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Quarta-feira, 4/12/2013
A Palavra Mágica
Marilia Mota Silva
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Existe uma palavra mágica que nos une a todos os brasileiros. Podemos divergir sobre muitos assuntos, mas somos unânimes na fé e reverência a esse ícone.

Em conversas no trabalho, ou nas filas onde costumamos gastar horas perdidas, há sempre um momento em que as pessoas extravazam sua indignação e reclamam de tudo, de todos os abusos que tornam a vida do cidadão comum, em nosso país, tão sofrida. Depois do desabafo, vem a procura dos culpados, da causa desse mal crônico que parece ter se alastrado por todas as células do nosso organismo. São os políticos, são as elites , são as leis, somos nós mesmos, é nossa história, nossa cultura? É tudo junto? E chega-se à conclusão aterradora: Não tem jeito, não temos cura. Mas é difícil aceitar isso! Nesse momento de amargura, alguém desfralda a palavra mágica, a bandeira da salvação, que brilha como o sinal luminoso de Saída, em labirinto escuro: Educação!

Educados, saberemos escolher deputados e senadores que nos representem, de fato. Saberemos eleger Presidentes, Governadores e Prefeitos idôneos e competentes. Seremos uma nação sem miséria, sem crueldade, sem diferenças sociais agudas, com pessoas capazes e de boa-vontade nos cargos para os quais os elegemos. Seremos respeitados como gente e cidadãos.

Dito isso, a conversa se esvazia. Se vamos alcançar esse patamar, como e quando, são decisões que vem "de cima". Sendo assim, nem sequer nos perguntamos, por exemplo, que educação seria essa capaz desses milagres. Que educação nos levaria a esse salto de qualidade tão sonhado? A formação de crianças com capacidade de pensar, de resolver problemas? Ou o foco estaria no desenvolvimento emocional, da empatia, da civilidade, da vida em comunidade? Ou seria uma educação pragmática, adaptada à vida em cada região, que preparasse os jovens para o mercado de trabalho? Mas, antes de tudo, seria preciso pensar na parte essencial da equação: o professor, suas condições de trabalho, salário, treinamento e valorização.

A lista dos "seria preciso" é desanimadora, a tarefa parece impossível, ainda mais num país tão grande como o nosso. E assim deixamos o assunto para um futuro incerto: Quem sabe, um dia?

A não ser que um fato novo nos permitisse cuidar do funcionamento e da qualidade das escolas, com recursos e parâmetros impensáveis até há poucos anos; que nos permitisse levar o ensino de alta qualidade não apenas aos centros urbanos, mas a todo o país, às pequenas comunidades, às vilas remotas; e não apenas às crianças, mas a qualquer pessoa que quisesse aprender sobre qualquer assunto. É possível, esse recurso existe.

Os cursos online, especialmente os MOOCs dão uma ideia do que é possível fazer pela educação com a tecnologia acessível a todos os países.

MOOC é a sigla para Massive Open Online Course. Carla Ceres já escreveu sobre eles aqui no Digestivo. Vale conferir. São cursos de alta qualidade abertos para todo mundo. Não há pré-requisito nem burocracia. É de graça e fácil de acessar. São bem planejados, com aulas em videos e material de leitura.

No curso que fiz agora, em um dos fóruns, um aluno perguntou qual a língua nativa dos participantes. As respostas começaram a surgir na tela: russo, farsi, sueco, chinês, tibetano, português, (havia um bom número de brasileiros) idiomas cujos nomes nos são familiares entre outros que me soaram exóticos porque eu ignorava sua existência: igbo, ojibway, gujarati, tamil, telugo, marathi, youruba. Éramos mais de nove mil alunos em uma sala de aula do tamanho do mundo; acima de todas as diferenças, religiões, fronteiras, de tudo o que nos impede e separa.

Não por acaso, esses cursos estão se alastrando. O cardápio oferecido cobre todas as áreas, todos os sonhos. Quem pode medir o impacto que isso terá, a médio prazo?

A educação é a chave para uma vida melhor, parece que há um consenso sobre isso. Temos visto o salto em desenvolvimento e bem-estar social que países que investiram seriamente em educação deram, em poucos anos.

Os MOOCs nos mostram como se tornou fácil, hoje, com um investimento pequeno, em capital e tempo, proporcionar uma educacao de alta qualidade, para o mundo inteiro. Nos MOOCs existentes até agora, o único problema é que é preciso saber bem o inglês. Mas nada impede que outros países façam o mesmo: desenvolvam sistemas parecidos, em seu idioma.

É provável que as universidades federais e estaduais no Brasil, assim como as particulares, já estejam nessa trilha, se reunindo para criar um site como o Coursera, que congrega dezenas de faculdades de países de língua inglesa e continua ganhando a adesão de novas universidades. Em nosso caso, seria uma boa forma de unir a comunidade de países de língua portuguesa e fortalecer a presença do idioma e do País. À medida que o Brasil abre-se para o mundo, aumenta o interesse em aprender o português, como acontece na China, atualmente.

Quanto à conexão da internet, os dados, se confiáveis, indicam que estamos em boa situação. Segundo o Ibope Media, o Brasil é o quinto país mais conectado; 92 milhões tem acesso à rede. Esses dados são de dezembro de 2012. O Plano Nacional da Banda Larga, do governo federal, prometia cem mil novos telecentros, até 2014. Já devem estar funcionando. E há iniciativas privadas como a ONG Gemas da Terra que, desde 1998, tem levado a internet às comunidades afastadas dos grandes centros.

Mas é na educação das crianças e jovens que o emprego desse recurso pode ser mais eficaz e transformador . Uma escola nos Estados Unidos começou a fazer essa experiência, e os resultados tem sido muito bons. A proposta é inverter o que se tem praticado até hoje.

Os alunos assistem às aulas em casa, no computador. No dia seguinte, na escola, eles fazem o dever de casa, trabalham em grupos, fazem projetos, assistidos pelo professor.

Os videos, o material de leitura, os testes e exercícios são preparados uma vez só, pelos professores mais qualificados do país (ou de cada Estado, para aulas de interesse local). Essas aulas servirão de base para o treinamento dos professores, já que eles deverão estar aptos a esclarecer as dúvidas dos alunos, ajudando-os com os exercícios e projetos de escola.

A tecnologia, usada dessa forma, poupa os professores do desgaste de repetir aulas, em várias classes, ano após ano. Não tira seus empregos nem afasta as crianças do convívio com os colegas.

A interação individualizada entre professor e aluno atenderia melhor os mais tímidos e os que tivessem mais dificuldades.

No artigo lincado acima, um professor comenta que fez um vídeo, postado no Youtube, sobre concordância entre sujeito e verbo, que foi visto 54 mil vezes. Ele nunca poderia ter atingido tantas pessoas em uma vida inteira dando aulas. E os alunos preferem as aulas em vídeo porque podem assisti-las mais de uma vez se for preciso.

Se esses MOOCs, sem alarde nem grandes investimentos, e sem esperar por decisões de governo, estão dando educação de graça e de alta qualidade, em todas as áreas do conhecimento, para o mundo inteiro, deve haver um jeito de nós, brasileiros, usarmos essa tecnologia para enfrentar o problema da educação em nosso país, que ainda se encontra entre as piores do mundo.



Marilia Mota Silva
Rio de Janeiro, 4/12/2013

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