Séries da Inglaterra; e que tal uma xícara de chá? | Renato Alessandro dos Santos | Digestivo Cultural

busca | avançada
29791 visitas/dia
1,1 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Banda GELPI, vencedora do concurso EDP LIVE BANDS BRASIL, lança seu primeiro álbum com a Sony
>>> Celso Sabadin e Francisco Ucha lançam livro sobre a vida de Moracy do Val amanhã na Livraria da Vila
>>> No Dia dos Pais, boa comida, lugar bacana e MPB requintada são as opções para acertar no presente
>>> Livro destaca a utilização da robótica nas salas de aula
>>> São Paulo recebe o lançamento do livro Bluebell
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> O reinado estético: Luís XV e Madame de Pompadour
>>> 7 de Setembro
>>> Outros cantos, de Maria Valéria Rezende
>>> Notas confessionais de um angustiado (VII)
>>> Eu não entendo nada de alta gastronomia - Parte 1
>>> Treliças bem trançadas
>>> Meu Telefunken
>>> Dor e Glória, de Pedro Almodóvar
>>> Leminski, estações da poesia, por R. G. Lopes
>>> Crônica em sustenido
Colunistas
Últimos Posts
>>> Banco Inter É uma BOLHA???
>>> Não Aguento Mais a Empiricus
>>> Nubank na Hotmart
>>> O recente choque do petróleo
>>> Armínio comenta Paulo Guedes
>>> Jesus não era cristão
>>> Analisando o Amazon Prime
>>> Amazon Prime no Brasil
>>> Censura na Bienal do Rio 2019
>>> Tocalivros
Últimos Posts
>>> O céu sem o azul
>>> Ofendículos
>>> Grito primal V
>>> Grito primal IV
>>> Inequações de um travesseiro
>>> Caroço
>>> Serial Killer
>>> O jardim e as flores
>>> Agradecer antes, para pedir depois
>>> Esse é o meu vovô
Blogueiros
Mais Recentes
>>> O apanhador no campo de centeio
>>> Curriculum vitae
>>> O Salão e a Selva
>>> Ed Catmull por Jason Calacanis
>>> Por que a Geração Y vai mal no ENEM?
>>> Por que a Geração Y vai mal no ENEM?
>>> A massa e os especialistas juntos no mesmo patamar
>>> Entrevista com Jacques Fux, escritor e acadêmico
>>> Nuno Ramos, poesia... pois é
>>> Literatura e interatividade: os ciberpoemas
Mais Recentes
>>> Amor de Perdição / Eurico, o Presbítero de Camilo Castelo Branco / Alexandre Herculano pela Círculo do livro (1978)
>>> Carajás de Paulo Pinheiro pela Casa Publicadora Brasileira (2007)
>>> Menopausa de Diversos pela Nova Cultural (2003)
>>> Guia de Dietas de Diversos pela Nova Cultural (2001)
>>> Seguros: Uma Questão Atual de Coordenado pela EPM/ IBDS pela Max Limonard (2001)
>>> O Significado dos Sonhos de Diversos pela Nova Cultural (2002)
>>> A Dieta do Tipo Sanguíneo - A B O AB de Peter J. D'Adamo pela Campus (2005)
>>> Cem Noites - Tapuias de Ofélia e Narbal Fontes pela Ática (1982)
>>> Direito do Trabalho ao Alcance de Todos de José Alberto Couto Maciel pela Ltr (1980)
>>> Manon Lescaut de Abade Prévost pela Ediouro (1980)
>>> A Reta e a Curva: Reflexões Sobre o Nosso Tempo de Riccardo Campa (com) O. Niemeyer (...) pela Max Limonard (1986)
>>> Introdução às Dificuldades de Aprendizagem de Vítor da Fonseca pela Artes Médicas (1995)
>>> Dos Crimes Contra a Propriedade Intelectual: Violação... de Eduardo S. Pimenta/ Autografado pela Revista dos Tribunais (1994)
>>> O Cortiço de Aluísio Azevedo pela Ática (1988)
>>> A Voz do Mestre de Kahlil Gibran pela Círculo do livro (1973)
>>> O Jovem e seus Assuntos de David Wilkerson pela Betânia (1979)
>>> Emília no País da Gramática de Monteiro Lobato pela Brasiliense (1978)
>>> The Art Direction Handbook for Film de Michael Rizzo pela Focal Press (2005)
>>> A Escrava Isaura de Bernardo Guimarães pela Melhoramentos (1963)
>>> O Grande Conflito de Ellen G. White pela Casa Publicadora Brasileira (1983)
>>> Filosofia do Espírito de Jerome A. Shaffer pela Zahar (1980)
>>> Muito Além das Estrelas de Álvaro Cardoso Gomes pela Moderna (1997)
>>> A Grande Esperança de Ellen G. White pela Casa Publicadora Brasileira (2011)
>>> É Fácil Jogar Xadrez de Cássio de Luna Freire pela Ediouro (1972)
>>> O Espião que saiu do Frio de John Le Carré pela Abril cultural (1980)
>>> A Primeira Reportagem de Sylvio Pereira pela Ática (1988)
>>> Distúrbios Psicossomáticos da Criança de Haim Grunspun pela Atheneu
>>> Aprenda Xadrez com Garry Kasparov de G. Kasparov pela Ediouro (2003)
>>> Poemas para Viver de P. C. Vasconcelos Jr. pela Salesiana Dom Bosco (1982)
>>> A Casa dos Bronzes de Ellery Queen pela Círculo do livro (1976)
>>> Warcraft Roleplaying Game de Christopher Aylott e outros pela Blizzard / Arthaus / wizards (2004)
>>> A Dama do Lago de Raymond Chandler pela Abril cultural (1984)
>>> ABC do Vôo Seguro de Manoel J. C. de Albquerque Filho pela O Popular (1981)
>>> A Relíquia de Eça de Queirós pela Klick (1999)
>>> Manual Completo de Aberturas de Xadrez de Fred Reinfeld pela Ibrasa (1991)
>>> Para Sempre - Os Imortais - volume 1 de Alyson Noel pela Intrínseca (2009)
>>> A Máscara de Dimítrios de Eric Ambler pela Abril cultural (1984)
>>> Rômulo e Júlia - Os Caras-Pintadas de Rogério Andrade Barbosa pela Ftd (1993)
>>> O Nariz do Vladimir de José Arrabal pela Ftd (1989)
>>> Perigosa e Fascinante de Merline Lovelace pela Nova Cultural (2002)
>>> Brincar de Viver de Maggie Shayne pela Nova Cultural (2001)
>>> O Grande Conquistador de Rita Sofia Mohler pela Escala (1978)
>>> Comédias para se Ler na Escola de Luis Fernando Veríssimo pela Objetiva (2001)
>>> As 21 Irrefutáveis Leis da Liderança de John C. Maxwell pela Agir (2007)
>>> Dungeon master guide de Jonathan Tweet / Skip Williams pela Core Rulebook II (2000)
>>> Disfunção Cerebral Mínima de Antonio Branco Lefévre - Beatriz Helena Lefevre pela Sarvier (1983)
>>> Viagem Fantástica II - Rumo ao Cérebro de Isaac Asimov pela Best Seller (1987)
>>> Tpm Número 57 Maio 2009 de Caetano Veloso pela Trip (2009)
>>> Incorporações Imobiliárias de J. Nascimento Franco/ Nisske Gondo pela Revista dos Tribunais (1984)
>>> Cavalo-Marinho no Céu de Edmund Cooper pela Hemus
COLUNAS

Terça-feira, 1/8/2017
Séries da Inglaterra; e que tal uma xícara de chá?
Renato Alessandro dos Santos

+ de 2100 Acessos

Estive a ver nestas férias, enquanto meus pés passavam frio, algumas séries britânicas na Netflix. Hoje, quando muitos vêm achando que o cinema parece já ter dito tudo, a televisão deu uma cambalhota, e voltando a parar em pé, como tudo que nos últimos anos vem mudando, ela acabou tirando do cinema alguma coisa, e certo é que há de parar bem essa história um dia à sétima arte, porque fermentações assim sempre trazem mudanças que, maturando, transformam leite em queijo, e enquanto à coivara criativa o cinema vai sobrevivendo, há algo de muito frescor no reino da Inglaterra; da Dinamarca, também, mas vamos nos contentar com o que vem da ilha. Paranoid, Marcella, River, Doctor Foster, Hinterland e Happy Valley dão um voto de confiança à inteligência do espectador, que, quando se dá conta, não quer deixar de ver outra série britânica. Que tal uma xícara de chá? Tea with me.

O que a gente procura em uma série? Aquele envolvimento que quando menos se percebe já não se larga mais? Um vício? Alguém nos puxando a um colar precipitado de corpos? Entretenimento? Algum aprendizado? Um pouco disso tudo, quem sabe? Quando somos fisgados, isto é, ao acontecer, há dramaturgia, ou um mergulho vertical, fundo, na alma humana, com a riqueza de detalhes que se vê num ato falho, num objeto esquecido sobre o criado-mudo que a câmera mostra quase ao acaso, numa coceira que leva a uma mordida e à solução de um crime.

O mais importante é quando o espectador imerge no drama representado, da mesma forma que aquelas plateias gregas no tempo de Sófocles entendiam o sofrimento por que Édipo passava, ao furar os olhos, levando-as a um estado de espírito que só a arte é capaz de oferecer. Vem a TV milênios depois, e o que se vê ainda é tragédia por toda parte: corpos de gente morta por asfixia, traições, adultérios, sequestros, filhos matando mães, os dez mandamentos, os sete crimes capitais e um copo de cólera tudo misturado, e quando mergulhamos mais fundo encontramos um pouco do que somos naquele dramalhão todo, e aí a TV passa a ocupar o tempo das pessoas mais do que deveria, deixando-as longe dos livros, mas, não, de uma arte dramática que, primeiro no teatro, depois no cinema e mais tarde na sala de casa, nos leva a uma experiência que, em vida, jamais teríamos, ou apetece a ideia de assaltar um banco, alvejar alguém com uma arma, levar um tiro?!



A primeira boa surpresa é Paranoid, que retrata detetives de um departamento de polícia que, ao investigar a morte de uma médica em um parque infantil, esfaqueada enquanto crianças correm ao redor, descobrem um ninho de mafagafinhos onde cabem a indústria farmacêutica e um crime internacional. Todos os olhos são para Nina, uma investigadora de 30 e poucos anos que passa por uma separação e pela descoberta de que está grávida. Tudo é muito bem conduzido pela direção, com atores que lembram gente vivendo dias ruins, como nós todos. É uma série de abordagem bastante psicológica, desossando a natureza humana, característica que se esparrama por todas as outras mencionadas aqui, o que não poderia ser diferente, quando o que mais há, nelas, é o indivíduo à mercê de seus demônios, como Marcella, outra série conduzida por uma narrativa que retrata a personagem-título, uma investigadora que busca solucionar os crimes de um serial killer, enquanto lida com o divórcio; o problema é que ela passa a ter apagões em que faz lá o que tem de fazer e dos quais, depois, não se lembra; o espectador, nesse jogo, fica sem saber se ela tem ou não culpa no cartório, algo que resulta em uma bela carta na manga dessa série, que, como River, Doctor Foster e Hinterland, está também na primeira temporada no serviço de streaming.



River é um mergulho na mente do introvertido personagem-título, que conversa sozinho, doido varrido, pensam as pessoas que o veem quando cruzam com ele, mas nós sabemos que o homem vê mesmo abantesmas, convivendo com eles. É uma série que traz o espectador bem pertinho do personagem, e há tantas camadas submersas na personalidade desse investigador, que a gente só pode acompanhar a série como se tivesse uma taça de vinho a ser sorvida nesses dias em que o frio congela lá fora e aqui dentro. Ah, a balança não pende para o sobrenatural, caso tenha pensado assim por causa dos fantasmas.



John River (considere as sugestões que o nome carrega), como toda grande personagem, tem em si mesmo o inimigo, e o passado, ou melhor, a morte de alguém de quem ele gostava muito, não o abandona, e adivinhe quem vem trazer boas novas sempre. Vê-lo rebolando o esqueleto, com os músculos de um rosto que não sorri há tempos, dançando na rua “I love to love (but my baby loves to dance)”, de Tina Charles (sempre pensei que essa canção fosse do ABBA), é dessas cenas que valem uma série inteira.



Doctor Foster é o peixe fora d’água aqui, em meio a essas séries de investigação criminal. Trata de traição, daquele dar de costas a um casamento de anos. A história envolve a gente, que fica ao lado da mulher, e o episódio final é tão surpreendente que até poderia ser inverossímil, se não fosse o ser humano a caixinha de Pandora que é; os personagens são bem construídos, e o enredo vai muito bem conduzido pela direção. É uma série que, por ser pouco conhecida e instigante, ao final, o espectador sai recompensado pela descoberta com uma pequena alegria, como aqueles 60 minutos que a gente pega de volta, no último dia do horário de verão.



Hinterland traz cemitérios celtas, assassinatos, equipes forenses e gente em migalhas. São apenas quatro episódios, com uma hora e meia de duração cada um. É sombria e mais galesa (Y Gwyll) que inglesa, misturando as duas línguas, algo que com legendas nem notamos, e o nome (hinterlândia) traz em si alguma coisa que situa o País de Gales bordejando a Inglaterra, como um perímetro distante da urbanidade de Londres e arredores, uma vez que a investigação criminal e o mistério ocorrem na roça, nos ermos vales sufocados pelo céu cinza do País de Gales.



Por fim Happy Valley, em sua segunda temporada. Mais uma vez a delegacia de polícia, mas com uma policial veterana que vai se tornando um duro osso de roer a quem não cai em sua graça, enquanto uma teia de transtornos, nela, vai acumulando fios. A mulher carrega um trauma e a cada dia tem de lidar com ele, com umas mortes escabrosas que vão pululando e com o tráfico de drogas local, tudo no interior inglês, com aqueles carros com o volante do lado errado; ah, e por causa do aparente frio eterno a roçar os ossos, sempre em desconforto, toda hora é adequada para se tomar uma xícara de chá, e como gostam de tea os personagens de Happy Valley. Até cabe um ponto de exclamação aqui.



Terminadas as férias, do lado de cá, na terra do sol onde este inverno de 2017 ainda continua a gelar a pele, uma xícara de chá não cai mal, enquanto no conforto e na proteção da casa nunca é tarde para rever algum episódio de Black Mirror, a cereja no arranha-céu das séries inglesas, com aquele retrato ácido de mal-estar da sociedade, de arrepiar os braços que nem quando a gente come um bolo de chocolate com overdose de açúcar.

Nota do Autor
Renato Alessandro dos Santos é editor do site tertuliaonline.com.br


Renato Alessandro dos Santos
Batatais, 1/8/2017


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Nos braços de Tião e de Helena de Renato Alessandro dos Santos
02. A falta que Tom Wolfe fará de Rafael Lima
03. Os Doze Trabalhos de Mónika. 3. Um Jogo de Poker de Heloisa Pait
04. O tremor na poesia, Fábio Weintraub de Jardel Dias Cavalcanti
05. Minha Terra Tem Palmeiras de Marilia Mota Silva


Mais Renato Alessandro dos Santos
Mais Acessadas de Renato Alessandro dos Santos em 2017
01. A imaginação do escritor - 25/4/2017
02. Manchester à beira-mar, um filme para se guardar - 3/10/2017
03. Um parque de diversões na cabeça - 30/5/2017
04. Séries da Inglaterra; e que tal uma xícara de chá? - 1/8/2017
05. Nós que aqui estamos pela ópera esperamos - 4/7/2017


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




UM ESTUDO EM VERMELHO/O CÃO DOS BASKERVILLES
CONAN DOYLE
ABRIL
R$ 10,00



LASER INTERMEDIATE: GRAMMAR BANK
MAC MILLAN
MACMILLAN ELT
(2005)
R$ 10,00



FIQUEI COM O SEU NUMERO
SOPHIE KINSELLA
RECORD
(2012)
R$ 32,00



MARCADA
P. C. CAST E KRISTIN CAST
NOVO SÉCULO
(2009)
R$ 4,99



PERSPECTIVAS SOCIOLÓGICAS - UMA VISÃO HUMANÍSTICA
PETER L. BERGER
VOZES
(1994)
R$ 10,00



LENDAS E MITOS DO BRASIL - SANTOS
THEOBALDO MIRANDA SANTOS
NACIONAL
(1975)
R$ 14,80



MAGISTRATURA ESTADUAL EDITAL SISTEMATIZADO
LEONARDO DE MEDEIROS GARCIA / ROBERVAL ROCHA
JUSPODIVM
(2014)
R$ 35,00



UM AMIGO NO ESCURO (VEREDAS)
MÁRCIA KUPSTAS
MODERNA/ SP.
(1994)
R$ 28,90



A CAIXA DE SONHOS
LUCI GUIMARÃES WATANABE
ATUAL
(1989)
R$ 4,50



ARTE E VINHO
FERNANDO MIRANDA
AXCEL BOOKS
(2001)
R$ 59,00





busca | avançada
29791 visitas/dia
1,1 milhão/mês