A síndrome da rejeição via internet | Adriana Baggio | Digestivo Cultural

busca | avançada
33287 visitas/dia
1,3 milhão/mês
Digestivo Cultural
O que é?
Quem faz?

Audiência e Anúncios
Quem acessa?
Como anunciar?

Colaboração e Divulgação
Como publicar?
Como divulgar?

Newsletter | Disparo
* Histórico & Feeds
TT, FB e Instagram
Últimas Notas
>>> Daily Rituals - How Artists Work, by Mason Currey
>>> Fernando Pessoa, o Livro das Citações, por José Paulo Cavalcanti Filho
>>> A Loja de Tudo - Jeff Bezos e a Era da Amazon, de Brad Stone
>>> Reflexões ou Sentenças e Máximas Morais, de La Rochefoucauld
>>> O Capital no Século XXI, de Thomas Piketty, o livro do ano
>>> Trágico e Cômico, o livro, de Diogo Salles
>>> Blue Jasmine, de Woody Allen, com Cate Blanchett
>>> The Devil Put Dinosaurs Here, do Alice in Chains
Temas
Mais Recentes
>>> O cão da meia-noite
>>> O problema da Petrobras são vários
>>> Joana a Contragosto, Mirisola em queda livre
>>> O fim do PT
>>> Doida pra escrever
>>> Por que o petrolão é muito diferente do mensalão
>>> Viagem a 1968: Tropeços e Desventuras
>>> Dando nome aos progres
>>> Sobre o caso Idelber Avelar
>>> O livro do Natal
Colunistas
Mais Recentes
>>> Copa 2014
>>> Copa 2010
>>> Idade
>>> Origens
>>> Protestos
>>> Millôr Fernandes
Últimos Posts
>>> Dia do Ram
>>> Escrever e defender o governo
>>> Mozart 11 com Barenboim
>>> Haddad merece no máximo nota 4
>>> Graça Foster também sabia
>>> Caminhos para Roma
>>> Por que Graça Foster vai cair
>>> A primeira formatura
>>> Privatiza, Presidente!
>>> Eric Santos 2014
Mais Recentes
>>> Lembranças de Ariano Suassuna
>>> Harold Ramis (1944-2014)
>>> Sergio Britto & eu
>>> Para o Daniel Piza. De uma leitora
>>> Joey e Johnny Ramone
>>> A Cultura do Consenso
>>> De Kooning em retrospectiva
>>> Delírios da baixa gastronomia
Mais Recentes
>>> Jaime Pinsky
>>> Luis Salvatore
>>> Catarse
>>> Chico Pinheiro
>>> Sheila Leirner
>>> Guilherme Fiuza
Mais Recentes
>>> O segundo e-book do Digestivo
>>> Momento cívico
>>> Digestivo Books
>>> Caixa Postal
>>> Nova Seção Livros
>>> Digestivo no Instagram
Mais Recentes
>>> E eu comprei um iPod; e a minha vida mudou
>>> Em terra de cego, quem tem olho é Pelé
>>> Um tal Lucas
>>> Uma literatura de sangue, suor, lágrimas e idéias
>>> O Espião que Sabia Demais
>>> Brasil em Contra-Reforma
>>> Machado de Assis: assassinado ou esquecido?
>>> O Mestre do seu Sistema
>>> O Agressor, de Rosário Fusco
>>> Vade Mecum Tributário
LIVROS
Mais Recentes
>>> O Segredo do Sucesso é ser Humano
>>> O que restou de mim
>>> Caça ao Homem
>>> Pássaro da Tempestade
>>> A Humanidade e Suas Fronteiras
>>> Os Grandes Impostores
>>> Como Gata e Rato, Como Cão e Gata
>>> Os Fidalgos da Casa Mourisca
>>> O Príncipe
>>> Conversas
>>> Os piores dias de minha vida foram todos
>>> Coração de Mãe
>>> Entre o Silêncio e a Obra
>>> Transportes - História, Crises e Caminhos
>>> Embuscadoamor.com
>>> Um tal Lucas
>>> O Outono do Patriarca
>>> Um Corpo na Neve
>>> Cinquenta Anos Esta Noite
>>> Pedagogia dos Sonhos Possíveis
>>> Enquanto Deus não Está Olhando
>>> O Sopro dos Deuses
>>> A Viagem Iniciática ou Os 33 Graus de Sabedoria
>>> The Rolling Stones - A Biografia Definitiva
>>> O Legado
>>> O Trovador
>>> Prisioneiro da Sorte
>>> O Pergaminho Sagrado
>>> Pergunte a Deepak Chopra Sobre Amor e Relacionamentos
>>> Amor até debaixo d'água
>>> Viagem à Calábria
>>> Quase Casados
>>> Ter e não ter
>>> A Lei do Triunfo
>>> Panteão
>>> O Guerreiro do Oeste
>>> Katherine
>>> A Vingança da Amante
>>> Em Nome do Mal
>>> Por onde você anda?
>>> Os 13 Segredos
>>> Herança de Sangue
>>> O Mistério dos Deuses
>>> Quartos Fechados
>>> Ossos Perdidos
>>> Três Macacos
>>> Quebrando Regras
>>> Êxodo
>>> A Bíblia do Estilo
>>> A Espada de Medina
COLUNAS

Quinta-feira, 21/4/2005
A síndrome da rejeição via internet
Adriana Baggio

+ de 7800 Acessos
+ 10 Comentário(s)

Imagine a seguinte situação: você é gerente em uma empresa qualquer. Um de seus funcionários liga e pede para faltar no dia seguinte para resolver problemas pessoais. Você não precisa dar essa permissão, o funcionário não tem nada de especial e os motivos dele nem são tão bons assim. Mas, você decide concordar com o que ele pede. No entanto, depois que você dá a permissão, ele desliga o telefone na sua cara.

A comparação pode parecer um pouco exagerada, mas é assim que andam as comunicações por e-mail ultimamente. As pessoas normalmente não desligam o telefone na cara dos outros (a não ser em situações muito dramáticas), mas fazem o equivalente na comunicação via correio eletrônico. Por que o e-mail dá a impressão de permitir a falta de educação, respeito e cordialidade?

Se isso acontecesse apenas em relações de amizade ou que não envolvem a dependência de uma parte por outra, até seria compreensível. No primeiro caso, a intimidade se encarregaria de neutralizar algum melindre. No segundo, não haveria risco de que a falta de educação trouxesse alguma conseqüência prejudicial. Agora, o que eu não entendo é como as pessoas têm coragem de não responder e-mails de outras pessoas das quais dependem. A gente sabe que educação e gentileza acontecem muito mais por interesse do que por fazer parte do comportamento natural do ser humano. É cultural estabelecer diferentes níveis de cordialidade dependendo da posição hierárquica de nossos interlocutores, ou do nível de interesse que temos em relação a eles. Mas, por e-mail, parece que nem essa preocupação existe.

Acredito que a maioria não se comporta dessa forma por grosseria. É mais um não se importar, uma falta de cuidado com as relações. O contato entre as pessoas está cada vez mais utilitarista, frio, seco e breve. Quem aprendeu as regras tácitas da boa comunicação em outras épocas, ainda consegue manter o mesmo padrão no contato via e-mail. Mas aqueles que desenvolveram sua sociabilidade na era da internet, não conseguem perceber a importância de algumas atitudes básicas.

A situação descrita no começo do texto é hipotética, mas ilustra o fato de que as pessoas não têm muita consideração pelas outras, nem mesmo por aquelas que podem ajudá-las ou prejudicá-las. Nem gratidão nem medo servem de motivo suficiente para seguir as regras de política e boa convivência.

Já fui ignorada em diferentes níveis. Por empresas que abrem um canal de comunicação via internet, mas não dão nenhum retorno; por funcionários da faculdade onde trabalho, quando houve erro no meu contracheque (para mais...); pelos meus alunos, que nem quando me pedem para quebrar algum galho têm a consideração de agradecer ou responder meus e-mails. Imagino que os psicólogos em breve tenham de lidar com uma nova doença: a síndrome da rejeição via internet.

Será que estou obsoleta e não tenho a inteligência emocional adequada para viver nesses novos tempos? Será que realmente o problema é da minha sensibilidade e não da falta de educação dos outros? Já me questionei bastante sobre isso, mas cheguei à conclusão de que a indignação procede.

Quando ainda não existia internet e se conversava pessoalmente, por carta ou telefone, eu sempre pedi por favor e disse obrigada às pessoas. Nunca desliguei o telefone na cara dos outros (exceto dos namorados, é claro). Muito menos, fui indelicada ou desatenciosa com alguém de quem eu dependia muito, como um chefe ou algum burocrata de serviço público. Por que eu mudaria meu comportamento no e-mail?

Pode-se argumentar que a dinâmica do correio eletrônico altera também o comportamento. A utilização de abreviações, neologismos e emoticons proporciona uma comunicação muito mais rápida, como pedem as necessidades dos dias de hoje. Os jovens, por exemplo, precisam tomar decisões rápidas sobre qual a balada da noite e transmitir instantaneamente informações fundamentais para o bom desempenho da equipe, como o perfil do novo gato da turma (putz, tô mal de gírias...). Portanto, a agilidade da comunicação dispensa a boa educação.

Eu prefiro a forma tradicional de escrever as palavras e organizar frases e parágrafos, mas isso faz parte do conflito de gerações, é uma questão de forma. Posso ser tão mal-educada em português arcaico quanto em emoticons. Por isso, a linguagem e as características da comunicação on-line não justificam a ignorância das regras de cordialidade e gentileza.

Se você, leitor, receber um e-mail do nosso editor, o Julio, vai perceber do que eu estou falando. O Julio é uma pessoa que utiliza com muita tranqüilidade todos os recursos da internet. Ao mesmo tempo, os e-mails dele são impecáveis tanto no conteúdo quanto na forma. E mesmo sendo ocupadíssimo, ele nunca deixa de responder uma mensagem, mesmo que o interesse não seja dele.

Fico constrangida de chamar a atenção de pessoas adultas, mesmo que sejam alunos, sobre a importância de responder um e-mail, principalmente quando o interesse é deles. Seria como lembrá-los de que devem mastigar de boca fechada, pedir com licença e dizer obrigado: fundamentos básicos de educação, que se aprendem em casa. Já pensei na ironia, mas as vezes em que tentei eles não entenderam (olha aí os efeitos colaterais de uma linguagem pobre, as pessoas ficaram denotativas e cegas para o duplo sentido e as inflexões). Tenho a esperança de que aprendam na prática, quando alguém decidir cancelar uma compra, uma contratação ou uma promoção na empresa devido a e-mails não respondidos. Isso, claro, se ainda existirem pessoas que prezam a gentileza e a cordialidade na comunicação. Se esses exemplares desaparecerem, estaremos condenados à barbárie.


Adriana Baggio
Curitiba, 21/4/2005

Quem leu este, também leu esse(s):
01. Viagem a 1968: Tropeços e Desventuras de Marilia Mota Silva
02. Do outro lado, por Mary del Priore de Ricardo de Mattos
03. O caso Luis Suárez de Humberto Pereira da Silva
04. Caí na besteira de ler Nietzsche de Marol Azevedo
05. Como Passar Um Ano Sem Facebook de Dani Arrais


Mais Adriana Baggio
Mais Acessadas de Adriana Baggio em 2005
01. Por que eu não escrevo testimonials no Orkut - 6/10/2005
02. Traficante, sim. Bandido, não. - 16/6/2005
03. O erótico e o pornográfico - 20/10/2005
04. É preciso aprender a ser mulher - 4/8/2005
05. A importância do nome das coisas - 5/5/2005


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
22/4/2005
13h44min
Muito boa sua coluna sobre educação nos e-mails. Foi bem além da "netiqueta" ao lembrar as regras básicas de qq relacionamento interpessoal. Marquei nos meus favoritos e pretendo recomendar a alguns amigos desatentos. Parabéns pelo brilho e clareza, Marcelo
[Leia outros Comentários de Marcelo Portugal Fel]
23/4/2005
08h20min
Uma vez sugeri a um amigo aqui de Berkeley para incluir no Unix um atraso aleatório em mensagens eletrônicas para ficar mais parecido com o correio... Pelo menos para mim o maior problema é o excesso de e-mails, umas 50 mensagens por dia de trabalho, palestra, família, namorada e tudo mais, descontando o spam. Essa quantidade toda cria esta situação que você descreve ao menos no meu caso. Quando volto de férias deleto as mais de 1000 mensagens que ficam atoladas no meu e-mail. Ter que responder logo senão perde o prazo de validade também destroí as mensagens e seu conteúdo... Sempre que escrevo uma carta a mão, tenho uma semana, um mês de coisas legais para dizer... Agora e-mail, mal você mandou já recebe outro! É quase terrorismo. Ou não.
[Leia outros Comentários de Ram]
24/4/2005
00h44min
Muito interessante e oportuno este artigo. Trata-se de algo que me irrita muito, enviar um e-mail a um "amigo" e ser ignorado. Isso demonstra a superficialidade das relações de amizade hoje; todos andam com muita pressa para não fazer nada.
[Leia outros Comentários de Claudio Malagrino]
24/4/2005
22h44min
Bravo, Adriana! Chegou-me em muito boa hora, através de um amigo, a indicação para a leitura desta sua coluna. Como você, eu também andei me questionando sobre a minha, outrora elogiada, "inteligência emocional" e o que poderia estar acontecendo com ela... Definitivamente, não consigo entender, nem aceitar, tanta "falta de educação", nas atuais relações de amizade, mais constrangedoras ainda, se cultivadas via internet. O descaso é muito grande. Poucas são as pessoas que têm a "delicadeza" de, pelo menos, agradecer pelas mensagens que recebem, quanto mais interagir com o emitente das mesmas... Por diversas ocasiões, questiono-me se "alguns endereços de e-mails" ainda estão válidos, ou se os destinatários ainda estão em circulação por esses "evoluídos", mas nada cavalheiros, caminhos virtuais! Aproveitando o ensejo, meus parabéns, Você nasceu para escrever, pois o faz com muita propriedade! Um abraço, dessa leitora e fruidora atenta, porquanto mais não sou, Lou.
[Leia outros Comentários de Lou Correia]
10/5/2005
13h46min
Penso e ajo da mesma forma que você. Obrigada.
[Leia outros Comentários de Raydália]
29/8/2005
13h15min
Ótima matéria. Concordo. Talvez se fosse menor, apenas, melhor...
[Leia outros Comentários de Rodrigo Barbieri]
22/10/2005
23h11min
Parabéns, Adriana, por ter escrito sobre essa questão tão atual de responder os e-mails. Concordo com vc. Atualmente as pessoas estão assim, tanto na internet como fora dela: dando pouca importância aos outros. Vamos ver se essa situação melhora.
[Leia outros Comentários de Carolina Falcone]
27/6/2009
00h16min
Parabéns, acho mesmo que hoje em dia as pessoas estão muito individualistas - e sem educação -, como se o mundo fosse só delas, se esquecendo de que vivem em sociedade e dela precisam. Sinto muito pelo fato de o mundo estar dessa maneira tão sem educação.
[Leia outros Comentários de bethy maia]
27/6/2009
13h47min
Gostei muito do que a Adriana Baggio escreveu, ultimamente não só em e-mails mas em sites de relacionamento, como o Orkut, há uma grande falta de respeito. Parabéns, Adriana, e um grandioso abraço!
[Leia outros Comentários de Niéri Lima]
6/5/2010
14h00min
Perfeito! Acho então que precisamos fazer com que nosso e-mail seja "protegido" tanto quanto o é nosso endereço físico, de nossa moradia. Ou seja, não o dê a qualquer um. Mas isto só resolve parte dos problemas e logo veremos que não se trata somente dos e-mails, mas da EDUCAÇÃO e da CONSIDERAÇÃO em si. O "buraco" é mais embaixo...
[Leia outros Comentários de mauricio]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




>>> Leda Nagle recebe Ney Matogrosso no último Sem Censura ao vivo de 2014
>>> FOLHETIM DIGITAL O RIO E O MAR
>>> Além da pele: a beleza da alma e da família
>>> Estúdio Móvel recebe o diretor João Falcão nesta quarta (17)
>>> Série debate o amor e as diversas formas de casamento
>>> Retrospectiva 2014 no programa Observatório da Imprensa desta terça (16) na TV Brasil
* clique para encaminhar

Editora Conteúdo
José Olympio
Primavera Editorial
Editora Perspectiva
WMF Martins Fontes
Nova Fronteira
Bertrand Brasil
Busca Sebos
Cortez Editora
Civilização Brasileira
Hedra
Globo Livros
Best Seller
Arquipélago Editorial
Editora Record
Intrínseca
Companhia das Letras
LIVROS


A BUSCA PELA IMORTALIDADE
De R$ 45,00
Por R$ 28,06
Economize R$ 16,94



360 DIAS DE SUCESSO
Por R$ 26,95
+ frete grátis



ANJOS NA ESCURIDÃO
Por R$ 19,95
+ frete grátis



100 DIAS DE FELICIDADE
Por R$ 31,95
+ frete grátis



UM AMOR PARA ETERNIDADE
Por R$ 31,95
+ frete grátis



CÓDIGO COMERCIAL E CONSTITUIÇÃO FEDERAL
Por R$ 120,95
+ frete grátis



O CAVALEIRO DA MORTE
De R$ 45,00
Por R$ 30,95
Economize R$ 14,05



A SABEDORIA DOS BEATLES NOS NEGÓCIOS
De R$ 55,00
Por R$ 44,95
Economize R$ 10,05



ANTITRATADO DE CENOGRAFIA
Por R$ 70,95
+ frete grátis



MEDO LÍQUIDO
De R$ 49,90
Por R$ 44,89
Economize R$ 5,01



busca | avançada
33287 visitas/dia
1,3 milhão/mês