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Sexta-feira, 15/2/2008
Animazing
Tais Laporta

+ de 2900 Acessos
+ 1 Comentário(s)

Os interessados pela história da animação podem ter acesso a um material inédito no mercado: chegou em DVD uma coleção com as obras dos maiores mestres do gênero no século XX. Os seis volumes da série Animazing, lançamento da Magnus Opus, estão disponíveis desde o ano passado, e trazem mais de 50 anos de produções, conjunto que reconta a evolução desta arte. O norte-americano Winsor McCay (1867-1934), pioneiro do desenho animado, aparece no primeiro volume da série com filmes datados de 1911 a 1921, ainda na fase do cinema mudo.

Apesar de o desenhista não ter sido o primeiro a trabalhar com animação (o mágico George Méliès já havia estreado na arte e surpreendido com o curta em stop motion, Viagem à lua, em 1902), McCay considerava-se, em relação à técnica do desenho animado, "criador e inventor" ― de forma que fazia questão de assinar a abertura de todos os seus desenhos para o cinema com este título. Ele pode ser considerado um dos pais da animação, de todo modo, pode ser considerado pioneiro, por ter sido a primeira pessoa a vê-la como uma arte nova, independente das outras.

McCay levava tão a sério o interesse pelo desenho animado que passou a dedicar quase toda sua carreira ao experimentalismo do gênero. Dono de uma paciência inabalável, fazia questão de produzir sozinho todo o seu trabalho, que na primeira década do século XX era ainda 100% manual e exigia o redesenho das imagens, página por página. Para cada curta-metragem, sempre com duração de poucos minutos, McCay precisava riscar uma média de quatro mil desenhos.

Exaustivo, o trabalho não foi em vão. Suas primeiras animações foram uma resposta aos companheiros de McCay, que não acreditavam que o artista fosse capaz de dar vida aos seres imóveis que desenhava no papel. Um deles era Little Nemo (1911), personagem de uma tira em quadrinhos que o artista publicava semanalmente no jornal New York Herald, entre 1905 e 1913. O sucesso por conseguir animar Little Nemo foi tão significativo que McCay criou uma adaptação, em película, do dia em que apresentou o trabalho aos colegas, com o próprio desenhista encenando seu feito junto a outros atores.

Obscuridade
Ainda que os traços de McCay sejam graciosos e remetam à fantasia da infância, seus roteiros são, aos olhos contemporâneos, pesados, grosseiros e até mesmo agressivos. Temáticas que a geração do século XXI repeliria por considerá-las "politicamente incorretas" ou inaceitáveis, estavam plenamente de acordo com a cultura da época, ainda muito distante da noção atual. No desenho Flip's Circus, um palhaço aparece espancando um filhote de animal circense, num tom pretensamente humorístico, mas que pode soar chocante.

As próprias histórias infantis dos tempos de Winsor McCay desconheciam a leveza e ingenuidade com que a arte (cinema e literatura) de hoje dirige-se às crianças. Era comum que os autores, por meio de suas histórias, colocassem o mundo infantil em contato com o medo, a morte e a violência. Um universo bem mais ameno só seria conhecido na época da ascensão de Walt Disney, quase vinte anos mais tarde. Disney, aliás, incorporaria aos seus estúdios um importante legado da animação lúdica criada por McCay, repleta de dinossauros, insetos e animais cujas acrobacias e contorcionismos continuam a ser um recurso padrão no gênero.

Tragédia em desenho
Somente um dos desenhos animados de McCay não foi ficcional. O curta The sinking of the Luisitania (1918), também presente na série Animazing, tentou reconstituir o naufrágio de uma navio carregado de dois mil turistas, em 1915. O Luisitania viajava dos EUA para a Inglaterra quando foi atingido por um torpedo lançado pelo submarino alemão U-39, ataque que provocou a morte de 1150 pessoas. Acidentes com navios eram as maiores causas de fatalidades nas primeiras décadas do século XX, quando a tragédia do Titanic não passava de mais uma ocorrência nas estatísticas. McCay levou 22 meses para retratar a tragédia do Luisiania, em uma animação que exigiu do artista 25 mil desenhos feitos à mão, em papel celulóide.

Ao recriar os detalhes do ataque, mesmo com todas as limitações técnicas da época, McCay passou uma grande carga de dramaticidade ao naufrágio, inflamada pelo espírito da Primeira Guerra Mundial, que trazia a marca da rivalidade entre os países da Tríplice Entente (Inglaterra, França, URSS e EUA) e da Tríplice Aliança (Alemanha, Áustria-Hungria e Itália). A intenção do desenho era não apenas provocar um sentimento de piedade pelas vítimas, como também clamar abertamente por vingança contra os alemães. "A Alemanha, que já havia paralisado o mundo com seus assassinatos indiscriminados, enviou seu instrumento de crime para executar seu ataque mais traiçoeiro e covarde", narrava um dos trechos da animação.

Mais mestres
Os próximos volumes da série Animazing trazem outros trabalhos raríssimos, desde os criados nos tempos de McCay até as vanguardas artísticas do leste europeu, na década de 60, quando surgiram os maiores animadores de todos os tempos, entre eles Jiri Trnka e Jan Svankmajer. A coleção abrange as diferentes técnicas da animação (stop motion, cartoon, desenho na película), desenvolvidas por mestres consagrados pelo estilo inovador: David Fleischer, Ladislaw Starewicz, Norman McLaren, George Pal, Ray Harryhausen, além do recém-descoberto Charles Bowers.


Tais Laporta
São Paulo, 15/2/2008


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COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
21/2/2008
23h50min
Pois é... sempre gostei de Little Nemo e seu surrealismo, suas histórias, às vezes apavorantes, como numa em que Nemo começa a brincar de escorrega no corrimão de uma escada em caracol com seus amigos, descendo em velocidade vertiginosa. Seus amigos vão caindo pela jornada até que o próprio Nemo chega no fim da escada sozinho e, para seu desespero, vê que ela dá para o nada, no meio do espaço sideral... uma relação com a morte, talvez... Acho que só encontrei a mesma sinceridade diante da vida nos desenhos japoneses que não escondem o que somos: humanos.
[Leia outros Comentários de Eurandi]
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