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Quinta-feira, 13/12/2001
Nós estamos de olho em você!
Adriana Baggio
+ de 4600 Acessos
+ 4 Comentário(s)



Segunda-feira à noite, na Tela Quente, a Globo teve a pachorra de passar Truman Show, com Jim Carrey. Já conhecia a história, mas ainda não tinha visto o filme. Para quem não conhece, a fita conta a história de um reality show tão reality que o personagem principal, o Truman, não sabia que fazia parte de um programa de TV. O programa estava no ar há 30 anos, acompanhando a vida do personagem desde seu nascimento até a vida adulta. A única coisa real no programa é o próprio Truman, que não sabe que seu mundo não passa de um grande cenário de televisão. Com o incremento tecnológico através dos anos, o programa pôde ficar cada vez mais sofisticado. O cenário é uma verdadeira cidade, construída em uma ilha artificial. O nascer e o pôr do sol, assim como as alterações climáticas, são controlados por editores e seus computadores. Todos os habitantes da cidade, inclusive a esposa, a mãe e o melhor amigo de Truman são atores. O cenário conta com milhares de câmeras instaladas nos mais diversos locais, desde o botão da blusa da Sra. Truman até o espelho do banheiro do cara. Truman começa a desconfiar de sua realidade a partir de diversos “acidentes” que ocorrem no cenário: um refletor que cai, uma interferência no rádio do carro que passa a pegar a conversa entre os produtores do programa, uma porta de elevador que se abre mostrando o backstage do programa. No entanto, o acontecimento mais perturbador é o encontro de Truman com um mendigo, que na verdade é seu pai, “desaparecido” no mar durante a infância do personagem. A partir daí Truman começa a desconfiar e procura descobrir o que há por trás dessas esquisitices.

A pachorra da Globo está no fato de passar um filme que faz uma crítica aos reality shows justamente quando está para estrear sua própria versão do Truman Show, em menor escala, mas com o mesmo princípio: o Big Brother Brasil. O BBB, como a emissora tem chamado o programa, nada mais é do que o original da Casa dos Artistas, veiculado pelo SBT. Já temos o No Limite, que segue a mesma linha, mas que ainda preserva alguma coisa de ficção porque, além da “gincana” disputada pelos participantes, as imagens que vão ao ar todo domingo são editadas. Ainda não assisti nenhuma episódio da Casa, mas acredito que essa modalidade seja ao vivo, e acho que o BBB vai na mesma onda.

Sem querer chamar o leitor de desinformado, e acreditando que é melhor repetir o óbvio do que pecar por falta de informação, aproveito para explicar que o nome Big Brother refere-se ao sistema de controle da população descrito do livro 1984, de George Orwell, um clássico mais atual do que nunca. No livro, a população é controlada dia e noite pelo tal Big Brother, mas a diferença com a nossa realidade é que as pessoas não gostam dessa situação. O Big Brother global promete fama e dinheiro a quem participar. E parece que tem muita gente interessada, tanto em estar lá quanto em assistir.

O que faz com que as pessoas sejam tão voyeurs, tenham essa vontade de saber o que acontece na vida alheia? A gente identifica esse comportamento desde as esferas mais restritas, como as fofocas de salão de beleza, até os veículos de comunicação de abrangência nacional, como as revistas sobre TV e as Caras da vida. Eu mesma, quando não levo nada para ler no salão, acabo vendo a Caras que estiver disponível. E todos os salões que conheci, dos mais simples aos mais ajeitadinhos, têm a edição mais atual.

Assim como tem gente que gosta de observar a vida alheia, principalmente se for “realidade”, existem outros que adoram ser objeto desta análise. Só isso explica o motivo pelo qual algumas pessoas expõem sua casa, sua família e sua intimidade para serem devoradas pelos leitores de Caras, ou candidatam-se a passar ridículo em programas como Casa dos Artistas e similares. Fico imaginando se essas pessoas não se tocam que todo mundo tem seu dia de vidraça. E a mídia, quando precisa de assunto, não tem pudor em atirar suas pedras. É o caso de uma das participantes de No Limite, cujas declarações racistas foram divulgadas no momento mais propício para causar polêmica.

E por falar em virar vidraça, a ficção do Big Brother, aquele do Orwell, está muito perto de ser real. Somos cada vez mais controlados. Quanto mais a gente usa a tecnologia para facilitar a vida, mais expomos nossos hábitos, nossa privacidade, nosso potencial de consumo. A sua vida está sendo analisada, avaliada, catalogada. Seus hábitos estão sendo cadastrados, e você está virando um perfil nos computadores das empresas com as quais se relaciona. Aliás, nesse exato momento, enquanto você lê esse texto on line, milhares de cookies podem estar sendo enviados para dentro do seu micro. Prepare-se, porque em breve, VOCÊ será a nova atração do Big Brother, ou melhor, do Truman Show, porque nem vai saber o que está acontecendo...


Adriana Baggio
Curitiba, 13/12/2001

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COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
14/12/2001
08h04min
Parabéns pelo texto. Espetacular! Infelizmente é o que está acontecendo, já não sabemos mais o que é certo ou errado.....
[Leia outros Comentários de Clóvis Hostin]
20/12/2001
16h29min
Oi Adriana, Soube hoje que você escrevia neste site pelo seu pai, quando perguntei prá ele como você estava. Pelo jeito muito bem, pelas bandas do nordeste! Dei uma lida em alguns de seus textos e gostei bastante de seu estilo e dos temas. Parabéns! Vou continuar visitando o site pois, como você sabe, cultura é um de meus temas preferidos, embora agora eu esteja integralmente voltada a Educação Internacional. Aproveito também este meio de contato para lhe desejar um ótimo Natal e um 2002 de muito sucesso. Keep in touch! Anelise (41-329-1518)
[Leia outros Comentários de Anelise S. Zandoná]
20/12/2001
19h05min
Oi Anelise! Que surpresa! Obrigada pelos comentários. Um ótimo fim de ano para você também! Estou meio sem estrutura aqui em Curitiba, mas quando voltar a JP escrevo mais para você! Beijos, Adri
[Leia outros Comentários de Adriana]
2/3/2008
19h55min
Engraçado como as pessoas que estão por trás da indústria cultural utilizam-se de referências eruditas para criação de produtos destinados às massas... A temática do filme foi abordada ao mesmo tempo de forma concisa e abrangente. Entretanto, achei o tom da conclusão demasiado sensacionalista - mesmo pressupondo sua função especulativa para o desfecho.
[Leia outros Comentários de Luiza Amorim]
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