem, nao esquece de ver algumas historias minhas, viu? Temos coisas em comum e eu vou pra la no oxford um dia! Boa sorte q vc merece, bjs
[Leia outros Comentários de Leticia ]
19/1/2005
17h02min
Sua coluna e seu comentário sobre o filme Tempo Redescoberto me fazem pensar que, sobretudo em suas viagens, você ultrapassa o mero deslumbramento com o encanto aparente das coisas. Não olha apenas, radiografa - "(...) mesmo jantando em sociedade não via os presentes, pois quando acreditava olhá-los eu os radiografava (...)", Marcel Proust. Isso transparece em seu texto, em outros também. Continue escrevendo!
[Leia outros Comentários de Camila Junqueira]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Poesia Completa: Poemas Longos - Tomo Dois
Luiz Delfino (capa Dura) Dedicatória
Edições Acl (florianópolis)
(2001)



Direito do Marketing
Fernando Guerardini Santos
Revista dos Tribunais (sp)
(2000)



Études de Textes Français. Nouvelle Série. Tome Ii : Xvie Siècle
Roland Derche
Sedes
(1965)



Beijing: China Travel Kit Series
Xu Mingqiang
Foreign Language Press
(1997)



La Tortue Sauvage des Maures Ou Tortue Dhermann
Bernard Devaux
Sang de La Terre
(1988)



Processo Civil
Fernando da Fonseca
Juspodivm
(2012)



Guia Londres. o Guia de Viagem Mais Fácil de Usar
Publifolha
Publifolha
(2009)



Remuneração Estratégica a Nova Vantagem Competitiva
Thomaz Wood Jr.; Vicente Wood Jr.
Atlas
(1999)



Troca-troca
Maria Helena Portilho
Conquista
(1989)



Nosso Cães
Alberto Apfel
Melhoramentos





busca | avançada
89721 visitas/dia
2,7 milhões/mês