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Quinta-feira, 2/12/2010
Sobre jabutis, o amor, a entrega
Elisa Andrade Buzzo

+ de 4100 Acessos
+ 3 Comentário(s)


foto: Sissy Eiko

Como diria o livro de Eclesiastes, tudo é vaidade. Então, neste final de ano, em que o corpo anda quebrantado de amores e dissabores, a vista já se perde em mil letrinhas revistas e convertidas em vida preparada para ser lida, perdi um pouco a disposição de falar de prêmios e quelônios. No entanto, tenho vontade de falar da literatura cotidiana de fato, daquela que lemos, que dentre milhares de opções se acaba elegendo, seja pela capa, uma indicação, o texto desafiador de uma peça teatral, um autor consagrado que há tempos se procura uma brecha para ler. Especialmente nos últimos meses deste ano: Carola Saavedra, Richard Yates, Primo Levi, Luigi Pirandello, Eugenio Montale... José Lins do Rego!

Em vez de dizer que não tenho tempo para ler, o movimento é contrário, na falta de tempo abrigo-me nos romances, na vida em si que pulsa no abrir das páginas. Comecei com Doidinho, ainda aquela edição de capa amarela, não à altura do mestre José Lins do Rego, mas simpática ao toque, à dobradura que se forma na medida em que a leitura avança. Depois, empolgada com o estilo simples e poético do autor, passo para sua fase mais erótica, com Pureza, uma beleza de romance nas ambiguidades sentimentais de seu Lola, que da metade para o fim se contorna num ritmo alucinado que comove, espanta e nos transforma naquele homem regrado e atormentado, nos faz ver a "carne maravilhosa" despontando branca e quente e necessária. Menino de engenho veio depois, para atestar o início promissor do autor. Agora, uma pequena pausa para a obra-prima, Fogo morto, cuja capa avermelhada do grande Victor Burton já me mete sofreguidão, na nova edição da José Olympio. E que venham os próximos.

Por algumas semanas me via colada em A chave estrela, do Primo Levi. Fazia um tempo, depois de passar o dia todo lendo profissionalmente ou no ônibus como prazer, que não me via indo para a cama com um livro, na ânsia de lê-lo. Foi assim espantosamente com este livro sobre grandes construções, como pontes, torres de transmissões elétricas, numa ótima tradução do Maurício Santana Dias. O personagem Faussone era um grande contador de histórias, que permeava suas falas com reflexões sobre o trabalho. Foi triste terminá-lo. Há tempos não chorava em uma leitura, e chorei em um trabalho para o A questão humana, do belga François Emmanuel. Não foram necessárias grandes palavras nem grandes gestos heroicos, mas uma mistura de pequenas e grandes catástrofes humanas.

A literatura às vezes nos pega desprevenidos. Esta parte narrada aconteceu com você de alguma forma, esta outra te faz observar a vida por um outro ângulo insuspeito, esta parte ainda não aconteceu, mas daqui a alguns anos você verá; em diversos momentos haverá uma frase ou outra que te leva à uma profunda admiração pelo autor, pela língua portuguesa, pelo prazer de entender uma língua e seus labirintos, seus jogos de linguagem. E a melhor forma de ler um livro tem sido assim. De repente ele fisga, surpreende, você se enamora dos personagens asquerosos, feios, reais como a vida, se apega àquela paisagem rural ou urbana, se transporta mesmo para o mundo recriado em palavras. A literatura é, cada vez mais, sobretudo um encontro extremamente particular e individual, por mais que se tente grandes catarses em leituras, saraus, festas literárias, cerimônias de entrega de prêmios literários, o afã de receber o troféu, o cheque magro ou polpudo. Talvez por isso muitos escritores se sintam tímidos em falar das obras e de si. Afinal, as obras não falam por elas mesmas e isso não deveria ser o suficiente?

E que privilegiada começo a achar que é a posição em que se encontra um leitor desavisado e voraz, que se entrega ao prazer estético e às sensações que um bom romance pode despertar. Nada de preocupações críticas ou julgamentos obrigatórios, mas aquela viagem, seja a sociedades distantes, ao reconhecimento sentimental que a boa literatura proporciona e, sobretudo, a despreocupação em não se atrelar aos imbróglios políticos e acadêmicos da literatura. Longe de mim achar que não se deva ter opinião, que não se deva editar com responsabilidade, nem fazer crítica séria, mas talvez falte um pouco do debruçar-se ingenuamente na literatura, embora com os olhos bem abertos para a sua qualidade, para o seu fazer consciente e vigoroso, para então voltar com a resposta tão almejada.

Mas parece que os prêmios literários no Brasil, de tão raros, necessitam ser disputados aos tapas. Aos vencedores, a extrema felicidade, aos perdedores, a inveja, a necessidade de comprovação de que o meu é melhor. Ainda assim, é importante que agora tenha se aberto a fresta do repensar. Não poderia deixar de ser diferente, embora o selo de livro premiado entre na capa do livro, o livro amado pelo leitor não precisa disso. O mercado editorial precisa sobreviver, crescer. Mas em literatura, como mensurar a qualidade em si, o merecedor da mais alta honraria? Quais critérios podem discernir o bom do mau, o melhor de todos dos medianos? Se o que há são conjunções de fatores, de gostos literários, convergências de interesses das quais muitas vezes não se pode desvencilhar, a não ser pela escolha da zebra, qual encadeamento de letras é perfeito para convergir na unanimidade total, de leitores, livreiros, professores, críticos e editores?

Só mesmo o tempo. Este também pode ser um pouco cruel e deixar de lado este ou aquele livro deveras tocante, surpreendente. Futuramente pegamos catálogos e algumas obras parecem que simplesmente se perderam no tempo, deixaram-se levar pelas manobras do mundo e assim não encontraram mais ressonância. Ou então, o merxandaizim ficou no meio do caminho. Está certo, é isso mesmo, o prêmio deveria ser a realização final, tudo o que foi feito o foi da melhor forma, deu certo, não poderia deixar de alcançar a excelência. Eu quero pensar, no entanto também quero ler, desmerecer a fama, me apaixonar e continuar matutando enquanto a lembrança daquele sentimento resistir. E assim, humanos, vamos caminhando a passos lentos.


Elisa Andrade Buzzo
São Paulo, 2/12/2010


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COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
7/12/2010
16h31min
Gostei! "Debruçar-se ingenuamente sobre a literatura", deixar o tempo falar... a mim também parecem lições sensatas... e que delícia deixar-se seduzir por um livro, não? Parabéns pelo texto!
[Leia outros Comentários de Roberta Resende]
8/12/2010
17h29min
Belo texto, querida Elisa. Para quem acompanha de fora o universo das editoras e prêmios, o quiprocó envolvendo o Jabuti pegou bem mal. Parecia um bando de meninos de escola disputando se o gol valeu ou não... Seu texto retoma a sanidade do tema. Grandes beijos!
[Leia outros Comentários de Júlia Tavares]
19/12/2010
13h54min
Prezada Elisa, entendo que o Prêmio Jabuti e suas nefastas e incongruentes decisões é o principal culpado de todas as mazelas, atrasos e inconveniências que, desde há quase 60 anos, conduzem a nossa literatura à descaraterização, o marasmo e pasmaceira disso que está aí. É o único troféu de literatura da terra que em vez de premiar o Melhor Escritor do Ano premia o Melhor Livro do Ano, centralizando a atenção do mérito de "Melhor" sobre a editora que só fez sua gráfica, sem explicar até hoje tal aberrante sobreposição de como um livro se escreve "Melhor" a si próprio. Vê-se, pois, assim, a necessidade da implantação definitiva do nosso Prêmio Nacional de Literatura assumida pelo Ministério da Cultura (seu concessor), ou por uma entidade cultural de respeito capacitada e representativa de todos os setores da sociedade, para que todo o mundo veja (ao começar por nós mesmos) que o Brasil pode e deve ter UM ÚNICO MELHOR ESCRITOR NACIONAL anualmente.
[Leia outros Comentários de Marco Ferrari]
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