Rock de raiz | Luiz Rebinski Junior | Digestivo Cultural

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Quinta-feira, 7/2/2008
Rock de raiz
Luiz Rebinski Junior

+ de 4000 Acessos
+ 1 Comentário(s)

A onda folk que tomou conta da música pop nos últimos anos, trazendo para os holofotes artistas como Devendra Banhart, parece ter encontrado eco na cena brasileira. Com uma mistura inusitada de música caipira de raiz e rock inglês dos anos 80, o quarteto curitibano Charme Chulo tem sido uma voz dissonante no cenário musical independente atual.

Banalizado no meio musical, o termo folk não raro é usado para rotular qualquer tipo de música que tenha entre seus elementos violão e harmônica (gaita de boca). Baseado na música popular de raiz norte-americana, o folk teve em Woody Guthrie seu grande herói, até que Bob Dylan subverteu a ordem colocando guitarras nas puras e calmas baladas do gênero. Mas, diferentemente do que se vê por aí, a alcunha folk parece se encaixar bem à banda dos primos Igor Filus (vocal) e Lenadro Delmonico (guitarra/ viola) ― o grupo é composto ainda por Rony Jimenez (bateria) e Peterson Rosário (baixo).

A inspiração para o som pouco usual a banda encontrou no próprio quintal. Foi a partir de modas de viola, muito comuns no interior do Paraná (em Curitiba existe um teatro que reúne tocadores de viola nos fins de semana), da chamada música gauchesca (feita no vizinho Rio Grande do Sul e também bastante presente no PR), e de alguns elementos do imaginário caipira, como o ícone Mazzaropi, que o Charme Chulo baseou seu som. A esses elementos, o grupo adicionou pitadas do que de melhor o rock inglês produziu nos anos 80, como The Smiths e Echo and the Bunnymen.

O nome do grupo representa bem o conceito que a banda desfila em seu repertório, já que tenta reunir no mesmo balaio o charme, representado por guitarras estilizadas à moda Johnny Marr, e o ― supostamente ― chulo, presente em letras que realçam figuras como o Jeca Tatu e o modo de vida intimista, bem ao estilo da capital do Paraná.

Há indícios de Zé Rodrix, Legião Urbana, Neil Young e Blindagem ― banda pioneira do rock curitibano que tinha em Paulo Leminski seu principal parceiro ― nas músicas do Charme Chulo. É possível perceber também influências que vão além dos limites da música pop, como a literatura de Cristovão Tezza e Dalton Trevisan. Mas há acima de tudo um grupo com originalidade e ótimo repertório.

O primeiro e homônimo disco traz verdadeiras odes a paisagens bucólicas tocadas em ritmo ligeiro, como a excelente faixa de abertura "Mazzaropi incriminado", óbvia homenagem ao anti-herói brasileiro, em que Igor canta: "É, você se sente o Mazzaropi incriminado/ um brasileiro que perdeu mais uma chance/ é enganado tanto quanto ele só". A capa do disco, com uma foto do Passeio Público de Curitiba com uma carroça à frente, não deixa dúvidas de quanto o cotidiano da capital do Paraná influencia o som do grupo. E aqui se estabelece outro êxito do quarteto curitibano, que não resvala no simples bairrismo, nem deixa brecha para que seu som ganhe a pecha de "regionalista". Ao cunhar um rock com pegada caipira, a banda se aproxima do rock gaúcho, que desde sempre soube mesclar com bastante precisão e habilidade a tradição do cancioneiro local com a música jovem.

"Polaca azeda" é outra faixa dominada pela viola rápida de Delmonico em que fica evidente a influência da ex-banda de Morrissey, com direito, inclusive, aos mesmos gritinhos de Mozz ao final de "Ask". Mas as explícitas influências do Charme Chulo não soam como cópia ou simulacro. As sonoridades são digeridas e se fundem a elementos próprios, dando ao som da banda singularidade. Porém o grande barato do Charme Chulo não está nas guitarras surrupiadas dos grupos ingleses, mas sim no resgate da cultura popular do Paraná, tal como a tradição oral, a recriação do cotidiano e, principalmente, do sotaque curitibano, incrustado em expressões peculiares como o famigerado "leite quente" e em outras menos famosas como "dolé" (picolé), "piá" (menino) e "polaca azeda" (moça muito branca com raízes no leste europeu, não necessariamente vinda da Polônia). Tudo isso embalado em um verniz pop, que dá às músicas um toque cool, como na ótima "Piada cruel", em que Delmonico destila sua gaita de boca entre um solo e outro. Mas a vocação da banda para transformar elementos da tradição local em bons rocks é percebida com mais intensidade em "Amor de boteco", um roquinho de levada dançante, cantada ao melhor estilo rádio AM por Igor. A quinta-essência do rock caipira do Charme Chulo é "Solito a reinar", em que a viola de Delmonico dá origem a uma deliciosa canção pop.

Para ilustrar o som singular da banda, há ainda o visual caipira, que inclui camisa xadrez e chapéu de palha ― o contraste fica por conta do baterista Rony, com seu chapéu de caubói e jeitão de punk. Igor é responsável por um desempenho bastante peculiar à frente do palco, com trejeitos exagerados que misturam Ian Curtis e Renato Russo.

Com uma musicalidade dinâmica e cheia de boas influências, o Charme Chulo fez de elementos desprezados pelo universo pop sua matéria-prima. Um grupo que deixa o efervescente, porém pouco conhecido, cenário de música independente de Curitiba ainda mais interessante.


Luiz Rebinski Junior
Curitiba, 7/2/2008


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* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

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COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
8/2/2008
12h34min
realmente, Charme Chulo é uma banda surpreendente e interessante, ela é diferente sem se tornar enjoativa e forçada!
[Leia outros Comentários de Orlando Junior]
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