Brasil em novo tempo de cinema | Humberto Pereira da Silva | Digestivo Cultural

busca | avançada
68461 visitas/dia
2,1 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Liberdade Só - A Sombra da Montanha é a Montanha”: A Reflexão de Marisa Nunes na ART LAB Gallery
>>> Evento beneficente celebra as memórias de pais e filhos com menu de Neka M. Barreto e Martin Casilli
>>> Tião Carvalho participa de Terreiros Nômades Encontro com a Comunidade que reúne escola, família e c
>>> Inscrições abertas para 4ª Residência Artística Virtual Compartilhada
>>> Exposição 'Mundo Sensível dos Mitos' abre dia 29 de julho em Porto Alegre
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Marcelo Mirisola e o açougue virtual do Tinder
>>> A pulsão Oblómov
>>> O Big Brother e a legião de Trumans
>>> Garganta profunda_Dusty Springfield
>>> Susan Sontag em carne e osso
>>> Todas as artes: Jardel Dias Cavalcanti
>>> Soco no saco
>>> Xingando semáforos inocentes
>>> Os autômatos de Agnaldo Pinho
>>> Esporte de risco
Colunistas
Últimos Posts
>>> A melhor análise da Nucoin (2024)
>>> Dario Amodei da Anthropic no In Good Company
>>> A história do PyTorch
>>> Leif Ove Andsnes na casa de Mozart em Viena
>>> O passado e o futuro da inteligência artificial
>>> Marcio Appel no Stock Pickers (2024)
>>> Jensen Huang aos formandos do Caltech
>>> Jensen Huang, da Nvidia, na Computex
>>> André Barcinski no YouTube
>>> Inteligência Artificial Física
Últimos Posts
>>> Cortando despesas
>>> O mais longo dos dias, 80 anos do Dia D
>>> Paes Loureiro, poesia é quando a linguagem sonha
>>> O Cachorro e a maleta
>>> A ESTAGIÁRIA
>>> A insanidade tem regras
>>> Uma coisa não é a outra
>>> AUSÊNCIA
>>> Mestres do ar, a esperança nos céus da II Guerra
>>> O Mal necessário
Blogueiros
Mais Recentes
>>> A memória vegetal
>>> VergonhaBrasil
>>> Juditha Triumphans, de António Vivaldi
>>> A trilogia Qatsi
>>> A pata da gazela transviada
>>> dinosonic
>>> Entrevista com Claudio Willer
>>> E assim se passaram dez anos...
>>> A profissão de fé de um Livreiro
>>> Sermão ao cadáver de Amy
Mais Recentes
>>> Livro Mulheres Dos Anos Dourados de Carla Bassanezi Pinsky pela Contexto (2014)
>>> Liveo Eclipse - Série Crespúslo de Stephenie Meyer pela Intrinseca (2009)
>>> 100 Camisas Que Contam As Historias De Todas As Copas de Marcelo Duarte pela Panda Books (2024)
>>> Speakout Advanced 2nd Edition Students' Book With Dvd-rom And Myenglishlab Access Code Pack de Antonia Clare, Jj Wilson pela Pearson Education (2018)
>>> Traits Writing Student Handbook Grade 4 de Ruth Culham pela Ruth (2024)
>>> Livro Do Queijo de Juliet Harbutt (org. ) pela Globo (2010)
>>> Scooby Doo And The Weird Water Park (scooby-doo 8x8) de Jesse Leon Mccann pela Scholastic Paperbacks (2000)
>>> Spider-man 2: Hurry Up, Spider-man! de Kate Egan pela Festival (2004)
>>> Spider-man 3: Meet The Heroes And Villains (i Can Read: Level 2) de Harry Lime pela Harper Trophy (2024)
>>> Bakugan: Finding Drago de Tracey West pela Scholastic Inc. (2009)
>>> Medicina Integrativa: A Cura Pelo Equilibrio de Lima pela Mg (2024)
>>> Bem-vindo, Doutor: A Construção De Uma Carreira Baseada Em Credibilidade E Confiança de Renato Gregorio pela 62608 (2024)
>>> Problemas Atuais De Bioética de Leocir Pessini pela Edições Loyola (2020)
>>> À Meia Noite Levarei Sua Alma - O Estranho Mundo do Zé do Caixão de Laudo pela Nova Sampa (1995)
>>> Inglês Em Medicina de Vários Autores pela Manole (2024)
>>> Firestone de Roberto, Firestone Tire And Rubber Company Bascchera pela Dezembro Editorial (2024)
>>> Guia Josimar Melo 2004 de Josimar Melo pela Dba Dória Books And Art (2024)
>>> O Que Todo Médico Deve Saber Sobre Impostos, Taxas E Contribuições de Fábio K. Ejchel pela Edgard Blücher (2009)
>>> Compass American Guides: California Wine Country, 5th Edition (full-color Travel Guide) de John Doerper, Constance Jones, Sharron Wood Fodor's pela Compass America Guides (2007)
>>> Professoras Na Cozinha. Pra Você Que Não Tem Tempo Nem Muita Experiencia de Laura De Souza Chaui pela Senac (2024)
>>> The Penguin Good Australian Wine Guide 2007 de Huon Hooke pela Penguin Books Australia (2007)
>>> Guia Ilustrado Zahar: Azeite - Eyewitness Companio de Charles Quest-ritson pela Jorge Zahar (2011)
>>> Vinho Sem Segredos de Patricio Tapia pela Planeta (2024)
>>> Sentidos Do Vinho, Os de Kramer pela Conrad (2024)
>>> Buyer's Guide To New Zealand Wines 2007 de Michael Cooper pela Michael (2024)
COLUNAS

Quarta-feira, 26/2/2014
Brasil em novo tempo de cinema
Humberto Pereira da Silva
+ de 4000 Acessos

O Que se Move

O Que se Move - Cartaz de divulgação

1.
O momento denominado Retomada do cinema brasileiro deu-se em meados dos anos de 1990. Com o desmanche dos anos Collor, só com a chegada de Fernando Henrique Cardoso ao poder e a aprovação de leis de incentivo fiscal foram realizados filmes que despertaram a atenção de público e crítica: Carlota Joaquina (1995), de Carla Camurati, O Quatrilho (1995), de Fabio Barreto, Baile Perfumado (1996), de Lírio Ferreira e Paulo Caldas, Central do Brasil (1998), de Walter Salles, Cronicamente Inviável (2000), de Sergio Bianchi, então entre os filmes emblemáticos do período.

Com a Retomada, festivais importantes em anos anteriores ganharam novo estímulo - Gramado, Brasília -, assim como outros surgiram e foram impulsionados pelos ventos da nova conjuntura cultural - Tiradentes, Paulínia, Cine PE, entre outros. Ano após ano novos diretores despontaram e se firmaram; seus filmes instigaram discussões, foram objetos de acalorados debates no âmbito de uma nova crítica, que também surgiu e ganhou ressonância nesse novo contexto. O livro de Luiz Zanin Cinema de novo (2003), creio ser o balanço mais completo e sintético do que se realizou até Cidade de Deus (2002), de Fernando Meirelles.

Passada a Retomada, a produção cinematográfica nacional se diversificou significativamente: comédias, temática histórica, dramas individuais, violência urbana dão o tom dos filmes que passam em festivais ou são exibidos no circuito comercial. Considerada a diversidade fílmica nos anos recentes, há um aspecto que merece especial destaque, depois da consolidação da produção com a Retomada. Sem que se precise o início - talvez Cinema, Aspirinas e Urubus (2005), de Marcelo Gomes, ou O Céu de Suely (2006), de Karim Aïnouz -, o impulso renovador, a necessidade de se manifestar com certa ousadia nos planos formal e temático, tem contagiado uma geração que não se mostra em princípio com preocupação de fazer concessões.

Para essa geração recente, o cinema desponta como veículo de expressão artística, tanto quanto de termômetro de pulsões presentes ou de reavaliação de nosso passado. O ápice desse momento com sopro de ar fresco, creio, ocorreu no ano passado, com O Som ao Redor, de Kleber Mendonça Filho.

Premiado no Brasil e no exterior, detonador de intensos debates, o filme de Kleber Mendonça revela ser mais um sintoma que reflete um novo tempo no cinema nacional do que um caso isolado, um projeto solto com qualidades amplamente destacadas pelos mais diversos seguimentos da crítica. Ora, os sinais do tempo anunciam que O Som ao Redor não é avis rara, que está na companhia de filmes que merecem tanta atenção quanto; destes, destaco O Que se Move, de Caetano Gotardo.

2.
Trata-se do primeiro longa metragem de Gotardo, que faz parte do coletivo paulista Filmes do Caixote, responsável por dois outros filmes que atestam a força do grupo: Trabalhar Cansa, de Marco Dutra e Juliana Rojas, e Quando Eu Era Vivo, de Marco Dutra. A filmografia do Filmes do Caixote, em especial O Que se Move, deixa no ar o espírito de desafio, de risco providencial ao campo artístico, sem que se sinta a contaminação de artifícios ou maneirismos de iniciativas antes de tudo pretensiosas.

O Que Se Move é uma fita que explora fait divers em torno da perda; no caso, do filho que, fruto do acaso, se aparta da mãe; esta, por sua vez, se culpabiliza pelo destino dramático ou trágico do filho. O cinema - e a arte em geral - mostrou esse tema das mais diversas formas. O que é verdadeiramente notável em O Que Se Move é que Gotardo não se intimida e concebe uma obra que perturba à medida que se procura, mas não se encontra similar, e assim deixa a sensação de frescor diante de uma narrativa desconcertante.

Claro, há referências, influências, mas O Que Se Move foi realizado de forma a diluir ingredientes e experimentar o novo, sem os cacoetes da experimentação pela experimentação. A narrativa flui de modo estranho e inesperado, até que o elemento surpresa se desfaz, sem que, contudo, o espectador perca o envolvimento com o que está por vir. Em cada cena, cada enquadramento, uma dimensão da vida que exige o máximo de atenção. Neste sentido, um dos filmes mais ousados de nossa recente filmografia; fruto de um momento que se revela poroso a iniciativas inovadoras.

Feito este destaque, a "nova onda" de filmes inovadores se depara com o problema de acolhimento de público. Esses filmes, nas palavras do crítico Jean-Claude Bernardet, são "irrelevantes" desse ponto de vista. No momento atual, enquanto comédias globais como Até Que a Sorte nos Separe 2 fazem quatro milhões de espectadores, os três filmes do Filmes do Caixote não chegam a 100 mil. A questão da "relevância" ou "irrelevância" foi tratada também por Kleber Mendonça, numa diatribe com o diretor da Globo Filmes, Cadu Rodrigues, em seguida à recepção crítica de O Som ao Redor. Para Kleber, qualquer um que "lançar um filme no esquema da Globo Filmes faria 200 mil espectadores no primeiro final de semana".

A questão que está em pauta é velha na história da arte e diz respeito à autonomia de criação. O adjetivo "irrelevante" nas palavras de Bernardet assume conotação negativa, mas me parece que essa negatividade encerra mal entendido: para Bernardet o cinema brasileiro "relevante" é aquele que atinge o público, o grande público.

Bernardet cita Tropa de Elite, como exemplo de filme "relevante"; mas o caminho que José Padilha deu à sua carreira responde sobre o sentido da "relevância", sobre o cinema com que se afina... Se esse é o ponto, o que se tem em vista é o mercado e seus humores. Neste sentido, "relevância" ou "irrelevância" não passa de jogo de palavras para a submissão às regras do mercado.

Assim, caso Caetano Gotardo se submetesse às condições de "relevância", jamais teria feito O Que Se Move. Não teríamos, pois, um filme que se oferece como objeto de culto, e não mais um produto para alguns minutos de entretenimento. "Irrelevante" do ponto de vista do grande público que vê o cinema como diversão, O Que se Move toca a sensibilidade de quem quer que veja um filme como obra de arte. Que seja bem vindo O Som ao Redor, O Que se Move e o propósito de filmografia recente no país que se pauta pelo desafio, pelo risco e pela ousadia formal.

É evidente que a importância desses filmes - e desse momento em nosso cinema - está para ser contada. Mas me parece fora de questão que neles respira-se uma nova atmosfera, diferente e inovadora. A determinação dessa nova geração, que se coloca à margem da Globo Filmes e das pressões de mercado, não deve escapar àqueles que sejam sensíveis à uma maneira de entender que o cinema pode se orientar pelo primado da autonomia da criação artística.


Humberto Pereira da Silva
São Paulo, 26/2/2014

Quem leu este, também leu esse(s):
01. Lourival, Dorival, assim como você e eu de Elisa Andrade Buzzo
02. Cuba e O Direito de Amar (1) de Marilia Mota Silva
03. O pai tá on: um ano de paternidade de Luís Fernando Amâncio
04. Nenhum Mistério, poemas de Paulo Henriques Britto de Jardel Dias Cavalcanti
05. O Carnaval que passava embaixo da minha janela de Elisa Andrade Buzzo


Mais Humberto Pereira da Silva
Mais Acessadas de Humberto Pereira da Silva em 2014
01. Tectônicas por Georgia Kyriakakis - 13/8/2014
02. O medo como tática em disputa eleitoral - 8/10/2014
03. Gustavo Rezende: uno... duplo... - 22/1/2014
04. Monticelli e a pintura Provençal no Oitocentos - 5/2/2014
05. O caso Luis Suárez - 16/7/2014


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Vida Amorosa
Zeruya Shalev
Imago
(2002)



100 Dicas infalíveis para emagrecer e se manter em forma
Fred A. Stutman
Sextante
(2010)



A oração no Islam
Sheikh Taleb Hussein Sl-Khazraji
Centro islâmico no Brasil
(2004)



Anatomia - Perguntas e Respostas Comentadas - 9ªedição
Ernest W. April
Manole
(2000)



A Assustadora História Da Medicina
Richard Gordon
Ediouro
(1996)



Opçoes Estudos de Gestao
Rogério Fernandes Ferreira
Notícias
(1994)



A Desintegração do Leste Urss Iugoslavia Europa Oriental
Nelson Bacic Olic
Moderna
(1998)



Livro Psicologia Mãe De Uti Amor Incondicional
Maria Julia Miele
Terceiro Nome
(2004)



Amor de Perdição
Camilo Castelo Branco
Publifolha



Livro Economia The World is Flat
Thomas L Friedman
Farrar, Straus and Giroux
(2005)





busca | avançada
68461 visitas/dia
2,1 milhões/mês