De outra volta ao Brasil | Eduardo Carvalho | Digestivo Cultural

busca | avançada
51839 visitas/dia
1,8 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Cia Triptal celebra a obra de Jorge Andrade no centenário do autor
>>> Sesc Santana apresenta SCinestesia com a Companhia de Danças de Diadema
>>> “É Hora de Arte” realiza oficinas gratuitas de circo, grafite, teatro e dança
>>> MOSTRA DO MAB FAAP GANHA NOVAS OBRAS A PARTIR DE JUNHO
>>> Ibevar e Fia-Labfin.Provar realizam uma live sobre Oportunidades de Carreira no Mercado de Capitais
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> As maravilhas do modo avião
>>> A suíte melancólica de Joan Brossa
>>> Lá onde brotam grandes autores da literatura
>>> Ser e fenecer: poesia de Maurício Arruda Mendonça
>>> A compra do Twitter por Elon Musk
>>> Epitáfio do que não partiu
>>> Efeitos periféricos da tempestade de areia do Sara
>>> Mamãe falhei
>>> Sobre a literatura de Evando Nascimento
>>> Velha amiga, ainda tão menina em minha cabeça...
Colunistas
Últimos Posts
>>> Fabio Massari sobre Um Álbum Italiano
>>> The Number of the Beast by Sophie Burrell
>>> Terra... Luna... E o Bitcoin?
>>> 500 Maiores Álbuns Brasileiros
>>> Albert King e Stevie Ray Vaughan (1983)
>>> Rush (1984)
>>> Luiz Maurício da Silva, autor de Mercado de Opções
>>> Trader, investidor ou buy and hold?
>>> Slayer no Monsters of Rock (1998)
>>> Por que investir no Twitter (TWTR34)
Últimos Posts
>>> Parei de fumar
>>> Asas de Ícaro
>>> Auto estima
>>> Jazz: 10 músicas para começar
>>> THE END
>>> Somos todos venturosos
>>> Por que eu?
>>> Dizer, não é ser
>>> A Caixa de Brinquedos
>>> Nosferatu 100 anos e o infamiliar em nós*
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Blogues: uma (não tão) breve história (I)
>>> A primeira ofensa recebida sobre algo que escrevi
>>> 20 contos sobre a pandemia de 2020
>>> Procissão
>>> Mais espetáculo que arte
>>> teu filho, teu brilho
>>> O Medium e o retorno do conteúdo
>>> A Poli... - 10 anos (e algumas reflexões) depois
>>> Web-based Finance Application
>>> Pensando sozinho
Mais Recentes
>>> A Imitação de Cristo - e a Centralização da Cruz na Luta ... de Thomas à Kempis pela Vida Nova (2001)
>>> Viciado no Perigo de Jim Wickwire pela Manole (2000)
>>> Na Margem do Rio Piedra Eu Sentei e Chorei de Paulo Coelho pela Rocco (1994)
>>> Direito Societario - Desafio Atuais de Leandro Santos de Aragao pela Quartier Latin (2008)
>>> Administração Financeira de Antonio Zoratto Sanvicente pela Atlas (2007)
>>> Sem Filtro de Marcela Tavares pela Novas Paginas (2016)
>>> Manual de Obstetrícia Diagnóstico e Tratamento de Kenneth R. Niswander pela Medsi (1985)
>>> De Asas, Espelhos e Princesas de Maria Glória Barbosa pela Do Autor
>>> Centros de Mesa de Josep M. Minguet pela Decorando Con Flores (2003)
>>> Mobilização para Qualidade de Roberto Flávio de Carvalho e Silva pela Qualymark (1992)
>>> Um Coração Que Seja Puro de José Fernandes de Oliveira pela Paulus (1982)
>>> O Menino Narigudo - Sebo Tradição de Walcyr Carrasco pela Moderna (2007)
>>> Inculta & Bela de Pasquale Cipro pela Publifolha
>>> Teoria da Comunicaçao Muito Ou Poucas de Luiz C. Martino pela Atelie Editorial (2007)
>>> Os Miseráveis de Victor Hugo Adap Walcyr Carrasco pela Moderna (2012)
>>> Atherton a Casa do Poder de Patrick Carman pela Galera (2009)
>>> Telaris Biologia Caderno de Atividades 9° Ano de Sergio Linhares Fernando Gewandsznajder pela Atica
>>> Remarkably Uncommon de The Leading Hotels pela The Leading Hotels
>>> Declarnado - Se Culpado de Scott Turow pela Record (1993)
>>> Sookie Stackhouse, V. 7 - All Together Dead de Charlaine Harris pela Berkley Publishing (2008)
>>> Grammar Games de Mario Rinvolucri pela Cambridge do Brasil (1985)
>>> Alienação: Lidando Com o Problema Básico do Homem de Carrol Thompson pela Graça (1998)
>>> Papos de Anjo - 6ª de Sylvia Orthof pela Galera Junior (2014)
>>> Vento Sobre Terra Vermelha de Caio Ritter pela 8 Inverso (2012)
>>> Outros Quinhentos de Bizerril Marcelo pela Saraiva (2009)
COLUNAS

Sexta-feira, 13/8/2004
De outra volta ao Brasil
Eduardo Carvalho

+ de 4000 Acessos

Acabei de voltar de mais uma viagem pelo Brasil - depois de, coincidentemente, ter escrito as duas colunas passadas sobre outra viagem que fiz. Esta foi mais curta, em tempo e distância: rodamos - eu e meu pai -, de carro, 5.000 km em dez dias. Saímos de São Paulo em direção a Campo Grande, e depois passamos por Cuiabá, Mineiros, Rio Verde, Goiânia, etc. Em resumo, a impressão foi a seguinte: o Brasil está mudando - ou já mudou? - numa velocidade incrível.

É impressionante o que se encontra hoje no interior do Mato Grosso, onde, há uma ou duas décadas, havia apenas pecuária extensiva e desprofissionalizada. Gaúchos e catarinenses, na maioria, estão cultivando um oceano de soja, milho e algodão, com a mais avançada tecnologia do mundo e em parceria com empresas internacionais. As cidades estão crescendo e se organizando, acompanhando o enriquecimento do campo: comércio e serviços estão em ebulição, abrindo espaço ao empreendedorismo honesto.

Esse fenômeno passa quase despercebido por São Paulo, que o acompanha pela televisão e pelo jornal apenas. Pouca gente, a não ser que esteja ligada ao assunto, visita esses lugares, para ver de perto o impacto da macroeconomia na micro. Os exemplos usados para ilustrar a - argh! - "globalização" são normalmente depreciativos, o que distorce a impressão dos mais ingênuos. É no mínimo ilustrativo descobrir que o hectare de terra cultivável pode chegar, no Mato Grosso, a 100 mil reais, enquanto em grandes cidades do interior de São Paulo ele oscila, no alto, em torno de 25 mil. O avanço do agronegócio no Brasil também é resultado da - argh! - globalização.

Esse assunto merece, urgentemente, um documentário completo, para que, com informações e imagens, o paulistano comum se dê conta do que acontece no resto do Brasil - em vez de esgotar sua paciência com caricaturas de pobreza na tela do cinema. Já tem gente de olho, e injetando muito dinheiro nisso, segundo o dono do hotel que me hospedei em Mineiros: "De uns 3 anos pra cá, tem aumentado muito o número de estrangeiros aqui. E, vou te contar, eles não vêm pra cá só por causa da beleza, não". Deu pra perceber. Na semana seguinte, o jornal Valor Econômico publicou uma série de reportagens sobre fundos estrangeiros especializados em investimento no cerrado brasileiro. Esse provavelmente é, no Brasil, o assunto mais importante no momento.

Documentado errado

Sugeri que se faça um documentário sobre as regiões de fronteira agrícola brasileira, que mostre a evolução dessas áreas em relação ao que eram há pouco tempo, mas que, por favor, não seja dirigido pela mesma equipe que foi para a China produzir o Globo Repórter sobre o país. Que os comentários de um programa assim, tão popular, sejam superficiais, é compreensível, mas a última frase da repórter foi arrepiante, começando assim: "Depois de milênios (sic) parada no tempo", e continuava dizendo que agora, talvez, a China emplaque definitivamente.

Reabro Uma História Íntima da Humanidade, de Theodore Zeldin, antes de dormir, e por acaso encontro esta passagem: "É claro que a China teve a sua Revolução Industrial e experimentou a produção em massa, enquanto a Europa permanecia na Idade Média. Mil anos atrás, a China passou por uma revolução financeira e nas comunicações, quando inventou o papel moeda, a impressão e um sistema barato de transporte aquático através de canais, criando um vasto mercado nacional e um indústria de exportação poderosa, que se tornou na principal fonte de produtos do mundo. Provavelmente a China lucrou mais com a descoberta das Américas do que qualquer outro país, pois metade da prata ali minerada antes de 1800 acabou em seus cofres para pagamento de seda, cerâmica e chá, que eram os refrigeradores, televisores e computadores dos dias de hoje".

Outro livro altamente recomendável à repórter é História do Mundo, de J. M. Roberts - que, com apenas 800 páginas, oferece um panorama do que aconteceu na terra desde a pré-história. É agradável e informativo e, se o leitor não decorar tudo - ninguém decora -, pelo menos descobre que nem tudo que se passou na Terra a gente aprende durante o colegial.

Uma história íntima

Uma história íntima da humanidade, de Theodore Zeldin, é um dos livros mais fascinantes que conheço. Talvez o título passe uma idéia distorcida do assunto: a intenção não é apresentar fofocas esquecidas de personalidades históricas - o que também é um assunto curioso, mas batido. A linha de uma História íntima é bem diferente: Theodore Zeldin, no início de cada capítulo, apresenta a situação de uma mulher francesa - seus problemas pessoais, profissionais e emocionais -, com informações coletadas numa ampla pesquisa de campo. E busca no desenvolvimento da civilização ocidental a origem dos problemas dessas mulheres, para depois, comparando hábitos de outros países e civilizações, propor soluções para eles.

O cientificismo histórico e o relativismo cultural barraram, por décadas, iniciativas como a de Zeldin. Uma história íntima é escrito num método incomum para obras acadêmicas, porque inclui opiniões pessoais e comparações entre culturas - duas características inaceitáveis em redações "científicas", principalmente em paises atrasados. Zeldin, porém, é catedrático de Oxford, e acredita no seguinte: que ideologias como o nacionalismo e o marxismo esvaziaram as ambições dos historiadores, que agora se limitam a tentar reproduzir o que aconteceu no passado - em vez de oferecer opções à sociedade contemporânea baseadas em experiências em outras épocas ou em outros lugares.

E cada capitulo começa com uma pergunta ou uma afirmação: "Como homens e mulheres lentamente aprenderam a ter conversas interessantes"; "Como algumas pessoas adiquiriram imunidade à solidão"; "Como as pessoas se libertam do medo ao conhecer medo novos"; "Como a curiosidade se tornou a chave da liberdade"; "Por que as pessoas são incapazes de encontrar tempo para viver várias vidas"; "O que se torna possível quando almas gêmeas se encontram"; e assim por diante. E Zeldin transporta o leitor, num estilo fácil, das particularidades da pessoa descrita para história de civilizações distantes: mostrando que não sofremos sozinhos no mundo, e que soluções encontradas por uma sociedade pode resolver problemas de outras.

O livro não é, porém, um ataque à Civilização Ocidental. Muito ao contrário: em grande parte, é um elogio à capacidade de comunicação e exploração do Ocidente. Mas expõe os seus defeitos: Zeldin insiste que muitos dos nossos costumes precisam ser - e serão - revistos, porque estão em desacordo com a nossa própria condição humana.

Só que, nesse meio tempo, muita gente está sofrendo por isso: mulheres que assumem múltiplas responsabilidades, chefes que abusam de uma autoridade artificial, casais que se desentendem à toa, crianças que são educadas por teorias da moda, etc. Ou seja: em estado invisível, erros cometidos pelos nossos antepassados afetam diretamente a forma como nos relacionamos hoje. Esses erros, no entanto, podem ser corrigidos. Essa é a intenção de Zeldin: apresentar escolhas ao modo como aproveitamos o mundo. Porque ele não precisava ser assim. E pode, portanto, ser diferente.


Eduardo Carvalho
São Paulo, 13/8/2004


Mais Eduardo Carvalho
Mais Acessadas de Eduardo Carvalho em 2004
01. A melhor revista do mundo - 8/10/2004
02. De uma volta ao Brasil - 23/7/2004
03. Como mudar a sua vida - 21/5/2004
04. O chinês do yakissoba - 5/3/2004
05. Por que não estudo Literatura - 24/9/2004


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Histoire L'antiquité: Orient, Gréce le Rome
Fernand Nathan
E. Personne
(1957)



Lobo Solitário - O Fugitivo das Trevas
Joe Dever - Gary Chalk
Bertrand Brasil
(1989)



Revisão para Concursos Públicos - Interpretação de Textos
Marcus Vinícius Knupp Barretto
Edipro
(2010)



Cartilha da mulher - lei Maria da Penha
Vários Autores
Sicovel
(2006)



Breaking Dawn
Stephenie Meyer
Megan Tingley Books
(2008)



O Mundo e Eu
João Mohana
Agir
(1967)



Dicionário da Mitologia Latina
Tassilo Orpheu Spalding
Cultrix
(1972)



O Apocalipse Interpretado
Mário Sanchez
Imery
(1980)



Por Que Não um Carrinho?
Flavio de Souza
Formato
(2009)



Mulheres Que Correm Com os Lobos (Capa Dura)
Clarissa Pinkola Estés
Rocco
(2018)





busca | avançada
51839 visitas/dia
1,8 milhão/mês