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Terça-feira, 5/9/2017
O Wunderteam
Celso A. Uequed Pitol

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A Eurocopa de 2008 não foi boa para as anfitriãs. Áustria e Suíça não conseguiram passar da primeira fase e nenhuma das duas mostrou um futebol particularmente inspirador. Da Suíça nem poderíamos esperar grande coisa: seleção tradicionalmente identificada com esquemas retranqueiros mais fechados que os seus célebres cofres de bancos, o máximo que poderia aspirar era chegar ao final da competição com três empates e garantir a honra de sair invicta, embora eliminada. Dos austríacos a maioria pensaria o mesmo. Porém, quem prestou atenção nas arquibancadas do Estádio Ernst Happel, onde a seleção alvinegra mandava seus jogos, notou uma grande faixa com a inscrição “Das Wunderteam” nas arquibancadas superiores. Quem não sabe alemão mas conhece algo de inglês sabe, por analogia, que “Wonder team” significa “O time das maravilhas”. Mas não havia maravilha alguma do lado austríaco. Havia, isso sim, muitos cruzamentos desordenados para a área, muitos passes errados e, sim, muito espírito de luta, mas nada que um time de bairro do Brasil não faria se jogasse contra o Real Madrid – nada , enfim, de encher os olhos. Nada maravilhoso. Mesmo assim, aquela faixa continuava lá, orgulhosamente estendida, para os adversários saberem quem estavam enfrentando.

O “Wunder” (maravilha, em alemão) presente na palavra bem se poderia referir não à seleção austríaca, mas ao país Áustria. Faltam linhas para citar todos os nomes que os austríacos legaram à cultura ocidental e sobram estatísticas positivas sobre as condições de vida daquela pequena nação encravada nos Alpes. O futebol não parece ser uma das áreas em que os austríacos mais se destacam, ainda mais se tivermos em mente o elevadíssimo nível que atingiram em outras. De Mahler a Kafka, de Freud a Robert Musil, os austríacos ilustres enchem uma enciclopédia inteira. A Áustria definitivamente não precisa do futebol para elevar sua auto-estima. Mas o “Wunder” ainda está lá – e precisamos descobrir o porquê.

Vamos conferir então pelos números. Quando é que a Aústria fez algo pelo futebol? O país participou de nove Copas do Mundo. Não participa de uma desde 1998. Retrocedemos o olhar a partir daí e vemos resultados medíocres – eliminações na 1a. fase – e uma ou outra campanha um pouco melhor – 7o. lugar em 1978, 8o. em 1982 – até que, lá por 1934, vemos um surpreendente 4o. lugar, um solitário bom resultado numa história de derrotas. Coloquemos a nossa lupa por ali, então, e descobrimos que a equipe austríaca daquele ano, comandada por Hugo Meisl, estava simplesmente encantando o mundo inteiro com um futebol coletivo, veloz, onde os onze jogadores participavam das jogadas de defesa e de ataque com idêntico vigor. Quatro décadas depois, esse tipo de futebol seria chamado de “futebol total”, e a seleção que o praticaria seria chamada de “Laranja Mecânica”, entrando para a história do futebol como um dos maiores times de todos os tempos. Naquela época, aquele futebol deu ao time que o praticou um nome mais singelo e, talvez por isso, mais belo, de “Wunderteam” – o time das maravilhas.

Os austríacos eram uma grande potência do futebol dos anos 30. Conquistaram a medalha de prata nas Olimpíadas de 1936 e a Copa Europeia de 1932, antecessora da Eurocopa. Quem viu aquele time jogar disse que pareciam uma grande orquestra, onde cada elemento tinha um papel determinado pelo treinador Hugo Meisl – denominado “O Mozart do Futebol” – e cujo solista era Mathias Sindelar, “O Homem de Papel”, um rapaz magérrimo que, incapaz de dar um chute forte na bola, precisava conduzi-la pelo campo todo, tabelando pelos companheiros, até o gol adversário. Em sua brilhante história não faltou sequer um elemento de tragédia: recusando-se a vestir a camisa alemã após a anexação da Áustria por Hitler, morreu no seu apartamento em 1939 em circunstâncias nunca esclarecidas. Sindelar virou um mito na luta contra o nazismo.

A trajetória de Sindelar foi mais ou menos a trajetória histórica da Áustria, nação-tampão entre o Oriente eslavófilo e islâmico e a cultura ocidental como hoje a conhecemos, destinada a resistir com toda ao acossar dos inimigos levantinos . A “missão européia da Áustria”, como a denominou Otto Maria Carpeaux em um escrito de juventude, era garantir a unidade católica do Ocidente diante dos inimigos que, naquela época, pareciam mais poderosos, como o comunismo, o nazismo, o fascismo e os materialismos de todos os tipos. Já haviam feito isso no passado: quando o Império Otomano parecia indestrutível e caminhava velozmente do Levante em direção à Europa, foi em Viena, do lado de fora dos seus muros, que eles finalmente capitularam, diante de um pequeno exército do Sacro Império Germânico. Não fossem os austríacos, provavelmente todo o Ocidente hoje seria islâmico. Não fossem os austríacos, provavelmente hoje não haveria Ocidente.

A bela homenagem que este torcedor austríaco deixou no youtube –clique aqui – à seleção de seu país revela, ao mesmo tempo, um sentimento de saudade pelos bons tempos que se foram e um certo desdém diante dos ídolos fugazes do futebol de hoje. É o estranho proceder dos países que já foram grandes no futebol. Assumem diante do jogo atual a postura altiva dos antigos aristocratas falidos, que, mesmo sem dinheiro, mantém os brasões familiares e os títulos de nobreza. Os uruguaios não ganham nada há décadas e continuam chamando a sua seleção de Celeste Olímpica – competição da qual não participam há exatos oitenta anos – e crêem firmemente que podem vencer qualquer seleção do mundo em qualquer tempo. A Irlanda do Norte, outrora grande celeiro de futebol das Ilhas Britânicas com participações muito boas nos Mundiais nos anos 50 e 80, continua cantando “We´re Not Brazil, We´re Northern Ireland” nos gramados encharcados daquele país em guerra. Os austríacos, por sua vez, colocam trapos no estádio para todos lembrarem que, antes da ESPN, dos contratos milionários, das entrevistas cínicas, do jogo de resultados, das retrancas e dos falsos beijos nos distintivos, havia um futebol digno de ser elevado à categoria de arte e praticado por artistas que, como todo verdadeiro artista, não se curva ao dinheiro. Assim como Sindelar e seus compatriotas austríacos, que nunca se curvaram às demais formas de barbárie.


Celso A. Uequed Pitol
Canoas, 5/9/2017


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