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COLUNAS

Sexta-feira, 1/5/2015
A pomba gíria
Ana Elisa Ribeiro
+ de 6000 Acessos

Eu não sei direito o que é uma gíria, morou? Mas eu sei usá-las, saca? E eu talvez tenha a manha de empregá-las do jeito certo, porque isso é uma arte. Não é assim de qualquer jeito, pá pum. É algo que exige uma ciência. E por que será que a gíria é tão desprezada? Disse o querido escritor Leo Cunha que a gíria virou a pomba gíria.

Dia desses, contei, em um texto, que fui a uma reunião de escola em que uma mãe zelosa pediu a palavra para banir a gíria. É arriscado, mas muita gente acha que está fazendo a melhor coisa do mundo, especialmente na criação dos filhos. Até aí, tudo bem. É até bom ter fé nisso, cara, para criar uma segurança necessária ao andamento da vida. Mas ó: querer que todos e a escola façam o mesmo já fica pesado, não?

A dita mãe - falante de um português castiço e mal lavado - tinha a seguinte teoria sobre a linguagem: a gíria atrapalha a criança no desenvolvimento dos textos, ao longo da vida. É bem parecida com uma teoria, aliás, sobre o uso desbragado do internetês pelos jovens antenados e conectados. Todas teorias furadas.

Mas, vez ou outra, gosto de ouvir as teorias sobre tudo das pessoas. Acho divertido. E tenho cá as minhas, não menos amalucadas. Mas de linguagens e textos eu entendo. Digo isso porque há quem diga que entende de cálculo, de estômago, de dente e de tantas outras coisas. Por que não posso dizer que tenho minhas sapiências? É proibido? Logo eu cá, que me formei nesse negócio?

Bom, a mãe queria banir a gíria. Fiquei com pena. Das duas. Já pensou? Controlar uma criança que interage no mundo, dessa maneira? Sei não.

Acho mais interessante quando a criança (ou quem for) tem opção e entende que as tem; isto é, quando a pessoa tem uma coleção de possibilidades expressivas e sabe usá-las. A gíria, certamente, faz parte disso.

Conheço um garoto de 10 anos que andou dando demonstração dessa sabideza. Certa vez, diante do Facebook, ele mostrava um vídeo divertido à mãe. Ela, que também está nas redes sociais, pediu que o guri a marcasse na publicação. O garoto, do alto de sua sapiência linguajeira, escreveu assim: "mãe, pra vc", ali no campo dos comentários. E marcou a mãe, que espiava a operação por trás dos ombros do garoto. Antes que ela dissesse qualquer coisa a respeito do "vc", e ele intuía que ela diria, o carinha já se adiantou: "ó, mãe, eu sei que aqui no Facebook isso pode". O que está absolutamente certo, minha gente!

É disso que estou falando. É de jogo de cintura, coisa que é muito necessário se ter na linguagem (como na vida). Estou falando de quando a gente escolhe um jeito de dizer, de quando alguém diz "não dê a notícia assim, é muito impactante", e você formula de outro jeito: faleceu, morreu, bateu as botas, passou desta pra melhor, foi comer capim pela raiz e assim vai. Estou falando de quando as pessoas mudam seu linguajar conforme o grupo de que participam ou conforme a cena em que se encontram: na reunião, na entrevista de emprego, no boteco ou em família. É isso. É esse jogo, tão importante, que faz a linguagem ser a roupa que a gente usa, conforme a ocasião.

Tem tanto livro que trata bonitamente disso! Tem tanto professor que sabe das coisas. Tem tanta gíria linda. E todo mundo intui que a gíria entra e sai da moda. Fazia um tempo, por exemplo, que eu não ouvia o "bacana". E agora ela anda aí com toda a vivacidade. Daqui a pouco, pede um descanso de novo. E aquele "morou", lá no início do texto? Essa é velha, teve sua época, e nem era a minha. É empregada em uma propaganda de ótica, aqui pros lados de Minas Gerais. E só. E o "véi", da moçada? E o "broto", que ninguém usa? E chamar o Fábio Júnior de "pão"? Poxa, qual é o problema, galera? Eu não estou dizendo que a gente precisa usar gíria sem parar; mas que a gíria é um recurso pra ser usado na hora certa.

O que atrapalha as pessoas é elas não saberem que dispõem da linguagem para todos os seus afazeres, em todas as cores. Ficam limitadas, sem opção. E aí, sim, seus textos estarão prejudicados - ou zoados - para sempre, tá ligado?



Ana Elisa Ribeiro
Belo Horizonte, 1/5/2015

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