O Precioso Livro da Miriam | Marilia Mota Silva | Digestivo Cultural

busca | avançada
49127 visitas/dia
2,0 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Projeto que une cultura e conscientização ambiental traz teatro gratuito a Minas Gerais
>>> Show da Percha com Circo do Asfalto
>>> Evento Super Hacka Kids reúne filmes, games, jogos de mesa e muita diversão para a família
>>> SESC BELENZINHO RECEBE RÁDIO DIÁSPORA
>>> Música de Feitiçaria
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Jô Soares (1938-2022)
>>> Casos de vestidos
>>> Elvis, o genial filme de Baz Luhrmann
>>> As fezes da esperança
>>> Quem vem lá?
>>> 80 anos do Paul McCartney
>>> Gramática da reprodução sexual: uma crônica
>>> Sexo, cinema-verdade e Pasolini
>>> O canteiro de poesia de Adriano Menezes
>>> As maravilhas do modo avião
Colunistas
Últimos Posts
>>> Canções Cruas, por Jacque Falcheti
>>> Running Up That Hill de Kate Bush por SingitLive
>>> Oye Como Va com Carlos e Cindy Blackman Santana
>>> Villa candidato a deputado federal (2022)
>>> A história do Meli, por Stelleo Tolda (2022)
>>> Fabio Massari sobre Um Álbum Italiano
>>> The Number of the Beast by Sophie Burrell
>>> Terra... Luna... E o Bitcoin?
>>> 500 Maiores Álbuns Brasileiros
>>> Albert King e Stevie Ray Vaughan (1983)
Últimos Posts
>>> Direitos e Deveres, a torto e a direita
>>> Os chinelos do Dr. Basílio
>>> Ecléticos e eficazes
>>> Sarapatel de Coruja
>>> Descartável
>>> Sorria
>>> O amor, sempre amor
>>> The Boys: entre o kitsch, a violência e o sexo
>>> Dura lex, só Gumex
>>> Ponto de fuga
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Entrevista com Milton Hatoum
>>> Prenda-me se for capaz
>>> Entrevista com o tradutor Oleg Andréev Almeida
>>> O nome da morte
>>> 21º de Mozart: Pollini e Muti
>>> 80 anos do Paul McCartney
>>> Jornalismo: as aulas de Joel Silveira
>>> O 4 (e os quatro) do Los Hermanos
>>> Homenagem a Yumi Faraci
>>> Teledramaturgia ao vivo
Mais Recentes
>>> Os Melhores Contos da America Latina de Flávio Moreira da Costa pela Agir (2008)
>>> A Casa da Madrinha de Lygia Bojunga pela Agir (1932)
>>> Um Hotel na Esquina - Coleção 100 Milhões de Leitores de Jamie Ford pela Agir (2012)
>>> Vira- Lata Virador de Daniel Pennac pela Agir (1995)
>>> 2 Grau Matematica 3 Serie de Atual pela Atual
>>> A Historia de Fernao Capelo Gaivota de Richard Bach pela Editorial Nordica Ltda. (1970)
>>> Almas Antigas de Tom Shroder pela Sextante (2001)
>>> Estação Carandiru de Drauzio Varella pela Companhia das Letras (1999)
>>> O Fugitivo de J. M. Dillard pela Estadão (1997)
>>> Clássicos da Poesia Brasileira - Ler é Aprender de Frederico Barbosa pela Klick (1997)
>>> A Terapia do Abraço 2 de Kathleen Keating pela Pensamento (1987)
>>> Fogo Morto - Ler é Aprender de José Lins do Rego pela Klick
>>> The Founders of Modern Finance: Their Prize-winning Concepts and 1990 de Cfa pela Cfa (1992)
>>> O Poder Cosmico do Homem de Vernon Howard pela Record
>>> Introdução À Mecânica dos Solos de Milton Vargas pela Mcgraw-hill (1977)
>>> 6 +1 Traits of Writing de Ruth Culham e Outros pela Scholastic (2003)
>>> Instituições de Direito Processual Civil IV de Cândido Rangel Dinamarco pela Malheiros
>>> Tratamiento de las Superficies de Plastico de Klaus Stoeckhert pela Gg (1974)
>>> Sinais de Vida - da Escuridão ao Arco-íris de Fernanda Giannini pela Clube dos Autores
>>> Brazen Virtue de Nora Roberts pela Bantam Books (2002)
>>> Voando ao Sol de James Aldridge pela Coleção Contemporanea
>>> A Vida Secreta de Jonas de Luiz Galdino pela Atica
>>> Vet in Spin de James Herriot pela Pan (1977)
>>> English Plus 2 Wookbook de Janet Hardy-gould pela Oxford
>>> O Rinoceronte - Coleção Teatro Vivo de Eugène Ionesco pela Abril Cultural (1976)
COLUNAS

Quarta-feira, 20/2/2013
O Precioso Livro da Miriam
Marilia Mota Silva

+ de 5000 Acessos

Saga Brasileira, a Longa Luta de um Povo por sua Moeda, de Miriam Leitão, foi leitura recente no Círculo do Livro de que faço parte. O grupo se dedica à ficção escrita em língua portuguesa, mas às vezes abrimos exceção para livros sobre nossa história. Como de outras vezes, valeu a pena. Tivemos uma das mais vibrantes entre nossas sempre animadas discussões.

Houve quem criticasse o estilo, o excesso de adjetivos e o vai-e-vem cronológico; houve quem considerasse o título inadequado: Saga? Muito pretensioso. Houve quem fizesse questão de esclarecer que não se considera fã incondicional das ideias da autora, mas reconhecia a fidelidade com que ela reconta a história. Restrições feitas, o mais foi entusiasmo.

Lembranças adormecidas emergiram com veemência. Os períodos de entressafra em que os produtos, especialmente a carne, desapareciam; a tragicomédia da caça de bois no pasto; os congelamentos e seus inevitáveis fracassos, a repetição dos erros; o supermercado fechado em nome do povo. O sofrimento dos mais pobres mal sobrevivendo, e a extrema concentração de renda nas mãos dos mais ricos, a inflação incontrolável, realimentada pela ORTN. O sequestro do dinheiro, a implementação predatória do plano mal pensado.

Nunca pensei que um livro sobre dinheiro pudesse ser tão pouco árido. Li com a respiração suspensa, comovida muitas vezes!, foi o sentimento expresso de várias maneiras. Precisamos de mais livros como esse. Devia virar documentário, passar na tevê e nas escolas!, a conclusão unânime.

A leitura é mesmo fascinante. A recuperação dos acontecimentos foi não só fiel do ponto de vista jornalístico como extremamente criteriosa e emocionante. Como editora de economia, Miriam se encontrava em situação privilegiada, com acesso às fontes geradoras dos fatos, os que faziam acontecer, e ao outro lado, os que sofriam as consequências das decisões atrapalhadas. Ela teve a inestimável oportunidade de conhecer pessoas no Brasil inteiro, de testemunhar suas histórias no calor dos acontecimentos. E esse é outro mérito do livro: o retrato que emerge de seu relato, o retrato de quem somos.

Não faz muito tempo, estávamos sempre nos perguntando qual seria a identidade do brasileiro. Além do idioma e do futebol, o que nos caracteriza? Quais os traços comuns a povo tão diverso, distribuído em território tão extenso e tão pouco integrado? Parecia impossível responder a essa pergunta.

Baseado na vivência dos fatos e não em abstrações e preconceitos, esse livro nos mostra um povo incansável, acreditando sempre, disposto a lutar se tiver como, capaz de resistir e se adaptar com rapidez e admirável inteligência. Não somos Macunaíma, não sofremos de preguiça ou de falta de caráter. Não somos cínicos vagabundos ou criminosos apesar de todos os exemplos que vem de cima. Embora tentem nos impingir essa crença, os fatos a desmentem. A massiva maioria dos pobres e classe média trabalha duro.

Um exemplo que diz muito: Ano após ano, somos campeões do mundo em reciclagem de latinhas, e certamente não é por consciência ecológica. Se fosse, os espaços públicos seriam limpos, rios e mar não estariam poluídos. É porque os mais humildes correm atrás de qualquer oportunidade que lhes dê sustento. Outro exemplo, a praia de Copacabana, vista como símbolo da aversão do carioca ao trabalho. Chegue lá cedo, mal o dia nasce, especialmente em feriados e observe a multidão de gente humilde que chega a pé, em vans, puxando burros-sem-rabo com cargas de côcos recém colhidos, cadeiras de aluguel, barracas, limonada, cangas, chapéus, biscoitos, milho verde, carrinhos de criança, pedalinhos, a lista seria infindável; às vezes parece que há mais gente trabalhando do que turistas na praia. Ainda assim prevalece o estereótipo da vagabundagem. Qual a razão disso? Povo humilde, com baixa auto-estima não reivindica. Voltando ao livro:

A certa altura, Miriam se surpreende com a constatação de que, em tão pouco tempo, parece termos esquecido a luta que travamos para conquistar uma moeda respeitável. Acho que "esquecer" é uma defesa natural do organismo. Vivemos sob tensão aguda, submetidos a toda espécie de abuso dos que estão no poder, em todos os níveis. É um escarnecer, uma violência incruenta mas constante. E não encontramos um meio eficaz de reagir.

E mais: hoje temos acesso instantâneo a qualquer informação, os hiperlinks nos oferecem recursos infinitos, mas, por isso mesmo, ao final do dia o que temos muitas vezes são fragmentos, uma coleção de dados, camadas de informação paralelas, uma cacofonia.

Precisamos mais do que nunca de narrativas como essa, com começo, meio e fim. Narrativas que nos deem senso de continuidade, de identidade, de comunidade, que nos deem perspectiva de quem somos, que caminho percorremos, o que foi erro, o que foi acerto, o que podemos superar e construir. Se vencemos uma inflação "congênita", venceremos o cancro da corrupção institucionalizada. É possível, o STF já mostrou que sim.


Marilia Mota Silva
Washington, 20/2/2013


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Jô Soares (1938-2022) de Julio Daio Borges
02. As maravilhas do modo avião de Julio Daio Borges
03. O retalho, de Philippe Lançon de Wellington Machado
04. Como medir a pretensão de um livro de Ana Elisa Ribeiro
05. O pai da menina morta, romance de Tiago Ferro de Jardel Dias Cavalcanti


Mais Marilia Mota Silva
Mais Acessadas de Marilia Mota Silva em 2013
01. Amor (in)Condicional - 5/6/2013
02. Quatro autores e um sentimento do mundo - 10/4/2013
03. De olho em você - 1/5/2013
04. O Precioso Livro da Miriam - 20/2/2013
05. O Nome Dele - 7/8/2013


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Poesias Coligidas
Fernando Pessoa
Nova Fronteira
(1981)



Livro - Quando Mamãe Virou um Monstro
Joanna Harrison
Brinque Book
(1996)



Liberalismo - Teoria e prática
Theodore Meyer Greene
Ibrasa
(1983)



Ciências Novo Pensar 7
Demérito Gowdak; Eduardo Martins
Ftd
(2017)



Origens Relacionando a Ciência Com a Bíblia
Ariel Roth
Casa Publicadora Brasileira
(2016)



Caravelas no Novo Mundo - Col o Cotidiano da Historia (+2 Encartes)
Antonio Augusto da Costa Faria
Atica
(1999)



Guia de Campo - Aves da Grande São Paulo
Pedro F. Develey
Aves e Fotos
(2004)



Cronicas para Ler na Escola
Carlos Heitor Cony
Objetiva
(2009)



Sempre Há uma Chance
Lucimara Breve
J. R.
(2004)



Em Festa de Canibal Pizza Não É Legal ( Em Língua Portuguesa)
Júlio Emílio Braz
Imperial Novo Milenio
(2009)





busca | avançada
49127 visitas/dia
2,0 milhão/mês