Digestivo nº 480 | Julio Daio Borges | Digestivo Cultural

busca | avançada
61093 visitas/dia
1,5 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Pssica, romance noir do Pará
>>> Festival difunde filmes de entidades que usam o cinema como ferramenta de inclusão
>>> HBO LATIN AMERICA INAUGURA ESPAÇO INTERATIVO PARA O LANÇAMENTO DA SÉRIE ORIGINAL O HIPNOTIZADOR
>>> Vento em Madeira, Mônica Salmaso e Amilton Godoy fazem duas apresentações em São Paulo
>>> Emmanuel Nassar na Mul.ti.plo Espaço Arte
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Pantanal
>>> Por que a discussão política tem de evoluir
>>> Não olhe para trás (ou melhor, olhe sim)
>>> Fake-Fuck-Fotos do Face
>>> Silêncio
>>> Dando conta de Minas
>>> Em noite de lua azul
>>> O poeta, a pedra e o caminho
>>> O testemunho de Bernanos
>>> George Orwell e o alerta contra o totalitarismo
Colunistas
Últimos Posts
>>> 16 de Agosto
>>> Elvis 2015
>>> Eugênio Christi
>>> Nosso Primeiro Periscope
>>> Monica Cotrim
>>> Solange Rebuzzi
>>> Aden Leonardo Camargos
>>> Helena Seger
>>> Camila Oliveira Santos
>>> Cassionei Niches Petry
Últimos Posts
>>> O caminhar de cada dia - prosa poética
>>> Papel vencido é lixo
>>> A impaciência dos pacientes
>>> POMPEIA depois da erupcão do Vesúvio
>>> DIÁRIO
>>> Lições de vida - Crônica
>>> Duas crises: a nossa e a deles
>>> LEITURAS
>>> Muito antes dos ipês
>>> ENSAIO BIORÍTMICO
Blogueiros
Mais Recentes
>>> A canção, por Wisnik
>>> O fim (da era) dos jornais, por Paul Starr
>>> Entrevista com Catarse
>>> A coisa tá preta
>>> Caí na besteira de ler Nietzsche
>>> Ganha-pão
>>> Felicidade
>>> Chico Buarque falou por nós
>>> Asas de morcego empanadas
>>> Do outro lado, por Mary del Priore
Mais Recentes
>>> Cartas Xamânicas a Descoberta do Poder Através da Energia dos Animais
>>> Democracia?
>>> Lições de história do direito
>>> Capítulos de sentença
>>> O positivismo jurídico - lições de filosofia do direito
>>> Teoria dos princípios - da definição à aplicação dos princípios jurídicos
>>> coleção incompleta da revista Planeta ( editora três) 18 volumes ( 2, 5, 7, 8, 10, 11, 13, 15, 16, 17, 18, 21, 22, 26, 35, 38, 40, 55)
>>> Deus Existe?
>>> Pragmática da Comunicação Humana
>>> A invenção de uma vida
>>> Maigret e il Canne Giallo
>>> Por causa da noite
>>> O morro do suicídio
>>> Corpo de delito
>>> Post-Mortem
>>> Cemitério de indigentes
>>> Restos mortais
>>> MARX
>>> Desumano e degradante
>>> Alerta negro
>>> Perspectivas da Regra de São Bento
>>> A arte do AconselhamentoPsicológico
>>> Curando nossa imagem de Deus
>>> 6 mil em espécie
>>> O macaco de pedra
>>> A lágrima do diabo
>>> A cadeira vazia
>>> Brincando com fogo
>>> Perto de casa
>>> Sangue estranho
>>> Dois assassinatos em minha vida dupla
>>> A lei do cão
>>> Caos total
>>> Um coração frio
>>> O vôo das cegonhas
>>> Alvo virtual + Uma aventura de Georgina Powers
>>> Cidade do prazer
>>> Concreto Protendido
>>> A natureza da psique8/2
>>> Benchmarking
>>> Acabe de vez com o estresse
>>> A Psiquiatria Alternativa
>>> Contabilidade e o NoVo Código Civil de 2002
>>> La Peinture Dans Le Monde de la Préhistoire à nos jours
>>> L'acupuncture Pratique
>>> Brasil Barroco
>>> TCP/IP Internet - Intranet - Extranet Completo acompanha cd-rom do sistema LINUX
>>> Java 1001 dicas de programação c/ cd
>>> Michelangelo and Raphael in the Vatican
>>> Museu Nacional de Belas Artes
DIGESTIVOS

Quarta-feira, 29/6/2011
Digestivo nº 480
Julio Daio Borges

+ de 4400 Acessos




Internet >>> The Shallows, by Nicholas Carr
The Shallows poderia ser livremente traduzido por: "Os Rasos" ou "Os Superficiais". E seu subtítulo é quase um vaticínio: "What the Internet is doing to our brains". Juntando as peças, ficaria assim: "Os Superficiais ou O Que a Internet Está Fazendo com os Nossos Cérebros". É o novo livro de Nicholas Carr ― ex-colaborador do New York Times, da Wired e da Atlantic ―, e tem um título efetivamente poderoso. Carr é um pensador da tecnologia ― se é que podemos chamá-lo assim ―, e, de repente, ficou preocupado com sua falta de concentração, sua crescente incapacidade de penetrar num livro, sua "cultura geral" ameaçada pelo famoso "mar de informação". Carr viveu num mundo antes da internet, antes da "computação pessoal", e, atualmente, não sabe se a civilização ocidental corre o risco de se perder em meio aos brumosos artefatos tecnológicos. A partir desse insight escreveu The Shallows, para entender o que está acontecendo e, mais do que isso, alertar sobre uma possível hecatombe civilizacional. Carr, resumidamente, teme que a "mente letrada" ― que gerou a Renascença, a Reforma, o Iluminismo e até o Modernismo ― esteja se desvanecendo no meio da fumaça de bits e bytes. Carr, por exemplo, não acha que computadores sejam apenas "ferramentas". Pesquisando alterações no cérebro adulto ― ou o que se chama, em inglês, de neuroplasticity ―, chegou à conclusão de que a mudança trazida pelos computadores, e pela internet, não é só aparente: é profunda, permanente e, quiçá, irreversível. Carr se assusta que, hoje, mesmo as nossas experiências do mundo real sejam mediadas por computadores. Sua preocupação pode ser consolidada numa frase: "A humanidade, que estamos sacrificando, pode ser mais valiosa do que toda a tecnologia que estamos implementando". Segundo Tyler Cowen, economista citado no livro, "estamos favorecendo o mais curto, o mais doce e o mais amargo". E, segundo Carr, novamente, "como toda ideia fica em aberto" (não conseguimos finalizar nada), "estamos abandonado o rigor do pensamento e [consequentemente] abdicando do [nosso] aperfeiçoamento". Em sua modesta opinião, estamos forjando algo como uma "mente pós-literária", que resultará em "pensadores" para quem a "tela" será, intelectualmente, mais importante do que a "página". Carr critica, enfim, nossa sociedade "maquinal", obcecada pela eficiência ― cuja bíblica, justamente, é o taylorismo, fruto da revolução industrial, para quem: "o cálculo é superior ao julgamento humano"; "o julgamento humano, portanto, não é confiável"; "a subjetividade é um obstáculo ao pensamento"; e "o que não pode ser medido, não tem valor ou sequer existe". Finalmente, para Carr, estamos perto de confirmar Heidegger, que temia uma era onde o "cálculo" seria a única forma "aceita" de "pensamento"... [5 Comentário(s)]
>>> The Shallows
 



Cinema >>> Abraços Partidos, de Pedro Almodóvar
Se Quentin Tarantino dá um passo maior que a perna como realizador, Pedro Almodóvar continua em sua trilha de obras-primas. Abraços Partidos, como A Má Educação, é um "filme dentro do filme". E Abraços Partidos, como Volver, é um acerto de contas com o passado, até então relegado ao esquecimento. Se Pedro Almodóvar inicialmente colecionava mulheres feias, como Rossy de Palma, depois apostava em mulheres loucas, como Victoria Abril, agora reconfirma sua musa ― também musa de Woody Allen ―, Penélope Cruz. Ao contrário da voluptuosidade da atriz em Volver, Almodóvar realça sua fragilidade, sua submissão, sua rebeldia e sua fatalidade. Personagem num acidente, que igualmente cega seu amante, Almodóvar talvez quisesse evocar, mais uma vez (sem querer), o nosso Nélson Rodrigues ― para quem "é impossível amar e ser feliz ao mesmo tempo"... Garota de programa que deseja pagar o tratamento de seu pai convalescente num hospital, Lena se submete aos caprichos de Martel, um cliente milionário ― que, além de custear tudo, acaba casando-se com ela. Dona de casa enfastiada anos depois, procura se realizar como atriz e conhece o diretor de cinema Mateo Blanco, por quem se apaixona. Martel, o marido, financia o longa de ambos, mas, desconfiado da traição, encomenda um making-of a seu filho, enquanto contrata uma "leitora labial" para reconstituir todos os diálogos da produção... Confrontada pelo traído, Lena foge com Mateo, para um idílio em Lanzarote, que termina em tragédia, num acidente automobilístico... O espectador médio de Pedro Almodóvar se espantou com o final dramático, que não tem válvula de escape. Não percebeu, talvez, que o realizador espanhol vem se fazendo cada vez mais grave, cada vez menos engraçado, e cada vez mais mestre de sua arte. Desde Carne Trêmula, na verdade, que Almodóvar vem, progressivamente, apostando na tragédia sem, necessariamente, redenção. Quem foi ao cinema para rir de um travesti desbocado, de uma velha senil ou de tiradas engraçadas proferidas em tom sóbrio, se decepcionou. Abraços Partidos só consegue ser divertido nos "extras" que, justamente, foram deixados "de fora" (para não contaminar a atmosfera do longa). A caracterização de Penelope Cruz como Audrey Hepburn, no "filme dentro do filme", a evocação do clima noir (ou neo-noir), ainda que as cores sejam "de Almodóvar", e a reconstituição de Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos (novamente "o filme dentro do filme") são um prazer à parte. Como Tarantino, Almodóvar tem uma vastíssima cultura cinematográfica, mas, melhor que o diretor de Jackie Brown, sabe dialogar com a tradição da sétima arte, ora rendendo-lhe homenagens, ora plasmando estéticas, ora humilhando o que restou do cinema "adulto" contemporâneo. Almodóvar sabe que cabe a ele, e só a ele, levar a história do cinema europeu adiante. E cabe a nós, cinéfilos, apoiar sua empreitada. [1 Comentário(s)]
>>> Los Abrazos Rotos
 



Imprensa >>> O Crítico, em Exercício Findo, de Décio de Almeida Prado
O que é a crítica? Ninguém mais sabe. Quem é o crítico? "Aquele chato que vai geralmente contra a maré, solapando toda a divulgação, prejudicando todo o marketing". Nem sempre foi assim... E, para nos lembrar, do que é a crítica, está Décio de Almeida Prado, um dos nossos maiores críticos de teatro, em Exercício Findo, a coletânea de sua produção última, de 1964 a 1968, pela editora Perspectiva. Décio começa definindo o crítico como "alguém que pensa depressa", "às vezes nos poucos minutos que medeiam o fim do espetáculo e o início da impressão do jornal" (hoje, a atualização do site na internet). E ― para quem acha o trabalho fácil ― o crítico "tem de adivinhar qual semente germinará", "sob a pressão de modismos passageiros", "ondas de entusiasmo e de descrédito". Afinal [a crítica], muitas vezes, se torna "o único testemunho prestado na ocasião", "de forma imediata, sem retoques". A crítica, portanto, é "tudo aquilo que nos comove e nos exalta", para depois "começar a se desvanecer e a se desfigurar na memória"... Já para aqueles que acham que "quem não sabe, ensina (ou faz crítica)", Décio devolve: "Ao julgar um prato mal temperado, não estamos dando a entender que faríamos melhor se fôssemos para a cozinha". Lembrando ainda que "somos todos críticos, irremediavelmente críticos, incansavelmente críticos". Pois, qualquer produção cultural "nunca nos deixa indiferentes", sempre "suscita em nós uma certa reação" ― que "manifestamos", " em palavras", "na expressão do corpo" ou até "na fisionomia", num simples "ar de euforia ou de aborrecimento"... Em sentido estrito, "o crítico é simplesmente 'o outro'", o "não-eu" ― "de cujo escrutínio e julgamento nunca conseguiremos escapar". Mas, para falar a verdade mesmo, só o "crítico-por-dever-de-ofício". O verdadeiro crítico quase sempre "infringe os mais elementares preceitos da boa convivência e da boa educação". E como avaliar um crítico? "Pela competência no assunto", "por sua informação estética e histórica", também "por sua perspicácia e seu discernimento". Até porque "o crítico tem permissão para falar em nome do público", "dependendo", justamente, "do grau de representatividade que lhe é atribuído", "de sua repercussão sobre o corpo de leitores". E há, claro, muitos tipos de crítico: "do retardatário ao vanguardista", "do impulsivo ao moderado", "do reverente ao iconoclasta" e "do benevolente ao implacável". Décio de Almeida Prado considerava uma das maiores dificuldades do ofício de crítico "extrair um relato coerente", "dotado de um relativo enredo", contendo, "no sentido aristotélico", "princípio, meio e fim". Décio, sabiamente, achava que o crítico não estava acima de ninguém, mas que a verdadeira crítica exigia "tanto quanto qualquer trabalho criador". [1 Comentário(s)]
>>> Exercício Findo
 



Cinema >>> Inglourious Basterds, de Quentin Tarantino
Depois de Kill Bill, a obra-prima de Quentin Tarantino, o mundo esperava por outro filme grandioso. Inglourious Basterds, ou Bastardos Inglórios, portanto, talvez seja uma decepção nesse sentido. O tema, da Segunda Guerra, é certamente grandioso. Mas o tratamento dado é, no mínimo, naïf, de quem não conhece História. Talvez ler só histórias em quadrinhos, se especializar em filmes B e cultuar a violência acima tudo não seja exatamente a receita para se adquirir uma formação sólida. Todos respeitamos Tarantino como realizador, e a produção de Inglourious Basterds é quase virtuosística nos detalhes ― mas não foi suficiente para reconstituir personalidades complexas como as de Adolf Hitler e Joseph Goebbels. O personagem Hans Landa, por exemplo, interpretado por Christoph Waltz ― poliglota, destilando alemão, francês e italiano (sem nenhum sotaque) ― talvez pareça mais sofisticado que duas das mentes mais diabólicas do século passado... No longa de Tarantino, o Ministro da Propaganda está mais interessado em sua intérprete, e em agradar o Führer (essa parte talvez seja verdade), do que em maquinar qual o próximo passo no esforço de guerra (a verdadeira verdade). Já o Führer oscila entre infantil e abobalhado, quando, na vida real, estava mais perto de um megalomaníaco que levou a Europa, a Alemanha (e a si próprio) a um destino trágico. Ou seja, dois dos homens que quase acabaram com a civilização ocidental não poderiam ser representados como simples vilões de filmes de super-herói da Marvel. Tarantino, nesse ponto, errou a mão. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos que salvou a Europa ― ou o que restava dela ― não poderiam ser representados por um grosseirão, sem modos, como Aldo Raine, o personagem de Brad Pitt. A licença poética de construir um final "onde os judeus vencem a guerra" é até respeitável, mas os verdadeiros nazistas não se deixariam envolver dessa forma, e nem os Estados Unidos da América confiariam a um cowboy "monoglota" a missão de libertar a Europa. Podemos conceder que a representação da França ocupada esteja um pouco mais fiel à realidade, fazendo sentir a opressão nazista até num cinema ou numa confeitaria. Também a tensão do diálogo inicial, típica de Tarantino, desde Cães de Aluguel, onde o pai de família entrega os judeus em seu sótão... Reconstituição histórica, contudo, exige mais do que a leitura de almanaques, a reprodução de estereótipos e a imaginação desenfreada de quem não viveu o período nem respeitou os sobreviventes. Não foi à toda que Le Monde acusou Tarantino de "se perder" ao "ficcionar" a Segunda Guerra. Assim como a imprensa israelense sentiu falta de "profundidade" nas questões morais. Ainda o crítico Daniel Mendelsohn acusou Tarantino de converter "judeus" em... "nazistas". Enfim, o diretor de Pulp Fiction é mestre em retroceder até a década de 70, mas sua autonomia parece que não chega a meados do século XX... [7 Comentário(s)]
>>> Inglourious Basterds
 
Julio Daio Borges
Editor

* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS


ADOÇÃO CONSENTIDA
DALVA AZEVEDO GUEIROS

De R$ 43,00
Por R$ 21,50
50% off
+ frete grátis



ALGUÉM COMO VOCÊ
CATHY KELLY

De R$ 75,00
Por R$ 37,50
50% off
+ frete grátis



QUANDO O TRABALHO É A MELHOR DIVERSÃO
CAROL J. LOOMIS

De R$ 45,00
Por R$ 22,50
50% off
+ frete grátis



CÓDIGO DE TRÂNSITO BRASILEIRO
ARNALDO LUIS THEODOSIO PAZETTI

De R$ 36,00
Por R$ 18,00
50% off
+ frete grátis



A CURA QUÂNTICA
DEEPAK CHOPRA

De R$ 50,00
Por R$ 25,00
50% off
+ frete grátis



BÍBLIA E TEOLOGIA POLÍTICA
JIMMY SUDARIO CABRAL

De R$ 47,60
Por R$ 23,80
50% off
+ frete grátis



DIREITO, CONSTITUIÇÃO E TRANSIÇÃO DEMOCRÁTICA NO BRASIL
TARSO GENRO

De R$ 53,90
Por R$ 26,95
50% off
+ frete grátis



O CALCANHAR DE AQUILES
DUDA TEIXEIRA

De R$ 34,00
Por R$ 17,00
50% off
+ frete grátis



A ESPADA DE MEDINA
SHERRY JONES

De R$ 45,00
Por R$ 22,50
50% off
+ frete grátis



OPERAÇÃO PORTUGA
SÉRGIO XAVIER FILHO

De R$ 34,90
Por R$ 17,45
50% off
+ frete grátis



busca | avançada
61093 visitas/dia
1,5 milhão/mês