Monteiro Lobato, a eugenia e o preconceito | Gian Danton | Digestivo Cultural

busca | avançada
65370 visitas/dia
2,1 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Missão à China
>>> Universidade do Livro desvenda os caminhos da preparação e revisão de texto
>>> Mississippi Delta Blues Festival será On-line
>>> Tykhe realiza encontro com Mauro Mendes Dias sobre O Discurso da Estupidez
>>> Trajetória para um novo cinema queer em debate no Diálogos da WEB-FAAP
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Alameda de água e lava
>>> Entrevista: o músico-compositor Livio Tragtenberg
>>> Cabelo, cabeleira
>>> A redoma de vidro de Sylvia Plath
>>> Mas se não é um coração vivo essa linha
>>> Zuza Homem de Mello (1933-2020)
>>> Eddie Van Halen (1955-2020)
>>> Prêmio Nobel de Literatura para um brasileiro - II
>>> Vandalizar e destituir uma imagem de estátua
>>> Partilha do Enigma: poesia de Rodrigo Garcia Lopes
Colunistas
Últimos Posts
>>> Zuza Homem de Mello no Supertônica
>>> Para Ouvir Sylvia Telles
>>> Van Halen ao vivo em 1991
>>> Metallica tocando Van Halen
>>> Van Halen ao vivo em 2015
>>> Van Halen ao vivo em 1984
>>> Chico Buarque em bate-papo com o MPB4
>>> Como elas publicavam?
>>> Van Halen no Rock 'n' Roll Hall of Fame
>>> A última performance gravada de Jimmi Hendrix
Últimos Posts
>>> Normal!
>>> Os bons companheiros, 30 anos
>>> Briga de foice no escuro
>>> Alma nua
>>> Perplexo!
>>> Orgulho da minha terra
>>> Assim ainda caminha a humanidade
>>> Três tempos
>>> Matéria subtil
>>> Poder & Tensão
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Asia de volta ao mapa
>>> Outros cantos, de Maria Valéria Rezende
>>> Micronarrativa e pornografia
>>> Robinson Shiba do China in Box
>>> Literatura Falada (ou: Ora, direis, ouvir poetas)
>>> Viva a revolução
>>> AC/DC 1977
>>> As maravilhas do mundo que não terminam
>>> Nem Aos Domingos
>>> A pintura do caos, de Kate Manhães
Mais Recentes
>>> Los Condenados de la Tierra (Os Condenados da Terra) de Frantz Fanon pela Fondo de Cultura Econónica (2018)
>>> Les Confessions de Jean-Jacques Rousseau pela Hachete (1903)
>>> O primo Basílio de Eça de Queirós pela Abril Cultural (1979)
>>> Revue Française de Science Politique Volume XXI Numéro 3 juin 1971 de Jean Brusset, Mattei Dogan e outros pela Puf (1971)
>>> Introdução à Geografia da População de Wilbur Zelinsky pela Zahar (1974)
>>> Revista do Brasil de Antonio Candido, Celso Furtado, Julio Cortázar, Manoel Bonfim, Poty e outros pela Rioarte / Funarte (1984)
>>> Painel da Literatura em Língua Portuguesa de José de Nicola pela Scipione (2010)
>>> Crónica de una muerte anunciada de Gabriel García Márquez pela Plaza Janés (1999)
>>> Marlene D de Marlene Dietrich pela Nordica (1984)
>>> Notícia de un secuestro de Gabriel Gacía Máquez pela Plaza Janés (1999)
>>> Há Males Que Vêm Para Bem de Alec Guinness pela Francisco Alves (1990)
>>> Vivir para Contarla de Gabriel García Márquez pela Debolsillo (2017)
>>> Tango Solo de Anthony Quinn, Daniel Paisner pela Nova Fronteira (1995)
>>> El Coronel no Tiene Quien le Escriba de Gabriel Gacía Máquez pela Plaza Janés (1999)
>>> Laços Eternos de Zibia Gasparetto pela Edicel (1979)
>>> A garota que eu quero de Markus Zusak pela Intrínseca (2013)
>>> O inverno das fadas de Carolina Munhóz pela Casa da palavra (2012)
>>> Treinando a emoção para ser feliz de Augusto Cury pela Academia (2010)
>>> E se for você? de Rebecca Donovan pela Globo (2016)
>>> O guardião de Nicholas Sparks pela Arqueiro (2013)
>>> O casamento de Nicholas Sparks pela Arqueiro (2012)
>>> Inferno atlântico. Demonologia e colonização. Séculos XVI-XVIII de Laura de Mello e Souza pela Companhia das Letras (1993)
>>> Um porto seguro de Nicholas Sparks pela Novo Conceito (2012)
>>> Ouse ir Além - Coaching para Resultados Extraordinários de José Roberto Marques pela Ibc (2016)
>>> Segundo - Eu me chamo Antônio de Pedro Gabriel pela Intrínseca (2014)
>>> Doce Cuentos Peregrinos de Gabriel García Márques pela Plaza Janés (1999)
>>> A cadeira de prata - As crônicas de Nárnia de C. S. lewis pela Martins Fontes (2003)
>>> Ases nas alturas - Wild Cards de George R. R. Martin pela Leya (2013)
>>> Homens de grossa aventura. Acumulação e hierarquia na praça mercantil do Rio de Janeiro 1790-1830 de João Luís Fragoso pela Civilização Brasileira (1998)
>>> Anjos caídos de Asa Schwarz pela Planeta (2010)
>>> Um conto do destrino de Mark Helprin pela Novo Conceito (2014)
>>> O diabo e a Terra de Santa Cruz de Laura de Mello e Souza pela Companhia das Letras (1986)
>>> O Antigo Regime nos trópicos de João Fragoso & Maria Fernanda Bicalho & Maria de Fátima Gouvêa. Organizadores pela Civilização Brasileira (2010)
>>> Dominguinhos o Neném de Garanhuns de Antônio Vilela de Souza pela Garanhuns (2014)
>>> Viva a Vagina de Nina Brochman / Ellen Sorkken Dahl pela Pararela (2017)
>>> Grandes Pensadores em Psicologia - 10A de Rom Harré pela Roca (2009)
>>> A Amiga Genial de Elena Ferrante pela Biblioteca Azul/ Globo (2015)
>>> Steve Jobs : a biografia de Walter Isaacson pela Companhia Das Letras (2011)
>>> A Encantadora de Bebês de Tracy Hogg; Melinda Brau pela Manole (2006)
>>> Cien Años de Soledad de Gabriel Garcia Marques pela Plaza Janés (1999)
>>> O Taro Adivinhatório de Vários pela Pensamento
>>> Os Segredos de Uma Encantado de Bebês de Tracy Hogg; Melinda Brau pela Manole (2002)
>>> A Droga da Obediência de Pedro Bandeira pela Moderna (2009)
>>> O Paraíso na Outra Esquina de Mario Vargas Llosa pela Arx (2003)
>>> A Festa da Insignificância de Milan Kundera pela Companhia das Letras (2014)
>>> História da Menina Perdida de Elena Ferrante pela Biblioteca Azul/ Globo (2017)
>>> A Lenda do Graal (Do Ponto de Vista Psicológico) de Emma Jung e Marie Louise Von Franz pela Cultrix (1991)
>>> Capitães da Areia de Jorge Amado pela Record (1975)
>>> O Verão Sem Homens de Siri Hustvedt pela Companhia das Letras (2013)
>>> Hostória de Quem Foge e de Quem Fica de Elena Ferrante pela Biblioteca Azul/ Globo (2016)
COLUNAS

Segunda-feira, 28/2/2011
Monteiro Lobato, a eugenia e o preconceito
Gian Danton

+ de 19300 Acessos
+ 13 Comentário(s)

No livro Fahrenheit 451, todos os livros são proibidos e queimados por bombeiros. Tal estado não se deve ao surgimento de um regime autoritário, como em 1984, mas é gerido pela própria sociedade. Todo livro ofendia a alguém, de alguma forma, e a maneira mais prática de lidar com isso foi simplesmente proibindo-os.

Impossível não lembrar do clássico da ficção científica de Ray Bradbury ao ler "A Carta aberta a Ziraldo" e os comentários a ela, publicados no blog O biscoito fino e massa. O texto é assinado por "Ana Maria Gonçalves, Negra, escritora". Este aqui é assinado por "Gian Danton, mestiço, escritor".

O texto é uma nota de repúdio a uma ilustração de Ziraldo no qual aparece o escritor Monteiro Lobato abraçado a uma mulata, pulando carnaval. A ilustração será usada por um bloco no carnaval do Rio.

Muitos leitores reagiram horrorizados à denúncia da escritora. Eis alguns comentários [nota: a grafia deles foi mantida, ainda que com alguns erros]:

"Estou impressionada com esta carta! Nunca gostei de Monteiro Lobato e isso só em assistir o Sitio do Pica Pau Amarelo, nunca havia lido os textos racista dele...agora,me entristesse muito saber que o Ziraldo nada mais é, que uma replica moderna de Monteiro Lobato e me preocupa saber que o mesmo, se encontra presente em uma emissora de TV que se diz estar preocupada com a educação de nossas crianças...lamentável!"

"sinceramente,andei meio desiludida com o parecer favorável a esta obra infâme de monteito lobato (isso mesmo, no diminutivo, tal como sua obra que infelizmente tem e teve efeito destrutivo a todas (os) que leram a mesma). mas, agora, sinto-me revigorada ao ler suas palavras tão profundas e sinceras... quero parabenizá-la e dizer que estou divulgando-á. precisamos nos fazer ouvir e quem sabe um dia, bem próximo eu espero, esta e outras obras que nos fere de morte seja banida de nossa literatura, assim como as charges do não menos racista ziraldo (no diminutivo também)."

"Nossa... estou em choque.Comprei para minha filha, tanto o dvd do Sitio do Picapau amarelo, quanto o do Menino maluquinho. Não sei o que explicar a ela."

E finalmente:

"Sou a favor da censura às obras racistas, seja de que quaisquer escritores! Elas constituem ainda mais sofrimento aos negros!".

Esse último comentário dá a entender que a obra de Lobato foi escrita apenas com o objetivo de difundir o racismo, uma espécie de "Manual do Apartheid". Uma falta tão grave que a leitora se vê atônita com o fato de ter comprado o DVD não só do Sítio, mas também do Menino Maluquinho, de Ziraldo, que ousou desenhar Lobato com uma negra e, portanto, é racista.

E qual é a tese da senhora Ana Maria Gonçalves? Ela se debruçou sobre a correspondência pessoal de Lobato, boa parte dela não publicada (e mesmo a parte de cartas publicadas está com frases cortadas, descontextualizadas e sem referência de páginas que permita ao leitor verificar o contexto), para provar que toda a obra do escritor paulista foi produzida com o objetivo de inserir nos leitores, de forma subliminar, os princípios da eugenia.

De fato, Lobato flertou com a eugenia durante algum tempo, da mesma forma que, durante algum tempo, acreditou que ingerir um só tipo de alimento seria uma forma de melhorar a saúde da população. Não só ele. Grande parte dos médicos do início do século XX acreditavam nos ideais da eugenia. Lobato foi influenciado pela eugenia vinda dos EUA, país onde viveu como adido comercial. A eugenia prega o melhoramento genético da humanidade. Pessoas com doenças genéticas, por exemplo, deveriam ser proibidas de procriar como forma de evitar a propagação de doenças. Do ponto de vista racial, a eugenia acreditava que a mistura de raças seria prejudicial, pois, ao se misturar duas raças, sobrariam apenas as piores características de cada uma. Embora acreditassem que a raça branca era superior à negra, acreditavam também que a mestiçagem era a pior opção, fazendo com que as duas raças entrassem em degeneração a partir da mistura. Ao contrário da vertente nazista, a eugenia norte-americana não pregava a matança de raças, mas via como algo negativo a mistura entre elas.

A se acreditar na proposição de Ana Maria Gonçalves, a obra de Lobato seria muito mais ofensiva a mim, que sou mestiço, do que a ela, que se diz negra. Curiosamente, ela usa o argumento da eugenia para provar que a obra de Lobato atenta contra o povo negro, e não contra os mestiços. Ou a senhora Ana desconhece o que é eugenia, ou faz de conta que não sabe.

A carta aberta foi muito elogiada por sua suposta cientificidade. Mas um conhecimento mínimo de metodologia científica permite perceber que o texto tem tantos furos quanto uma peneira (além do fato óbvio de que uma leitura da obra de Lobato do ponto de vista da eugenia seria muito mais ofensiva aos mestiços).

Senão, vejamos. A se acreditar que a escritora quis ser científica, ela usou o método hipotético-dedutivo. Partiu de uma hipótese: "Lobato é racista e sua obra foi escrita com o objetivo de difundir os preceitos da eugenia". Pela lógica científica ela deveria tentar provar que essa hipótese está errada. É o teste do falseamento.

Criar uma hipótese e tentar provar que ela está certa é fórmula para provar qualquer coisa. Eu posso, por exemplo, dizer que minha coluna provoca infecção intestinal. Bastaria encontrar um único entre meus leitores com infecção intestinal e pronto: minha hipótese estaria certa. Para ser científica, a senhora Ana Maria deveria tentar provar que Lobato não era racista e que sua obra não difundia a eugenia. Se não conseguisse, poderia, sim, dizer que a hipótese sobreviveu.

A simples coleta de citações descontextualizadas tem tanto valor científico quanto dizer que os desenhos animados da Disney foram feitos para difundir a adoração ao diabo. Pior: a citação de cartas demonstra que a escritora se debruça menos sobre o que Lobato escreveu e mais sobre qual teria sido a intenção dele ao escrever. Além disso, a falta de referências impede o leitor de buscar o verdadeiro contexto em que as frases foram escritas.

Para sustentar a tese da escritora, uma leitora, entre aplausos, requentou a velha história de que Lobato foi contra o modernismo: "Monteiro Lobato foi, sem dúvida, um homem de seu tempo. Não avançou um centímetro do pensamento estabelecido pela elite conservadora do Brasil. Basta reler 'Paranóia ou Desmistificação', no qual ele desce o pau nos Modernistas da Semana de 22". Esse é o caso de uma mentira que, contada milhares de vezes, torna-se verdade. Lobato nunca escreveu contra a Semana de Arte Moderna. Ao contrário, ele era amigo pessoal de vários modernistas e publicou muitos deles.

Oswald chamava Lobato de "O Gandhi do modernismo", e dizia que o autor do Jeca Tatu só não participou da Semana por causa do nacionalismo: "sua luta significava a repulsa ao estrangeirismo afobado de Graça Aranha, às decadências lustrais da Europa podre, ao esnobismo social que abria seus salões à Semana".

A crítica à exposição de Anita Malfatti não era pela inovação trazida pela pintora à arte brasileira, mas ao estrangeirismo. Nacionalista radical, Lobato acreditava que se devia procurar criar uma arte com estética e temas brasileiros. Mas, no mesmo artigo em que critica Malfatti pelo estrangeirismo, ele diz que a moça tinha talento, tanto que a chamou para ilustrar a capa dos livros O Homem e a Morte, de Menotti Del Picchia, e Os condenados, de Oswald de Andrade, ambos lançados por ele. O livro Ideias de Jeca Tatu teve como capa O Homem Amarelo, quadro de Anita Mafalti.

A versão de que Lobato teria sido contra o modernismo aconteceu por conta de um texto em que Lobato creditava a liderança da Semana de Arte Moderna a Oswald de Andrade. Enciumado, Mário de Andrade passou a vender a versão de que Lobato era contra os modernistas e chegou a anunciar a morte de Lobato, que respondeu: "Mário é grande. Tem o direito de nos matar à moda dele".

Ou seja: a versão de que Lobato foi contra o modernismo (um dos comentários diz que Lobato escreveu contra a Tarsila!) é fofoca misturado com preconceito, mas os leitores, sob aplausos da escritora Ana Maria Gonçalves, a usam porque serve a seu argumento de que Lobato era um reacionário e, portanto, racista.

Não é a primeira vez que tentam ver mensagens subliminares na obra de Lobato. Na década de 1950, um padre escreveu um livro intitulado A literatura infantil de Monteiro Lobato ou comunismo para crianças. Segundo o padre, o fato de Lobato privilegiar a explicação científica e não religiosa para a criação do mundo era demonstração cabal de que ele era comunista e sua obra tinha sido escrita com o objetivo de arregimentar adeptos para o comunismo internacional.

A carta aberta de Ana Maria faz parte de um processo recente de inquisição a obras lidas por crianças e adolescentes. Toda a obra do quadrinista norte-americano Will Eisner, por exemplo, foi banida de muitas escolas por causa de dois quadrinhos, um em que uma menina aparece levantando a saia para enganar um zelador e outra em que aparece a costa nua de uma mulher.

Também recentemente um jornalista argumentou que a Turma da Mônica seria um estímulo ao bullying, já que a Mônica bate continuamente no Cebolinha com o coelho de pelúcia.

Nesse processo de inquisição, muitas obras ainda devem ser analisadas e banidas das escolas: Nelson Rodrigues e Will Eisner pela pornografia, Mário de Andrade por ser antidemocrático (da mesma forma que Lobato flertou com a eugenia, Mário de Andrade namorou com o fascismo, o que, seguindo a lógica de Ana Maria Gonçalves, se refletiria em sua obra), José de Alencar por mostrar os índios sempre como submissos aos brancos, Machado de Assis pelo machismo (existe obra mais machista que Dom Casmurro?), Euclides da Cunha por preconceito contra os nordestinos, Lima Barreto por difundir ideias socialistas e antipatrióticas, Charles Dickens por difundir o preconceito contra os judeus, Maurício de Sousa por estimular a violência entre as crianças...

Procurando bem, em qualquer obra sempre existe algo que ofenda a alguém. No livro A memória vegetal, Umberto Eco lembra de um sargento que se sentiu ofendido por ter visto os sargentos em uma lista que incluía tecelões, garagistas, salsicheiros, virgens, confessores e doentes em coma profundo. Ao ler uma crônica minha sobre um bêbado que apronta várias confusões em um ônibus, um bêbado escreveu uma carta de repúdio argumentando que eu estava promovendo o preconceito contra os bêbados.

Até mesmo o texto de Ana Maria Gonçalves pode ser visto como preconceituoso ― contra os mestiços. Sua implicância com a ilustração de Ziraldo não seria reação ao fato da imagem mostrar uma possível miscigenação entre um escritor branco e uma negra?


Gian Danton
Goiânia, 28/2/2011


Mais Gian Danton
Mais Acessadas de Gian Danton em 2011
01. Monteiro Lobato, a eugenia e o preconceito - 28/2/2011
02. Hells Angels - 20/6/2011
03. Medo e Delírio em Las Vegas - 9/5/2011
04. Walter Benjamin, a arte e a reprodução - 14/11/2011
05. Melhores de 2010 - 3/1/2011


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
25/2/2011
08h16min
Gian, eu não tenho uma visão acadêmica do fato, como você, que magistralmente abordou o tema. Eu, por minha vez, fui apenas um leitor de Lobato sem me aperceber desses detalhes tão acalorados, hoje nas mídias... Mas, há algum tempo, de forma acadêmica, Lobato, como vários outros autores da nossa Literatura, já vinham com análises conceituais sobre suas obras, portanto a abordagem daquela senhora não foi novidade alguma... Eu vejo isso, apenas, como uma forma de "espelho". Sem fazer qualquer acréscimo à sua peça, no contexto de Lobato, há muito o que se olhar e a compreender melhor nas representações sociais daquele momento histórico... Não seria óbvio pensar que a obra espelharia como o autor enxergava e revelaria a maneira de pensar de um observador que era um intelectual (e empresário)? Na época, na sociedade "real", as relações não eram marcadas por hierarquias das ascendentes classes sociais?
[Leia outros Comentários de Lancelott]
8/3/2011
13h12min
Pontos esclarecedores.
[Leia outros Comentários de Marcos Ordonha]
1/6/2011
23h22min
Excelente texto. E muito esclarecedor. Meu tcc será sobre esse tema, e foi o seu texto que me ajudou a decidir de uma vez, rs. Obrigada!
[Leia outros Comentários de Bianca Naponiello]
3/6/2011
11h51min
Interessante, seu artigo. Gostaria de comentar esse trecho apenas: "Embora acreditassem que a raça branca era superior à negra, acreditavam também que a mestiçagem era a pior opção, fazendo com que as duas raças entrassem em degeneração a partir da mistura. Ao contrário da vertente nazista, a eugenia norte-americana não pregava a matança de raças, mas via como algo negativo a mistura entre elas." O movimento sulista norte-americano Ku Klux Klan se inspirava em teorias eugenistas. Era ponto pouquíssimo questionado o pressuposto de que a raça branca seria superior às outras, e a mestiçagem seria ruim principalmente por comprometer a melhor raça, ou seja, a branca. Eis um dos argumentos que justificavam a vinda de migrantes europeus ("brancos", dizia-se) para "melhorar a raça brasileira". As teorias eugenistas certamente não são um grande obstáculo aos genocídios. Os nazistas também não pretendiam exterminar judeus: essa ideia lhes ocorreu ao longo da IIª guerra.
[Leia outros Comentários de Cyrano]
6/6/2011
21h08min
Para começar a discussão, apenas esclareço que a "identidade" de alguém pode ser política. Eu, por exemplo, que por um tom de pele claro sou percebida por "branca", possuo uma identidade política negra. Talvez seja o mesmo caso da escritora Ana Maria Gonçalves. Mas sobre isso apenas ela poderia afirmar. Sobre seu texto: reitero absolutamente tudo apontado por Cyrano. Seu texto apenas demonstra uma total ausência de conhecimento, principalmente o científico, sobre as temáticas do racismo, etnicidade (cuja a qual a questão racial está inserida), a questão da "mulata" no contexto brasileiro, as reivindicações dos afro-brasileros dentro dos movimentos sociais e por aí vai. Um texto vergonhoso, sem embasamento teórico algum, texto de opinião leiga e que, infelizmente, ainda é lido, aplaudido e serve até de incentivo para TCC´s. Para a querida leitora que foi incentivada ao TCC: leia Kabengele Munanga (etnicidade, racismo), leia Sueli Carneiro (fundadora do Geledés)
[Leia outros Comentários de Fabiana Santos]
6/6/2011
21h09min
Leia Jurema Werneck (fundadora de CRIOLA), Lélia Gonzalez (principal expoente do movimento feminino negro), leia Joan Scott sobre relações de gênero, Sônia Giacominni sobre a situação da mulher negra na escravidão, releia a história do nosso país com outros olhos, com uma postura crítica e estabeleça um diálogo coerente destes autores atuais e pontuais com a obra de Monteiro Lobato. Descontrua os preconceitos e opiniões pessoais para então produzir um conhecimento científico questionador e inquietante como deve ser o mesmo. Boa sorte em teu trabalho e que ele sirva de contribuição para um país menos desigual. Ao autor deste texto, se for de seu interesse, aproveite as dicas de leitura. Abraço, Fabiana.
[Leia outros Comentários de Fabiana Santos]
6/6/2011
23h03min
Fabiana, obrigado pelo comentário. Eu tenho o maior orgulho de ser mestiço e acho que a beleza e a força da população brasileira é justamente a variedade de cores. Acredito que a junção de raças é o que Brasil tem de melhor. Sinto muito se você achou meu texto vergonhoso, mas respeito sua opinião. Obrigado pelas dicas de leitura. Ler é sempre bom, concordemos ou não com os autores (pena que nem todo mundo pensa assim). E retribuo com a indicação do livro A lógica da pesquisa científica, de Karl Popper. Um livro fundamental para quem vai fazer pesquisa usando o método dedutivo. Um abraço.
[Leia outros Comentários de Gian Danton ]
6/6/2011
23h14min
Bianca, obrigado pelo comentário. Que bom que meu texto ajudou você a decidir pelo tema do seu TCC. Aconselho a ler A lógica da pesquisa científica, do Popper. Fazer pesquisa sem usar o imperativo ético do falseamento pode ser muito perigoso, como Fredrick Werthan, que "provou" que a deliquência juvenil era provocada pela leitura de gibis escolhendo os casos que lhe interessavam.
[Leia outros Comentários de Gian Danton ]
7/6/2011
09h41min
O que atormenta aos "puristas" é o fato de se saberem "donos" da verdade de como as crianças lêem os livros de Lobato. Eu, por exemplo, sentia o prazer enorme nas "aventuras" deles todos e, também, dos salgados e doces da Dona Benta. Como criança, lia e aprendia a ser criança, não com a percepção de adulto, como agora, cheio de manias e fobias. E querem saber, adorava aquela época, sem ser saudosista. Aprendi muito com ele. E quanto a ser mestiço, bem, sou negro disfarçado de branco, já que o meu pai era mulato (filho de mãe índia/negro, minha mãe branca filha de portugues com brasileira). Viu só, sou "agente" secreto da "pura" e "clara" eugenia. Longe para sempre os meus sete irmãos, quatro "brancos" e quatro mulatos. Santa mistura. Será que o que escrevi é verdade?!!! Parabéns Gian.
[Leia outros Comentários de Cilas Medi]
7/6/2011
10h11min
Cilas, você tocou num ponto importante: ninguém é dono da forma como as pessoas lêem um livro, um filme, uma história em quadrinhos. A área de pesquisa de processos midiáticos analisa exatamente como a leitura é livre e, muitas vezes foge até dos objetivos do autor da mensagem. O Tio Patinhas, por exemplo, é visto pelos pesquisadores marxistas como propagador da ideologia capitalista, mas um amigo meu lia, adorava e dizia que, para ele, aquilo era uma sátira do capitalismo selvagem.
[Leia outros Comentários de Gian Danton ]
7/6/2011
10h20min
Para quem ficou curioso sobre a pesquisa do Fredrick Werthan e suas consequências, dois textos interessantes
[Leia outros Comentários de Gian Danton ]
7/6/2011
12h48min
Socorro! Conceito de "raça" não existe cientificamente. Somos todos a "raça" humana. É incrível perceber que, nas relações humanas, apenas a tecnologia evolui e integra - ao passo que o cérebro de muitos continua na época dos tempos da segregação. Vamos evoluir! Vamos todos ser humanos - o que implica todas as nossas diferenças. A igualdade está no direito a ser diferente, em todos os sentidos.
[Leia outros Comentários de Débora Carvalho]
7/6/2011
14h49min
Débora, concordo plenamente com você: a igualdade está no direito de ser diferente, ler autores diferentes, ter opiniões diferentes... pena que nem todo mundo pense assim. Obrigado pelo comentário.
[Leia outros Comentários de Gian Danton ]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




CÁLCULO MATEMÁTICA PARA TODOS 41- EMPACADOS NO TEMPO
VÁRIOS AUTORES - REVISTA
SEGMENTO
(2014)
R$ 10,00



MARTIN MYSTÈRE 5
PAOLO MORALES
MYTHOS
(2019)
R$ 15,50



STARTERS
LISSA PRICE
NOVO CONCEITO
(2012)
R$ 15,00



WHATS THAT NOISE?
JADE MICHAELS
MACMILLAN
(2004)
R$ 6,00



TONICO E O SEGREDO
ANTONIETA DIAS DE MORAES
SALAMANDRA
(1980)
R$ 6,90



PRECIS D HYGIENE
P. COURMONT A. ROCHAIX
MASSON ET CIE
(1921)
R$ 87,54



CONFERÊNCIAS, DISCURSOS E PERFIS
JACINTO GUIMARÃES
IMPRENSA OFICIAL BELO HORIZON
(1961)
R$ 29,86



REVISTA MAD ESPECIAL HALLOWEEN Nº 3 - 9922
MARCO M LUPOL
MYTHOS
(2008)
R$ 17,00



DE FRENTE E PERFIL
SPENCER LUÍS MENDES
RAZÃO CULURAL
(1999)
R$ 9,80



JORNAL DE SERRA VERDE
WALDEMAR VERSIANI DOS ANJOS
ITATIAIA
(1960)
R$ 8,90





busca | avançada
65370 visitas/dia
2,1 milhões/mês