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Terça-feira, 6/8/2002
Três comentários
Evandro Ferreira

+ de 3000 Acessos

Minhas Férias

Titia Zara (o nome é em homenagem à minha professora de primário) pediu para eu escrever uma redação sobre as minhas férias. Eu não sei direito o que escrever, então vou só contar as coisas que eu fiz e as coisas que eu vi. Fui para Brasília, que não é nenhuma praia, mas é a coisa mais parecida que consegui.

Quando cheguei lá, comecei a observar as coisas. Não tem muitas coisas lá, mas mesmo assim consegui observar algumas. Observei, por exemplo, que não se vendem cervejas em postos de gasolina depois das dez horas da noite porque a lei não deixa. A lei também não deixa nos bares, mas aí ninguém respeita porque também já é demais.

Também fui a um café, tomar alguma coisa e fumar um cigarro (essa a tia Zara não pode saber). Chegando lá, vi cartazes de um candidato político pregados nas paredes e panfletos espalhados por toda parte. Perguntei pra minha mãe se isso estava certo e ela respondeu "não, meu filho, isso é muito feio", e também falou qualquer coisa sobre eu não fazer isso quando crescer.

Fiz algumas outras coisas também, mas nenhuma delas é muito importante, então vou acabar minha redação por aqui mesmo. Ah, e o som do meu carro foi roubado. Registrei ocorrência na delegacia e o funcionário me disse que o poder judiciário solta todos os ladrões que eles prendem.

No geral, acho que Brasília não é uma cidade para pessoas normais, ou melhor, para ser feliz em Brasília é preciso ser extremamente normal ou então extremamente maluco. Tem uma escritora que disse que as pessoas de Brasília também foram projetadas, como a cidade, pois elas foram colocadas lá depois que a cidade estava pronta. Eu sempre me lembro dela quando vejo aquelas maquetes de Brasília, com todas aquelas pessoinhas em meio aos prédios, servindo de escala para você saber o tamanho dos monumentos. O nome da escritora era Clarice Lispector.

De qualquer maneira, é legal andar de bicicleta, correr e tomar Sol em Brasília. Sobre os políticos, não vou nem falar nada. Afinal, que tipo de indivíduo vem para o meio do cerrado, vestir um terno e falar de cidadania o dia inteiro? Minha mãe falou que toda essa maluquice começou com aquele que eles chamam de JK. O carinha deixou o Rio de Janeiro na mão e mandou todo mundo ir para uns poleiros que um tal de Niemeyer construiu no meio do nada. Dá pra acreditar?

Os poleiros são bonitos. Tem até pombal (pra pombos mesmo, e não gente)! Mas, sinceramente, construir monumentos no meio do nada e prédios iguais na cidade inteira parece mais uma idéia de gente pirada. Desculpe, tia Zara. Acho que é melhor eu parar de escrever, né?


O eu

Transcrevo um trecho do número 82 da revista cultural "Humboldt", do Instituto Goethe: "Jacques Lacan certa vez chamou o eu de 'doença mental do ser humano'. O eu é a grande armadilha, e justamente na civilização ocidental - toda a civilização ocidental é uma cultura desvairada do eu - a chance que a mulher tem é sair dessa fala que gira em torno do eu e alcançar um plano totalmente diferente".

Bem, se alguma mulher estiver lendo este artigo, só peço uma coisa: não atenda esse chamado.

Gostaria de ressaltar a parte que menciona a "fala que gira em torno do eu". Para a maioria dos acadêmicos, o eu é apenas uma "fala". E isso ainda é pouco, pois para Lacan ele é uma doença. Pois bem, então eu quero fazer uma perguntinha. Você existe? Presumo que a resposta que todos darão é "sim". Então, se você existe, a coisa que existe e da qual estamos falando pode ser descrita como "você", como vemos a partir da própria frase. E "você" visto de dentro pode ser descrito como "eu", não é? Então, que diabos de ser humano vivente pode existir sem ter um "eu"? Esse ser diria algo como "eu não sou eu"? Ou será que diria "sou", escondendo o eu hipocritamente? Ou será que diria apenas "ser", no infinitivo mesmo, para não ter que se estressar com esse problema do "eu"?

Não é à toa que Lacan encarava a linguagem como uma prisão. Alguém que pensa que o eu é uma doença só pode mesmo querer se livrar da linguagem, pois ela é uma prova viva da absurdidade de tal teoria. Se o eu fosse mesmo uma doença, precisaríamos abolir a conjugação verbal, para curar a "doença".


Rembrandt

Algumas das gravuras de Rembrandt estão expostas no Centro Cultural Banco do Brasil, em Brasília, e eu fui ver. Fiquei pensando nas pessoas e nos cães que estavam retratados naquelas gravuras. Todos eles tão bem figurados, os rostos e corpos tão perfeitamente avolumados e as sombras tão realistas. Nenhum deles existe mais, exceto algumas paisagens, mesmo assim transformadas pelo tempo.

O interessante da arte da gravura é estar em contato tão direto com a técnica e ver como é paradoxal a distância entre a realidade a se retratar e todos os materiais e procedimentos usados para isso. O paradoxo está no resultado final. A placa de cobre parece tão nula. Aqueles arranhões na placa não inspiram o mínimo de respeito. Todos aqueles instrumentos parecem inúteis e você simplesmente não acredita que eles vão "fabricar" pessoas. Mas fabricam. E a placa de cobre, ao ser posta em contato com o papel, acaba mostrando um mundo com pessoas e cães e árvores. Acho que o bom artista é acima de tudo uma pessoa paciente. Ele tem de ficar pelejando com aqueles instrumentos, arranhando e borrando até que apareça um mundo qualquer.

Isso me faz lembrar de quando tentei aprender a tocar violão. Fiquei contorcendo minhas mãos por dois meses, tentando fazer aquele instrumento emitir algum som aceitável, até que desisti. Então fiquei pensando em quão longo é o caminho que leva da técnica à arte. Minhas mãos teriam que se contorcer por anos, até que o contorcionismo passasse a ser algo natural para elas, algo que elas passariam a fazer sem nem prestar muita atenção. Talvez então eu conseguisse fazer o violão emitir arte! Mas não tive paciência para tanto.

É claro que hoje em dia há atalhos. O mais curto deles costuma ser chamado de arte experimental. Mas arte é algo que se constrói no caminho, e não algo que se encontra pronto do outro lado dele. E é por isso que eu sempre achei que atalhos são para espertinhos e oportunistas, ou para o que hoje se costuma chamar de "pessoas bem intencionadas".


Evandro Ferreira
Belo Horizonte, 6/8/2002


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Conselhos para jovens escritores de Isabel Furini


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