Gênios e loucos | Rafael Rodrigues | Digestivo Cultural

busca | avançada
42788 visitas/dia
1,6 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Edições Sesc promove bate-papo com Willi Bolle sobre o livro Boca do Amazonas no Sesc Pinheiros
>>> SÁBADO É DIA DE AULÃO GRATUITO DE GINÁSTICA DA SMART FIT NO GRAND PLAZA
>>> Curso de Formação de Agentes Culturais rola dias 8 e 9 de graça e online
>>> Ciclo de leitura online e gratuito debate renomados escritores
>>> Nano Art Market lança rede social de nicho, focada em arte e cultura
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Modernismo e além
>>> Pelé (1940-2022)
>>> Obra traz autores do século XIX como personagens
>>> As turbulentas memórias de Mark Lanegan
>>> Gatos mudos, dorminhocos ou bisbilhoteiros
>>> Guignard, retratos de Elias Layon
>>> Entre Dois Silêncios, de Adolfo Montejo Navas
>>> Home sweet... O retorno, de Dulce Maria Cardoso
>>> Menos que um, novo romance de Patrícia Melo
>>> Gal Costa (1945-2022)
Colunistas
Últimos Posts
>>> Lula de óculos ou Lula sem óculos?
>>> Uma história do Elo7
>>> Um convite a Xavier Zubiri
>>> Agnaldo Farias sobre Millôr Fernandes
>>> Marcelo Tripoli no TalksbyLeo
>>> Ivan Sant'Anna, o irmão de Sérgio Sant'Anna
>>> A Pathétique de Beethoven por Daniel Barenboim
>>> A história de Roberto Lee e da Avenue
>>> Canções Cruas, por Jacque Falcheti
>>> Running Up That Hill de Kate Bush por SingitLive
Últimos Posts
>>> A moça do cachorro da casa ao lado
>>> A relação entre Barbie e Stanley Kubrick
>>> Um canhão? Ou é meu coração? Casablanca 80 anos
>>> Saudades, lembranças
>>> Promessa da terra
>>> Atos não necessários
>>> Alma nordestina, admirável gênio
>>> Estrada do tempo
>>> A culpa é dele
>>> Nosotros
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Te cuida, rapaz
>>> Uma norma para acabar com os quadrinhos nacionais?
>>> Aperte o play
>>> Sr. Google, não perca essa chance
>>> O corpo-reconstrução de Fernanda Magalhães
>>> Por que o Lula Inflado incomoda tanto
>>> A fotografia é um produto ou um serviço?
>>> O cristianismo para Nietzsche
>>> Conversa de pai e filha
>>> Psicodelia para Principiantes
Mais Recentes
>>> Aves do Jardim Botânico do Rio de Janeiro- Guia de campo de Lena Trindade, Henrique Rajão e Plínio Senna pela Hólos Cultores associados (2011)
>>> Uma garota chamada Júlio de Milena Milani pela Record
>>> Flash & Lanterna Verde: De Volta à era de Prata de DC Comics pela Mythos (2004)
>>> Cinquenta anos depois de Francisco Cândido Xavier pelo espírito Emmnuel pela Feb
>>> Dark Heroes: Com Uma Crise nas Mãos! de Steve Vance pela Brain Store (2002)
>>> Jonathan Strange e Mr. Norrell de Sussana Clarke pela Companhia das letras (2005)
>>> O Homem-Aranha - Minissérie Tormento em Duas Edições de Todd McFarlane pela Abril (1992)
>>> A história da umbanda de Alexandre Cumino pela Madras (2019)
>>> Homem-Aranha - O Outro Evolução Ou Morte 4 volumes. de Marvel Comics pela Panini Comics (2005)
>>> O fim da ansiedade de Max Lucado pela Thomas Nelson
>>> Wolverine SNIKT! Parte 1 e 2 de Marvel Comics pela Panini Comics (2004)
>>> A hora e o lugar de Sergio Burgi e Samuel Titan Jr. pela Desconhecido
>>> Naquele dia de Dennis Lehane pela Companhia das letras
>>> Homem-Aranha Ed. Especial: Rei do Crime até a Morte de Marvel Comics pela Abril (1998)
>>> As 5 vidas de Paraguassú de Maria do Carmo pela Casa senhora do Carmo
>>> Homem-Aranha: A Última Caçada de Kraven - Minissérie em 3 Edições de Marvel Comics pela Abril (1990)
>>> Comer com sabedoria de Ana Beatriz Vieira Pinheiro pela Nova Era
>>> Professor Milionário! (como novo) de Domingos Pellegrini pela Ftd (2009)
>>> Didática de Jaime Cordeiro pela Contexto (2009)
>>> Impacto negro de Izabelle Valladares e Raime Paixão pela Literarte (2019)
>>> O Homem-Aranha & Motoqueiro Fantasma - Ed. Especial de Marvel Comics pela Abril (1993)
>>> O Tesouro da Montanha de Pedra (como novo) de Vários Autores pela Ftd (2008)
>>> O Homem-Aranha Vingança Minissérie em duas edições completa de Marvel Comics pela Abril (1995)
>>> Édipo Rei de Sófocles de Trajano Vieira pela Perspectiva (2009)
>>> 53 Vols. Os Imortais da Literatura Universal (Completa) de Vários Autores pela Abril (1973)
COLUNAS >>> Especial Gênio

Terça-feira, 10/2/2009
Gênios e loucos
Rafael Rodrigues
+ de 8800 Acessos
+ 7 Comentário(s)

Era muito mais fácil, há uns 150 ou 200 anos, conhecer e conviver com um gênio. Naquela época era possível, inclusive, ser um gênio. Talvez porque as desgraças da vida não estavam tão longe das pessoas como estão hoje ― todos digam "amém", agora, por favor (longe das pessoas que podem ser gênios, claro; das outras, não, infelizmente). Afinal, quem mais tem um parente tuberculoso? Aliás, quem é que tem tuberculose, hoje? Tudo bem que o nosso governo tem se esforçado ao máximo para manter a possibilidade de termos doenças ridículas e que poderiam ser banidas para sempre da nossa sociedade, como tuberculose, febre amarela e dengue, mas é raro alguém ter tuberculose, hoje. Talvez ela tenha acabado, literalmente, com os gênios, e é possível que tenha dado origem a alguns também. Muitos morreram devido a ela e talvez, quem sabe, justamente por causa dela, muitos gênios tenham surgido. Era batata: o jovem poeta, de repente, sabia que iria morrer em breve. Dali até o dia de sua morte sua mente iria trabalhar de maneira incessante e seus poemas sairiam cada vez melhores.

Mas, claro, graças a Deus nos livramos da tuberculose. E é óbvio que ela não está diretamente ligada aos gênios. O parágrafo acima é só uma associação bem exagerada entre a terrível doença e a genialidade. Agora, se alguém me levar a sério, começar a fazer um estudo sobre o assunto e descobrir que essa pseudoteoria realmente tem fundamento, vou querer minha parte no negócio. Uma descoberta dessas com certeza viraria livro e, muito possivelmente, me chamariam de gênio. Ora, não seria mesmo uma teoria genial?

Outra associação que podemos fazer é entre a loucura e a genialidade. Alguém tem alguma dúvida de que Nietzsche foi um gênio? (Aliás, continua sendo, porque gênios são imortais...) Mas Nit ― o apelido vale apenas para os íntimos ― morreu num sanatório e sua derradeira obra, Ecce Homo, apesar de genial e bastante engraçada ― ah, a sisudez dos que não conseguem ver humor na filosofia! ― é um festival de fanfarronices e delírios do genial filósofo alemão. Outro gênio que hoje é associado à loucura é Napoleão Bonaparte. Um dos maiores personagens da História, é bom esclarecer que Napoleão não chegou a ficar louco ― ao menos não há registro histórico disso. O que consta é que sua derrota em Waterloo fez com que muitas pessoas ficassem loucas e saíssem pelas ruas dizendo ser Napoleão. Por isso as centenas de piadas de manicômio utilizando sua persona.

Além de poder ser provocada por uma enfermidade e poder desencadear outra, a genialidade pode ser, em si, uma patologia. Ou seja: a genialidade pode ser uma doença que se manifesta através de comportamentos paranóicos, obsessivos e esquizofrênicos. Quem assistiu a Uma mente brilhante tem uma boa ideia de como a genialidade pode ser prejudicial a uma pessoa. O filme conta a história de John Forbes Nash, matemático que em 1994 foi agraciado com o Prêmio Nobel de Economia. No filme, vemos um homem à beira de um colapso nervoso, como se a qualquer momento sua mente fosse entrar em curto-circuito. É como se o cérebro não suportasse a quantidade de conhecimento que ele tem; ou como se sua capacidade de processamento de informações fosse tão grande e acontecesse de maneira tão veloz, que as atividades cerebrais lhe causassem um dano irreparável. Então, ser um gênio pode ser ― e a História provou que muitas vezes é ― um fardo, quase uma maldição. Não são poucos os casos de "gênios atormentados" ou "incompreendidos", vocês sabem.

E aqui poderíamos entrar numa discussão interminável: o indivíduo tornou-se um gênio por ser um atormentado ou passou a ser um atormentado depois de descobrir-se ― e, claro, descobrirem-lhe ― gênio? Mas tentar responder a essa pergunta é como tentar responder àquela outra bem famosa: "quem veio primeiro: o ovo ou a galinha?". Não entremos neste beco sem saída, portanto. Melhor partirmos para um outro, mas com várias saídas: o que é um gênio, afinal?

Existem várias definições, e eis a minha: gênio é todo aquele que os outros "colegas de trabalho" posteriores a ele querem imitar ou almejam sê-lo. É todo aquele detentor de uma obra fundamental para a humanidade ou, no mínimo, para determinada área do conhecimento ou da atividade humana. Por exemplo: Dostoiévski. Não fosse ele, Nit não existiria. Toda a paranóia de Nit vem de Crime e castigo. A teoria do super-homem é quase um plágio de uma passagem do romance de Dosto. Arrisco até dizer que, sem Dostoiévski, não haveria Nietzsche. Porque ele não apenas teorizou o super-homem, que é o próprio Raskólnikov: o filósofo alemão viveu como um super-homem.

(Bom, essa teoria é minha, não precisa ninguém concordar com ela.)

Encontrar ou conhecer um gênio, hoje, é mais difícil que ganhar na Mega-Sena. Tudo bem que Pelé ainda está vivo e Bill Gates também, mas a genialidade deles não pode ser comparada com a de Da Vinci, por exemplo. Ou com a de Newton. Talvez o grau de genialidade dos gênios esteja mesmo diminuindo. É pouco provável ― para não dizer impossível ― que surja um novo Einstein, por exemplo, ou um novo Machado, ou um novo Nelson Rodrigues. Mas não se deve almejar menos que chegar ao patamar de um gênio. Como diz J.M. Coetzee em Diário de um ano ruim: "o padrão ao qual todo romancista sério deve aspirar, mesmo sem a menor chance de chegar lá" é "o padrão do mestre Tolstói de um lado e do mestre Dostoiévski do outro". Substitua "romancista" por sua profissão e "Tolstói" e "Dostoiévski" pelos mestres dela e tenha isso como um mantra. Você não se tornará um gênio ― nem chegará perto disso ―, mas certamente vai lhe colocar na estrada rumo ao sucesso.

Nota do Editor
Leia também "Artistas não são pirados" e "Não me venham com escritores (gênios, então...)".


Rafael Rodrigues
Feira de Santana, 10/2/2009

Quem leu este, também leu esse(s):
01. Entre livros e Moleskines de Marta Barcellos


Mais Rafael Rodrigues
Mais Acessadas de Rafael Rodrigues em 2009
01. Meus melhores livros de 2008 - 6/1/2009
02. Sociedade dos Poetas Mortos - 10/11/2009
03. Indignação, de Philip Roth - 27/10/2009
04. A resistência, de Ernesto Sabato - 15/9/2009
05. No line on the horizon, do U2 - 24/2/2009


Mais Especial Gênio
* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
10/2/2009
14h01min
Caro Rafael, meu nome é Andrea Mathias Losacco, sou enfermeira e trabalho na Divisão de Tuberculose do Estado de São Paulo e gostaria de lhe informar que, só no Estado de São Paulo, são notificados anualmente cerca de 21 mil casos novos de tuberculose, e que o Brasil apresenta cerca de 100 mil casos novos por ano, números que mostram que a tuberculose está bem longe de ter sido erradicada.
[Leia outros Comentários de Andrea Mathias Losac]
10/2/2009
20h04min
Rafael, o matemático John Forbes Nash sofria de esquizofrenia. Doença que pode acometer qualquer pessoa, jovem ou velha, preto ou brano, pobre ou rico e genial ou não.
[Leia outros Comentários de El torero]
11/2/2009
00h40min
Olá, Rafael. Acho que a necessidade de encontrar um gênio em tempos difíceis, como o nosso, é tão grande, que acabamos por criar um estereótipo baseando-nos em pessoas que foram "destaque" em épocas passadas. Muitos escritores eram (?) chegados à boemia e a noitadas com profissionais do sexo - para ser politicamente correta - e, por isso, estariam mais próximos de contrair doenças como tuberculose e sífilis. Quem sabe daqui a 150 ou 200 anos a gente não consegue reconhecer gênios do século XXI?
[Leia outros Comentários de Amábile Grillo]
11/2/2009
18h05min
Rafael, não existe nem jamais existirá outro Machado, Nelson Rodrigues (?) ou quem quer que seja. Seu texto não é genial, sequer ousado, um amontoado desconexo de preconceitos e figuras juvenis desenvolvidas por um senso mal-formado. Por favor, dê uma lida no texto do Jardel e seja mais prudente ao postar "textos" desta qualidade. Espero mais em qualidade e menos em presunção e preguiça.
[Leia outros Comentários de Carlos E F Oliveira]
12/2/2009
08h10min
Para quem não entendeu o texto do Rafael ou "esqueceu" de ler a linha: "O parágrafo acima é só uma associação bem exagerada entre a terrível doença e a genialidade". Uma pena, Rafael, que nem todo mundo saiba interpretar um texto com fina ironia como seu...
[Leia outros Comentários de Amábile Grillo]
18/2/2009
07h34min
Eu penso que os gênios nunca existiram... De fato houve muitos intelectuais que se destacaram em diferentes épocas e lugares. Mas a genialidade também é um mito moderno, um mito criado pelos "pares". O lance da tuberculose, por exemplo (risos). No Brasil foi embuste! Castro Alves e Álvares de Azevedo (os geniozinhos do nosso Ultraromantismo) não morreram disso, ainda que um catatal de textos afirme que sim.
[Leia outros Comentários de sandra mara ]
19/2/2009
14h50min
A genialidade decorreria de um excesso de neurônios em certas áreas dos cérebros de alguns indivíduos? Provavelmente! Estimulados por circunstâncias ou ocasiões propícias, os tais neurônios, em determinados indivíduos, providencialmente desencadeariam resultados inesperados, surpreendentes, incompreensíveis, em tudo desproporcionais à normalidade de cada época... Talvez, por isso, da genialidade decorram obras individuais, únicas, motivos de admiração, respeito, discussão e crítica, no seu tempo. Aliás, elas extrapolam seu espaço e seu tempo, imortalizando-se pelo seu ineditismo... Imitar um gênio é compreensível. Formar escola a partir se sua obra, também. Difícil, mesmo, é conviver com um deles, pois sua carga de informações e percepções está longe de ser compreensível para a maioria de nós...
[Leia outros Comentários de Beth Castro]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




História e Vida - as Américas
Nelson Pilettie Valentim Lazzarotto
Atica
(1995)



Keys to Investing in Common Stocks (inglês) (1990)
Barbara Apostolou, Nick Apostolou
Barrons
(1990)



El Embrujo del Oro - 5ª Ed Pocket
Adolfo Costa Du Rels
Los Amigos del Libro
(1997)



Macaco
Jeff Stone
Pavio
(2009)



Something Blue: a Novel
Emily Giffin
St Martins Griffin
(2011)



Livro - Frankenstein
Mary Shelley
Wordsworth Editions
(1993)



Livro - Alexandre e Outros Heróis
Graciliano Ramos
Record
(2006)



Poesia na Varanda
Sonia Junqueira
Autêntica
(2012)



Curso de Direito Constitucional
Celso Ribeiro Bastos
Saraiva
(1994)



Confirmando a Fe - Crisma 1
Diocese de Caxias
Paulinas
(1998)





busca | avançada
42788 visitas/dia
1,6 milhão/mês