Click, de Bill Tancer | Rafael Rodrigues | Digestivo Cultural

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COLUNAS

Terça-feira, 14/7/2009
Click, de Bill Tancer
Rafael Rodrigues
+ de 4600 Acessos

Bill Tancer, autor de Click ― O que as pessas estão fazendo on-line e por que isso é importante (Globo, 2009, 272 págs.), é um homem de números, análises, gráficos. E geralmente pessoas assim não se dão muito bem com as palavras, com a escrita. Felizmente, Tancer não está neste grupo de pessoas. Sua preferência por números não o deixou completamente enferrujado para a escritura, e qualquer leigo consegue ler Click sem problemas. Até mesmo um cara como eu, que fez recuperação em matemática e geometria pelo menos umas três vezes (mais por desleixo do que por qualquer outra coisa, é bom deixar claro).

Uma boa prova disso é este trecho, que inicia os agradecimentos do autor e, também, a obra: "Se você desse uma olhada pela nossa casa, rapidamente descobriria minha obsessão por livros. Para a consternação da minha esposa (embora ela também tenha sua própria coleção), há livros espalhados por toda parte: nas estantes, que é o lugar deles, no criado-mudo, na cozinha, empilhados nos cantos e amontoados sobre todas as superfícies disponíveis". É óbvio que ele teve ajuda externa para escrever seu livro, mas nem o maior editor do mundo consegue deixar legíveis textos e informações desconexas. Além disso, Tancer é espontâneo e divertido. Ele não complica o que já é complicado. Ele torna as coisas mais simples.

Mas, enfim, falemos de Click.

Ferramentas de buscas são importantes fontes de informação sobre como, quando e por que fazemos uso da internet. Isso é notório. O que muitos não sabem é até que ponto isso pode ser útil e revelador. É justamente isso que Bill Tancer tenta ― e consegue ― mostrar aos leitores de Click.

Baseando-se em pesquisas aparentemente irrelevantes, Tancer expõe dados e relações de causa e consequência que não podem ser ignorados. Em um dos capítulos ele analisa, por exemplo, o porquê de buscas por "vestidos de formatura" crescerem vertiginosamente, nos Estados Unidos, na primeira semana de janeiro. Num outro capítulo, Tancer explica como as promessas de Ano Novo catapultam as visitas de determinados sites; além disso, ele esboça uma teoria para demonstrar as razões de essas promessas durarem tão pouco.

Algumas constatações não são nada animadoras, é verdade. Um dos dados mais importantes e que mais chama a atenção no livro se refere ao interesse que a maioria dos internautas tem por política: "A política on-line corresponde, relativamente, a uma fração mínima de nosso comportamento na internet. Os 756 sites que compõem a categoria 'política' compilada pela Hitwise [empresa de inteligência competitiva da qual Tancer é funcionário] respondem por apenas 0,23% de todas as visitas à internet no mês de janeiro de 2008. Para colocar a coisa em perspectiva, basta dizer que categorias como 'moda', 'seguros', 'loterias' e 'apostas' geram mais tráfego que a categoria 'política'.". São informações que têm como base os usuários norte-americanos, mas no resto do mundo não é muito diferente, não é mesmo?

Analisando os resultados de suas pesquisas sobre as pesquisas dos outros, Bill Tancer se aproxima da sociologia. O sexto capítulo de Click é sobre as buscas que mostram do que as pessoas têm mais medo. Um estudo sobre os termos mais procurados na internet, acompanhados das palavras "medo de", revelam que as pessoas "mentem" em pesquisas realizadas ao vivo e a cores; elas tendem a responder que têm medo de ratos, baratas ou de altura; o máximo que se aproximam de admitir uma fobia social é dizer que têm medo de falar em público. Mas, na verdade, são as fobias sociais que mais assustam. E as pesquisas de Tancer revelam isso. "Está claro que os medos sociais aparecem com mais frequência em buscas on-line que em resultados de pesquisas com base em entrevistas. A diferença no ranking dos medos pode demonstrar que as respostas dadas em entrevistas não refletem verdadeiramente nossos medos efetivos. Mas será que nossos medos sociais também poderiam ser exacerbados pela experiência on-line propriamente dita?". Afinal, a internet pode deixar completamente isolada uma pessoa que tenha medo de se relacionar com outras. Ou seja, ela pode se transformar em um ser totalmente antissocial. Mas a internet pode ser também a solução para essa fobia: "Ainda que a internet possa fazer com que nos afastemos uns dos outros, o anonimato que ela propicia pode nos possibilitar, assim como a cortina, tela ou treliça de um confessionário católico, a segurança de admitir coisas que normalmente não discutiríamos com mais ninguém". O mundo virtual funcionaria como uma espécie de terapia e, com os relacionamentos virtuais aumentando tanto em número quanto em profundidade, talvez a pessoa comece a se sentir mais segura para tentar transformar seus contatos virtuais em convivências reais.

Entre outros assuntos, Bill Tancer escreve, ainda, sobre Web 2.0 e sobre a importância dos usuários early adopters. Mas seu livro não estaria completo se ele não comentasse, mesmo que de forma breve, a crise que atingiu os jornais norte-americanos ― e que os está dizimando. "Se eu tivesse de identificar o setor de atividade econômica que sofreu o golpe mais duro com a internet, escolheria a indústria dos jornais. De uma perspectiva de lucros, os jornais perderam milhões de dólares de assinaturas para as notícias gratuitas disponíveis na rede. Os lucros provenientes dos anúncios classificados também sofreram um impacto significativo por conta de sites de leilões como o eBay, e classificados on-line como o Craiglist."

Mas fazer constatações, com tantos dados à disposição, não chega a ser uma tarefa tão difícil. Investigar esses dados, como faz Tancer, sim. E mais complicado ainda é tentar, depois de analisar dezenas ― às vezes centenas ― de informações, fazer previsões. Como, por exemplo, adivinhar o vencedor do programa Dancing with the Stars. Na primeira tentativa, no início de 2006, Bill Tancer erra. E erra feio. É quando ele resolve desvendar os motivos que o levaram ao erro, descobre, e depois acerta os vencedores do Strictly como dancing (programa britânico que inspirou o Dancing...) e do American Idol daquele mesmo ano.

A rigor, Click não traz muitas novidades sobre o mundo virtual. E nem é essa a intenção. Bill Tancer não deseja mostrar grandes descobertas a ninguém. O que ele busca ― sem trocadilho ― é entender melhor o nosso mundo ― e a nós mesmos ― tendo como base as milhares de pesquisas que fazemos todos os dias na internet e os sites que acessamos após fazê-las. E, além disso, mostrar o que podemos fazer com essas informações. Por tudo isso, Click é um livro importante e esclarecedor.

Para ir além






Rafael Rodrigues
Feira de Santana, 14/7/2009

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