A múmia de seios intumescidos | Adriana Baggio | Digestivo Cultural

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Quinta-feira, 24/10/2002
A múmia de seios intumescidos
Adriana Baggio

+ de 6100 Acessos

As histórias relacionadas ao Egito Antigo sempre nos fascinaram. Nossa imaginação é povoada de múmias, faraós, tesouros, pirâmides. No colégio, as aulas sobre a história da jóia do Nilo tinham mais chances de atrair a atenção dos alunos: mais interessante decorar as dinastias e seus faraós do que a lista de presidentes do Brasil.

O francês Christian Jacq, doutor em estudos egiptológicos, deve ter percebido esse filão. O autor lançou uma série de romances baseados em fatos reais sobre o Egito Antigo, que "se nutrem desta [sua] discreta erudição", como diz a orelha de um desses livros. É uma pena que essa erudição seja assim tão discreta. Pelos seus conhecimentos, Christian Jacq teria muito mais a acrescentar nas obras que escreveu até agora. No entanto, o que para algumas pessoas poderia representar uma qualidade a mais em um romance histórico - a possibilidade de unir lazer com conhecimento -, para outras se resumiria em um atestado de chatice. E nesse caso, talvez as séries de romances "Ramsés" e "A Pedra da Luz" não estivessem nas listas de bestsellers do Brasil e do mundo.

"A Rainha Sol" (Bertrand do Brasil, 2002) segue a mesma receita dos livros da série "Ramsés". A história é ambientada no Egito Antigo, conta a história de jovens nobres e tem pitadas de erotismo, suspense e romance. Até aí tudo bem, a receita parece boa. O que depõe contra o livro é superficialidade com que esses assuntos são tratados. Parece um Sidney Sheldon do tempo dos faraós. Nada contra Sidney Sheldon, seu estilo e as centenas de seguidores dessa fórmula de sucesso. O problema é que se esperaria mais de um romance escrito por um historiador.

"A Rainha Sol" conta a história da princesa Akhesa, terceira filha do faraó Akhenaton. Recordando as aulas de história, Akhenaton foi o faraó que tentou estabelecer o monoteísmo na religião egípcia, para tentar diminuir o poder e a ganância dos sacerdotes tebanos. A religião politeísta permitia aos sacerdotes ditar as regras para a adoração dos deuses, incluindo oferendas de tesouros para os templos, sob a guarda deles. Akhenaton resolveu acabar com a festa e declarou Aton, o sol, como único deus, e o faraó como seu único representante na terra.

Akhenaton era casado com Neferiti, cujas representações nos fazem deduzir que deve ter sido uma das mulheres mais belas do antigo Egito. Dessa união nasceram três filhas, sendo Akhesa a mais jovem. Diversos acontecimentos funestos, intrigas políticas e familiares fazem a princesa casar-se com Tutankhamon após a morte de Akhenaton, e ambos assumem o comando do Egito. Ambos, sim. Pelas leis egípcias, apenas um casal poderia governar o império - o faraó e a grande esposa real. Tanto Akhesa quanto Tutantkhamon não passam de adolescentes quando assumem o trono. Pela história, enquanto a grande esposa está interessadíssima nas artimanhas do governo e tenta aprimorar cada vez mais suas habilidades de estadista, o príncipe é retratado como um adolescente afoito, cujos hormônios desregulados fazem com que que só consiga se interessar pelas noites de amor ao lado da mulher.

Para retratar a vida íntima desses personagens o escritor baseou-se em alguns fatos, mas também deve ter cometido uma série de "licenças". O que mais irrita é que tanto Akhesa neste livro, quanto Ramsés em "O Filho da Luz", são adolescentes extremamente precoces. Aos catorze anos, ambos são descritos com tendo uma sabedoria e uma maturidade pouco verossímeis para a idade. É fácil de entender. Como encaixar personagens reais da história em uma trama fictícia, que envolve traições, intrigas e relações que talvez não tenham acontecido com essas pessoas? É mais provável que as maquinações de Akhesa para manter o poder e as tórridas noites de amor descritas nos livros tenham acontecido com personagens anônimos, menos nobres. Mas aí, qual seria a graça?

O "estilo Sidney Sheldon" - apelo gratuito ao erotismo, a idealização das mulheres e dos homens, a pouca verossimilhança dos comportamentos - está presente logo no começo do livro, e já dá o tom da história. Descrições como a que se segue continuam por todo o texto:

Com os olhos de um verde suave, Akhesa contemplou longamente o Sol daquela manhã de fim de inverno, bola de fogo que dava a vida aos seres, tocando-os com seus raios. A moça não se cansava daquele espetáculo grandioso que acalmava suas angústias. Naquele instante, apreciava-o ainda mais. Seus jovens seios intumesceram-se com um legítimo orgulho. Aos quatorze anos, Akhesa era uma magnífica jovem morena, de corpo delgado e bem-feito. Sentia-se adulta, libertada das preocupações da infância. Os folguedos da adolescência já não lhe interessavam. Em seu espírito e em seu coração ocorrera uma grande metamorfose.

A metamorfose de que trata este trecho é a chegada da primeira menstruação da adolescente. Bem, só se no Egito Antigo as meninas sentiam-se adultas e libertas de angústias com essa idade. Na verdade, é justamente por essa época que as angústias começam a aparecer.

Outro ponto: não seria possível encontrar outro motivo para os seios da princesa se intumescerem? A impressão que dá é que o autor fez questão de apresentar estes elementos logo no começo do livro - a idealização, o erotismo - para não perder o leitor. E o leitor que está atrás disso não se decepciona. A linha continua a mesma até o final. Qualquer acontecimento serve de pretexto para exaltar a beleza, a inteligência e a forte personalidade da princesa. Algum diferença em relação às heroínas contemporâneas?

O ponto positivo do livro é que é possível pescar algumas informações sobre os hábitos e costumes da época. Só fica a dúvida de até que ponto essas informações são a versão do historiador ou do romancista. Vale a pena também prestar atenção nas notas de rodapé que indicam a localização de alguns templos citados na história. Com o auxílio do mapa do início do livro, fica mais fácil contextualizar o espaço dos acontecimentos descritos.

Não dá para esperar muito de "A Rainha Sol" em termos de conteúdo. Mas o livro pode ser uma ótima distração para quem aprecia o gênero. Se você está cansado da vida real e já enjoou de Sidney Sheldon, arrisque-se na "discreta erudição" de Christian Jacq. Só cuidado com a múmia de Akhesa - ela deve estar se revirando no sarcófago.

Para ir além





Adriana Baggio
Curitiba, 24/10/2002


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