Séries da Inglaterra; e que tal uma xícara de chá? | Renato Alessandro dos Santos | Digestivo Cultural

busca | avançada
58188 visitas/dia
2,0 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Conversas no MAB com Sergio Vidal e Ana Paula Lopes
>>> Escola francesa de Design, Artes e Comunicação Visual inaugura campus em São Paulo
>>> TEATRO & PODCAST_'Acervo e Memória', do Célia Helena, relembra entrevista com Nydia Licia_
>>> Projeto Cultural Samba do Caxinha cria arrecadação virtual para gravação de seu primeiro EP
>>> Designer e arquiteto brasileiro, Giovanni Vannucchi participa da VIIBienal Ibero-americana de Design
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Aos nossos olhos (e aos de Ernesto)
>>> Carol Sanches, poesia na ratoeira do mundo
>>> O fim dos livros físicos?
>>> A sujeira embaixo do tapete
>>> Moro no Morumbi, mas voto em Moema
>>> É breve a rosa alvorada
>>> Alameda de água e lava
>>> Entrevista: o músico-compositor Livio Tragtenberg
>>> Cabelo, cabeleira
>>> A redoma de vidro de Sylvia Plath
Colunistas
Últimos Posts
>>> Gente feliz não escreve humor?
>>> A profissão de fé de um Livreiro
>>> O ar de uma teimosia
>>> Zuza Homem de Mello no Supertônica
>>> Para Ouvir Sylvia Telles
>>> Van Halen ao vivo em 1991
>>> Metallica tocando Van Halen
>>> Van Halen ao vivo em 2015
>>> Van Halen ao vivo em 1984
>>> Chico Buarque em bate-papo com o MPB4
Últimos Posts
>>> O poder da história
>>> Caraminholas
>>> ETC. E TAL
>>> Acalanto para a alma
>>> Desde que o mundo é mundo
>>> O velho suborno
>>> Normal!
>>> Os bons companheiros, 30 anos
>>> Briga de foice no escuro
>>> Alma nua
Blogueiros
Mais Recentes
>>> De Kooning em retrospectiva
>>> O Tigrão vai te ensinar
>>> Aquele apoio
>>> A forca de cascavel — Angústia (Fuvest)
>>> Pouca gente sabe
>>> O chilique do cabeleireiro diante da modelo
>>> Paradiso por Metheny
>>> A nova propaganda anda ruim
>>> A Erva do Diabo, de Carlos Castaneda
>>> Manual para o leitor de transporte público
Mais Recentes
>>> Vigiar e Punir: História da Violência nas Prisões de Michel Foucault pela Vozes (2004)
>>> Revistas Mamulengo n 9 11 12 de Vários pela Mec (1983)
>>> O Livro dos Chakras, da Energia e dos Corpos Sutis de Joan P. Miller pela Pensamento (2015)
>>> Casados e Felizes: Não permita que seu casamento vire uma mala sem alça de Hernandes Dias Lopes pela Hagnos (2008)
>>> Manual do Materpensene: A Síntese da Consciência de Guilherme Kunz pela Editares (2016)
>>> Manual da Conscin-Cobaia de João Paulo Costa; Dayane Rossa pela Editares (2014)
>>> Extraordinário de R J Palacio pela Intrinseca (2013)
>>> La Vie D'Anne Frank de Janny Van der Molen pela Bayard Jeunesse (2015)
>>> Coleção 5 Gibis - Turma da Mônica de Mauricio de Souza pela Panini Comics (1500)
>>> Coleção 5 Gibis - Turma da Mônica de Mauricio de Souza pela Panini Comics (1500)
>>> Coleção 5 Gibis - Turma da Mônica de Mauricio de Souza pela Panini Comics (1500)
>>> Coleção 5 Gibis - Turma da Mônica de Mauricio de Souza pela Panini Comics (1500)
>>> Coleção 5 Gibis - Turma da Mônica de Mauricio de Souza pela Panini Comics (1500)
>>> Coleção 5 Gibis - Turma da Mônica de Mauricio de Souza pela Panini Comics (1500)
>>> Coleção 5 Gibis - Turma da Mônica de Mauricio de Souza pela Panini Comics (1500)
>>> A tragédia de um povo: a Revolução Russa (1891 - 1924) de Orlando Figes pela Dom Quixote (2017)
>>> Contabilidade Geral e Avançada Esquematizadotizado de Eugenio Mototo pela Saraiva Jur (2018)
>>> Floriano Peixoto - Vida e Governo de Francolino Camêu e Arthur Vieira Peixoto pela A Noite (1925)
>>> Annaes das Guerras do Brazil com os Estados do Prata e Paraguay de Coronel J. S. Torres Homem pela Imprensa Nacional (1911)
>>> "E o sangue brasileiro correrá..." de Elvaldo de Alarcon pela Du Barry (1942)
>>> O punhal nazista no coração do Brasil de Capitão Antônio Carlos Mourão Ratton (e outros) pela Imprensa Oficial do Estado de Santa Catarina (1943)
>>> História da II Guerra Mundial 1939-1945 (6 volumes) de Edgar Mc Innis pela Globo (1958)
>>> A Canção de Ariel de Martins Fontes pela Comissão glorificadora de Martins Fontes (1938)
>>> Passagens: Estudos sobre a filosofia de Kant de Ricardo Terra pela Ufrj (2003)
>>> Vathek de William Beckford pela L&PM Pocket (2007)
>>> Natureza e ilustração: Sobre o materialismo de Diderot de Maria das Graças de Souza pela Unesp (2002)
>>> Hume et la fin de la philosophie de Yves Michaud pela Quadrige / PUF (1999)
>>> Hume: Une Philosophie Des Contradictions de Jean-Pierre Cléro pela Vrin (1998)
>>> Hume's Philosophy of Religion de J. C. A Gaskin pela MacMillan (1988)
>>> Machado de Assis: equívocos da crítica de Alfredo Jacques pela Iel (1974)
>>> Diálogos com Leuco de Cesare Pavese pela Cosac & Naify (2012)
>>> Subjetividade, Espaço E Tempo Em David Hume de Monica Loyola Stival pela Humanitas / FAPESP (2015)
>>> Biologia 1(ensino médio) biologia das células de Amabis Martho pela Moderna plus (2010)
>>> História conexões de Alexandre Alves, Letícia Fagundes pela Moderna plus (2013)
>>> Geografia conexões de Lygia Terra, Regina Araújo e Raul Borges pela Moderna plus (2012)
>>> Atividade em Feltro Foguete dos Cálculos de Claudia Maria Bertuqui Ribeiro pela Feltro (2020)
>>> Contribuição para a História da Revolução Constitucionalista de 1932 de Euclydes Figueiredo pela Livraria Martins (1954)
>>> Por São Paulo e pelo Brasil de João Neves pela Sem (1933)
>>> A Revolução Constitucionalista de Herculano C. e Silva pela Civilização Brasileira (1932)
>>> Química 1 (ensino médio) de Tito Canto pela Moderna plus (2010)
>>> Prefiero Espanol (ensino médio) 1 de Gretel Eres Fernandez pela Moderna (2010)
>>> A Columna Romão Gomes de Herbert V. Levy pela Saraiva & Cia (1933)
>>> Literatura (ensino médio) 1 de Maria Luiza M. Abaurre e Marcela Pontara pela Moderna plus (2010)
>>> Um Desconhecido de Danielle Steel pela Record (1999)
>>> Capacete de Aço de Affonso de Carvalho pela Civilização Brasileira (1933)
>>> Palmo a Palmo (a Lucta no Sector Sul) de Cap. Alves Bastos pela Sociedade Impressora Paulista (1932)
>>> Preces Atendidas de Danielle Steel pela Record (2009)
>>> Matemática (ensino médio) 1 de Manoel Paiva pela Moderna plus (2013)
>>> Agora Nós! de Paulo Duarte pela Sem (1927)
>>> Um Mundo que Mudou de Danielle Steel pela Record (1996)
COLUNAS

Terça-feira, 1/8/2017
Séries da Inglaterra; e que tal uma xícara de chá?
Renato Alessandro dos Santos

+ de 2600 Acessos

Estive a ver nestas férias, enquanto meus pés passavam frio, algumas séries britânicas na Netflix. Hoje, quando muitos vêm achando que o cinema parece já ter dito tudo, a televisão deu uma cambalhota, e voltando a parar em pé, como tudo que nos últimos anos vem mudando, ela acabou tirando do cinema alguma coisa, e certo é que há de parar bem essa história um dia à sétima arte, porque fermentações assim sempre trazem mudanças que, maturando, transformam leite em queijo, e enquanto à coivara criativa o cinema vai sobrevivendo, há algo de muito frescor no reino da Inglaterra; da Dinamarca, também, mas vamos nos contentar com o que vem da ilha. Paranoid, Marcella, River, Doctor Foster, Hinterland e Happy Valley dão um voto de confiança à inteligência do espectador, que, quando se dá conta, não quer deixar de ver outra série britânica. Que tal uma xícara de chá? Tea with me.

O que a gente procura em uma série? Aquele envolvimento que quando menos se percebe já não se larga mais? Um vício? Alguém nos puxando a um colar precipitado de corpos? Entretenimento? Algum aprendizado? Um pouco disso tudo, quem sabe? Quando somos fisgados, isto é, ao acontecer, há dramaturgia, ou um mergulho vertical, fundo, na alma humana, com a riqueza de detalhes que se vê num ato falho, num objeto esquecido sobre o criado-mudo que a câmera mostra quase ao acaso, numa coceira que leva a uma mordida e à solução de um crime.

O mais importante é quando o espectador imerge no drama representado, da mesma forma que aquelas plateias gregas no tempo de Sófocles entendiam o sofrimento por que Édipo passava, ao furar os olhos, levando-as a um estado de espírito que só a arte é capaz de oferecer. Vem a TV milênios depois, e o que se vê ainda é tragédia por toda parte: corpos de gente morta por asfixia, traições, adultérios, sequestros, filhos matando mães, os dez mandamentos, os sete crimes capitais e um copo de cólera tudo misturado, e quando mergulhamos mais fundo encontramos um pouco do que somos naquele dramalhão todo, e aí a TV passa a ocupar o tempo das pessoas mais do que deveria, deixando-as longe dos livros, mas, não, de uma arte dramática que, primeiro no teatro, depois no cinema e mais tarde na sala de casa, nos leva a uma experiência que, em vida, jamais teríamos, ou apetece a ideia de assaltar um banco, alvejar alguém com uma arma, levar um tiro?!



A primeira boa surpresa é Paranoid, que retrata detetives de um departamento de polícia que, ao investigar a morte de uma médica em um parque infantil, esfaqueada enquanto crianças correm ao redor, descobrem um ninho de mafagafinhos onde cabem a indústria farmacêutica e um crime internacional. Todos os olhos são para Nina, uma investigadora de 30 e poucos anos que passa por uma separação e pela descoberta de que está grávida. Tudo é muito bem conduzido pela direção, com atores que lembram gente vivendo dias ruins, como nós todos. É uma série de abordagem bastante psicológica, desossando a natureza humana, característica que se esparrama por todas as outras mencionadas aqui, o que não poderia ser diferente, quando o que mais há, nelas, é o indivíduo à mercê de seus demônios, como Marcella, outra série conduzida por uma narrativa que retrata a personagem-título, uma investigadora que busca solucionar os crimes de um serial killer, enquanto lida com o divórcio; o problema é que ela passa a ter apagões em que faz lá o que tem de fazer e dos quais, depois, não se lembra; o espectador, nesse jogo, fica sem saber se ela tem ou não culpa no cartório, algo que resulta em uma bela carta na manga dessa série, que, como River, Doctor Foster e Hinterland, está também na primeira temporada no serviço de streaming.



River é um mergulho na mente do introvertido personagem-título, que conversa sozinho, doido varrido, pensam as pessoas que o veem quando cruzam com ele, mas nós sabemos que o homem vê mesmo abantesmas, convivendo com eles. É uma série que traz o espectador bem pertinho do personagem, e há tantas camadas submersas na personalidade desse investigador, que a gente só pode acompanhar a série como se tivesse uma taça de vinho a ser sorvida nesses dias em que o frio congela lá fora e aqui dentro. Ah, a balança não pende para o sobrenatural, caso tenha pensado assim por causa dos fantasmas.



John River (considere as sugestões que o nome carrega), como toda grande personagem, tem em si mesmo o inimigo, e o passado, ou melhor, a morte de alguém de quem ele gostava muito, não o abandona, e adivinhe quem vem trazer boas novas sempre. Vê-lo rebolando o esqueleto, com os músculos de um rosto que não sorri há tempos, dançando na rua “I love to love (but my baby loves to dance)”, de Tina Charles (sempre pensei que essa canção fosse do ABBA), é dessas cenas que valem uma série inteira.



Doctor Foster é o peixe fora d’água aqui, em meio a essas séries de investigação criminal. Trata de traição, daquele dar de costas a um casamento de anos. A história envolve a gente, que fica ao lado da mulher, e o episódio final é tão surpreendente que até poderia ser inverossímil, se não fosse o ser humano a caixinha de Pandora que é; os personagens são bem construídos, e o enredo vai muito bem conduzido pela direção. É uma série que, por ser pouco conhecida e instigante, ao final, o espectador sai recompensado pela descoberta com uma pequena alegria, como aqueles 60 minutos que a gente pega de volta, no último dia do horário de verão.



Hinterland traz cemitérios celtas, assassinatos, equipes forenses e gente em migalhas. São apenas quatro episódios, com uma hora e meia de duração cada um. É sombria e mais galesa (Y Gwyll) que inglesa, misturando as duas línguas, algo que com legendas nem notamos, e o nome (hinterlândia) traz em si alguma coisa que situa o País de Gales bordejando a Inglaterra, como um perímetro distante da urbanidade de Londres e arredores, uma vez que a investigação criminal e o mistério ocorrem na roça, nos ermos vales sufocados pelo céu cinza do País de Gales.



Por fim Happy Valley, em sua segunda temporada. Mais uma vez a delegacia de polícia, mas com uma policial veterana que vai se tornando um duro osso de roer a quem não cai em sua graça, enquanto uma teia de transtornos, nela, vai acumulando fios. A mulher carrega um trauma e a cada dia tem de lidar com ele, com umas mortes escabrosas que vão pululando e com o tráfico de drogas local, tudo no interior inglês, com aqueles carros com o volante do lado errado; ah, e por causa do aparente frio eterno a roçar os ossos, sempre em desconforto, toda hora é adequada para se tomar uma xícara de chá, e como gostam de tea os personagens de Happy Valley. Até cabe um ponto de exclamação aqui.



Terminadas as férias, do lado de cá, na terra do sol onde este inverno de 2017 ainda continua a gelar a pele, uma xícara de chá não cai mal, enquanto no conforto e na proteção da casa nunca é tarde para rever algum episódio de Black Mirror, a cereja no arranha-céu das séries inglesas, com aquele retrato ácido de mal-estar da sociedade, de arrepiar os braços que nem quando a gente come um bolo de chocolate com overdose de açúcar.

Nota do Autor
Renato Alessandro dos Santos é editor do site tertuliaonline.com.br


Renato Alessandro dos Santos
Batatais, 1/8/2017


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Alma indígena minha de Elisa Andrade Buzzo
02. Resenha particular sobre um ano bom de Ana Elisa Ribeiro
03. Jeff Scott Soto recicla o hard rock em novo álbum de Debora Batello


Mais Renato Alessandro dos Santos
Mais Acessadas de Renato Alessandro dos Santos em 2017
01. A imaginação do escritor - 25/4/2017
02. Manchester à beira-mar, um filme para se guardar - 3/10/2017
03. Um parque de diversões na cabeça - 30/5/2017
04. Séries da Inglaterra; e que tal uma xícara de chá? - 1/8/2017
05. Nós que aqui estamos pela ópera esperamos - 4/7/2017


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




O PATINHO FEIO VAI TRABALHAR - A SABEDORIA DOS CLÁSSICOS DE H. C.
METTE NORGAARD
DVS
(2007)
R$ 14,00



HANNIBAL
THOMAS HARRIS
RECORD
(1999)
R$ 23,00



SOCORRO! MINHA FAMÍLIA É DE ENLOUQUECER
KATHRYN LAMB
ARX JOVEM
(2005)
R$ 8,68



OFFICIUM ET CANTUS IN PROCESSIONE DOM PALMARUM IN TRIDUO
ANÔNIMO
NÃO DEFINIDA
(1830)
R$ 500,00



DIREITO DAS SUCESSÕES
REGINA GHIARONI (COORDENADORA GERAL)
FREITAS BASTOS
(2004)
R$ 14,28



OS FILHOS DA LUA
THEODORA LAU
PENSAMENTO
(2005)
R$ 11,99



DREAMANTINA
IVO PEREIRA
PRODUÇÃO INDEPENDENTE
(2014)
R$ 24,02



DARTANA
ANDRÉ VIANCO
ROCCO
(2016)
R$ 32,00



POEMAS E BUMBA-MEU-POETA
MURILO MENDES
NOVA FRONTEIRA
(1988)
R$ 8,90



ALVES & CIA
EÇA DE QUEIRÓS
LELLO & IRMÃO
(1952)
R$ 6,90





busca | avançada
58188 visitas/dia
2,0 milhões/mês