Blue Man Group: uma crítica bem-humorada ao rock | Diogo Salles | Digestivo Cultural

busca | avançada
49702 visitas/dia
2,0 milhão/mês
Mais Recentes
>>> De Kombi na Praça - Pateo do Collegio
>>> Primeiras edições de Machado de Assis são objeto de exposição e catálogos lançados pela USP
>>> Projeto lança minidocumentário sobre a cultura do Gambá na Amazônia
>>> Cinema itinerante leva sessões gratuitas a cidades do Sudeste e do Sul
>>> Artistas abrem campanha de financiamento para publicação de graphic novel
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Jô Soares (1938-2022)
>>> Casos de vestidos
>>> Elvis, o genial filme de Baz Luhrmann
>>> As fezes da esperança
>>> Quem vem lá?
>>> 80 anos do Paul McCartney
>>> Gramática da reprodução sexual: uma crônica
>>> Sexo, cinema-verdade e Pasolini
>>> O canteiro de poesia de Adriano Menezes
>>> As maravilhas do modo avião
Colunistas
Últimos Posts
>>> Canções Cruas, por Jacque Falcheti
>>> Running Up That Hill de Kate Bush por SingitLive
>>> Oye Como Va com Carlos e Cindy Blackman Santana
>>> Villa candidato a deputado federal (2022)
>>> A história do Meli, por Stelleo Tolda (2022)
>>> Fabio Massari sobre Um Álbum Italiano
>>> The Number of the Beast by Sophie Burrell
>>> Terra... Luna... E o Bitcoin?
>>> 500 Maiores Álbuns Brasileiros
>>> Albert King e Stevie Ray Vaughan (1983)
Últimos Posts
>>> Direitos e Deveres, a torto e a direita
>>> Os chinelos do Dr. Basílio
>>> Ecléticos e eficazes
>>> Sarapatel de Coruja
>>> Descartável
>>> Sorria
>>> O amor, sempre amor
>>> The Boys: entre o kitsch, a violência e o sexo
>>> Dura lex, só Gumex
>>> Ponto de fuga
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Hasta la vista, baby
>>> O amor é importante, porra
>>> Por uma arquitetura de verdade
>>> O criador do algoritmo do YouTube
>>> Cisne Negro: por uma inversão na ditadura do gozar
>>> Filosofia teen
>>> Extraordinary Times
>>> O melhor programa cultural
>>> As estrelas e os mitos
>>> Open Culture
Mais Recentes
>>> Maria a Vida Toda de Paulo Castelo Branco pela Dom Quixote (2004)
>>> Sociedades tribais de Marshall D. Sahlins pela Zahar (1983)
>>> União soviética: Há socialismo nisto? de Vladimir Palmeira pela Marco zero (1982)
>>> Nacionalismo, Retórica "socialista" e Marxismo na América Latina de Juan Dal Maso pela Iskra (2013)
>>> Gringo de Airton Ortiz pela Record (2012)
>>> Veronika decide morrer de Paulo Coelho pela Klick (1998)
>>> O outro davos de François Houtart e François Polet pela Cortez (2002)
>>> Brasília Ideologia e Realidade Espaço Urbano Em Questão de Aldo Paviani pela Cnpq (1985)
>>> Brasil: Radiografia de um modelo de Nelson Werneck Sodré pela Vozes (1975)
>>> Trabalhadores pobres e cidadania de Nair Heloisa Bicalho de Sousa pela EDUFU (2007)
>>> País brilhantes, professores fascinantes de Augusto Cury pela Sextante (2003)
>>> I Fratelli Karamàzov Vol Primo de Fedor M Dostoevskij pela Club Degli
>>> A semana II - Obras completas de Machado de Assis pela Globo
>>> Um reformismo quase sem reformas de Valério Arcary pela Sundermann (2011)
>>> A esquerda e o movimento operário 1964-1984 volume 3 de Celso Frederico pela Oficina de livros (1991)
>>> Casório?! de Marian Keyes pela Bertrand Brasil (2005)
>>> As esquinas perigosas da história de Valério Arcary pela Xamã (2004)
>>> O Zahir de Paulo Coelho pela Rocco (2005)
>>> Marxismo Soviético - uma Análise Crítica de Herbert Marcuse pela Saga (1969)
>>> A Fortaleza de Sharpe de Bernard Cornwell pela Record (2005)
>>> O demônio e a srta. Prym de Paulo Coelho pela Rocco (2003)
>>> A carga de Mary Westmacott pela Nova fronteira (1956)
>>> A energia do dinheiro de Glória Maria Garcia Pereira pela Gente (2001)
>>> O Combate Sexual da Juventude Comentado de Gilson Dantas pela Iskra/centelha Cultural (2011)
>>> As armas da crítica de Emir Sader e Ivana Jinkings pela Boitempo (2012)
COLUNAS

Terça-feira, 8/9/2009
Blue Man Group: uma crítica bem-humorada ao rock
Diogo Salles

+ de 6100 Acessos
+ 1 Comentário(s)

Dois anos após a bem sucedida passagem do excêntrico e performático Blue Man Group pelo Brasil, eles estão de volta com seu espetáculo que mistura música, humor e pirotecnia. O grupo ― formado em Nova York no final dos anos 80 e que conta hoje com 60 membros que se revezam em trios na turnê mundial ―, trabalha sempre com o elemento surpresa. A premissa do espetáculo é despretensiosa: ensinar a fórmula perfeita para se criar um verdadeiro show de rock, através de uma espécie de workshop, onde todos os clichês do gênero são desconstruídos de forma bem-humorada.

A sátira anda constantemente ao lado da crítica, sem que o trio azul diga uma única palavra durante as duas horas do espetáculo. Para apresentar o fictício vídeo "How to be a Megastar 2.0", um apresentador histriônico aparece num telão interativo, explicando o processo num passo-a-passo para "vender" seus milagres, fazendo uma caricatura das vídeo-aulas e DVDs que prometem realizar sonhos impossíveis. O clima é de paródia, mas foge do tosco, pois não dispensa uma produção caprichada e uma execução tecnicamente perfeita de todos os envolvidos. A sincronia do som com as luzes e os números apresentados é perfeita e os três Blue Man são sempre imprevisíveis, mantendo a curiosidade e o interesse de todos até o final.

Desde o princípio, o público (de idades variadas) é instado a participar. E ninguém pode se sentir excluído. Nem mesmo quem comprou os ingressos mais baratos. Para isso, o Blue Man vai até as dependências mais remotas da casa de espetáculo arrancar os gritos mais distantes. O número em que marshmallows são arremessados à distância chega a impressionar, tamanha a precisão do trio. Outro momento divertido é quando as cabeças azuis viram televisões, que interagem entre si, como se uma tela invadisse a outra.

A música se torna um show à parte. No espaço de trás do palco, uma numerosa e afiada banda toca estandartes do rock. Muito além do que seria um simples "pano de fundo", eles criam uma parede sonora, que dá toda a sustentação para que as três carecas azuis brilhem lustrosas no front. Tubos de PVC, antenas de fibra de vidro, cítaras e outras engenhocas se tornam instrumentos musicais, criando timbres exóticos, que dialogam com o rock produzido pela banda. Outros instrumentos são reutilizados de forma pouco ortodoxa. Caso do piano surrado, que foi posicionado aberto e de pé no palco, recebendo violentos golpes de baqueta e produzindo estrondosos acordes.

A mensagem crítica é quase sempre direcionada ao rock e a seus maneirismos mais questionáveis. O gesto típico do metal, que supostamente representa o satanismo, vira um símbolo do escracho, tal qual as cabeças sacolejantes dos headbangers, com breves citações a AC/DC, Metallica e Judas Priest. Quem participa frequentemente desses "rituais", ganha agora uma boa oportunidade de se olhar no espelho e fazer uma autoavaliação. As danças afetadas, muitas vezes usadas para esconder a mediocridade dos grupos pop, também rendem boas piadas. Nada escapa do humor dos azuis, que sabem equilibrar, na mesma medida, acidez e uma certa ingenuidade, sem ofender ninguém.

Uma das maiores doenças do rock (ou seria de toda a humanidade?) é seguramente a vaidade. E é daí que o Blue Man proporciona os melhores momentos do espetáculo. Nessa hora, o alvo mais fácil para o escárnio torna-se o guitarrista virtuoso, que precisa de um milhão de notas para massagear seu ego. "Jump", do Van Halen é interrompida para que o guitarrista tome um "banho" de humildade... E também de psicodelia, onde "One of these days", do Pink Floyd, torna-se o palco ideal.

Matt Goldman, um dos idealizadores do grupo, se diz fã da cultura brasileira e que se sente influenciado pelos ritmos latino-americanos. Logo, era de esperar que o Brasil recebesse suas homenagens. E elas vieram. Primeiro, com "Detalhes", de Roberto Carlos, numa versão encanada em tubos de PVC. Depois, numa ode ao futebol e à Copa do Mundo, outro ópio brasileiro.

Nem mesmo o "bis" dos shows de rock é poupado de ironias e se torna um "falso fim", abrindo alas para o clássico "Baba O'Riley" (The Who) encerrar a noite de maneira arrasadora. A maior crítica, porém, fica escondida e silenciosa. Ao final do show, os três homens azuis saem do palco discretamente, no estilo mais low profile possível. Sem colher os louros do grande espetáculo que proporcionaram ao público, produzem uma espécie de anticlímax, numa solene renúncia ao próprio ego. A crítica fica implícita, mas denota uma gigantesca contraposição aos egomaníacos do rock, que nunca se dão por satisfeitos nem mesmo com as adulações mais exageradas.

O espetáculo, enfim, consegue unir o melhor dos dois mundos, pois agrada até mesmo aos que não gostam de rock ― principalmente aos que nunca souberam criticá-lo sem soar elitista ou reacionário. Estes finalmente têm a chance de ir à forra, encontrando nas paródias dos homens azuis todos os argumentos para a defenestrar o gênero. E o Blue Man agrada ainda mais aos roqueiros... Quer dizer, desde que tenham senso de humor e saibam não se levar tão a sério. Assim, os únicos excluídos da festa ficam sendo os adeptos do fundamentalismo headbanger. Portanto, se aparecer um grupo de metaleiros xiitas carrancudos, com cabelos ensebados e usando camisas do Manowar por ali, á altamente recomendável que você desencoraje-os. O Blue Man Group pode causar-lhes seríssimos efeitos colaterais.

Para ir além
São Paulo: 8 a 13 de setembro, no Credicard Hall
Rio de Janeiro: 16 a 20 de setembro, no Citibank Hall


Diogo Salles
São Paulo, 8/9/2009


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Um Twitter só para escritores de Marcelo Spalding


Mais Diogo Salles
Mais Acessadas de Diogo Salles em 2009
01. Millôr Fernandes, o gênio do caos - 17/2/2009
02. 10 palavrões 1 livro didático e ninguém no governo - 2/6/2009
03. Michael Jackson e a Geração Thriller - 21/7/2009
04. O fundamentalismo headbanger - 10/3/2009
05. PMDB: o retrato de um Brasil atrasado - 17/11/2009


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
8/9/2009
01h54min
Qualquer crítica é bem-vinda, sempre. Tanto a sua sobre a deles, quanto a deles sobre o rock. Se todos soubessem ao menos ouvir as críticas...
[Leia outros Comentários de Érico Salutti]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Teorias e Políticas de Gênero na Contemporaneidade
Marlene Tamanini
Ufpr
(2017)



Start a craft - Decoupage
Lesley Player
Apple
(1996)



A ladeira da saudade
Ganymédes José
Moderna
(1983)



Os cadernos de don Rigoberto
Mario Vargas Llosa
Companhia das Letras
(1997)



A Qualificação da Escola
F. Javier Murillo
Artmed
(2007)



The Puppy Place - Maggie and Max
Ellen Miles
Scholastic
(2007)



Clássicos da Democracia 12 - a Democracia Em Ação
Francis Hankin
Ibrasa
(1963)



Fora de Série
Morris West
Círculo do Livro



O Que é Capital Internacional - Coleção Primeiros Passos
Rabah Benakouche
Brasiliense
(1982)



7 Orações Que Vão Mudar Sua Vida
Stormie Omartian
Thomas Nelson Brasil
(2007)





busca | avançada
49702 visitas/dia
2,0 milhão/mês